domingo, 10 de julho de 2011

Torcidas caladas

Tanto na Copa América quanto na Liga Mundial de Vôlei, ser anfitrião ( ou ter a imensa maioria de torcedores no local onde o jogo está sendo disputado ), mais do que não significar a vitória, dá azar. Entre os dias 8 e 9, três seleções estiveram nessa situação, sendo que duas empataram e uma perdeu.
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Começando pela Copa América, o Chile tinha a maioria de hinchas nas arquibancadas do estádio Malvinas Argentinas, já que a cidade de Mendoza fica na divisa entre Argentina e Chile. A seleção, única do grupo C a vencer na primeira rodada, porém, ficou no 1x1 com o Uruguai. Álvaro Pereira abriu o placar para a seleção charruá e o cobiçado Alexis Sánchez fez a torcida da Roja explodir ao comemorar o empate. No jogo de fundo, uma das surpresas da competição, o Peru, bateu o México por 1x0, com gol de Guerrero, numa partida fraca tecnicamente.
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No grupo B, o estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, poderia ser facilmente confundido com o conhecido Defensores del Chaco, de Assunción, devido ao imenso número de torcedores paraguaios presentes para o jogo contra o Brasil. Em partida na qual foi superior tecnicamente, porém, os guaranis viram Fred, no finzinho do jogo, decretar o 2x2 que deixou paraguaios e brasileiros com dois pontos no grupo, átras da líder Venezuela.
A Viño Tinto bateu o Equador por 1x0, com gol de González, e está a um empate da classificação para a segunda fase.
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Na Liga Mundial de vôlei, a anfitriã Polônia perdeu para a Rússia por 3-1, em Gdansk, e viu a seleção euroasiática ir à final contra o Brasil, que fez o popular " três coco ", ou seja, 3-0 na eterna rival Argentina. O fato curioso do jogo vai para o segundo set, que teve o incrível placar de 42x40.

sábado, 9 de julho de 2011

Imprensa livre, povo vingado

É consenso que qualquer político rouba, rouba muito, e passam impunes. Tapeiam dinheiro público, que todos nós produzimos e, basicamente, serve pra vida dos engravatados, e não pra construção de hospitais, escolas ou rodovias. É difícil escapar desse pensamento e até os mais esperançosos e otimistas, como eu, tem dificuldades de provar algo diferente na máquina política atual.
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Porém, em alguns casos, a população, por meio da imprensa, consegue algumas vitórias contra quem, alegadamente, tapeia-o. Durante o já histórico caso do mensação ( que, aliás, José Dirceu disse que nunca existiu e é tudo mentira ), José Dirceu viu seu castelo de propinas ruir. Outros nomes importantes da política, como Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto, foram varridos de Brasília. Delúbio Soares, Silvio Pereira ( mais conhecido como Silvinho Land Rover ) e Marcos Valério tornaram-se nomes comuns dos noticiários políticos, e símbolos dum país que crescia e deixava a ética de lado.
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Alguns outros escândalos surgiram, como o dos sanguessugas, do mensalinho, Renangate, cartões corporativos, Satiagraha, atos secretos, Gamecorp ou Erenice Guerra. Nesses, alguns Severinos ou Erenices foram destituídos, mas Renans Calheiros e Sarneys seguiram normalmente com suas atividades. Após o mensalão, a imprensa foi, veladamente, cerceada, para que os impactos de tudo que ela dissesse tivesse menor impacto na vida dum governo que se achava inventor e descobridor do melhor país do planeta.
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O partido é o mesmo, e tinha-se o temor que Lula governaria em nome de Dilma. Embora ela continue com os programas sociais do antecessor ( a parte boa do governo dele, diga-se ), ela mostra-se uma pessoa que liga bem mais pro bom-senso e pra ética. Mesmo falhando ao colocar Antônio Palocci num dos cargos mais importantes da equipe ministerial, Dilma foi rápida em tirá-lo do ministério da Casa Civil ao ver novas denúncias, publicadas na revista Veja, mostrando que o caráter do petista é do tamanho duma azeitona.
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Nessa semana, a mesma revista publicou matéria que apontava mutretas no ministério dos Transportes, incluindo em diversas patacoadas o próprio ministro, Alfredo Nascimento. A matéria foi publicada no sábado, e na quarta-feira Alfredo já era ex-ministro. Uma troca rápida e sem qualquer custo ou novela para a presidente, que foi lépida e agiu com confiança, presteza e compromisso não só com seus eleitores, mas também com todo o país.
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Se continuar assim, o Brasil pode continuar no eixo econômico certo, mas tem uma conquista ainda mais voraz, desejosa e impressionante: a limpeza moral.

A esperança da política nacional

Nas eleições de 2010, uma figura pouco usual tomou de assalto a mente dos que queriam um sopro de renovação na política nacional. Uma mulher baixinha, esquálida e morena ganhou a aprovação dum eleitorado que estava louco para se manifestar, mas não via alternativas nem graça nas eternas discussões entre os pseudoliberalistas do PSDB e os pseudosocialistas do PT. Marina Silva ganhou a empatia e o voto de 20 milhões de brasileiros, e, para muitos analistas políticos, a candidata da chamada " terceira via " política venceu as eleições, apesar de nem ter ido para o segundo turno.
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Repare duas coisas: ao falar de Marina Silva, jamais falarei a palavra politicagem. Isso é o que faz os partidos tradicionais e comuns, os mais do mesmo, os nem lá nem cá, os inúteis que são imensa maioria. E repare que é possível ganhar mesmo perdendo, pois, agora, quem quiser vencer eleição terá que olhar pra uma nova turma: a dos jovens que pensam e estão cansados da mesmice na política. Marina abraçou essa turma e representou-os muito bem em 2010.
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Recentemente, Marina Silva desligou-se do PV, sob a alegação de que o partido perdeu a mão e tornou-se outro qualquer na catatônica cena do poder brasileiro. A atitude da acreana deu-se após o presidente do PV, José Luiz Penna, ter prorrogado seu próprio mandato, atitude que a base da sigla sempre condenou.
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Marina Silva mostrou não aceitar conversa quando seu próprio partido, a quem ela praticamente deu vida ano passado, foi contra o que ela justo, ético, democrático e correto. Junto com ela, outros nomes que merecem muito destaque e dos quais eu gosto muito, como Fernando Gabeira e Ricardo Young, saíram do PV. Com eles, vê-se, não tem conversa. Ou se faz o certo ou não se faz nada.
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A candidata declarou que não pretende ingressar em nenhum outro partido, e não pretende concorrer a nenhum cargo nas eleições do ano que vem. Para muitos, não há como organizar um partido até 2012, e talvez essa nem seja a intenção de Marina Silva. Ela sinalizou com a intenção de criar um movimento suprapartidário, algo inovador que nós, brasileiros, talvez nem tenhamos a dimensão do que represente.
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É de políticos assim que precisamos, que não liguem pro poder, mas preocupem-se com o bem comum e com a nação. Cada vez mais me orgulho em dizer que votei em Marina Silva em 2010, e em mais ninguém, pois anulei meu voto no segundo turno. E em 2014, com a senadora já conhecida do grande público, espero ver a esperança, a renovação e a mocidade ocupando um lugar que jamais imaginou ter, pra dar a verdadeira revolução do bem brasileira.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

O que fizeram com o São Paulo ?

Outrora, era o clube invencível, que num ano ruim no mínimo ia pra Libertadores e era guiado por dirigentes de bom-senso, que controlavam a austeridade financeira do clube e deixavam o técnico trabalhar sem qualquer interferência. Esse tempo, porém, acabou. Hoje o São Paulo é apenas um clube de títulos, sem rumo, sem diretores inteligentes e que não sabe pra onde vai.
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A demissão de Paulo César Carpegiani, que ocorreu hoje, era pedida desde a eliminação na Copa do Brasil ante o Avaí, nas quartas-de-final da competição. Após a partida, o meia Rivaldo deixou de lado a já famosa timidez e vociferou contra o técnico da equipe. Foi ventilado na imprensa que Carpegiani já estava demitido e já se cogitavam nomes para o cargo vago. Eis que, numa reunião com a diretoria, tudo, como num passe de mágica, se solucionou. A alegação é que os cartolas tricolores esperavam que Carpa pedisse a demissão de Rivaldo, se colocando acima do clube. Como isso não ocorreu, ele ficou no cargo, para a surpresa de todos.
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A equipe, igualmente como num passe de mágica, venceu cinco partidas seguidas. Jogando bem como contra Fluminense ou Grêmio, ou passando sufoco como contra Figueirense, Ceará ou Atlético Mineiro, o time estava embalado. Aí veio a Copa América e a convocação para o Mundial sub-20.
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O São Paulo deveria ceder Lucas, disparadamente o motorzinho do time, para a seleção principal e mais Casemiro, Henrique, Willian José e Bruno Uvini para o Brasil da base. Soma-se a isso as contusões de Miranda, Rhodolfo e Fernandinho. É quase um time inteiro, o que desmontaria qualquer equipe no planeta. Após a convocação, veio o clássico Majestoso, contra o Corinthians. Após um primeiro tempo no qual o time se segurou, o segundo foi um desastre graças a expulsão de Carlinhos Paraíba, e a goleada histórica de 5x0 para o rival. A crise veio novamente.
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O resultado pode ter sido histórico, mas a torcida, ignorante que só, passou a pedir novamente a cabeça de Carpegiani, esquecendo-se do milagre que ele vinha fazendo com o time até então. Mais duas derrotas, para Botafogo e Flamengo, selaram o destino de Carpegiani, que despede-se do São Paulo com incríveis 66% de aproveitamento, suficiente para levar o time para a Libertadores da América.
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Era óbvio para todos que o mês de Julho, das convocações e de jogos duas vezes por semana, seria traumático. Mas nenhum trauma pode desmontar um planejamento - se é que a diretoria são-paulina tem um. Agora o São Paulo está sem técnico ( Jorginho, da Portuguesa e Dorival Júnior, do Atlético Mineiro, são os mais cotados ), sem moral, sem poder de reação e sem jogadores à altura. Pra melhorar, os próximos adversário do tricolor são Cruzeiro e Internacional, dois dos melhores elencos do país e em franca ascenção. Derrotas magras são um imenso lucro para o tricolor.
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Pois bem... o que a diretoria faz enquanto isso ? Juvenal Juvêncio, que aparecia a torto e a direito quando a fase era boa para provocar seu " amigo " Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, sumiu. Outros nomes famosos da diretoria, como João Paulo de Jesus Lopes e Carlos Augusto de Barros e Silva, também não dão a cara a tapa. Para fazer um populismo demagógico e nojento com alguma parte acéfala da torcida, eles demitem o treinador, deixando o time ainda mais desgovernado. Carpegiani, você era apenas um infeliz no lugar errado e na hora errada. Perdoe-nos por essa diretoria amadora.
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Não quero falar aqui que Paulo César Carpegiani é santo. Mas 66% de aproveitamento, 2 pontos em cada partida, tem que ser respeitados. Paulo ficava visivelmente ansioso antes de clássicos e partidas importantes, e o time sentia isso, jogando mal e perdendo - foi assim contra o Avaí, contra o Corinthians e nos clássicos contra o Santos no Paulistão. Essa característica dele deveria ser trabalhada com os psicólogos tricolores, pois se isso se resolvesse ele seria muito querido no Morumbi.
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Para mostrar trabalho para os torcedores, a diretoria também tratou de reforçar o time. O meia Cícero, vice-campeão da Libertadores com o Fluminense em 2008, foi contratado. Outro meia, o argentino Marcelo Cañete, está praticamente contratado. Para a posição, o São Paulo já conta com Lucas, Ilsinho e Rivaldo. É necessário mesmo quatro meias de ligação, sendo que no máximo dois são utilizados... ? E essa urgência em contrata-los só se explica pela ausência de Lucas. Ora, já pensou se a diretoria fosse contratar dois nomes para cada desfalque... ? O elenco são-paulino teria no mínimo uns 60 jogadores.
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Meias seriam contratados, volantes, zagueiros, atacantes, centroavantes... mas nada de lateral-direito. O último jogador de ofício que passou pelo setor foi Adrian González, que poucas chances teve no time. O último a ter a confiança do torcedor foi Ilsinho, que saiu do tricolor em 2007 e voltou esse ano, atuando como meia. Já se vão quatro anos sem um lateral-direito, sacrificando jogadores de outras profissões que não jogam o seu máximo em campo pela improvisação.
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Pra fechar o dossiê contra essa diretoria covarde, calhorda e incompetente, relembro a demissão de Turíbio Leite de Barros, fisiologista com nível de seleção brasileira que trabalhava no tricolor desde 1985, da noite pro dia, causando mágoas num dos profissionais mais renomados da medicina esportiva nacional. Outro da área médica que saiu foi o preparador físico Carlinhos Neves, que ficou dez anos no clube, outro com passagens pela seleção brasileira. Talvez com esses nomes Luis Fabiano já não estivesse em campo...
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Essa é a vida do torcedor são-paulino, que até bem pouco tempo átras tinha dirigentes com visão de futuro e centrados, e, duns tempos pra cá, sofre com a dinastia de alguns dinossauros que não sabem nada de futebol e muito menos de administração de clubes. Segue a vida, e o São Paulo é bem maior que isso. Mas, infelizmente, essa sequência de fases ruins e brilharecos de cinco jogos só acabará quando a mudança ocorrer lá em cima, pra depois ser sentida no time.

A maioria prevalece

É sabido de todos que as duas maiores torcidas do país são as de Flamengo e Corinthians. A maioria do país, portanto, está feliz após essa oitava rodada do Brasileirão.
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O Corinthians é o líder do campeonato após vencer o Vasco da Gama por 2x1, em São Paulo. A partida marcou a reestréia de Juninho Pernambucano pelo Vasco, e o Reizinho fez gol logo no início da partida, contando com a ajuda do goleiro Júlio César. Porém, Ralf e Paulinho viraram a partida para os paulistas. O vice-líder Flamengo venceu a terceira maior torcida do país, o São Paulo, por 1x0. A derrota custou o cargo do técnico Paulo César Carpegiani no tricolor paulista.
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Outras duas grandes torcidas que comemoraram foram as de Internacional e Cruzeiro. O Inter suou, mas venceu o lanterna Atlético-PR por 1x0 no Rio Grande do Sul. O rival do colorado, o Grêmio, foi até Minas Gerais e perdeu para o Cruzeiro por 2x0, em noite inspirada do ótimo meia Montillo, que fez dois golaços. No entanto, uma grande massa de torcedores sofreu um grande baque. O Atlético-MG foi até o nordeste e perdeu por 3x0 para o Ceará. A torcida, inconformada, foi até o aeroporto protestar. No tumulto, Richarlyson bateu boca de forma ríspida com torcedores alvinegros.
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Nos demais jogos, empates. O Avaí segue sem vencer na competição já que foi segurado pelo Bahia, num bom 2x2 na Ressacada. O Botafogo teve sua ascenção freada em casa pelo Atlético Goianiense, que arrancou um 1x1, mesmo placar da partida entre América Mineiro e Palmeiras.
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Está definida a final do Mundial-sub-17, no México. Os donos da casa eliminaram a Alemanha num 3x2, com direito a gol de Gómez aos 44 do segundo tempo. A final será realizada contra o Uruguai, que sofreu pressão, mas soube aproveitar suas chances contra o Brasil e fazer 3x0. Álvarez, de pênalti, abriu o marcador, e San Martín e Méndez fecharam o caixão da seleção canarinho.
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Pela Copa América, mais um vexame argentino. A albiceleste enfrentou a Colômbia, em Santa Fé, e viu o adversário ter as melhores chances da partida ( incluindo um gol incrível perdido por Dayro Moreno ), ficando num 0x0 que pode comprometer até a classificação para a próxima fase. No outro jogo da chave, em Jujuy, de pouco adiantou toda a torcida para a Bolívia, já que a cidade fica próxima da fronteira com o país andino. Numa grande partida de Campbell, que fez o segundo gol costarriquenho ( o primeiro foi de Martínez ) e cavou malandramente uma das duas expulsões bolivianas, a Costa Rica bateu a Bolívia por 2x0. Se a Costa Rica empatar e a Bolívia vencer a Colômbia, a Argentina conseguirá a proeza de ser eliminada na primeira fase dentro de casa na Copa América, competição que classifica 8 das 12 participantes.
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Pela Liga Mundial de Vôlei, a seleção brasileira vingou a derrota no Brasil para os Estados Unidos, vencendo os norte-americanos por 3-1 na fase final, realizada na Polônia. No próximo jogo, brasileiros e russos verão quem será o lider do grupo. Pela outra chave, a Argentina já se classificou, após duas vitórias contra Itália e Bulgária. A segunda colocação, que dá direito a disputa das semifinais, é disputada entre Itália, que enfrenta a já eliminada Bulgária, e os anfitriões poloneses, que enfrentam a seleção sul-americana. A Itália só não abocanha a segunda colocação do grupo se perder ou vencer por 3-2 e os poloneses vencerem por 3-0 ou 3-1.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A mística

A seleção argentina é uma gigante adormecida. Desde quando Maradona se aposentou da albiceleste, em 1994, o selecionado não conseguiu vencer um título sequer. São 18 anos de fila, uma maioridade ingrata e que, por mais que tenha-se um time fortíssimo e tradição indiscutível, não consegue ser superada. Várias são as teorias para tentar explicar isso, e ontem um filósofo deu a sua no Tá Na Área, programa do SporTV.
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Ele, claro, começou sua explicação por Maradona. Com ele, a Argentina era a melhor seleção do planeta ( mesmo ganhando só a Copa de 1986, Diego já era jogador profissional em 1978, ano do primeiro título mundial do país ) e Diego não era apenas um jogador desse time, nem somente o melhor, ou o craque do futebol no país. Era muito mais que isso. Era um ícone político, cultural e social dum país que vivia profundas transformações em todas as áreas, que saia duma ditadura violentíssima e buscava uma democracia, que via a Inglaterra com um ódio mortal e via sua seleção lavar a alma duma nação inteira ao fazer dois gols antológicos na Copa ( um de mão, claramente ilegal, que para os argentinos é muito mais que um gol, é o troco de tamanhas injustiças que os bretões fizeram contra a Argentina; e o outro na mais pura técnica do genial jogador, que levou o time inteiro desde o meio campo e fez o gol mais bonito da história das Copas ).
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Maradona sempre foi identificado com o país e com a seleção. Sempre foi visto em Buenos Aires, sempre declarou-se torcedor fanático do Boca Juniors, jamais negou ajuda ao seu primeiro clube ( o Argentinos Juniors, de pequena tradição ante Boca, River e Independiente, por exemplo ), e sempre ajudou quem quisesse, sem se preocupar em fazer média com uns e outros. Sempre foi ele mesmo, defendendo o que achava justo. Levou uma Argentina desacreditada à Copa de 2010, e fez uma campanha condizente com o que tinha em mãos. Não venceu, mas não teve sua aura santa ( santa mesmo, basta lembrar que Maradona tem uma igreja em sua homenagem, com seguidores, bíblia e tudo mais ) arranhada com o episódio nem após quase morrer de overdose, em 2004.
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A vida de Maradona confunde-se com a da Argentina desde a década de 70. Ao ver o camisa 10 fora dos gramados, o país começou a sofrer a pior época do governo Menem. E, em campo, todo enganche ( nome dado na Argentina ao meia de ligação brasileiro ou ao trequartista italiano ) sofria com as comparações ao ídolo. Dessa forma, vários ótimos nomes foram queimados, como Aimar, Saviola, Ortega, Gallardo, d'Alessandro e Romagnoli. Até que surgiu Messi.
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Não tinha como dar errado. Tinha uma categoria fora do comum, bom caráter, não se metia em polêmicas e já era considerado o melhor do mundo.
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Mas ele não era Maradona. Messi, embora argentino, foi para a Espanha muito cedo, e sua identificação com o país beira ao zero. Muitos notam que La Pulguita sequer canta o hino nacional, por não saber ou por não ligar para isso. Se ele de fato vivesse a Argentina, se ressentiria com a morte de Néstor Kirchner ou daria apoio aos panelaços de 2001, que tirou Fernando de la Rúa do poder. Messi nada fez, pois era muito mais europeu que sul-americano. Era não, é.
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A Copa América mostra isso. Mais que não cantar o hino, Messi não parece aquele que faz milagres com o mágico Barcelona. Em campo, taticamente, ele sente demais a falta meio-campistas de sua qualidade, já que Busquest, Iniesta e Xavi não são Banega e Rojo. Mas é muito mais que isso. Maradona colocaria a boca no trombone e criticaria o técnico. Messi se cala sabendo que sua opinião seria respeitada, já que Sérgio Batista mostra ser um técnico fraco. Messi sequer tenta suas arrancadas fenomenais ou suas assistências incríveis. Na seleção, Lionel torna-se comum. Torna-se um espanhol com a camisa da Argentina.
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Após dois empates na Copa América realizada na Argentina, contra Colômbia e Bolívia ( ! ), vê-se que Messi terá que absorver a cultura argentina se quiser lembrar o Messi do Barça. O ambiente é desfavorável e hostil pois os argentinos o acham querido, e não um deus na Terra. Os argentinos querem gostar de Messi, enquanto Maradona é a síntese do país nos últimos 40 anos.
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No último jogo, ante a Colômbia, via-se uma faixa que dizia que Messi é humano. Ou seja, ele pode errar e o país o perdoa, o que é positivo. Mas ela também quer dizer que Messi jamais será Maradona, mais que um humano.