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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Precisamos falar sobre refugiados

A foto que correu o mundo fala por si só - a criança morta na costa turca do Mediterrâneo; e eu recomendo que você só veja a foto se tiver o coração forte, já que a imagem não tem imagens fortes, apenas símbolos tristes e chocantes demais.
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Créditos: Pragmatismo Político/Reprodução
Também não quero (ao menos com esse texto) entrar no mérito da discussão jornalística sobre o tema, tampouco na veiculação ou não da foto que mostra o garoto - discussão muitíssimo pertinente, aliás; e é bom ver que, ao menos nesse caso, a imprensa mais acertou do que errou, até onde sei. A questão aqui é outra, mas que também passa pelo jornalismo (aliás, é condição de existência da mesma): as causas humanitárias.
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Existem muitos fatos associados a essas causas que você não deve conhecer. Aliás, existem muitos fatos por aí que você não conhece. E são justamente esses fatos que colaboram para o crescente aumento de refugiados mundo afora. Ok, o Estado Islâmico é um deles e esse você deve conhecer, mas você não deve saber (ou talvez nem se lembre) que a Síria segue em guerra civil, que muitos países do Oriente Médio restringem a entrada de refugiados e que países como Líbia e Somália têm um governo oficial apenas na prática. Isso sem falar na fome, no Ebola, em outras tantas doenças, na falta d'água ou de saneamento básico. Coisas básicas, mas que milhões de pessoas no mundo não dispõem - e são pessoas miseráveis desses locais que compõem o imenso contingente de refugiados mundo afora.
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Esses são problemas políticos, não tenha dúvida. Mas a discussão sobre abrigar quem é vítima dessas mazelas sociais é algo muito maior que a política. Não existe direita ou esquerda, liberal ou conservador. Existe cidadania, respeito e amor ao próximo. Países escandinavos (meu modelo de sociedade ideal) oferecem abrigo a refugiados - como a Islândia e a Suécia. 
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Créditos: Angop/Reprodução
A Alemanha, maior força econômica da União Europeia, também se destaca nesse aspecto. Mais do que números, a sociedade aceita os refugiados. Na última rodada da Bundesliga (o Campeonato Alemão), as torcidas de Borussia Dortmund, Werder Bremen, Bayern e Hamburgo levaram faixas para os estádios dando boas-vindas aos novos habitantes - os bávaros foram além, oferecendo abrigo, comida e aulas de alemão. A causa dos desamparados é uma das principais do St. Pauli (da segunda divisão alemã, que conta com adeptos muito ativos em prol de minorias) há tempos, também.
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Há, porém, péssimos exemplos. O leste europeu tem na Rússia um dos países mais racistas da Terra, enquanto a Hungria tem políticas confusas e a República Tcheca chega ao cúmulo de construir campos de refugiados. Fascismo puro.
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A conversa fascista de que eles vão roubar empregos e etc é tão absurda que não cabe nem discussão, apenas resposta: refugiados não recusam empregos, se esforçam para construir um lugar melhor para o próximo, cuidam do pouco que tem e são extremamente gratos aos que os ajudam. Uma prova viva disso é o documentário SP Créole, que foi o Trabalho de Conclusão de Curso de duas amigas da minha sala (Débora Mayumi e Pamela Passarella) sobre haitianos que vivem no Brasil - movimento migratório que tomou força após o terremoto que devastou o país em 2010; e sim, o problema é mundial, não apenas com destino à Europa.
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Créditos: Umit Bektas/Reuters
Você, descendente de italianos, portugueses, japoneses, espanhóis, árabes, de várias etnias negras ou qualquer outra nacionalidade talvez não saiba que o seu primeiro antepassado a pisar no Brasil queria viver dignamente e/ou melhor - assim como haitianos, bolivianos, chineses e coreanos, árabes na Europa ou afins. Você discriminaria seus parentes?
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Não existe nacionalidade maior que a humanidade, assim como não pode existir pensamento que não pregue o respeito ao próximo. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Provocações baratas e falta de respeito marcaram o aniversário do Corinthians

Primeiro de setembro é conhecido não só como o primeiro dia após o ano chamado de agosto: é também o aniversário do Corinthians, data celebrada por todos os torcedores da equipe. 
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Créditos: Carlos Augusto Ferrari/Globoesporte.com
O texto começa por aí: a data tem que ser celebrada pelos torcedores da equipe aniversariante. Fico me perguntando porque os torcedores rivais também tornam o aniversário o assunto do dia, com brincadeiras e mensagens até desrespeitosas - mal sabem eles que essa atitude ingênua apenas engrandece o oponente, talvez. Eu realmente espero que os leitores desse humilde blog tenham mais o que fazer da vida e não fiquem nessas provocação tão tola e pueril com os outros.
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Sendo assim, achei bonita a atitude do Palmeiras. Via Twitter, a equipe parabenizou o Corinthians:
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Ao dizer que os dois clubes formam a maior rivalidade do país, é claro que o clube mexeu em um imenso vespeiro. Ao menos para mim não é a maior rivalidade nem de São Paulo, mas isso é assunto para outra postagem. Provocação barata e desnecessária, óbvio. Mas isso não dá nenhum direito de ninguém desrespeitar a instituição ou os torcedores que a apoiam. 
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Foi isso que fez Daniel Perrone, blogueiro que acompanha o São Paulo no Globoesporte.com. Ele retweetou a postagem do Palmeiras ironizando a mensagem, falando de uma "linda união homoeafetiva' - o tweet não será embedado para não fazer apologia de algo tão desprezível de um pseudojornalista que quer ser levado a sério. 
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Créditos: Cosme Rímoli/Reprodução
Isso é falta de respeito, pra começo de conversa. No meu mundo ideal seria crime - e levaria Perrone pra cadeia automaticamente. 
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Eu só não sei o que é pior: essa postagem tão infeliz ou a completa ausência de uma homenagem, por mais simples que seja, do São Paulo para o rival. Isso diminui o clube que pode vencer o ou perder para o Tricolor. A história de um é muito mais rica com a presença do outro como antagonista forte, abrilhantando cada título e/ou vitória ou vendendo caro cada derrota. 
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Digo sempre que o futebol é um grande reflexo de qualquer sociedade - no caso brasileiro, apenas novelas de grande audiência chegam aos pés do esporte nesse aspecto. O São Paulo mostra muito bem um grupo intolerante que se acha dono da razão em tudo - da diretoria e até mesmo boa de parte de seus torcedores. 
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Créditos: Paulo Favero/Estadão Conteúdo
Se a relação entre São Paulo e Palmeiras já não era tão amistosa nos tempos de Juvenal Juvêncio (ele provocava o Corinthians muito mais para tirar onda com Andrés Sanchez, então mandatário corinthiano que é seu amigo pessoal; sempre com respeito), ela tornou ainda pior com Carlos Miguel Aidar na presidência tricolor. Ele disse certa vez que o Palmeiras estava se "apequenando", logo após Paulo Nobre (presidente palmeirense) romper qualquer contato com o SPFC por conta de uma suposta má fé em negociações.
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Tanto os cartolas quanto o blogueiro não tem noção do quanto suas palavras e opiniões mexem com os torcedores - criando um clima de guerra, na pior acepção da palavra. 
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Em tempos de tanta intolerância, só temos a lamentar que até um simples aniversário seja motivo para faltar com respeito ao próximo.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Ir às ruas agora é escolher entre dois erros

Nos dias 16/08 e 20/08, milhares de pessoas protestaram no Brasil. Os dias distintos não são por mero acaso: no domingo protestaram os descontentes com o atual governo federal; na quinta-feira, os que a defendem. 
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Créditos: Felipe Raut/Estadão
Essa é só uma divisão bem superficial, que fique bem claro. O protesto de domingo tinha grande presença de pessoas que defendem o impeachment, golpe, a volta dos militares ao poder e outros quetais que você pode imaginar o quão absurdos são pelos exemplos que citei. Os protestos de quinta tinham pessoas que falavam pelos "pobres, minorias, trabalhadores" e grupos sociais pouco privilegiados - mas que não conseguem enxergar o quanto o atual governo é nocivo para eles mesmos.
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Ainda sobre os que defendem o atual governo: é engraçado ver que a cor dominante foi o vermelho. O vermelho do PT, da causa trabalhista. Partido esse que não se deu conta da mudança de rumo na economia mundial e levou o pais à recessão, cortou o direito de trabalhadores e aposentados e repete a novela que o PSDB (seu grande antagonista no cenário político de quem só vê política pela grande mídia) tanto fez no Brasil. 
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Você pode não gostar do governo Dilma, mas defender um golpe, os militares ou seja lá o que for não é nada inteligente - nem válido, aliás; ao menos por ora. Assim como defender um governo que levou o Brasil a essa situação nada satisfatória é tão escroto quanto. 
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Créditos: Paulo Pinto/Agência PT
Fique em casa, amigo. É mais inteligente. Você não vai ser confundido com alguns loucos que aparecem em cada uma dessas manifestações - como bem mostram esse e esse vídeo que viralizaram na internet. Você não vai ser chamado de coxinha nem de petralha, não vai entrar em discussões inúteis e de pouca inteligência em redes sociais.
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A situação é totalmente diferente que a das manifestações de 2013. Aquelas, que lutaram (até de maneira violenta) para ser apartidárias e que tinham um foco claro (em seu começo, é claro) não merecem ser colocadas na mesma cesta que essas atuais, tão deploráveis. 
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Não erre - nem à direita, nem à esquerda. Em momentos de histeria é importante observar e pensar bem antes de tomar qualquer partido. E, nesse momento, melhor mesmo é não ter nenhum partido.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O Brasília x Goiás da Sul-Americana diz muito sobre o futebol brasileiro

Brasília x Goiás se enfrentaram pela segunda fase da Copa Sul-Americana na última terça-feira - dia 18/08. O jogo de ida entre o Colorado e o Esmeraldino acabou 0x0 e foi disputado no Bezerrão, no Gama - cidade-satélite do Distrito Federal. Apesar do lead, a intenção aqui não é fazer um pós-jogo: é mostrar que com informações bem simples essa singela partida diz muito sobre o atual momento do futebol brasileiro.
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Créditos: AFP/Conmebol.com
A primeiro pergunta a ser respondida: porque Brasília e Goiás jogam a Copa Sul-Americana?
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Vamos começar pelo Esmeraldino. O Goiás foi apenas o décimo segundo colocado no Brasileirão de 2014, mas tem vaga na Sul-Americana por conta do esquema absurdo da CBF, que emparelha a competição continental com a Copa do Brasil. Só joga a Sul-Americana quem está eliminado na Copa do Brasil e tem condições de herdar uma das oito vagas no certame - vagas que são herdadas de acordo com a posição nas ligas nacionais do ano anterior. Achou ruim? A Ponte Preta, vice-campeã da Série B do ano passado, também está na Sul-Americana. 
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Isso acontece por conta de uma disputa política entre a CBF e a CONMEBOL. A Confederação Brasileira de Futebol quis fortalecer a competição nacional, colocando os times mais fortes para disputar o torneio. Para isso, colocou a Copa com jogos entre os dois semestres (algo óbvio para qualquer pessoa com um polegal oponível), com os clubes brasileiros que participaram da Libertadores em fases posteriores. 
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Créditos: Brasiliafc.com.br
Com isso, quem sai perdendo são os clubes que poderiam jogar a Sul-Americana com o valor que ela merece. É uma competição continental, vista por toda a América - e que atrai alguma atenção fora desse eixo. É interessante para qualquer um disputar a Sul-Americana. Quem liga para o que a CBF diz?
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São sei vagas para os representantes advindos das ligas nacionais. As outras duas, pasmem, são para os campeões de competições regionais chanceladas pela CBF: a Copa do Nordeste e a Copa Verde. Ridículo, mas sempre dá pra piorar quando falamos de futebol brasileiro. 
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O Ceará foi o campeão da Copa do Nordeste de 2015 e teria por direito a vaga na Sul-Americana. Por competência própria conseguiu avançar às oitavas-de-final da Copa do Brasil e queria participar das duas, com times distintos. A CBF vetou e deu a vaga para o Bahia, vice do torneio e que não avançou até essa fase da competição nacional. 
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Créditos: Agência Estado
Copa do Nordeste de 2015, claro. O enrosco é ainda mais patético quando falamos do Brasília: o Colorado foi campeão da Copa Verde de 2014, e joga a Sul-Americana apenas um ano depois. Em 2015, o Brasília perdeu o Campeonato Brasiliense para o Gama (!) e ficou quatro meses sem fazer um jogo sequer. A pior mazela do futebol brasileiro foi escancarada para quem quisesse ver.
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Explicado? Sim, é difícil. A sorte é que o texto pode ser relido. 
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Tem mais: o Brasília costuma mandar seus jogos no Mané Garrincha, suntuoso estádio candango erguido no Distrito Federal para a Copa do Mundo - com custo superior a R$ 1,7 bilhão. Por sinal, é o segundo maior estádio brasileiro da atualidade - mesmo com o estado não tendo nenhum time em nenhuma das três divisões nacionais. Mas o jogo aconteceu no Bezerrão, na cidade-satélite de Gama. Tudo porquê o Mané Garrincha não tinha laudo para a partida. É isso mesmo: o jogo que recebeu sete jogos da Copa do Mundo de um ano atrás (incluindo três eliminatórios) não tinha laudo para uma partida da segunda fase da Copa Sul-Americana. 
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Créditos: Reprodução/SporTV
Como podem imaginar, o 0x0 foi um espetáculo digno de comédia pastelão. O Goiás entrou com time misto; o Brasília entrou com atletas que estavam sem a menor condição física, muitos que faziam sua primeira partida pelo Colorado. Estádio praticamente vazio, gramado literalmente voando a cada disputa de bola. 
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Só com muito amor para assistir o atual futebol brasileiro.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Por que os números de manifestantes da PM nunca batem com os demais?

Não é preciso ir muito longe nesse blog para verificar o quanto eu sou contrário a praticamente tudo que envolve qualquer coisa que seja militar no Brasil, por vários motivos. Mas desde março, quando começaram os protestos contra o atual governo federal, um fato que envolve a corporação muito me intriga.
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Créditos: Luciana Yole/Flickr
Eu, manifestante desde os tempos de #ForaSarney (em 2009), me acostumei a ver PM jogando os números de cada protesto para baixo - quase no chão, aliás. 
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Começando pelo próprio #ForaSarney: em São Paulo, a manifestação reuniu 700 pessoas segundo os organizadores, mas cerca de 300 para a PM. A diferença absoluta pode ser pequena, mas a distância de 300 para 700 é superior a 100%. Como a polícia pode cortar mais da metade do número de manifestantes em um evento?
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Essa curiosidade em torno da PM tomou proporções imensas em 2013, durante os protestos que começaram contra o aumento das tarifas do transporte público e depois sintetizou várias reclamações da população. É patético. Enquanto o Movimento Passe Livre (que começou com as reivindicações) estimava atos com 5.000 e 100.000, a polícia colocava 2.000 e 65.000, respectivamente. O Estadão fez um belo infográfico sobre isso.
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Créditos: Joel Silva/Folhapress
Eis que chegam os protestos contra o governo desse ano. A PM estimou 1.000.000 de pessoas em março; o Datafolha, 210.000. Em abril, nova discrepância: 275.000 para a PM; 100.000 para o Datafolha. Nos protestos de agosto a história não foi diferente: 350.000 para os militares; 135.000 para o Datafolha. 
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É interessante notar que, ao menos em março, o governo federal teve manifestações de apoio - e os números novamente foram discrepantes, mas com a PM voltando a dar números muito abaixo. Em março, o Datafolha contou 41.000 pessoas; a PM, 12.000. 
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Créditos: Jorge Araújo/Folhapress
É óbvio que as entidades organizadoras (a saber, o Movimento Passe Livre) tem interesse em inflar seus números. O que é ~curioso~ é ver que manifestações estudantis e a favor de um governo que é contra os interesses históricos da PM ficam com estimativas muito abaixo das demais, enquanto em protestos que vão de encontro ao que os militares querem esses mesmos números são superdimensionados. Vale dizer também que nos protestos contra o governo policiais tiravam fotos e eram tratados como heróis.
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E você? Acredita na polícia?

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Precisamos de um pacto nacional pela arbitragem

Eu comecei a acompanhar futebol em 1998, influenciado pelo meu pai - são-paulino doente, de quem herdei o time de coração. Dois jogos antes da triunfal volta de Raí e do título do Paulistão sobre o Corinthians, o Alvinegro passou pela Portuguesa nas semifinais com um pênalti que até hoje é apontado pelos rivais corinthianos com vergonha - que motivou o clássico choro de Augusto e eternizou o nome do árbitro argentino Javier Castrilli.
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Créditos: César Greco/Palmeiras
Vi meu time ganhar o estadual, a Libertadores e o Mundial em 2005. O campeão brasileiro foi o Corinthians, no Brasileirão lembrado até hoje pela remarcação de jogos por conta da Máfia do Apito e pelo pênalti de Fábio Costa em Tinga - não marcado e motivo da expulsão do então volante colorado. Alberto Dualib, presidente do Timão na época, chegou a dizer que o verdadeiro campeão daquele campeonato seria o Inter.
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Lembrei de dois casos não para culpar o Corinthians, mas porque esses fatos entraram para a história do futebol brasileiro. Todos os times tem um punhado de erros de arbitragem a favor, assim como os corinthianos com certeza se lembrar de outros tantos erros que os prejudicaram. E é esse imenso excesso que precisa ser combatido. Acima de tudo: sem nenhum tipo de clubismo.
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As últimas três rodadas do Brasileirão foram pródigas em erros de arbitragem. Em apenas sete dias vimos um sem fim de erros capitais. Estaria mentindo se não xinguei todo mundo depois do gol mal anulado do São Paulo e do pênalti assombrose de Uendel não marcado no clássico contra o Corinthians, mas convenhamos que Felipe não mereceu nenhum dos dois cartões que o levaram a ser expulso. Isso sem contar no pênalti que o árbitro não deu a favor do Goiás contra o São Paulo, o gol com duas bolas em campo validado pela arbitragem e o impedimento que só a bandeirinha viu em Avaí x Corinthians, o gol que Apodi levou a bola claramente com a mão em Chapecoense x Atlético Mineiro, o(s) pênalti(s) que o árbitro não marcou para o Flamengo contra o Palmeiras... não faltam lances. Tem para todos os gostos, para todos os times. Você só precisa escolher.
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Foto: Reprodução
Isso cria um clima de desconfiança que coloca qualquer credibilidade de um campeonato em xeque. Eu, particularmente, não acredito em roubo e erros de má fé - só em incompetência mesmo. E isso não torna a sucessão de equívocos algo menor.
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Todos sabem disso tudo que eu falei. Todos sabem que os árbitros são horríveis e todos sabem que mais ou menos hora vão ser prejudicados e beneficiados. O problema é que cada clube só vê o seu lado. Só reclamam quando é contra si. Quando é a favor, torcedores e por vezes até jogadores e dirigentes ironizam o erro. Mais do que isso: quando isso acontece, não há repreensão de parte nenhuma por parte do clube beneficiado. 
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Após o ótimo Corinthians 4x3 Sport, a diretoria pernambucana emitiu uma nota oficial repudiando a arbitragem do jogo - do paulista Luiz Flávio de Oliveira. A principal polêmica foi quanto ao pênalti final, em lance que... foi pênalti - segundo uma nefasta recomendação da FIFA que ninguém conhecia após o primeiro Corinthians x São Paulo na Arena, no ano passado; e em lance que o juiz de Atlético Mineiro x Grêmio não marcou um penal para o Galo. Bem o Sport, que foi beneficiado por erros dos árbitros no mínimo, contra Avaí e São Paulo. 
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Créditos: Ricardo Zanei/UOL
Só hoje o Flamengo lançou uma nota oficial manifestando seu repúdio contra a arbitragem do Brasileirão. O Palmeiras lançou a pior nota de todas, falando da ~pressão que adversários querem exercer na arbitragem~ - ao que parece, o Palmeiras está satisfeitíssimo com os árbitros. A nota alviverde saiu um dia depois do Porco vencer o próprio Flamengo, em partida que teve pelo menos dois lances polêmicos a favor do time carioca - nenhum deles validado. Vamos ver por quanto tempo o papo se mantém.
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Cada clube só pensa em si, como pode ver. Pior que isso, os torcedores entram na onda e só ligam para o que acontece contra o próprio clube - endossando as palavras dos dirigentes que apoiam. Desculpe, mas eu me recuso a ser massa de manobra e ser tratado como gado. É óbvio que fico bravo quando vejo meu time prejudicado, mas o problema é bem maior que isso. 
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Se lembra de Corinthians x Sport? Um árbitro paulista escalado para apitar um jogo em São Paulo de um time paulistano - ainda mais um Oliveira, família de árbitros famosa por erros favoráveis ao Timão. A CBF não treina e ainda escala árbitros com esse critério pavoroso, de colocar árbitros do mesmo estado do mandante. É pedir para desconfiar da idoneidade do árbitro e da instituição. Isso sem falar em medidas absurdas - como a da proibição de comemorar com a torcida, a proibição de qualquer manifestação de torcedores e da punição para cada mínima reclamação. 
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Créditos: Agência Estado
TODOS que gostam de futebol precisam refletir. A começar por nós, torcedores, que precisamos parar de ser massa de manobra de dirigentes que só pensam no próprio clube - e em si mesmos. Só assim poderemos exigir dos cartolas (dos clubes e da CBF), dos árbitros e de todo mundo que está envolvido nessa história uma situação melhor da arbitragem. Para isso, precisamos criticar todos os erros, indistintamente do clube que seja. 
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O futebol é bem maior que você e que o seu time. A raiva a cada erro seguirá existindo, mas precisamos ter consciência que o futebol brasileiro está na UTI. É hora de salvá-lo.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Sintetização

Quanto mais você trabalha, mais você conhece suas virtudes e seus pontos fracos profissionais - assim como a prática existe para te apontar os erros te melhorar. Melhor ainda é quando você aprende algo para levar para o resto da vida ao trabalhar. 
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Créditos: http://migre.me/pMFaA
Sou jornalista e trabalho com informações. Mas, ao longo da minha vida e da minha formação acadêmica, ouvia muitas vezes que meus textos eram densos demais - ou seja, que eram bem escritos, mas que a quantidade de informações deixava a leitura pouco fluída.o
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Eu me perguntava se isso não era um contrassenso - ora, um texto jornalístico com menos informação? Também me perguntava se eu precisava escrever textos menores. Na verdade, eu só queria acertar meus textos.
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Eis que, de tanto ler (no trabalho, por lazer, textos aleatórios diversos), percebi que minhas contextualizações (tão importantes) fugiam demais da ideia principal do texto. Precisava reduzir as informações extras e diminuir também a quantidade de dados "embutidos". 
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Até hoje tento me readaptar, para ser sincero. Tenho vontade de compartilhar tudo com o mundo - e acho que quem mostra conteúdo passa a ser interessante; assim como acho que pessoas assim também recebem mais informações, de uma forma ou de outra. 
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Créditos: http://migre.me/pMF9l
Resultado: meus textos ficam mais leves, mas eu sempre acho que posso colocar algo mais nele. O jeito é fazer dois ou três textos, como "suítes" - jargão jornalístico que se refere a fatos que ganham cobertura em mais de um dia.
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Não é o meu gosto, mas é como fica melhor. Ossos do ofício.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Kiwi: mais uma rede social estragada pelos brasileiros

Brasileiros tem um dom natural para estragar praticamente tudo - as exceções, infelizmente, apenas confirmam a regra. O péssimo hábito social dos brasileiros na internet é famoso em jogos online mundo afora - mas não só neles, infelizmente. 
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Créditos: Reprodução
Até mesmo as redes sociais, tão queridas e interessantes, sofrem com esse efeito devastador que é a invasão brasileira. Última rede social que explodiu em solo brasileiro, o Kiwi se tornou mais uma vítima da deturpação que usuários do país conseguem executar com tanta perfeição. 
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A ideia do Kiwi é ótima: fazer uma plataforma de perguntas e respostas (como os antigos Formspring.me e Ask.fm) com a possibilidade de se conhecer novas pessoas (já que conta com um botão "Descobrir", similar à opção "Atividade" no Twitter e no Instagram) e de curtir determinadas respostas.
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Os problemas da rede social, que rapidamente tornou-se entediante, é o uso que os brasileiros fazem dele. Cada vez mais me parece que, aqui, redes sociais servem apenas para auto-promoção - e fazer novos amigos, cultivar amizades antigas e ter algum debate construtivo, ficam relegados ao último plano de cada uma delas. 
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Créditos: http://migre.me/pEPma
Focando apenas no Kiwi, encontramos fatos comuns em outras tantas plataformas: logo criou-se uma espécie de casta que reúne grupos de várias pessoas e que logo monopolizam as perguntas. Esses grupos fazem contas e, quando seguidos, mandam questões para quem os segue. Cada indivíduo desse grupo se identifica de alguma maneira. 
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Até aí, nenhum problema. O problema mora nas perguntas. Pra começar: muitas delas nem são perguntas. Por que alguém manda como pergunta um "Bom dia"? Por que inventam tantas histórias mirabolantes? Isso sem contar nas perguntas cretinas e sem criatividade. 
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Esses grupos são cada vez mais comuns justamente porque tem quem os sigam. E os "usuários comuns", obviamente, tem sua parcela de culpa. 
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Não só por seguir esses grupos. A disposição de responder perguntas de uma maneira interessante é nula em muita gente. Respostas apenas com emojis, com um "sei lá", "não sei" ou com risadas são infindáveis. É realmente necessário responder essas perguntas, sejam de grupelhos que só querem se promover ou de anônimos? Não seria muito melhor apenas apagar a pergunta, impedindo que ela floode todo o Kiwi alheio?
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Créditos: http://migre.me/pEPnV
Muitas pessoas também passar a seguir várias contas de maneira desenfreada, para ter mais seguidores e aumentar sua visibilidade. Em geral, essas pessoas já tem alguma popularidade em outras redes sociais (usando de artifícios semelhantes aos que fazem no Kiwi) e deixam de seguir quem haviam seguido tempos depois. Pra finalizar, as pessoas do penúltimo parágrafo também costumam se encaixar nesse grupo. 
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Sim, eu tenho um Kiwi - mas cada vez mais fico desmotivado em usá-lo. Mais uma ótima ideia que, pelo uso erro, é mal aproveitada.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Torcer para o rival! Jamais?

Rogério Ceni causou polêmica na entrevista pós-jogo da sofrida vitória do São Paulo sobre o Danubio, no Uruguai. Perguntado por um repórter se ele torceria para o Corinthians (que joga contra o San Lorenzo e cuja vitória beneficiaria o Tricolor), Rogério foi enfático: "Torcer para o Corinthians? Jamais!"
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Créditos: http://migre.me/pvl3N
A frase rapidamente se tornou viral nas redes sociais. E não, o título dessa postagem não está errado - até porque eu não ratifico a ideia de Rogério. 
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Segundo o Aurélio, torcer significa "dar apoio a ou esperar resultado positivo de". O começo da minha argumentação é simples: nenhum são-paulino vai torcer para o Corinthians na vida, mas vão esperar um resultado positivo do time hoje. A palavra torcer, por si só, é forte demais para descrever a situação. 
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Um são-paulino, por motivos óbvios, vai torcer para o São Paulo sempre. Mas ele também tem que torcer para o bem do São Paulo. E, no caso, o melhor para o São Paulo é a vitória do Corinthians. Não, nenhum tricolor precisa (nem deve) gritar gol ou sair na rua com uma camisa da Gaviões da Fiel gritando "Timão eô", mas é preciso entender a situação. 
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Créditos: http://migre.me/pvl5c
Ao menos para mim, torcer cegamente e irracionalmente para o Corinthians perder hoje é ser muito mais "anti-corinthiano" que são-paulino. Ser anti do maior rival, aliás, me parece um mal grave cada vez mais comum em tempos de extremismo em tudo. Nem mesmo a remotíssima chance de eliminação corinthiana e classificação de São Paulo e San Lorenzo me convence. 
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Situações semelhantes já aconteceram várias vezes. A mais recente (e uma das mais extremas) que me lembro aconteceu na última rodada do Brasileirão de 2014. Por culpa da própria incompetência, o Palmeiras dependeu de um empate do Santos contra o Vitória para seguir na Série A. Eis que o Peixe faz 1x0 e salva de vez o Verdão. 
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Créditos: http://migre.me/pvl5M
É certo que a rivalidade entre Palmeiras e Santos é bem menor que a que envolve São Paulo e Corinthians. Mas ela existe, e isso basta. Gritar gol do Santos foi querer o bem do Palmeiras - e nenhum palmeirense se arrepende disso, mas sim da campanha horrenda do próprio time. 
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O são-paulino, historicamente tão arrogante, não parece ver isso. Ver o outro mal é melhor que ver ele mesmo bem. Isso ajuda a explicar tanta coisa errada no clube nos últimos tempos. 

sábado, 11 de abril de 2015

Devagar com o andor - a terceirização não é ruim pra todo mundo

Não basta o Executivo estar perdido: o Legislativo parece que tomou para si a capacidade de criar polêmicas que apenas o Planalto e os escândalos de corrupção tem para ganhar as páginas políticas dos jornais. A mais nova controvérsia veio nessa semana, com a aprovação por parte da Câmara de uma lei que facilita a terceirização de trabalhadores.
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Créditos: http://migre.me/pqkxT
A reação pública à medida foi de revolta e muita crítica. Dentre tudo que foi falado, as queixas mais comuns foram o desrespeito aos direitos trabalhistas e à Consolidação das Leis do Trabalho - a famosíssima CLT, presente desde os tempos de Getúlio Vargas. 
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Não venho aqui defender a terceirização, que fique bem claro. Mas tenho uma opinião um tanto quanto diferente da maioria. Antes, tenho um convite para você: informe-se e tente saber os lados bons e ruins dela. Vi muita gente compartilhando massivamente conteúdos de apenas um dos lados da discussão. Um bom texto que achei nesses moldes é o da ótima Negócios da Comunicação.
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Se eu fosse o presidente do mundo, lutaria arduamente para todos os empregos terem carteira assinada e todos os benefícios que todo e qualquer trabalhador sonha e deseja - mas que, na maioria das vezes, eles apenas sabem que existem. Ter um vínculo empregatício é algo muito mais seguro por tudo que a lei pode te amparar - Fundo de Garantia, seguro-desemprego e afins. 
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Mas, aqui, tenho que lançar mão de uma argumentação que eu, particularmente, não gosto: a exemplificação de uma única pessoa. Minha, mais especificamente. Minha Carteira de Trabalho tem apenas as anotações dos estágios e lugares em que trabalhei, sem criar vínculo empregatício nenhum. Basicamente: sou freelancer (ou PJ, ou pessoa jurídica, ou terceirizado) desde o começo da minha recente vida profissional - seja como estagiário, seja como senior. 
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Créditos: http://migre.me/pqkz1
Na primeira empresa que trabalhei (com a qual sou magoado até hoje pela minha demissão abrupta) ganhei vale-refeição, vale-transporte e seguro odontológico. Na segunda, VT. Em ambas os locais tive seguro de vida. Aí reside o primeiro ponto: o empregador sabe que, se não houver o mínimo de condição, poucos (pra não dizer ninguém) vão se colocar à disposição para trabalhar lá. E os que se dispuserem, provavelmente, não vão ter a menor capacidade de fazer o que é pedido. 
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Fui um terceirizado clássico no meu último estágio, no Hospital Israelita Albert Einstein. Meu e-mail era diferente, meu cartão magnético para destravar as portas idem. Na realidade, eu não tinha direito nem a comer lá - mas é claro que o meu "chefe" sempre fez questão de não tornar esse fato um empecilho, até pelo que eu disse acima. A compensação vinha ao receber: meu salário líquido era maior que o dos estagiários contratados pelo próprio HIAE. Eu tinha maior liberdade com o meu próprio dinheiro, que chegava de uma vez - e não ficava retido em cartões quaisquer. 
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Essa situação, aliás, sempre foi um dos motivos que me fez seguir como pessoa jurídica no meu primeiro emprego em tempo integral. Não convém discutir aqui, mas eu ganho mais como PJ do que se optasse por assinar um contrato com a empresa. Sei que não vou ter determinados benefícios e que o investimento em seguros, poupanças, aposentadorias e afins virá do meu próprio salário, mas fiz e refiz várias contas antes de optar por esse tipo de contrato e vi que, para mim, compensava. 
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Não só para mim, para a minha agência também. E aí entra mais uma impressão minha: quanto mais fácil o acesso à terceirização, mais fácil é abrir e/ou manter uma micro, pequena e até média empresa - o que é um enorme estímulo para empreendedores e para o próprio país, já que 99% das empresas brasileiras são PME's, e elas respondem por 27% do PIB nacional e mais da metade dos empregos no Brasil.. 
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Sobre o parágrafo acima, um adendo: se a terceirização pode ser favorável para PME's (que, literalmente, lutam para viver por ter menos recurso e estrutura) e para contratados por elas, a situação é bem mais cômoda para empresas maiores. E algo tem que ser feito para que essas empresas de maior porte não façam uma orgia com os direitos de seus atuais e futuros empregados. São elas que devem dar o exemplo - e punidas se não forem leais a quem batalha para mantê-la reconhecida.
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Além do meu emprego, faço dois freelancers para duas empresas que, por si só, são terceirizadas. Lido com duas pessoas distintas e nunca (com ênfase no nunca) tive problemas com pagamento. Eles sempre pedem para conferir o montante (que varia de acordo com as horas trabalhadas); e, caso algum erro ocorra, me ressarcem no mês seguinte - como já aconteceu, aliás. Sem drama nenhum.
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Gostaria de relembrar que esse é apenas o meu caso, é claro. Também relembro que atuo no jornalismo, uma área que sofre com demissões em massa e tristes trâmites jurídicos de empregados e patrões - e que cada vez mais vê a terceirização ficar comum, por sinal. Pode ser que ser PJ no Jornalismo não seja tão desvantajoso assim, pode ser que eu seja um imenso sortudo.
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A mensagem que quero deixar é que não podemos demonizar a terceirização. Devemos lutar pelos direitos trabalhistas sim, óbvio; mas se ser terceirizado é vantajoso para mim, certamente também é para várias outras pessoas.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O Jesus que morreu na Páscoa

O cenário era um deserto, no sentido literal da palavra. Terra arrasada era pouco. O povo estava descrente, engolido por seus detratores - que cada vez eram mais fortes e tinham maior número. Não havia a mínima força nem sentido para lutar. Eis que ele chegou. Jesus? 
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Não, Muricy Ramalho. A tradicional epopeia cristã aplicou-se muito bem ao começo da terceira passagem de Muricy Ramalho no São Paulo, em 2013. A sequência dessa história também se assemelha bastante à Bíblia: os renegados deram a volta por cima. No caso são-paulino, escapou-se (com alguma sobra) do rebaixamento em 2013, o time voltou a ser respeitado e teve uma campanha espetacular no Brasileirão do ano seguinte - além de lutar com muito brio na Sul-Americana do mesmo ano. 
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Eis que chega 2015 e chegam também todos os problemas que todo fã de futebol (nem precisa ser são-paulino) já conhece. A diretoria resolve jogar contra, os jogadores ficam apáticos... 
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O beijo de Judas de Muricy foi a derrota para o Botafogo, com um time titular incapaz de fazer gol num primeiro tempo e sem coração no segundo. Isso após não conseguir vencer nenhum clássico e ter uma campanha previsível na Libertadores - eterna prioridade pelos lados do Morumbi. 
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Tal qual Jesus, seu nome segue cultuado pelos seguidores de uma religião - adeptos que cada vez mais têm a certeza que Muricy foi traído e injustiçado. 
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É claro que ele não é perfeito. Seu jeito ranzinza proibiu a utilização de tecnologia de estatísticas na comissão técnica, assim como alguns de seus erros durante alguns jogos mataram totalmente a equipe. Mas seu caráter, sua fidelidade e seu coração sempre foram adorados no Morumbi - que ele sempre fez questão de tratar como sua própria Galiléia. E disse que ainda voltaria para encerrar de vez sua vida no futebol. 
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Piegas? Sim. Mas a história de Muricy no São Paulo é quase uma metáfora religiosa. 
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De volta à realidade: agora não tem como jogadores e diretoria se omitirem. As coisas vão voltar a andar e a melhorar - até porque é difícil ficar pior. E, por ordem de preferência (e sem contar a dificuldade em trazer cada um deles): Sampaoli, Sabella, Luxemburgo, Cristóvão e Abel Braga.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Reduzir a maioridade penal não nos deixa mais seguros

É raro vermos um assunto polêmico ganhar uma repercussão mais séria em Brasília. Foi isso que aconteceu nessa semana, com a aprovação da redução da maioridade penal pela Comissão de Constituição e Justiça. 
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A polêmica é muito antiga e contrapõe, basicamente, eleitores que se conservadores que se identificam com a antiga direita (a favor) e liberais, mais à esquerda no espectro político - contrários à medida. 
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Quem acompanha a página sabe que o blogueiro tem ideias bem claras à respeito de um sem fim de assuntos; mas, quando a esse, prefiro me abster. Não por ser alienado ou por não estar inteirado por conta dos fatos. É simplesmente por achar que essa é uma ínfima parte de um problema que é muito maior. 
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Sei bem que jovens de dezesseis e dezessete anos já tem consciência do que podem ou não fazer, que a Constituição teria que ser alterada, que esses menores são laranjas de quadrilhas ou que elas acabam prejudicando apenas a faixa mais carente da população. O problema, para mim, é que isso não vai mudar quase nada. 
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O dado que mais me chamou a atenção foi a quantidade de crimes que são cometidos por pessoas entre dezesseis e dezessete anos: menos de 1%. Ou seja: as chances de você não ser roubado, assaltado, morto ou qualquer outra coisa se a lei entrar mesmo em vigor é praticamente idêntica se ela não ser aceita nos demais trâmites do Congresso.
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Sei bem 1% no país com a quinta maior população do mundo e com índices de violência tão assombrosos é um número considerável - e que se evitarmos apenas um episódio de violência já teremos um êxito. Mas estamos pensando na sociedade e temos que pensar no todo, e não em miudezas - ou na minoria. 
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Achar que o Brasil vai ser mais seguro por conta da redução da maioridade penal é um erro, simplesmente. O simples fato dessa lei ser tão pedida indica o quanto os brasileiros em geral andam doentes. A luta tinha que ser muito maior. Tinha que exigir mudanças na educação (para instruis pais e filhos sobre o que é certo e o que é errado em tudo na vida); na inclusão social (para dar chances de crescimento na vida para todos); na política trabalhista (para todos terem uma ocupação e colaborar com o país) e esportiva (para dar um lazer digno para todos, principalmente se envolver jogos coletivos); no sistema carcerário (para ele não ser o túmulo de cidadãos, mas sim uma espécie de reciclagem social)... 
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Poderia ficar até amanhã elencando o que temos que mudar antes de ver se o certo é mandar para a cadeia gente de dezesseis, dezoito, vinte e um ou cinquenta anos, mas você certamente já me entendeu. 
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A notícia não é triste e nem digna de aplausos, na verdade. Eu apenas lamento que nos preocupemos tanto com uma das celas quando temos um Carandiru inteiro para discutir. 

sexta-feira, 27 de março de 2015

É hora de fechar a casinha

É difícil entender o que raios acontece com o São Paulo. Um time que não sofre nada contra times pequenos (a Ponte Preta não é pequena) (ao contrário do Palmeiras, por exemplo) e que não consegue fazer nada em clássicos - só jogou bem no Paulistão contra o Corinthians e, mesmo assim, perdeu. 
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Crédito: http://migre.me/pcCPt
Não acho que o problema sejam desfalques ou excessivas mudanças - apesar de Muricy ter se arriscado até no 3-4-3 holandês em alguns jogos. O problema, aqui, me parece algo bem maior.
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Pode muito bem ser psicológico, claro. Na primeira passagem de Muricy Ramalho pelo São Paulo o time já tinha problemas para vencer os rivais, sobretudo o Corinthians. As eliminações para times brasileiros na Libertadores (incluindo aqui a semifinal de 2012 no Santos, para o... Corinthians) também colaboram para esse meu pensamento. Muricy tem várias qualidades e, dentre seus defeitos, pode não saber preparar bem o time para jogos decisivos. É uma hipótese - por mais que tantas derrotas em clássicos ou em decisões não condizem com o gabarito de um dos treinadores mais vitoriosos do país. 
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Tudo o que disse acima foi exposto no Choque-Rei de quarta-feira. Os primeiros dez minutos lembraram a metade final do primeiro tempo do histórico Brasil x Alemanha do 7x1. Deu tudo errado:o frango de Rogério Ceni aos quatro minutos; a expulsão de Rafael Tolói aos nove e a inexplicável substituição de Alexandre Pato aos dez. O jogo estava perdido faltando oitenta minutos para o apito final.
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Crédito: http://migre.me/pcCQz
Muricy não pode ser eximido de culpa, principalmente pelo duelo contra o Palmeiras - mas ele mostrou diversas variações desde sua volta, em 2012. Sua saúde, como se sabe, está combalida há algum tempo e ele não parece mais tão enérgico como antes - apesar de uma ou outra bravata em entrevista coletiva. Tudo joga contra, mas eu não o demitiria. Seu cartel é invejável, ele já recuperou um time bem pior (assumiu o São Paulo na zona de rebaixamento em 2013, não se esqueça), ele é identificado com o clube e muita gente corre por ele. E, além de tudo: quem seria o contratado? Dos nomes disponíveis vejo Cristóvão Borges com ótimos olhos, mas ele mesmo vem em baixa. Seja como for, ele precisa mudar algo.
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Não preciso dizer que o time precisa mudar. Seja no Choque-Rei ou no SanSão pelo Paulistão ou no Majestoso pela Libertadores, faltou coração de todo mundo. Poucos corriam, ninguém dividia. E falta tarimba e malandragem até mesmo para jogadores rodados - a expulsão juvenil de Rafael Tolói contra o Palmeiras falam por mim.
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Créditos: http://migre.me/pcCS2
Quando falo do time, falo também de Rogério Ceni. Aliás, falo principalmente dele. Falo insistentemente que ele deveria ter se aposentado em 2012, quando ele começou a se tornar irregular demais. O mesmo goleiro que fez milagre no último SanSão é o que tomou um frangaço no Allianz Parque. Goleiro é cargo de confiança; goleiro e maior ídolo da história do clube tem que ter responsabilidade imensamente aumentada. E ele, já no crepúsculo de sua carreira, deveria pegar o boné de uma vez. Pior: ele vai se aposentar apenas após a Libertadores, competição mais importante do ano. Por mais são-paulino que Rogério seja (ou tenha se tornado), sua gana em bater recordes o deixou cego - e, hoje, ele não vê que faz mal ao time, além de já ter perdido a oportunidade de fazer uma passagem de bastão digna e gradual ao seu sucessor, seja ele Dênis ou Renan Ribeiro.
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A torcida colabora com a cegueira de Rogério e, claro, prejudica todo o resto também. Desde os tempos de Juvenal Juvêncio, inclusive - quando defendia o presidente que conseguiu de maneira irregular seu terceiro mandato e que quase colocou o clube na Série B pela primeira vez na história. Ao pedir a saída de Muricy logo no começo do ano, a Independente jogou contra. Ao ficar calada enquanto o time joga mal, a torcida deixa os rivais (o time e os outros torcedores) crescerem. Por mais que o protesto pelo preço abusivo dos ingressos seja válido, disparar contra tudo e todos e não ver seu quinhão de culpa é um imenso erro.
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Por fim, a diretoria. É impressionante ver como desde 2012 o São Paulo não tem dias de paz. De lá para cá tivemos, principalmente, a ameaça de rebaixamento, os problemas de saúde de Muricy Ramalho, a eleição de Carlos Miguel Aidar e todas as suas querelas politiqueiras com o ex-presidente e seu antigo apoiador (hoje crítico ferrenho) Juvenal Juvêncio. Tudo isso só tumultua o ambiente e coloca pressão em um clube que já está, por seu tamanho, sob todos os holofotes. 
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Créditos: http://migre.me/pcCTD
Esse turbilhão de fatos, é claro, por vezes se juntam - e colocam uma interrogação em todos, além de potencializar os danos. A aproximação de Carlos Miguel Aidar com a Independente pouco antes do Majestoso e a nota em que a organizada detona o presidente do clube tem distância de pouco mais de um mês. Não existe paciência nem planejamento, apenas o agora e o interesse. 
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Vejam só o tamanho de um texto que consegui escrever apenas para falar de problemas do São Paulo - um clube que até bem pouco tempo atrás se orgulhava de sua estabilidade. É triste. Mas lembro de um período não muito distante e semelhante a esse. E lembro, com muita alegria, do período seguinte.
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Em 2003, o São Paulo se orgulhava de seu time. Rogério Ceni (ainda não tão badalado), Kaká, Luis Fabiano, Reinaldo, Ricardinho (a maior contratação entre clubes brasileiros da história na época)... no papel era um timaço. E, de fato, o time jogava bonito desde 2002. O ano anterior, porém, mostrava porque aquele time não se tornou histórico: perdeu a final do Rio-São Paulo e a semifinal da Copa do Brasil para o Corinthians (sempre eles), enquanto fez uma campanha brilhante na primeira fase do Brasileirão para ser eliminado pelo Santos, dos até então desconhecidos Diego e Robinho, logo nas quartas-de-final - série que, aliás, foi o embrião da ideia dos pontos corridos no Brasileirão de 2003. 
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Créditos: http://migre.me/pcCUy
Nova decepção em mata-matas em 2003: uma eliminação para o Goiás nas quartas-de-final da Copa do Brasil e, principalmente, as duas derrotas na final do Paulistão o... bem, você sabe. Oswaldo de Oliveira, técnico que sempre gostou do futebol ofensivo, foi demitido. A solução foi caseira: Roberto Rojas, que fazia parte da comissão técnica não-rotativa do clube. 
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Com Kaká vendido e um time em baixa, o chileno mudou tudo: passou a jogar defensivamente, fazendo todos correrem e valorizando o pragmatismo. O resultado não poderia ser melhor: a terceira colocação no Brasileirão (que levou o Tricolor à Libertadores após um hiato de dez anos) e a semifinal da Copa Sul-Americana, sendo eliminado apenas nos pênaltis pelo River Plate. 
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Não há muito o que fazer se um time não rende. Queira ou não o resultado é o que conta. Se vier com futebol bonito, melhor; se não, que se consiga os três pontos. É isso o que Rojas conseguiu e o que ninguém parece entender hoje em dia. 
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Crédito: http://migre.me/pcCUZ
É bem verdade que 2004 também foi um ano traumático, mas veio com uma semifinal de Libertadores no pacote. E, bem, a partir de 2005 creio que não preciso comentar muito.
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Falta muito ao São Paulo, dentro e fora de campo. Mas essa situação não é nova. Que os novos personagens saibam entender o recado.