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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O ano da descoberta

Por duas vezes me pediram pra resumir meu ano em uma palavra ou expressão - costume que eu tenho desde pequeno. Após uma rápida pensada na primeira vez, na segunda saiu de bate pronto: 2015 foi o ano da descoberta.

Créditos: http://migre.me/szzbr
É estranho pensar que, às portas de fazer vinte e quatro anos, você começa a descobrir tanta coisa na sua vida. Parar de ligar tanto pro que vão pensar, bater no peito e assumir tudo o que você fala, defender o que pensa com mais veemência - e pedir desculpa com a mesma veemência se você tá errado.

Se parar pra pensar, não foram tantos fatos marcantes assim em 2015. Entrei na Insane após quase um ano desempregado, pela primeira vez vi as duas noites do carnaval de São Paulo, vi o Superbowl no cinema, terminei meu namoro uma vez e me arrependi, comecei a fazer terapia, voltei e terminei o namoro novamente, viajei com os meus amigos depois de muito tempo, fui no evento de despedida do Rogério Ceni, saí e voltei para o bottomline da ESPN - e mantive meu freelancer de narração esportiva.

Falando friamente foi bem pouco. Mas começar o ano empregado é algo que me motivou demais ao longo de todo o ano e me garantiu muita estabilidade - assim como os demais freelancers. Ver o carnaval pela primeira vez in loco foi uma experiência que eu quero repetir durante toda a minha vida. A viagem com os meus amigos me trouxe um pessoal que tem tanta vontade e disposição de sair quanto eu.

Créditos: http://migre.me/szzcS
Mas, sem dúvida, o fato de 2015 foi o término do meu namoro. O primeiro pra descobrir o quanto minhas impressões podem ser erradas e o quanto eu posso sofrer por isso; o segundo pra descobrir que, mesmo querendo, certas coisas não tem como mudar. Acabou no momento certo, a ponto da amizade com a minha ex não acabar. Quando vi que era inevitável, era o objetivo. Consegui. Descobri.

O fim do namoro me trouxe também a terapia. Era algo que eu tinha consciência que deveria fazer desde o meu primeiro namoro, mas precisou o segundo acabar para eu buscar ajuda. E poucas coisas me ajudaram tanto quanto a terapia. Me conhecer, me aconselhar, me fazer refletir. Me descobrir. 

Se o término do namoro é obviamente triste, hoje vejo que ele era necessário tanto pra mim quanto pra minha ex. Vê-la feliz é algo que me deixa aliviado e bem. Já eu, adivinhe, me descobri. Se a minha vontade de conhecer pessoas era imensa namorando (o que se tornava um fardo pra mim), ela só aumentou solteiro. E a vergonha? E a timidez? Aos poucos vou dando um jeito nisso. Falta muito, mas o começo de uma mudança já existe. Mais uma descoberta. 

Créditos: http://migre.me/szze4
Tentativa e erro para descobrir. Ainda não cheguei em muitas conclusões (e talvez nem em 2016 eu chegue), mas o começo é promissor. Que o novo ano traga muitos acertos e alguns erros também - para o aprendizado, ora. Mas que traga resultados, principalmente. E descobertas.

A você, um ótimo 2016. 

domingo, 11 de outubro de 2015

E então, o que querer da vida?

Terminar um namoro é sempre algo complicado. Terminar, ver que errou e voltar é uma atitude nobre, apesar de dolorida. Ver que essa volta durou pouco menos de dois meses e todos os esforços feitos para que tudo voltasse às boas foam em vão... isso dói. E dói muito. 

Assim foi com a minha ex. Tentei tudo que podia uma vez, nada deu certo e terminamos. Vi que a falta dela era maior que os problemas que tínhamos, pedi para voltar e lutei bastante para que isso acontecesse. Depois de um tempo, aconteceu. Ficou ruim de novo e terminamos. 

Isso transformando uma tonelada em algumas gramas, é claro. Se o domingo que marcou nosso término teve lágrimas de emoção e um discurso muito bonito dos dois lados (não, eu não quero dizer que o discurso foi mentiroso), o que nos fez chegar até lá foi traumático. Confusões, choros, gritos, crises e tudo o que está no roteiro de qualquer casal que tenta deixar o amor prevalecer mas não consegue mais. 

Sabe o que dói, também? Ver que um dos pontos que você pedia para ela melhorar estava no tocante ao sair de casa. Você queria ter a liberdade e buscá-la tarde em casa, enquanto ela achava que 21h era tarde. Aí, já solteira, ela posta foto no Instagram toda maquiada e de vestido (linda, por sinal) às 23h. 

É, eu fui usado. Chutado. Até certo ponto enganado. Não, eu não sei o lado dela. Mas é assim que eu me sinto agora e me dou ao direito de seguir pensando assim até que me provem que eu esteja errado.

E, sim: a vida dela seguiu. Já não é a primeira saída dela. Vai ver ela já tem outro e/ou já beijou outras bocas.

E eu sigo aqui, arrumando o quarto aos finais de semana e tentando conhecer outras meninas, mas não conseguindo fazer nada direito. Despistando sobre toda e qualquer coisa, rindo, tentando conhecer alguém que faça sua vida seguir. 

Alguém não: algumas pessoas. O que fez eu me apaixonar pela minha ex era justamente a atenção que ela me dava. Ela se importava, ela queria saber o que eu queria, pensava, fazia. E quando ela se cansou, as brigas começaram. Foi assim duas vezes. Agora, sem ela, é óbvio que o que volta são os momentos bons. E a vida dela seguindo. E a minha estagnada.

Ao contrário da primeira vez, nem passa pela minha cabeça pedir para voltar com ela. Eu tenho que crescer e aprender que o problema é meu, não dela. A vida dela seguiu porque tinha que seguir - e melhorar. Eu só espero que ela tenha de mim a mesma lembrança carinhosa que eu tenho dela. Também espero que um dia ela pense em me ver de novo e me beijar de novo. Não pra voltar a namorar, mas sim porque ela é bonita e uma grande mulher. 

Mais pra frente (bem mais pra frente, na verdade) os dois sentam e conversam sobre a vida. Vêem o que fazer. 

Chega de falar dela a partir de agora. O blog é meu, os devaneios também. 

Apesar da pergunta no título, eu sei muito bem o que eu quero. Ou melhor, sei muito bem o que eu não quero: namorar de novo. Depois de passar os últimos cinco ano namorando (com alguns poucos intervalos solteiro nesse período), não quero me prender a alguém de novo. Nada contra minhas ex, mas tudo a favor de conhecer gente nova, arriscar, ver o que um beijo inesperado ou uma transa com alguém que você sempre desejou são capazes de fazer. 

Gente pra isso não falta. O que falta, na verdade, é o que sempre te faltou: atitude e alto-estima. É bizarro pensar que eu nunca conversei com uma desconhecida em festas por aí por pura vergonha. Sabe-se lá quantas amizades, beijos e afins eu não perdi por culpa dessa maldita timidez. 

Ou sabe-se lá quantas pessoas que você tem vontade de beijar não estão totalmente à toa em um sábado de feriado nacional e poderiam ao menos conversar numa boa com você. Tudo começa assim, não é? 

Desde a primeira vez que terminei com a minha última ex, eu vi que tinha algum sério problema. Comecei a fazer terapia com uma psicóloga indicada pela minha melhor amiga. Ela me ajuda bastante com isso, e cada sessão me deixa mais leve e pensativo sobre tudo que dá errado na minha vida. E essa é uma lição que eu ainda não aprendi. 

Passar cinco anos namorando tem uma consequência imensa na vida de qualquer pessoa e eu não tinha me dado conta disso. A vontade de sair mais sempre existiu. Mas, agora, cadê todo mundo? As pessoas realmente interessantes exigem algum esforço, e eu tenho uma imensa preguiça em fazer programas comuns. Parafraseando o dito popular, ficar em casa é que é a maior oficina do diabo possível. 

Nada de clichês como "pegar e não se apegar". O objetivo, agora, é ver bem quem é de fato interessante. Interessante o suficiente para saber que enquanto eu estiver com a pessoa ela vai ser única para mim, mas que eu não tenho a menor vontade de me envolver seriamente com ninguém. Pessoas interessantes também entendem o que você quer, não? E, se é cômodo pra mim, também possibilita a outra pessoa de conhecer outras pessoas, não?

Não me parece difícil. O problema é que não tá fácil passar pela primeira barreira: eu mesmo. Eu também preciso aprender isso na verdade.

Tudo é um aprendizado, sei disso. E sinceramente, os cinco anos que passei namorando não me deixaram ter a alto-estima e a atitude que tanto me faltam - e já me faltavam ao longo dos meus namoros, aliás. Agora eu vou ter que aprender na marra.

E vai ser na marra que tudo vai começar a dar certo. 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Por que os números de manifestantes da PM nunca batem com os demais?

Não é preciso ir muito longe nesse blog para verificar o quanto eu sou contrário a praticamente tudo que envolve qualquer coisa que seja militar no Brasil, por vários motivos. Mas desde março, quando começaram os protestos contra o atual governo federal, um fato que envolve a corporação muito me intriga.
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Créditos: Luciana Yole/Flickr
Eu, manifestante desde os tempos de #ForaSarney (em 2009), me acostumei a ver PM jogando os números de cada protesto para baixo - quase no chão, aliás. 
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Começando pelo próprio #ForaSarney: em São Paulo, a manifestação reuniu 700 pessoas segundo os organizadores, mas cerca de 300 para a PM. A diferença absoluta pode ser pequena, mas a distância de 300 para 700 é superior a 100%. Como a polícia pode cortar mais da metade do número de manifestantes em um evento?
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Essa curiosidade em torno da PM tomou proporções imensas em 2013, durante os protestos que começaram contra o aumento das tarifas do transporte público e depois sintetizou várias reclamações da população. É patético. Enquanto o Movimento Passe Livre (que começou com as reivindicações) estimava atos com 5.000 e 100.000, a polícia colocava 2.000 e 65.000, respectivamente. O Estadão fez um belo infográfico sobre isso.
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Créditos: Joel Silva/Folhapress
Eis que chegam os protestos contra o governo desse ano. A PM estimou 1.000.000 de pessoas em março; o Datafolha, 210.000. Em abril, nova discrepância: 275.000 para a PM; 100.000 para o Datafolha. Nos protestos de agosto a história não foi diferente: 350.000 para os militares; 135.000 para o Datafolha. 
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É interessante notar que, ao menos em março, o governo federal teve manifestações de apoio - e os números novamente foram discrepantes, mas com a PM voltando a dar números muito abaixo. Em março, o Datafolha contou 41.000 pessoas; a PM, 12.000. 
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Créditos: Jorge Araújo/Folhapress
É óbvio que as entidades organizadoras (a saber, o Movimento Passe Livre) tem interesse em inflar seus números. O que é ~curioso~ é ver que manifestações estudantis e a favor de um governo que é contra os interesses históricos da PM ficam com estimativas muito abaixo das demais, enquanto em protestos que vão de encontro ao que os militares querem esses mesmos números são superdimensionados. Vale dizer também que nos protestos contra o governo policiais tiravam fotos e eram tratados como heróis.
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E você? Acredita na polícia?

domingo, 10 de maio de 2015

Eu queria não dormir

Chega o fim de semana. Depois de tanto trabalhar, o máximo que você quer e imagina para você da sexta até o domingo à noite é fazer o que bem entender. 
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Créditos: http://migre.me/pO6WT
Você vê que tem muita coisa boa na televisão - tem futebol e corrida de todo jeito, tem show, tem filme, tem algo que te interessa. Você começa a ver o que vai fazer com a namorada, o que vai comer, como vai se divertir. Você pensa em descansar, arrumar algo em casa, resolver um dos vários problemas que tão escanteados nessa vida corrida. Você pensa até em trabalhar um pouco mais, já que a vida não tá fácil pra ninguém e freelancers no final de semana pagam melhor.
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O problema é que você dorme até de tarde no sábado e no domingo. O cansaço acumulado te consome sabe-se lá quantas horas do horário que, em tese, é feito para você fazer o que bem entender. 
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Conforme o tempo passa, fica mais difícil manter a disposição de outrora. Eu, que me orgulhava de dormir pouco, agora não posso ver uma cama na sexta-feira para hibernar até a tarde seguinte - perdendo vida, dinheiro, conhecimento e seja lá o que for. 
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Créditos: http://migre.me/pO6TF
Eu queria não ter sono ou preguiça. Queria viver sempre com os olhos abertos - eu sou tão calmo, não preciso nem ficar sempre alerta de maneira hiperativa, o meu normal já tá bom. 
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A disposição segue existindo, mas é difícil aceitar que o corpo já não obedece mais a cabeça como deveria. 

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Sintetização

Quanto mais você trabalha, mais você conhece suas virtudes e seus pontos fracos profissionais - assim como a prática existe para te apontar os erros te melhorar. Melhor ainda é quando você aprende algo para levar para o resto da vida ao trabalhar. 
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Créditos: http://migre.me/pMFaA
Sou jornalista e trabalho com informações. Mas, ao longo da minha vida e da minha formação acadêmica, ouvia muitas vezes que meus textos eram densos demais - ou seja, que eram bem escritos, mas que a quantidade de informações deixava a leitura pouco fluída.o
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Eu me perguntava se isso não era um contrassenso - ora, um texto jornalístico com menos informação? Também me perguntava se eu precisava escrever textos menores. Na verdade, eu só queria acertar meus textos.
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Eis que, de tanto ler (no trabalho, por lazer, textos aleatórios diversos), percebi que minhas contextualizações (tão importantes) fugiam demais da ideia principal do texto. Precisava reduzir as informações extras e diminuir também a quantidade de dados "embutidos". 
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Até hoje tento me readaptar, para ser sincero. Tenho vontade de compartilhar tudo com o mundo - e acho que quem mostra conteúdo passa a ser interessante; assim como acho que pessoas assim também recebem mais informações, de uma forma ou de outra. 
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Créditos: http://migre.me/pMF9l
Resultado: meus textos ficam mais leves, mas eu sempre acho que posso colocar algo mais nele. O jeito é fazer dois ou três textos, como "suítes" - jargão jornalístico que se refere a fatos que ganham cobertura em mais de um dia.
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Não é o meu gosto, mas é como fica melhor. Ossos do ofício.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Empreendedorismo

Desde quando eu entrei na faculdade eu ouvia falar de empreendedorismo. A história daquela pessoa que não tinha nada e, quase que sem querer, se tornou um empresário de sucesso com grande lucro; o começo dos grandes veículos de comunicação; os jornalistas que se livram das amarras das redações e ganham dinheiro com blogs e/ou outros novos negócios... todos esses exemplos foram dados (e incentivados) a rodo no meu curso.
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Créditos: http://migre.me/pKgzP
No meu último ano de faculdade tive uma matéria que falava de Empreendedorismo - que, no final das contas, fez todo o plano de negócios do meu livrorreportagem e me deu as bases para encarar o mercado de comunicação. Um bom começo, mas que havia morrido ali. 
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Assim que entrei na Insane, parece que tudo aquilo que eu tinha visto voltou com carga total. A própria agência é muito pautada pelo empreendedorismo dos sócios, que fundiram três agências em uma só. Boa parte deles dá palestras sobre o tema em diversas instituições, é convidado para debates e fala de novidades do mercado a todo instante. 
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Créditos: http://migre.me/pKgxv
Eu passei a respirar empreendedorismo, ainda que de maneira involuntária. Ao mesmo tempo em que redações minguam com seus passaralhos sem fim, eu vejo textos como esse que me enche de esperança - e me mostram que existe um caminho, basta criatividade e foco. O próprio Santa Zona pode trazer algo, porquê não?
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A vontade de fazer algo novo existe. Um dia eu acerto o quê.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Do Kiwi ao Whatsapp: estamos conhecendo pessoas da maneira errada

Na postagem de ontem, falei um pouco sobre a ótima ideia que é o Kiwi e o péssimo uso que a maioria dos brasileiros fazem dele. Hoje, no mesmo Kiwi, vi uma pergunta que me instigou: alguém perguntava se o Facebook estava em baixo; uma conhecida disse que desativou a conta. 
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Créditos: Reprodução
Na minha cabeça, tudo está relacionado. O Kiwi (como eu disse ontem) é apenas uma consequência de um problema muito maior: em geral, os brasileiros não sabem se portar na internet - e você sabe que, se não sabe se portar na internet, não sabe se portar fora dela.
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Elenco exemplos: se o Orkut teve sobrevida porque brasileiros (e indianos, é bem verdade) abraçaram a rede social surgida ainda antes do Facebook, a ruína da primeira rede social de todos nós foi justamente a banalização de comunidades inúteis e algumas práticas comuns e escrotas (a expressão "o topo é meu" não é um meme até os dias de hoje à toa), que não deixavam que as pessoas conhecessem umas às outras.
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Particularmente, o segundo ponto me intriga. O Orkut permitia que várias pessoas se conhecessem (essa rede, aliás, era muito mais fácil de se conhecer pessoas que o Facebook, por ter comunidades, não grupos) e muitas preferiam se fechar em uma bolha, apenas para seus próprios amigos. Outros gostavam de se mostrar demais, querendo ganhar fama por ter um corpo bonito ou coisa que valha. 
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Créditos: Reprodução
Eu sempre gostei de fazer novas amizades (logo, não me encaixava no primeiro grupo), mas gosto apenas de conversar e conhecer gente nova (e, por isso, não me enquadro no segundo grupo). Ser o meio-termo sempre é difícil, mas em redes sociais isso é ainda pior. O ambiente da internet é um convite ao extremismo; quem se mantém lúcido sofre de alguma maneira. 
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No geral, as pessoas não conseguem transitar por nada que não seja o meio - e isso me incomoda bastante. Tenho amigos que fiz no Orkut até hoje, assim como cultivo amizades e contatos no Twitter. Faltam redes sociais, apps ou afins que possam simplesmente juntar gente para falar de um assunto qualquer, seja ele qual for. E, quando eles existem, são desvirtuados. 
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O Kiwi não é o único. O Twitter conta com cada vez mais fakes que só sabem fazer brincadeiras sem graça, assim como contas com frases clichê existem aos montes. O Facebook é um caso ainda mais complicado pois quem o estraga são pessoas comuns e suas ideias dementes (textões, defesa de ideias indefensáveis, intolerância e afins) e a própria plataforma - que, por exemplo, matou o alcance orgânico das próprias páginas. 
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Pior: as pessoas transformaram o Whatsapp, que passa longe de ser uma rede social, em um instrumento pra conhecer gente. Alguém te adiciona em um grupo do WPP (aliás: como alguém consegue gostar daqueles grupos que só travam o celular?) e vão conversando em janelas particulares com que os interessa. 
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Créditos: Reprodução
Isso é, ao menos para mim, uma completa inversão dos valores. O WPP é algo particular (que envolve, inclusive, o número do seu celular), que não deve ser banalizado. O que vemos hoje é apenas mais um capítulo da morte das redes sociais - vindo de quem deveria usá-lo, ainda que muitos outros fatores não contribuam para mantê-los vivos. 
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Costumo dizer que a internet é apenas um reflexo da sociedade. E, bem, tudo anda errado. 

domingo, 29 de março de 2015

Mal-agradecido

Você sempre acha que tá tudo bem até uma situação extrema chegar. No meu caso, a mais extrema das situações me colocou na parede e me mostrou que, por melhor que eu tente ser, eu sempre vou ser um mal-agradecido. 
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Crédito: http://migre.me/pdrth
Ao entrar no Facebook de manhã, vi uma postagem da minha madrasta dizendo que o macho do seu casal de Pinscher morreu. Ele já estava velho (14 anos) e era nítido que ele iria falecer em breve, mas a notícia sempre nos choca. 
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O Juninho (sim) tinha seus problemas desde o nascimento, como a falta dos dois dentes inferiores frontais, o rabo mal cortado e alguns fios grisalhos. Ele, que sempre foi barrigudo, emagreceu do nada e começou a ficar com os pelos amarelos (os da parte inferior do corpo, que todo Pinscher tem) muito esbranquiçados. O recado, infelizmente, era óbvio. 
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Juninho (e a Bianca, a fêmea do casal) foram os primeiros cachorros com quem brinquei após levar uma mordida no tornozelo de um Poodle Toy chamado Toffee, o que me deixou com cinofobia durante muitos anos. Não importa o que aconteça, sempre vou ter um carinho imenso por eles. E, ao saber da morte de Juninho, me veio à mente boa parte dos momentos que passei no pouco tempo que tive com os cachorros. Nunca faltou um cafuné ou uma brincadeira, mas é horrível pensar que sempre se poderia fazer algo mais. 
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Ao voltar de uma festa, minha irmã comentou que uma antiga professora da escola onde cursei o ginásio (sim, eu falo ginásio) tinha falecido. É horrível não saber quem é, e mais horrível ainda é ficar caçando gente para essa ingrata e fatal ação. Mas, pela idade que ela já tinha, suspeito que tenha sido a minha antiga professora de Ciências. 
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Crédito: http://migre.me/pdrsB
Três anos aprendendo matérias que nunca gostei, mas que passei a entender por conta de sua doce rigidez, de suas chamadas orais e suas explicações minimamente detalhadas. Que não seja ela - na verdade, que não seja ninguém e que a minha irmã tenha se enganado. Seria triste demais pensar que tudo que eu aprendi em Biológicas (um dos carmas do meu tempo de estudante) tem algum ensinamento dela, seja para simplificar, recordar ou entender. 
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Sempre vai faltar uma última palavra, sei disso. Mas o coração aperta quando nada mais pode ser feito. 

quarta-feira, 25 de março de 2015

Um box de DVD's e um jogo que eu adoraria ter

Desejos todo mundo têm, ideias idem. Em um daqueles momentos nos quais você começa a refletir sobre o que te falta e te deixaria mais feliz, pensei em duas coisas (odeio usar a palavra "coisa", acho feio, solto e abstrato demais, mas enfim) que demandariam pouquíssimo dinheiro e é algo bem simples de ser feito - mas fico na dependência da boa vontade de terceiros, o que sempre complica. 
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Box com todos os Rockgol
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Créditos: http://migre.me/pa2qz
Se você nasceu depois de 1990 certamente já viu alguém berrar "Cléston" ou comentar ao menos uma das inúmeras piadinhas que os geniais Paulo Bonfá e Marco Bianchi faziam durante as transmissões dos jogos (a grande maioria horríveis e com lances bisonhos) dos músicas na MTV - em tempos em que ela tinha lugar na TV aberta, ainda. 
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Alguns poucos lances estão no Youtube, mas é pouco demais. Sonho em rever a cobrança de lateral de Rapin Hood, os gols de Max Telefone de Contato, o milésimo gol tomado de Nasi, a entrevista de Wander Wildner e os jogaços entre Rancatoco e Os Comédia, a derrota do Jota Quest por 17x0...
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Também dá vontade de relembrar de Birigui, do Estádio Mané Pipoca, de Musa Nissei-Sansei, de Jesus, Chiliquenta, Senhor Barriga, Marquito, Tiozão do Churrasco, Nhanha, Juninho Papito... certamente você riu, suspirou e lembrou de algo engraçado quando leu esses nomes. E certamente você gostou da minha ideia. 
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Créditos: http://migre.me/pa2rp
Adoraria ver um box com todos os jogos de todos os anos do Rockgol. O auge do torneio aconteceu entre 1999 e 2008, tempo em que Bonfá e Bianchi narravam as partidas. O torneio, na verdade, começou em 1995 e foi até 2008, tendo edições esporádicas em 2011 e 2013. Claro que um box com todas as temporadas seria incrível, mas apenas o primeiro período citado já me deixaria bem feliz. 
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Um jogo manager para o carnaval
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Falei "um" mais por revolta do que por desejo. Explico: cabem, no mínimo, dois jogos de estratégia com escolas de samba. Um mais simples, no estilo do Elifoot; e outro (bem) mais caprichado, como o Football Manager. 
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Acho inadmissível que isso ainda não exista, pra ser mais exato. É, inclusive, um jeito de aproximar o carnaval de todo mundo - a grande maioria não sabe que o carnaval acontece o ano inteiro. Imagine só você montar uma escola de samba do nada, contratar um carnavalesco, diretores de harmonia, de carnaval e de bateria, treinar os componentes quanto à evolução, melhorar seu barracão e sua quadra para poder se organizar melhor... seria diversão pura. Imagine só, então, o drama que não seria a apuração da sua própria escola?
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Créditos: http://migre.me/pa2rP
Isso no mais simples, claro - pode parecer muito, mas é bem simples. No jogo mais trabalhado poderíamos ver as fantasias, o sambódromo, o desfile... isso sem contar na infinidade de detalhes que poderiam ser acrescidos, já que exigiria uma base de dados bem menor que a do Football Manager, por exemplo. 
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As ideias estão aí. Que alguém as compre. 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Minha visão sobre os protestos

Se você não esteve em Urano nos últimos sete dias certamente sabe que o Brasil passou por uma série de protestos a favor e contra o governo federal - na sexta-feira e no domingo, respectivamente. 
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Crédito: http://migre.me/p6K5U
Antes, um aviso triste de ser dado: sim, tivemos protesto também na sexta-feira, a favor do governo. Talvez você não saiba disso, já que em muitos veículos de comunicação ele só foi noticiado após o ocorrido - como se ele já não estivesse marcado há tempos. Fica uma indagação: se o Brasil inteiro sabia do protesto contra o governo por meio desses tais veículos de comunicação, porque não sabiam dos protestos a favor? 
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Ao contrário de outros tantos assuntos, o blogueiro fica em cima do muro nessa discussão toda. Ele não foi no protesto de sexta (tá difícil ser a favor desse governo) e também não foi no de domingo. Explicar os motivos para não ir no segundo protesto é algo um pouco mais complicado - e, no fim das contas, é o ponto nevrálgico dessa postagem. 
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Desde quando o burburinho sobre o protesto anti-governo surgiu especulou-se a ideia de pedir o impeachment da presidente e de uma intervenção militar. Absurdo, sem dúvida. E uma minoria, me parece. Mas era uma minoria barulhenta que não foi repreendida por muita gente; assim como foi uma minoria que não era insignificante e tinha lá sua representatividade. Isso incomoda bastante. 
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Crédito: http://migre.me/p6K6w
Vou ser favorável ao impeachment quando todas as investigações forem concluídas e ficar comprovado que a presidente sabia ou atuava em algum esquema de corrupção - assim como foi feito com Fernando Collor. A triste diferença é que o impeachment de Collor teve uma imensa cooperação de todos os poderes, já que o presidente rachou a base aliada com suas atitudes. Embora Dilma não fale a mesma língua do Legislativo, do Judiciário e de muitos do próprio partido, sua situação política é muito mais favorável do que a de Collor era. 
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Quanto à intervenção militar, bem... eu apenas cito essa ignorância, mas acho que qualquer pessoa com um QI de pelo menos dois dígitos sabe o quanto isso é absurdo; logo, me abstenho de falar qualquer coisa a esse respeito. Vamos em frente. 
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Eu senti um clima artificial demais nas manifestações de domingo. Lembro dos protestos de 2013, com vários gritos entoados a plenos pulmões. O que vi no domingo foi um mundaréu de gente andando para lá e para cá, fazendo barulho apenas para conversar com seus conhecidos. Os gritos contra a presidente, contra o partido da presidente, contra os apoiadores e eleitores da presidente eram constantemente berrados, mas sempre individualmente. Ao menos para mim protesto é outra coisa. 
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Crédito: http://migre.me/p6K6S
Falando do mundaréu de gente: afinal de contas, quantas pessoas estavam na Paulista? A PM falar que tinham um milhão de pessoas e o Datafolha contabilizar 210 mil é absurdo. O que mais chama a atenção é ver a Polícia Militar dar um número tão maior que outro. Bem a PM, que já falou que a Parada Gay tinha 600 mil pessoas enquanto outros falavam em 4 milhões... é estranho verificar que, quando os militares são bem quistos em um local, o número é inflado pela PM; quando não, é derrubado.
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Pra finalizar quanto à PM: manifestantes tirando foto com os fardados? Como será que os pais e avós dessas pessoas, que enfrentaram uma ditadura militar, se sentiriam? 
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Nos dois últimos domingos tivemos panelaços enquanto a presidente e dois de seus ministros falavam na TV. Nada contra, é totalmente legítimo. Mas é interessante notar que quem fez isso é quem não tem dificuldade nenhuma em se sustentar e ter seus próprios luxos. É óbvio que eles podem protestar e querer um Brasil melhor; mas eu confesso que sempre vou ouvir quem fecha suas contas no vermelho ao invés de ouvir quem reclama de não conseguir comprar um carro por ano ou tem um inquilino inadimplente. Peço desculpas caso isso seja um preconceito; para mim é só justiça. 
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Crédito: http://migre.me/p6K7j
Há, porém, um lado muito benéfico nos protestos: dias depois da manifestação foi apresentada mais uma proposta para a reforma política - bem como em 2013, que acabou rejeitada pelo Legislativo. É triste ver que nossos nobres deputados e senadores funcionam na base da porrada; mas, se é assim, que consolidemos nossos direitos. 
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Já tem mais protesto marcado: dia 12/04. É esperar para ver. 

sexta-feira, 13 de março de 2015

Vinte e três - a mudança chegou

Como todo adolescente, esperava ansiosamente pelos meus dezoito anos. Achava que a minha vida mudaria do nada em uma passagem de noite. E, como a maioria das pessoas que chegam a essa idade, quebrei a cara ao ver que nada tinha mudado. A vida continuava a ser uma penitência - até porque é só na teoria que ninguém bebe e não entra em qualquer lugar sem um RG falso. 
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Sabia que, alguma hora, a mudança ia chegar. Aos poucos ou abruptamente a minha vida daria uma guinada. Comecei a encaixar a minha vida ao meu gosto (e não ao gosto da minha mãe) aos poucos. Pagar algumas contas, ajudar em tarefas domésticas, ter liberdade para sair e gastar o meu dinheiro. Isso, realmente, foi conquistado nesse longo período dos dezoito até os vinte e dois.
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Ontem, no meu aniversário de vinte e três anos, eu parei pra pensar nessa história de mudanças novamente. E vi que a hora de mudar é justamente agora. 
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A começar pelo lado profissional: após oito meses parado para fazer o TCC na faculdade, voltei a trabalhar - pela primeira vez como senior, e não como estagiário. Oito horas (no mínimo) por dia, participando de várias ações e ideias e de corpo e alma em um local. Além disso, tenho dois freelancers para complementar a renda - e fazer contatos, é claro.
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Outra mudança: pela primeira vez na minha vida eu passarei um ano sem estudar academicamente. Com a faculdade encerrada, vou tirar um ou dois anos de folga para depois pensar na pós-graduação. Quero terminar o inglês (quem não tem inglês hoje em dia sofre) e começar uma ou duas línguas extras no período - tenho especial predileção pelo alemão, sabe-se lá porquê. 
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Ainda falta muita coisa, é claro. Morar sozinho, ter meu carro, conseguir ver mais a minha namorada em dias da semana... mas, se demorei alguns anos pra conseguir o que de tanto me orgulho hoje, posso ter mais tempo para bater essas metas antigas - e mais ousadas. Que venha tudo agora. O vinte e três foi só o começo.

segunda-feira, 2 de março de 2015

A vida é bem mais que a vida alheia

Aconteceu comigo, no domingo logo depois do carnaval. Estava saindo da ESPN e indo a pé até a estação Sumaré quando ouço uma súbita e forte freada na Doutor Arnaldo. Olho para a direita no instante que um Fox bate em um EcoSport; e, com a força da batida (que nem foi tão forte assim), o segundo carro atinge um Prisma. 
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Parece que o centro do mundo tinha virado aquele farol na frente da Torre da Cultura. Parece que a importância da ONU ou da Casa Branca tinham sido sumariamente diminuídas diante daquele pequeno engavetamento. As cercas de dez pessoas que estavam próximas do local da batida logo se amontoaram, cruzando inclusive a avenida com o farol aberto. 
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Os comentários eram sempre parecidos e atropelados pelas próprias pessoas. "Nossa, a menina do Fox tá chorando", "Vish, o cara da EcoSport saiu puto", "Meu deus, que moça desatenta" foram alguns dos exemplos que ouvi enquanto passava na frente do grupelho, que parecia que não tinha mais nada para fazer na vida a não ser ver aquela situação na rua. 
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Passe pelo grupo em dois segundos. Vi a batida e não parei de andar para frente. Eram 13h15 e eu teria que narrar dois jogos de casa, o primeiro às 16h. Alguns me olharam espantados por eu não dar relevância para aquele evento tão importante para outros. 
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Voltei para casa me perguntando porque raios as pessoas gostam tanto de futricar a vida alheia. Além de ninguém ganhar absolutamente nada com isso, essa atitude só prejudica os demais - a motorista que começou a chorar deve ter ficado ainda mais ansiosa ao ver que tinha gente prestando atenção nela. Os transeuntes não estavam nem aí, tanto que nenhum deles se dispôs a ajudar em nada. Só ficaram lá especulando sobre o ocorrido e comentando tudo o que viam.
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Sei que, infelizmente, esse grupo apenas representa uma enormidade de gente que faz a mesmíssima coisa não só ao ver acidentes, mas para absolutamente tudo na vida - você deve conhecer fofoqueiros, espíritos de porco, futriqueiros e por aí vai. Eu lamento por eles, mas não escondo a raiva. 
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Narrei meus dois jogos, ganhei meu dinheiro. Foi bem melhor que ficar vendo três carros batidos. 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

E você, vai aprender o quê com as crises?

Você deve conhecer a crise de 2008 muito mais pela fama que ela criou mundo afora do que pelo impacto dela na economia brasileira. Mas saiba que ela foi devastadora. Foram momentos difíceis ao redor da Terra, mas o mundo já está praticamente recuperado - tem um ou outro país ou região que fogem à regra, como quase sempre acontece. O mais importante é que o mundo aprendeu muito com a recessão recente, assim como aprendeu demais após a Quinta-Feira Negra. 
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Em 2001, o Brasil viveu o famoso apagão por conta da baixa quantidade de água nas hidrelétricas nacionais. Após um período de muita economia, o país voltou à normalidade no aspecto de geração de energia. O que aprendemos com aquele triste período? Se pensarmos que de 2001 até 2013 o consumo de energia cresceu 51,6% (de acordo com o Ministério das Minas e Energia) e que de 2013 para 2014 o aumento foi de 3,6%, dá para deduzir que pouco aprendemos - se é que aprendemos algo. O desperdício segue imenso.
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Sei que a partir de 2002 (ou seja, um ano após o apagão) o Brasil começou a crescer demais economicamente, mas longe de acompanhar o ritmo de crescimento do consumo de energia. A conta simplesmente não fecha. 
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Eis que, catorze anos depois, enfrentamos duas crises ao mesmo tempo - e, novamente, parece que insistimos eu não tirar nenhuma lição delas. Agora não há mais crise de energia (de maneira sistêmica, ao menos e por enquanto), mas sim de combustíveis e ética. (Não que a crise ética seja de hoje, mas ela está em voga novamente - se é que um dia ela saiu da pauta).
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Como o seu bolso já deve ter acusado, a gasolina ficou mais cara no país inteiro nos últimos dias. Se você teve algum contato básico com redes sociais na última semana deve ter visto muita gente contando casos diversos e reclamando do preço da gasolina. 
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O mais engraçado é que quem faz essas reclamações não deixa de encher o tanque. Paga o que tiver que pagar, mas sem o carro não pode viver. Ônibus? Trem? Metrô? Bicicleta? Trólebus? Ora, faça-me o favor! O ilustríssimo classe média não abandona seu automóvel, custe o que custar. Entre a economia e o conforto (e o status), prefere os dois últimos. 
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É simples: você pode colaborar bastante para abaixar a gasolina. Basta largar o carro e passar a andar de transporte público. Com menos procura, o preço vai cair. É a Lei da Oferta e da Procura ao nosso favor. Todo mundo agradece. 
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Não tenha dúvida que os ônibus, os trens, os metrôs e afins estão lotados, infelizmente. Mas qual foi a última vez que você não pegou trânsito ao ir trabalhar? Ao pesar as duas situações, os motoristas preferem olhar para o próprio umbigo do que para o restante da sociedade - sem ver que o umbigo dele também pertente à sociedade. Isso para não entrar nos méritos ambientais, já que um carro polui muito mais que qualquer condução pública. 
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Paralelamente a isso, vemos um tristíssimo episódio que devasta a Petrobras, outrora orgulho brasileiro. Tal qual tantos outros escândalos, o problema é o mesmo: corrupção. 
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Não vou me lembrar onde vi a citação, mas concordo muito com ela: corrupção tem hierarquia. Nessa altura da vida, não podemos mais ser tão pueris para acreditar que guardar lugar na fila é algo que possa ser comparado a desviar bilhões de reais públicos para contas particulares. Isso só acontece na mente de mães carolas em explicações bem boçais, rasas e hipócritas para seus filhos - que já recebem uma noção ética errada desde o começo de sua educação, como podem ver. 
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Guardar lugar na fila é errado, e é algo que muitos fazem. Mas e se alguém oferecesse um carro, uma casa ou uma boa quantia em dinheiro para ganhar seu voto, você se venderia? Se nós não temos acesso aos bilhões envolvidos no petrolão, podemos trazer a situação para valores e situações bem mais próximas de nós - como eu fiz acima. 
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É fácil se revoltar com o que vemos todos os dias nos (radio/tele)jornais. É revoltante mesmo. Mas, se você faz o mesmo que eles (dadas as devidas proporções), você mesmo é um deles e esta atrapalhando o bom andamento do país. 
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Aliás, o pior pensamento que pode existir em situação de conflitos éticos tão fortes como o que vivemos agora é o de que "se eles podem, eu também posso". Não, ninguém pode. E, se a impunidade te deixa livre, você ganha o asco de boa parte das pessoas, que passam a te olhar de canto de olho e a perder a confiança em você. 
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Passe a ver a notícia com outros olhos. Como tudo na vida, elas também trazem aprendizados. E, nesse caso, aprender é mudar o próprio comportamento.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Os smartphones mataram os relógios

Nas duas últimas noites eu saí com minha namorada e meus amigos - isso explica a ausência de postagens por aqui, aliás. É claro que cada saída e cada pessoa tem suas particularidades, mas atentei para algo ontem que já tinha pensado tempos atrás e ratifiquei. O pensamento é o título desse post, aliás. 
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Vi, nas duas últimas noites, cerca de trinta pessoas - que estavam nas mesas onde eu estava. Nenhuma delas tinha um relógio de pulso. Enquanto isso, entre conversas, risadas e mordidas em comidas, as pessoas usavam o celular freneticamente, muitas vezes mostrando algo nele para seus amigos. Também vi duas pessoas viradas uma para a outra e mexendo no aparelho. O pior: já vi isso muitas vezes que, para mim, deixou de ser curioso. É chocante.
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A maioria (para não dizer todos) os smartphones tem em sua tela inicial (a que é desbloqueada) o celular, em fontes garrafais, para quem quiser saber que horas são. E, cada vez mais, os celulares são utensílios indispensáveis para todo mundo - para a vida pessoal, profissional, educacional e qualquer complemento para a palavra "vida" que você queira encaixar aqui. 
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O mais engraçado é que, em tese, é muito mais fácil ver as horas por um relógio de pulso que por um celular. Basta você olhar para o próprio braço no relógio; enquanto no celular você tem que, no mínimo, apertar um botão - isso quando não precisa tirá-lo do bolso. Isso só reforça o que disse no título - e o grau de vício que temos nos nossos aparelhos.
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Hoje em dia, relógio tem como utilidade o status e a ostentação. Usar um Rolex ou uma marca cara te deixa mais bonito e com uma aura de único, com bom gosto - uma espécie de hipster clássico. Talvez só eles saibam o quão mais fácil é ver a hora em um relógio, talvez eles não gostem de celular. Mas não se vê mais um relógio que não seja de uma marca conceituada em pulso nenhum.
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De bandeja, os smartphones também mataram uma das interações sociais mais antigas que existem. Ao menos eu não vejo há tempos uma pessoa perguntando que horas são para a outra. Fico me perguntando quantas pessoas e casais não se conheceram com essa inocente pergunta - e que, consequentemente, nem se conheceriam nos dias de hoje. 
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Daqui a pouco surge algum aparelho que vai matar o "será que vai chover?"...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Competição é vital para o futebol - não só para ele

Ao entrar no Twitter hoje me senti em dia de final do Campeonato Carioca em pleno mês de janeiro. O motivo: hoje teríamos o Clássico dos Milhões, em jogo amistoso válido (se é que existe algum jogo amistoso válido) pela Super Series, torneio que acontece em Manaus e reúne também o São Paulo. 
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Fiquei pensando como alguém pode ficar tão à flor da pele com um jogo que, no final das contas, não vale rigorosamente nada. Nem mesmo ganhar de um rival me motiva tanto assim, por melhor que isso seja. 
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No futebol, tal qual no carnaval, ter algum tipo de competição é condição de existência (me apropriando de um conceito matemático) para mim. Se não vale três pontos em um torneio com sistema de rebaixamento ou para o qual se classificam apenas equipes por algum critério técnico eu não consigo ver graça.
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Como disse, não é apenas no futebol. Qual a graça do Desfile das Campeãs do carnaval? Nem eu, apaixonado pela folia de Momo, aguento ver. Tem que valer nota, causar frisson, deixar os diretores da agremiação preocupados e os torcedores com frio na espinha. Pra fazer festa sem me preocupar com nada eu prefiro chamar amigos em casa. 
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Por conta do novo calendário da CBF, todos os clubes tem tempo suficiente para fazer esse tipo de jogo - e muitos andam fazendo, até mesmo participante de torneios. Pelo lado do marketing é até interessante, já que aproxima o time de uma torcida que não consegue vê-lo normalmente ou expõe a marca para o exterior. Mas, fora isso, realmente prefiro os jogos-treino contra equipes de nível técnico inferior, para dar moral para os jogadores, treinar a formação tática e ganhar entrosamento.
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Descobri, aliás, um motivo para os amistosos existirem: bandidos travestidos de torcedores brigarem. Aconteceu hoje na Arena da Amazônia, aliás. De sopetão lembrei de mais um: contundir um jogador, já que ele ainda não está na forma física adequada - aconteceu na partida entre Palmeiras e Shandong Luneng, com o atacante Pablo Mouche. 
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Devo dizer que nem mesmo o meu time do coração me atrai em amistosos. Acompanho unicamente porque me sinto na obrigação - e só dele. Lembro de acompanhar São Paulo x Orlando City e morrer de desgosto. A salvação fica para as redes sociais, que conseguem ver graça até mesmo em algo tão pavoros quanto aquele jogo. 
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Valorizemos a competição, e deixemos todos os nossos sentimentos para eles. Aos amistosos, que eles passem despercebidos e nada mais - já que eles tem que, infelizmente, existir. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Napoleão, futebolistas franceses e a xenofobia

Ontem escrevi um pouco sobre o atentado à redação do Charlie Hebdo no blog. Um dos trechos dizia que "a questão islâmica na França é ainda mais delicada" que em outros locais e percebi que não tinha como comparar tão bem essa situação apresentada. Mais do que fácil, chega a ser evidente. 
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Como boa parte das sociedade no mundo, os franceses são ingratos com quem os escolhe para viver vindo de outra região. Digo ingratos não só porquê eles os discriminam (veladamente ou não), mas porque não veem o quanto podem crescer se passassem a integrá-los, colocando-os entre seu próprio povo - o que, de fato, esses imigrantes são.
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Parece que, para ser considerado francês, um imigrante tem que ser um fora de série; se não, é tratado como indigente. Napoleão Bonaparte é considerado francês por um mero acaso, já que a Córsega só tornou-se uma ilha francesa em 1768 - antes disso, pertencia à então República de Gênova. Na escola, ele sofria preconceito de seus colegas por conta de seu sotaque insulano. Depois, como se sabe, tornou-se talvez a maior personificação da França na história. Assim, o preconceito que viveu foi esquecido - ao menos por ele, é claro.
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Outro herói francês é Zinedine Zidane, célebre jogador de futebol. Como tantos outros, é filho de dois argelinos. Embora nunca tenha passado por grandes dificuldades ao longo de sua vida, é interessante pensar que tantos xenófobos cultuam um filho de imigrantes do norte da África. Também é interessante pensar que o pai de Zidane já tinha uma vida minimamente confortável ao chegar na França (ao contrário da grande maioria de seus semelhantes), e que isso possa ter ajudado a família a não ter grandes problemas na França.
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Uma das celebridades que mais jogam luz à xenofobia na França é outro jogador de futebol. Karim Benzema não canta a Marselhesa por conta do verso "Qu'un sang impur abreuve nos sillon" ("Que um sangue impuro banhe o nosso solo", em português), que na leitura de muitos hoje em dia faz referência à presença de imigrantes no país - leitura tão estúpida que se esquece que, em 1792, a França vivia sitiada sob vários exércitos estrangeiros. A atitude de Benzema (e de outros tantos atletas) causa revolta nos franceses mais conservadores. 
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Sobre essa situação, Benzema tem uma frase genial: "Se eu cantar o hino, não significa que vou marcar três gols. E se eu não cantar, mas quando o jogo começar, fizer três gols, não acho que alguém vá dizer que eu não cantei a Marselhesa. Ninguém vai me obrigar a cantar. Mesmo alguns torcedores não cantam. Zidane, por exemplo, não cantava necessariamente. E há outros".
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Perfeito. E cabem mais citações aqui: a mulher de Franck Ribéry é argelina, e o atleta não faz força nenhuma para cantar a Marselhesa; Christian Karembeu nasceu na Nova Caledônia e também não canta um verso do hino nacional francês. Até mesmo o 100% francês Michel Platini (hoje presidente da UEFA) vem de uma geração na qual ninguém entoava a canção-máter gaulesa. Isso faz de cada um deles menos craque? Pior: faz de cada um deles alguém que não mereça respeito?
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Não dá pra entender quem seja contra a presença de estrangeiros. Todos, assim como os xenófobos, querem uma vida melhor. E nunca é demais lembrar que os Estados Unidos, maior potência econômica mundial, é o país que mais recebeu imigrantes na história. Atualmente, também chama a atenção a forte presença de turcos que tentam a vida na Alemanha - a ponto de, em uma partida entre as duas seleções em Berlim, quarenta mil turcos marcarem presença no Olímpico de Berlim; ouça as vaias dos turcos enquanto os alemães trocam passes. Um país só tem a ganhar com imigrantes, e a própria presença deles indica que esse país está no caminho certo. 
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Não foram os muçulmanos que atacaram o Charlie Hebdo. Foi o Estado Islâmico, um flagelo desse grupo étnico muito maior. Se for assim, os cristãos também são assassinos por culpa das Cruzadas. Isso corresponde à realidade?
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Felizmente não moramos em uma aldeia, e devemos combater quem acha que quem nasce do outro lado de uma fronteira é inferior ou não merece ser feliz em nosso chão.

Não é sobre liberdade de expressão, mas sim sobre intolerância e irracionalidade

Vejo muita gente (pra não dizer todos) dizendo que a liberdade de expressão foi atacada no terrível atentado terrorista à sede da revista Charlie Hebdo. Fico um tanto quanto chocado por discordar de tanta gente intelectual (e assumo minha pouca inteligência), mas não acho que o ponto nevrálgico dessa discussão seja esse.
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Se a liberdade de expressão estivesse em xeque, como a revista seria publicada desde 1970? Como ela teria liberdade para fazer piada e criticar absolutamente tudo? Se houvesse algum tipo de cerceamento de liberdade, o jornal não publicaria e/ou não poderia ser publicado. 
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Ao meu ver, a liberdade de expressão (e sua antítese, a censura) são características de Estado. O atentado que vimos não foi diferente de outros tantos que acontecem às pencas em outras diversas áreas do mundo - muitas das quais não são mostradas pela grande mídia. A diferença fundamental é que foi contra um veículo da imprensa. E esse é um dos lados negativos do corporativismo jornalístico: se foi um ataque em uma redação é um atentado contra algo muito maior que algumas pessoas; se foi em algum rincão qualquer contra indigentes (por exemplo), nem precisa ser noticiado. 
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O jornal, símbolo da mídia como um todo, apenas representou o principal (ou um dos principais) inimigos da religião, segundo os terroristas. Se fosse alguma outra entidade, eles a atacariam - como fez Mehmet Agca, que tentou matar o papa João Paulo II em 1981. 
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Para mim, temos duas principais questões no atentado. 
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A mais trivial delas é a irracionalidade. Ao praticar o ato terrorista, tenho certeza que os homens sabiam que estavam criando heróis modernos na luta contra diversas ideias que temos hoje em dia no Ocidente. E nem isso foi capaz de detê-los. Eles aumentaram a aversão de muitos a uma religião e a um grupo étnico que já sofre com diversas formas de preconceito. Eles agem apenas por si, não pensando em seus semelhantes. E isso me leva ao segundo ponto, esse muito mais crítico - pensando que a irracionalidade é de um ínfimo grupo, obviamente. 
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Nada me parece mais em alta no mundo nos tempos atuais que a intolerância e as fobias. Antes ela obviamente já existia, mas contra minorias - e já era nojenta. Hoje ela não se restringe: tudo é motivo para matar, torturar, assassinar e fazer coisas nojentas contra outras pessoas. À crítica se responde com violência. Esse é o mundo que queremos?
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A reflexão aqui não é só para quem é muçulmano - aliás, a expansão islâmica sob o comando de Maomé foi um dos períodos de maior liberdade em todos os tempos, em todos os aspectos. Embora hoje eles sejam vistos como violentos, os responsáveis por grupos terroristas são alguns poucos radicais ortodoxos. Assim como muitos católicos hoje em dia saúdam as Cruzadas, um dos maiores genocídios da Terra. 
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Também vale lembrar que a questão islâmica na França é ainda mais delicada. Como principal colonizador de países do norte da África, os gauleses recebem uma série de marroquinos, argelinos, congoleses e gente de outras tantas nacionalidades que apenas buscam uma vida melhor - terroristas, novamente, são uma parcela irrisória desses imigrantes. 
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Percebeu a semelhança entre as motivações de imigrantes do norte da África e nordestinos? Vimos a confusão que pessoas de pouco QI e/ou de pouca índole causaram na época da eleição. E vimos o que aconteceu hoje em Paris. Não ache que o preconceito entre africanos e nordestinos é diferentes. Você também tem sua parcela de culpa nesse caldeirão de intolerância em que vivemos atualmente caso tenha postado uma daquelas tantas mensagens vergonhosas em redes sociais ou coisas correlatas.
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Temos muito o que aprender em matéria de cidadania e sociabilidade ainda. Nos resta apenas lamentar, mais uma vez, um atentado tão chocante e intolerante - e torcer para que seja o último.