sábado, 10 de janeiro de 2015

O dia em que eu entrei na Forever 21

O título chama a atenção, mas o dia teve situações muito mais legais que a frase descrita para descrevê-lo.
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Muita gente deve achar que sair com a irmã mais nova é chato, queima filme (ainda usam a expressão queima filme?) e coisas assim. Eu nunca achei isso. Minha irmã é uma das melhores companhias que eu posso ter. Tanto que, depois da minha namorada, a pessoa com quem eu mais saio é ela - não que eu saia muito.
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Como estávamos sem carro, nosso avô nos deu carona até a rodoviária da cidade. Logo que saímos, comemorei: "Olha só, o ônibus tá aqui". Andamos mais um pouco: "Ele tá ligado?". Antes de terminar a frase, vi o ônibus dar a ré para sair e logo saí correndo, agitando os braços para cima para ser visto. Essas duas ações foram bem mais rápidas que o tempo que você demorou para ler esse fragmento de texto tamanho o desespero. Sabe como é esse tempo de tarifa a R$ 3,50, o bilhete aumenta mas isso não quer dizer que o ônibus seja mais rápido.
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Eu nunca tinha entrado no Golden Square, nem mesmo antes da reforma. Me pareceu bem bonito, além de ficar na avenida onde muita coisa acontece em São Bernardo - uma cidade que tem muita coisa pouco falada legal para fazer. Imagino que muita gente saia do shopping e vá para o La Revolución, que fica logo à frente, na Kennedy. Ainda tem muito espaço para novas lojas - lojas que, inclusive, são bem grandes no local.
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Não precisei esperar muito para a minha namorada chegar, assim como não precisei esperar muito para ver a tão falada Forever 21. Mais que uma loja de moda, a loja da moda. Também grande, como tantas outras no recinto - a Zara, no andar de cima, é imensa. Mas, antes delas matarem a fome de compras, todos precisavam matar a fome de comida.
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Comemos no Burger Lovers, indicação da minha namorada. Já aviso que elas não acharam o lanche muito bom - minha irmã comeu o Crispy Chicken e a minha namorada comeu o Double Cheeseburger Salad. Mas eu achei espetacular o Triple Cheeseburger Salad (adicionei bacon pelo óbvio motivo de que por vezes esqueço que tenho artérias) e as batatas em formato de raio. O hamburguer é grande e com um sabor bem marcante. Como devem imaginar, a minha combinação precisou do máximo equilíbrio para se manter minimamente estável. Nem isso tirou toda a graça de um dos melhores lanches que já comi.
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Era a hora de soltar as feras. Acompanhei um pouco minha irmã e minha namorada no começo da saga delas pela Forever 21, e logo fui usado como cabide. Vendo que elas não saiam das primeiras gôndolas, fui para a livraria Leitura. Tem poucos diferenciais além da boa oferta de pocket books e de livros organizados por autor dentro de cada categoria. A poltrona em frente à coleção de livros de Luis Fernando Veríssimo era um convite bom demais para ser recusado. Entre idas e vindas à Forever, lá fique - e devo ter lido metade de um dos livros, A Mesa Voadora. Veríssimo é daqueles escritores que te prendem e fazem o tempo passar.
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Voltei para Forever 21 e me deparei com duas sacolas cheias, uma de cada uma. Boquiaberto, vi que era melhor voltar pra livraria e ler mais alguns trechos de outros livros de Veríssimo na tal poltrona. Para minha surpresa, encontro ao lado um exemplar do clássico "Como o Futebol Explica o Mundo", leitura obrigatória para quem tem o mínimo interesse no futebol além das quatro linhas. Mais um capítulo lido - o que fala dos cartolas brasileiros, aliás. Mas nem Foer e nem Veríssimo faziam o tempo passar mais. O errado era eu, portanto.
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Minha última passada pela Forever 21 enxergou as duas já pagando seus muitos pertences e lamentando o que não compraram. Em pouco menos de duas horas elas criaram histórias íntimas com cada calça ou top, histórias que muitos homens não tem com as meninas que pegam nas baladas. Fizeram questão de contar todas, da primeira peça que buscaram até a última que descartaram - já no caixa. E falaram que precisavam voltar, que tiveram pena de mim e por isso saíram cedo. Como eu disse, o errado era eu.
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Após mais algumas voltas (ainda contando as muitas histórias das peças que compraram), o dia se encerrou comendo um bolo diet na Sodiê. É raríssimo encontrar quem faça receitas diets, e quando vejo uma loja que tenha gosto de incentivar essa prática - ainda que ainda cheio por causa do lanche. O escolhido foi o Alpes Suíços: chocolate, mousse branco, suspiro, trufas e calda de chocolate. Valeu bastante a pena.
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Dei carona para a minha namorada e ouvi todas as histórias que já tinha ouvido - agora com os apartes da minha mãe. Sabe-se lá como, mas esse dia foi realmente bom.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Napoleão, futebolistas franceses e a xenofobia

Ontem escrevi um pouco sobre o atentado à redação do Charlie Hebdo no blog. Um dos trechos dizia que "a questão islâmica na França é ainda mais delicada" que em outros locais e percebi que não tinha como comparar tão bem essa situação apresentada. Mais do que fácil, chega a ser evidente. 
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Como boa parte das sociedade no mundo, os franceses são ingratos com quem os escolhe para viver vindo de outra região. Digo ingratos não só porquê eles os discriminam (veladamente ou não), mas porque não veem o quanto podem crescer se passassem a integrá-los, colocando-os entre seu próprio povo - o que, de fato, esses imigrantes são.
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Parece que, para ser considerado francês, um imigrante tem que ser um fora de série; se não, é tratado como indigente. Napoleão Bonaparte é considerado francês por um mero acaso, já que a Córsega só tornou-se uma ilha francesa em 1768 - antes disso, pertencia à então República de Gênova. Na escola, ele sofria preconceito de seus colegas por conta de seu sotaque insulano. Depois, como se sabe, tornou-se talvez a maior personificação da França na história. Assim, o preconceito que viveu foi esquecido - ao menos por ele, é claro.
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Outro herói francês é Zinedine Zidane, célebre jogador de futebol. Como tantos outros, é filho de dois argelinos. Embora nunca tenha passado por grandes dificuldades ao longo de sua vida, é interessante pensar que tantos xenófobos cultuam um filho de imigrantes do norte da África. Também é interessante pensar que o pai de Zidane já tinha uma vida minimamente confortável ao chegar na França (ao contrário da grande maioria de seus semelhantes), e que isso possa ter ajudado a família a não ter grandes problemas na França.
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Uma das celebridades que mais jogam luz à xenofobia na França é outro jogador de futebol. Karim Benzema não canta a Marselhesa por conta do verso "Qu'un sang impur abreuve nos sillon" ("Que um sangue impuro banhe o nosso solo", em português), que na leitura de muitos hoje em dia faz referência à presença de imigrantes no país - leitura tão estúpida que se esquece que, em 1792, a França vivia sitiada sob vários exércitos estrangeiros. A atitude de Benzema (e de outros tantos atletas) causa revolta nos franceses mais conservadores. 
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Sobre essa situação, Benzema tem uma frase genial: "Se eu cantar o hino, não significa que vou marcar três gols. E se eu não cantar, mas quando o jogo começar, fizer três gols, não acho que alguém vá dizer que eu não cantei a Marselhesa. Ninguém vai me obrigar a cantar. Mesmo alguns torcedores não cantam. Zidane, por exemplo, não cantava necessariamente. E há outros".
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Perfeito. E cabem mais citações aqui: a mulher de Franck Ribéry é argelina, e o atleta não faz força nenhuma para cantar a Marselhesa; Christian Karembeu nasceu na Nova Caledônia e também não canta um verso do hino nacional francês. Até mesmo o 100% francês Michel Platini (hoje presidente da UEFA) vem de uma geração na qual ninguém entoava a canção-máter gaulesa. Isso faz de cada um deles menos craque? Pior: faz de cada um deles alguém que não mereça respeito?
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Não dá pra entender quem seja contra a presença de estrangeiros. Todos, assim como os xenófobos, querem uma vida melhor. E nunca é demais lembrar que os Estados Unidos, maior potência econômica mundial, é o país que mais recebeu imigrantes na história. Atualmente, também chama a atenção a forte presença de turcos que tentam a vida na Alemanha - a ponto de, em uma partida entre as duas seleções em Berlim, quarenta mil turcos marcarem presença no Olímpico de Berlim; ouça as vaias dos turcos enquanto os alemães trocam passes. Um país só tem a ganhar com imigrantes, e a própria presença deles indica que esse país está no caminho certo. 
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Não foram os muçulmanos que atacaram o Charlie Hebdo. Foi o Estado Islâmico, um flagelo desse grupo étnico muito maior. Se for assim, os cristãos também são assassinos por culpa das Cruzadas. Isso corresponde à realidade?
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Felizmente não moramos em uma aldeia, e devemos combater quem acha que quem nasce do outro lado de uma fronteira é inferior ou não merece ser feliz em nosso chão.

Não é sobre liberdade de expressão, mas sim sobre intolerância e irracionalidade

Vejo muita gente (pra não dizer todos) dizendo que a liberdade de expressão foi atacada no terrível atentado terrorista à sede da revista Charlie Hebdo. Fico um tanto quanto chocado por discordar de tanta gente intelectual (e assumo minha pouca inteligência), mas não acho que o ponto nevrálgico dessa discussão seja esse.
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Se a liberdade de expressão estivesse em xeque, como a revista seria publicada desde 1970? Como ela teria liberdade para fazer piada e criticar absolutamente tudo? Se houvesse algum tipo de cerceamento de liberdade, o jornal não publicaria e/ou não poderia ser publicado. 
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Ao meu ver, a liberdade de expressão (e sua antítese, a censura) são características de Estado. O atentado que vimos não foi diferente de outros tantos que acontecem às pencas em outras diversas áreas do mundo - muitas das quais não são mostradas pela grande mídia. A diferença fundamental é que foi contra um veículo da imprensa. E esse é um dos lados negativos do corporativismo jornalístico: se foi um ataque em uma redação é um atentado contra algo muito maior que algumas pessoas; se foi em algum rincão qualquer contra indigentes (por exemplo), nem precisa ser noticiado. 
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O jornal, símbolo da mídia como um todo, apenas representou o principal (ou um dos principais) inimigos da religião, segundo os terroristas. Se fosse alguma outra entidade, eles a atacariam - como fez Mehmet Agca, que tentou matar o papa João Paulo II em 1981. 
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Para mim, temos duas principais questões no atentado. 
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A mais trivial delas é a irracionalidade. Ao praticar o ato terrorista, tenho certeza que os homens sabiam que estavam criando heróis modernos na luta contra diversas ideias que temos hoje em dia no Ocidente. E nem isso foi capaz de detê-los. Eles aumentaram a aversão de muitos a uma religião e a um grupo étnico que já sofre com diversas formas de preconceito. Eles agem apenas por si, não pensando em seus semelhantes. E isso me leva ao segundo ponto, esse muito mais crítico - pensando que a irracionalidade é de um ínfimo grupo, obviamente. 
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Nada me parece mais em alta no mundo nos tempos atuais que a intolerância e as fobias. Antes ela obviamente já existia, mas contra minorias - e já era nojenta. Hoje ela não se restringe: tudo é motivo para matar, torturar, assassinar e fazer coisas nojentas contra outras pessoas. À crítica se responde com violência. Esse é o mundo que queremos?
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A reflexão aqui não é só para quem é muçulmano - aliás, a expansão islâmica sob o comando de Maomé foi um dos períodos de maior liberdade em todos os tempos, em todos os aspectos. Embora hoje eles sejam vistos como violentos, os responsáveis por grupos terroristas são alguns poucos radicais ortodoxos. Assim como muitos católicos hoje em dia saúdam as Cruzadas, um dos maiores genocídios da Terra. 
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Também vale lembrar que a questão islâmica na França é ainda mais delicada. Como principal colonizador de países do norte da África, os gauleses recebem uma série de marroquinos, argelinos, congoleses e gente de outras tantas nacionalidades que apenas buscam uma vida melhor - terroristas, novamente, são uma parcela irrisória desses imigrantes. 
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Percebeu a semelhança entre as motivações de imigrantes do norte da África e nordestinos? Vimos a confusão que pessoas de pouco QI e/ou de pouca índole causaram na época da eleição. E vimos o que aconteceu hoje em Paris. Não ache que o preconceito entre africanos e nordestinos é diferentes. Você também tem sua parcela de culpa nesse caldeirão de intolerância em que vivemos atualmente caso tenha postado uma daquelas tantas mensagens vergonhosas em redes sociais ou coisas correlatas.
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Temos muito o que aprender em matéria de cidadania e sociabilidade ainda. Nos resta apenas lamentar, mais uma vez, um atentado tão chocante e intolerante - e torcer para que seja o último.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Temos que matar a possível volta do mata-mata desde já

Nos últimos dias, a imprensa noticiou a vontade de alguns dirigentes em retomar os duelos eliminatórios no Brasileirão. Um imenso retrocesso. Mas precisamos ver quem é que está pedindo essa loucura.
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Até onde sei, foram três os cartolas que pediram a mudança na fórmula do campeonato: os novos presidentes de Grêmio e Santos (Romildo Bolzan Junior e Modesto Roma Junior, respectivamente) e o presidente da Federação Baiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues. 
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O interessante é que os três tem motivos para reclamar. Não da fórmula, mas de seus próprios clubes/federações. 
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O Grêmio não ganha um título sequer desde 2010 e não ganha um troféu fora do Rio Grande do Sul desde 2001 - dentre os chamados "doze grandes brasileiros", tem o segundo pior jejum nesse quesito. O Imortal também não fica com um treinador por um ano sem demiti-lo desde 2008. Planejamento puro, como podem ver
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O Santos fez em 2014 um Brasileirão mediano e uma boa Copa do Brasil (além do vice no Paulistão), mas teve suas campanhas colocadas em segundo plano diante de dois episódios grotescos: a contratação mais cara da história entre clubes brasileiro mostrou ser um retumbante fracasso, e Leandro Damião por muitas vezes ficou no banco de reservas. O clube também chocou com a demissão de Oswaldo de Oliveira pelo ~baixo desempenho fora de casa~ - e como se Oswaldo tivesse como fazer melhor com o time que tinha em mãos. 
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Já o futebol baiano viu seus dois gigantes rebaixados para a Série B, além de todas as dificuldades encontradas pelo estado para se dar bem até mesmo na Copa do Nordeste - não alcança as semifinais do Nordestão desde 2010. Enquanto isso, a Bahia vê clubes de Pernambuco e Ceará crescendo no cenário regional e nacional. 
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Mais interessante ainda é ver a justificativa dos dirigentes para querer a volta do mata-mata. Ednaldo justificava sua loucura não querendo ver entregadas na última rodada do torneio. Como se clubes que apenas cumprissem tabela não fizessem seus últimos jogos contra possíveis classificados e rebaixados. 
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Romildo Bolzan Jr. diz que o campeonato é desequilibrado, já que algumas equipes começam o torneio mal. Ora, e isso não faz parte do jogo? Em 2008, o São Paulo começou o returno com onze pontos de distância para o próprio Grêmio, então líder do campeonato. Já em 2011, o Corinthians fez um primeiro turno exemplar e administrou a vantagem no restante do torneio. Em ambos os casos, o título só foi sacramentado na última rodada. 
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O presidente santista fala que a fórmula está esgotada para com o torcedor. Fale por si, sr. Modesto Roma. O torcedor vê o time ao longo de todo o ano, e não precisa ficar secando para o rival a partir de determinada data. Sua opinião não procede. 
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Os três cartolas também falam da tão batida ~falta de emoção~ dos pontos corridos. O mais chato é que esse choro sempre volta quando um clube ganha o torneio com rodadas de antecedência no ano anterior. E se ele ganha com facilidade é porque não teve rivais. Méritos próprios sim, mas muitos deméritos dos demais - Grêmio, Santos e times baianos inclusos. Vale lembrar que, no caso específico do Cruzeiro (atual bicampeão brasileiro), o time celeste ganha muito menos da televisão e dos patrocinadores que times de São Paulo e Rio de Janeiro. Lá, ao contrário de RJ, SP e RS, o trabalho é bem feito.
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Vale relembrar também que, em 2009, nada mais nada menos que quatro clubes chegaram com chances de ser campeões brasileiros - e um dos que tinha chances sequer foi para a Libertadores. Pergunte se alguém achou que era a fórmula que não dava emoção para o campeonato. Também é interessante notar que para a diretoria do Santos (campeã nos pontos corridos em 2004) e para a do Grêmio (vice-campeão em 2008 e 2013) a fórmula de disputa era perfeita enquanto seus clubes estavam bem nas tabelas de classificação. 
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Dirigentes, simplesmente parem de colocar a culpa de seus trabalhos mal-feitos na fórmula do campeonato. Já temos a Copa do Brasil como mata-mata. Respeitem o torcedor, entrem na linha no aspecto econômico e, acima de tudo, engulam esse choro juvenil. 
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Por fim, dou a sugestão do comentarista Antero Greco no Bate Bola 2ª Edição do dia 05/01: se tanto querem mata-mata para dar emoção, por que não fazem um mata-mata para definir os rebaixados? Assim, um time que terminou o torneio em 12º tem as mesmas chances de cair que o 20º. Nesse caso ninguém quer emoção nenhuma porquê? A dirigência do futebol brasileira fede.
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A CBF não vai mudar a fórmula do torneio até 2016. Mas, se era uma boa notícia, ela cai ao vermos que isso só acontecerá pela dificuldade de articular alguma mudança estrutural em dois anos seguidos com Copas América. A justificativa não me convence. A CBF já deveria ver o quanto os pontos corridos estabilizaram o calendário nacional - e o quanto sem ele estaríamos ainda pior. 
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Demoramos longos 54 anos para ver a principal competição do futebol brasileiro ter um formato que premie o time mais regular e mantenha as equipes jogando ao longo de toda a temporada. As demais eu quero mesmo que tenham emoção, mas já temos diversos torneios nesse aspecto. Um Brasileirão com mata-mata seria o oitavo gol da Alemanha nessa goleada que não tem fim.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Copa São Paulo, sinônimo de falta de bom senso

Eu costumo dizer que as categorias de base de futebol deveriam ter medidas menores, bem como o vôlei feminino em relação ao masculino. É uma questão física, não de incapacidade técnica. Mais: quanto mais novos os garotos, menores deveriam ser as medidas - pelo mesmo motivo: físico, não técnico. O problema da Copa São Paulo, porém, é muito maior que esse. 
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Gosto demais da Copinha. Com ela conheço alguns times que nunca mais verei e desbravo o interior paulista ao ver a tabela da competição. O problema é que tudo isso vem em doses tão cavalares que torna-se algo ruim. 
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São 104 times ao todo, e isso não seria um problema se fosse algo que tivesse critérios técnicos. Obviamente não é o caso. A lista de equipes participantes é convidada, e não tem pudor nenhum em mostrar que existe para satisfazer empresários ligados ao futebol. Ou você acha que o Sete de Setembro de Alagoas, o Tarumã do Amazonas, o Paracatu do Distrito Federal, o Serrado da Paraíba, o Guaicurus do Mato Grosso do Sul ou o o Babaçu do Maranhão fazem algum trabalho relevante no futebol, seja na equipe profissional ou na base?
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Não dá pare reclamar das equipes do interior de SP chamadas. Elas são equipes sede, e até na Copa do Mundo a seleção anfitriã é chamada. O problema é que na edição de 2015 duas cidades-sede não tem times no torneio. O Grupo U, em Ilhabela, tem Criciúma, São José do Rio Grande do Sul, Vila Nova e Guarani; enquanto a chave S tem Desportivo Brasil, Paysandu, Atlético Goianiense e Avaí jogando em Águas de Lindóia. É ridículo. Até mesmo o calendário indica que a competição está inchada até dizer chega e nada é feito. 
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Pior ainda é ver que o show de equipes não contempla sequer algumas que tem destaque no cenário atual. Tem, inclusive, time da primeira divisão que não está presente: o Joinville. Da Série B, não temos Bragantino, Oeste de Itápolis (times paulistas, maioria absoluta no certame), Boa Esporte, CRB, Macaé e Mogi Mirim. 
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Mais: alguns times de fora de São Paulo (estado que eu considero exceção, já que é a sede do torneio) que participam da Copinha sequer estão na primeira divisão estadual. Casos do Sete de Setembro (Alagoas), Tarumã (Amazonas), Goiânia (Goiás), Babaçu (Maranhão), Guaicurus (Mato Grosso do Sul), Araxá (Minas Gerais), Serrano (Paraíba) e Comercial (Piauí). Interessante é ver que, desses times, cinco caíram em grupos de pesos pesados do futebol brasileiro: o Sete de Setembro está no grupo do Atlético Mineiro; o Babaçu, no do Santos; o Guaicurus, no do Corinthians; o Araxá, no do Vasco; e o Serrano, no do São Paulo.  
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Correção: com exceção de SP, todos os estados tem determinado número de vagas na competição, e elas são indicadas pelas competições sub-20 e sub-19 estaduais.
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A Copinha, principal torneio do futebol de base nacional, apenas mostra os problemas que as categorias inferiores enfrentam. Os problemas que apontei são específicos do torneio, mas existem outros tantos na base dos clubes: empresários que colocam jogadores agenciados por eles e tiram outras promessas, falta de estrutura, cooptação de empresários e empresas agenciadoras, valorização excessiva do resultado, cobrança da parte física e não da técnica... se alguns desses problemas são nítidos até no futebol profissional, imagine na base - longe de todos os holofotes. 
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Falou-se muito na valorização das divisões de base após o 7x1. Ao menos por ora, nada mudou. 

sábado, 3 de janeiro de 2015

Os efêmeros fãs dos temas de minisséries da Globo

O primeiro grande tema do Twitter foi a minissérie Tim Maia - Vale o Que Vier, da Globo. Muita gente disse que "ele era foda", "que cara louco", "que idiota"... coisas assim. Mas, no geral, ao menos eu vi muito mais elogias à críticas ao "síndico" retratado na história. 
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Confesso que isso me incomodou. Não porquê ele não merecia ser idolatrado - muito pelo contrário, era uma pessoa ímpar. Mas porque eu já vi esse filme antes. Pessoas tornaram-se ~grandes fãs~ de algum homenageado em minisséries globais e, uma semana depois, essas pessoas passaram a ser indiferentes ao antigo ídolo - isso quando não se esqueceram ou criticaram o mesmo. 
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Nos últimos tempos, já tivemos séries sobre Luiz Gonzaga, Dercy Gonçalves, Chico Buarque e Maysa. Isso sem contar em uma minissérie baseada no clássico Dom Casmurro, de Machado de Assis. Todas com muita audiência e muitos comentários nas redes sociais. O roteiro (e aqui não falo da série, mas do impacto das montagens sobre quem a viu) foi idêntico. Quantas pessoas, hoje, ouvem Maysa? Alguém buscou ler Dom Casmurro ou outro livro machadiano? 
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É muito válido a Globo buscar artistas que podem e devem ser relembrados. O que é horrível é ver que esses artistas tem sua grandiosidade apenas quando passam na TV - para a maioria dos telespectadores, claro. 
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Tão ridícula quanto a falta de memória é a falta de pesquisa e de cultura dos brasileiros em geral. Triste.