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quinta-feira, 16 de abril de 2015

Torcer para o rival! Jamais?

Rogério Ceni causou polêmica na entrevista pós-jogo da sofrida vitória do São Paulo sobre o Danubio, no Uruguai. Perguntado por um repórter se ele torceria para o Corinthians (que joga contra o San Lorenzo e cuja vitória beneficiaria o Tricolor), Rogério foi enfático: "Torcer para o Corinthians? Jamais!"
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Créditos: http://migre.me/pvl3N
A frase rapidamente se tornou viral nas redes sociais. E não, o título dessa postagem não está errado - até porque eu não ratifico a ideia de Rogério. 
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Segundo o Aurélio, torcer significa "dar apoio a ou esperar resultado positivo de". O começo da minha argumentação é simples: nenhum são-paulino vai torcer para o Corinthians na vida, mas vão esperar um resultado positivo do time hoje. A palavra torcer, por si só, é forte demais para descrever a situação. 
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Um são-paulino, por motivos óbvios, vai torcer para o São Paulo sempre. Mas ele também tem que torcer para o bem do São Paulo. E, no caso, o melhor para o São Paulo é a vitória do Corinthians. Não, nenhum tricolor precisa (nem deve) gritar gol ou sair na rua com uma camisa da Gaviões da Fiel gritando "Timão eô", mas é preciso entender a situação. 
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Créditos: http://migre.me/pvl5c
Ao menos para mim, torcer cegamente e irracionalmente para o Corinthians perder hoje é ser muito mais "anti-corinthiano" que são-paulino. Ser anti do maior rival, aliás, me parece um mal grave cada vez mais comum em tempos de extremismo em tudo. Nem mesmo a remotíssima chance de eliminação corinthiana e classificação de São Paulo e San Lorenzo me convence. 
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Situações semelhantes já aconteceram várias vezes. A mais recente (e uma das mais extremas) que me lembro aconteceu na última rodada do Brasileirão de 2014. Por culpa da própria incompetência, o Palmeiras dependeu de um empate do Santos contra o Vitória para seguir na Série A. Eis que o Peixe faz 1x0 e salva de vez o Verdão. 
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Créditos: http://migre.me/pvl5M
É certo que a rivalidade entre Palmeiras e Santos é bem menor que a que envolve São Paulo e Corinthians. Mas ela existe, e isso basta. Gritar gol do Santos foi querer o bem do Palmeiras - e nenhum palmeirense se arrepende disso, mas sim da campanha horrenda do próprio time. 
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O são-paulino, historicamente tão arrogante, não parece ver isso. Ver o outro mal é melhor que ver ele mesmo bem. Isso ajuda a explicar tanta coisa errada no clube nos últimos tempos. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Foi

Eu já tinha visto o Vai-Vai no Anhembi uma vez. Foi em 2012, logo depois de um título. Um samba que não me agradava (como muitos na minha própria escola do coração), um enredo promissor que foi mal explorado, uma atravessada histórica de Wander Pires... mas a arquibancada lá ficou, firme e forte, apoiando a escola em sua Via Crucis - que, sabe-se lá como, ainda gerou um ótimo terceiro lugar para a Escola do Povo. 
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Voltei pra ver o Vai-Vai esse ano. Fui desconfiado, mesmo sabendo que a escola tinha um sambaço e um enredo bem feito e muito popular. Mas não queria perder a desconfiança. Após um terrível nono lugar em 2014, seria difícil conseguir uma posição com tanto destaque diante de Mocidade, Rosas, Águia de Ouro e Tucuruvi.
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A desconfiança, essa maldita, sumiu quando Maria Rita esquentou a escola com um excerto de "Maria, Maria", logo emendado pelo começo do samba-enredo - que, por sinal, era a parte onomatopéica do mesmo clássico da homenageada desse ano, Elis Regina. 
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O nirvana durou alguns poucos minutos. Logo que o imenso abre-alas entrou na avenida era nítido ver o problema no primeiro carro acoplado. A desconfiança voltou. Eu cantava e me emocionava, claro, mas eu superdimensionei aquele fato. Tudo no Vai-Vai é superdimensionado, os fatos bons e os ruins. E eu já contava com a correria habitual da escola pra fechar dentro do tempo - algo que não aconteceu pela primeira vez em muitos anos.
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Superdimensionada e real era a torcida da escola. Ninguém mexeu mais com o Anhembi que a Saracura - nem a Gaviões, que entrou empolgando e saiu com o prazo de validade já vencido. Todos cantaram, desfilando ou assistindo. E todos faziam a coreografia que a escola fazia. Somos tradição. E o samba continua. 
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No ranking que sempre faço, a Vai-Vai era a terceira. Dependia de todo mundo canetar a Tucuruvi e os jurados não entenderem o complexo enredo da Rosas de Ouro. Foi mais ou menos por aí. No final das contas, foram pra Evolução a minha terceira e a minha quarta colocadas. O meu Vai-Vai e a Mocidade da bateria que mais pareceu uma metralhadora e não perdeu décimo nenhum de jurado nenhum.
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O castigo veio à cavalo pra Morada do Samba. Com uma nota de antecedência vi minha escola ganhar o 15º título de sua história e ratificar sua condição de ser a maior vencedora do carnaval paulistano. Tudo isso quietinho enquanto trabalhava. 
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A desconfiança me fez comemorar menos, mas não deixou tudo menos emocionante. A passarela, que virou um arrastão, consagrou quem a levantou. Nem precisou não ser Vai-Vai pra chorar: quem era chorou também. O mais importante é que a nossa escola levou a taça. 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

E você, vai aprender o quê com as crises?

Você deve conhecer a crise de 2008 muito mais pela fama que ela criou mundo afora do que pelo impacto dela na economia brasileira. Mas saiba que ela foi devastadora. Foram momentos difíceis ao redor da Terra, mas o mundo já está praticamente recuperado - tem um ou outro país ou região que fogem à regra, como quase sempre acontece. O mais importante é que o mundo aprendeu muito com a recessão recente, assim como aprendeu demais após a Quinta-Feira Negra. 
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Em 2001, o Brasil viveu o famoso apagão por conta da baixa quantidade de água nas hidrelétricas nacionais. Após um período de muita economia, o país voltou à normalidade no aspecto de geração de energia. O que aprendemos com aquele triste período? Se pensarmos que de 2001 até 2013 o consumo de energia cresceu 51,6% (de acordo com o Ministério das Minas e Energia) e que de 2013 para 2014 o aumento foi de 3,6%, dá para deduzir que pouco aprendemos - se é que aprendemos algo. O desperdício segue imenso.
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Sei que a partir de 2002 (ou seja, um ano após o apagão) o Brasil começou a crescer demais economicamente, mas longe de acompanhar o ritmo de crescimento do consumo de energia. A conta simplesmente não fecha. 
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Eis que, catorze anos depois, enfrentamos duas crises ao mesmo tempo - e, novamente, parece que insistimos eu não tirar nenhuma lição delas. Agora não há mais crise de energia (de maneira sistêmica, ao menos e por enquanto), mas sim de combustíveis e ética. (Não que a crise ética seja de hoje, mas ela está em voga novamente - se é que um dia ela saiu da pauta).
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Como o seu bolso já deve ter acusado, a gasolina ficou mais cara no país inteiro nos últimos dias. Se você teve algum contato básico com redes sociais na última semana deve ter visto muita gente contando casos diversos e reclamando do preço da gasolina. 
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O mais engraçado é que quem faz essas reclamações não deixa de encher o tanque. Paga o que tiver que pagar, mas sem o carro não pode viver. Ônibus? Trem? Metrô? Bicicleta? Trólebus? Ora, faça-me o favor! O ilustríssimo classe média não abandona seu automóvel, custe o que custar. Entre a economia e o conforto (e o status), prefere os dois últimos. 
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É simples: você pode colaborar bastante para abaixar a gasolina. Basta largar o carro e passar a andar de transporte público. Com menos procura, o preço vai cair. É a Lei da Oferta e da Procura ao nosso favor. Todo mundo agradece. 
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Não tenha dúvida que os ônibus, os trens, os metrôs e afins estão lotados, infelizmente. Mas qual foi a última vez que você não pegou trânsito ao ir trabalhar? Ao pesar as duas situações, os motoristas preferem olhar para o próprio umbigo do que para o restante da sociedade - sem ver que o umbigo dele também pertente à sociedade. Isso para não entrar nos méritos ambientais, já que um carro polui muito mais que qualquer condução pública. 
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Paralelamente a isso, vemos um tristíssimo episódio que devasta a Petrobras, outrora orgulho brasileiro. Tal qual tantos outros escândalos, o problema é o mesmo: corrupção. 
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Não vou me lembrar onde vi a citação, mas concordo muito com ela: corrupção tem hierarquia. Nessa altura da vida, não podemos mais ser tão pueris para acreditar que guardar lugar na fila é algo que possa ser comparado a desviar bilhões de reais públicos para contas particulares. Isso só acontece na mente de mães carolas em explicações bem boçais, rasas e hipócritas para seus filhos - que já recebem uma noção ética errada desde o começo de sua educação, como podem ver. 
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Guardar lugar na fila é errado, e é algo que muitos fazem. Mas e se alguém oferecesse um carro, uma casa ou uma boa quantia em dinheiro para ganhar seu voto, você se venderia? Se nós não temos acesso aos bilhões envolvidos no petrolão, podemos trazer a situação para valores e situações bem mais próximas de nós - como eu fiz acima. 
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É fácil se revoltar com o que vemos todos os dias nos (radio/tele)jornais. É revoltante mesmo. Mas, se você faz o mesmo que eles (dadas as devidas proporções), você mesmo é um deles e esta atrapalhando o bom andamento do país. 
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Aliás, o pior pensamento que pode existir em situação de conflitos éticos tão fortes como o que vivemos agora é o de que "se eles podem, eu também posso". Não, ninguém pode. E, se a impunidade te deixa livre, você ganha o asco de boa parte das pessoas, que passam a te olhar de canto de olho e a perder a confiança em você. 
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Passe a ver a notícia com outros olhos. Como tudo na vida, elas também trazem aprendizados. E, nesse caso, aprender é mudar o próprio comportamento.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Chova ou não, São Paulo é uma cidade despreparada

A menos que você viveu em Urano em 2014, você certamente teve conhecimento da grave crise hídrica que assolou boa parte do Brasil em 2014. A seca atingiu mais fortemente São Paulo, que passou a acompanhar os níveis dos seus reservatórios de água (sobretudo o Cantareira, que atende 8,8 milhões de pessoas) atentamente. A porcentagem de água era dada no rádio e na TV como os índices da BOVESPA ou a temperatura máxima e mínima da previsão do tempo.
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Mais: os paulistas aprenderam que existe um nível d'água que só entra em ação em situações de emergência: o chamado volume morto. Hoje em dia ele é contabilizado para se chegar à capacidade atual dos reservatórias - tão ruim é o nível que chegamos. 
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O governador Geraldo Alckmin atribuiu a crise à falta de chuvas, paliativamente - e ridiculamente. Como esperado por quem não quis se enganar, ele mudou a versão após a eleição que garantiu sua reeleição como governador. Não precisaria mostrar o quanto ele estava errado em sua avaliação, mas lá vai: nem mesmo as tão conhecidas e torrenciais chuvas de Verão (que alagam uma série de bairros paulistanos e cidades vizinhas à capital) foram capazes de elevar o nível dos reservatórios. Pelo contrário: eles caíram ainda mais desde então.
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A parcela de culpa de Alckmin está no fato de que ele foi avisado sobre a situação periclitante na qual o sistema hídrico paulista estava e não tomou nenhuma providência, se omitindo. Errado, não tenha dúvida. E ele culpado quanto a isso, não tenha dúvida. Mas isso foi apenas a ponta do iceberg. 
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O verdadeiro culpado não é Alckmin, Serra, Lembo (lembra dele?) ou Covas; nem de Haddad, Kassab, Marta Suplicy, Pitta ou Maluf. Dos citados, todos tem o seu quinhão de culpa, é muito verdade. Mas os problemas são muito (deixe-me sublinhar o muito) anteriores. Vem da própria formação da cidade de São Paulo. 
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A ~Locomotiva do Brasil~ só passou a honrar essa alcunha na virada do século XIX para o século XX. Em 1890, a cidade tinha 64.934 segundo o CENSO da época; dez anos depois, já tinha 239.620 - um aumento de 269% em uma década. Mais: até 1940, a população cresceu mais 260%, enquanto a população de 1950 era dez vezes maior que a de 1900 - em meia década, apenas. Um ritmo de crescimento demográfico desses faria Malthus ser considerado um profeta. 
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Não há sistema social que resista a esses números. Aliás, é difícil dizer se houve algum dia algum sistema social decente em São Paulo - e no Brasil. O reflexo desse boom populacional é óbvio: vai faltar tudo (e água é apenas um desses itens) e a população vai sofrer. 
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Para os políticos, mais importante que garantir algumas reformas estruturais vitais para uma cidade que agoniza aos poucos é pensar em eleições e no custo que mudanças bruscas (e necessárias) terão nas urnas. Se protestamos pelos preços abusivos pagos no transporte público, temos temas tão importantes quanto para exigir alguma mudança de política pública urgentemente. 
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Temos, inclusive, um ótimo exemplo para seguir. Quem pensa hoje em Barcelona pensa em um ótimo lugar para se viver, com muita história e pontos turísticos. Até bem pouco tempo atrás era bem diferente, com problemas bem semelhantes ao de São Paulo. O ponto para a mudança catalã se deu em 1992, com as Olimpíadas na cidade. O programa de reformas urbanas iniciado na década de 1970 se acelerou e, hoje, a cidade Gaudí é referência em qualidade de vida.
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Há muito a ser feito e já temos motivos mais do que suficientes para ver que São Paulo pede socorro. Atenderemos?

sábado, 12 de julho de 2014

A maior e melhor mudança pela qual eu passei

No post anterior eu falei sobre mudanças. Mudanças no blog, na verdade. Mas aconteceram mudanças ainda mais (ou melhor, bem mais) importantes que essa na minha vida. Não é algo profissional, sequer um hobby meu, mas algo mudou na minha vida em um aspecto que faz todo o resto da vida ser bom ou ruim, diretamente ou não. 
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Parafraseando uma música de uma banda que a minha namorada adora: se eu falo assim, com tantos rodeios, é pra dizer que eu tô apaixonado. E é muito bom ver que o sentimento é recíproco, na mesma intensidade, com as mesmas intenções, pensamentos e vontade de fazer bem ao outro. Se o meu antigo namoro era uma guerra na qual eu perdia todas as batalhas, o meu atual é algo que nem cabe qualquer metáfora. É um relacionamento no qual todo mundo vê que os dois estão na mesma sintonia e se amam. 
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Hoje, por exemplo, eu saí com ela. Atividades rotineiras como trocar um presente, ver roupas, assistir um filme e comer (duas vezes, porque casais felizes engordam juntos) tornam-se eventos que valem um dia inteiro. Simplesmente porque tudo isso é feito com companheirismo, risadas e alguém que entende suas manias, neuras e bobeiras - e acho difícil alguém ter mais bobeiras que eu. 
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Também vale comentar: estamos prestes a fazer um ano juntos e tudo que mudou desde então foi não só para o nosso próprio bem, mas também para o bem de ambos. E tudo, absolutamente tudo, foi conversado e pensado. Por mais impulsivos que possamos ser, sabemos que muitas decisões exigem um olhar mais atento. No final das contas, nada me deixa melhor que ver minha namorada bem - e sei que o contrário também acontece.
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Eu queria ser tão maduro como a Amanda é com 18 anos e tão maduro quanto ela foi nesse quase um ano. Queria ser divertido, afável, competente em tudo que faço e guerreiro como ela. Queria ter os conselhos certos, ou falar o que mexe comigo de um jeito tão certeiro em cada briga. Por tudo isso, ela é mais que uma namorada: é minha confidente, minha grande amiga e um espelho. E, como espelho que é (e como música que tem esse nome), o vazio que estava no meu coração é o espaço que ela ocupa agora. 
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Que venham muito mais dias como hoje e muito mais anos como esse que logo completaremos, meu amor.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Daqui pra frente: TUDO precisa mudar

"No comecinho dos anos 2000, o grandalhão Oliver Bierhoff era o maior - e bota maior - símbolo do então apático futebol alemão. Experiente, corpulento, de canelas longas, pouca técnica e quase nenhuma movimentação, o centroavante abusava dos seus 1,91 m para finalizar as jogadas do único jeito que sabia: pelo alto, entre os zagueiros, cabeceando firme para dentro das redes. O movimento era repetido à exaustão. Jogo a jogo.
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Na Eurocopa de 2000, na Bélgica, os alemães sentiram a limitação bater na ponta das chuteiras. Atirados em um grupo com equipes fortes - Inglaterra, Portugal e Romênia -, caíram logo na primeira fase, marcando apenas um ponto e um gol. Vexame para uma camisa tricampeã mundial, que já tinha vestido Franz Beckenbauer, Karl Rummenigge e Paul Breitner."
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Esses são os primeiros parágrafos do ótimo texto sobre a mudança ocorrida no futebol alemão na virada do milênio escrito por Guilherme Pavarin e Alexandre Versignassi para a Superinteressante. O mesmo futebol alemão que nos humilhou também teve que mudar drasticamente há cerca de quinze anos. 
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A única correção ao texto: a mudança, talvez, já estava na mente de muitas pessoas. Já ouvi que ela é mais antiga, desde a eliminação nas quartas-de-final para a Bulgária, na Copa do Mundo de 1994. Também já vi que a mudança se deu com a derrota na final da Copa de 2002, para o Brasil. Seja como for, a mudança aconteceu - assim como tem que acontecer no futebol brasileiro.
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A única correção ao pensamento alemão: mudanças tem que acontecer sempre, e o ideal é que aconteçam pequenas mudanças, mas que elas sejam frequentes. De qualquer forma, a mudança alemã é definitiva e alçou a Alemanha ao centro do futebol mundial, colocando os tedescos como exemplo e parâmetro máximo. É algo tão espetacular que eu realmente recomendo que todo mundo leia o texto - linkado acima. 
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Coloco uma frase do texto que é fundamental para o prosseguimento da minha ideia e do meu texto:
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"A DFB, na verdade, é tudo o que a CBF não é"
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Essa frase diz tudo - e no texto eles explicam bem. Também é interessante pontuar que transformar a CBF em uma DFB tupiniquim não seria bom. A DFB é pública, e não preciso nem dizer os vários problemas que uma estatal brasileira pode ter - pra ficar no exemplo mais latente.
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A principal diferença é cultural, ao fim e ao cabo. A DFB é pública, e o que é público na Alemanha funciona. Porque há cobrança da população; porque há o mínimo de comprometimento dos dirigentes da DFB e dos governantes do país; porque a imprensa está atenta e tem consciência; e porque há muito mais pessoas conscientes de dificuldades e virtudes do que acontece no país. Sim, temos que expandir nosso pensamento. Culpar só a CBF é uma leviandade imensa. Nós mesmos temos culpa.
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A CBF é uma entidade privada e tem seus desmandos. Pessoas que trabalham em empresas particulares podem, sim, se rebelar. Ninguém dentro da CBF faz isso. Os brasileiros em geral não fazem nenhum tipo de pressão para termos mudanças na Confederação Brasileira de Futebol, também. A instituição é privada, mas cuida de um espórte, que é público - logo, passível de todo e qualquer protesto. 
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Em 2011 tivemos alguns protestos contra a CBF, exigindo a renúncia de Ricardo Teixeira. Bem, ela veio. Mas não preciso dizer que o problema era muito maior que ele. Precisamos voltar a protestar contra os desmandos cometidas por esse órgão nefasto. 
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Também vale entender como funciona a a CBF - se você tem um inimigo, deve saber o modus operandi dele para derrotá-lo. As eleições para o corpo diretivo se dão entre as próprias federações e clubes. Pois bem: desde 2007 a entidade sequer tem oposição em suas eleições internas. Sim, muito disso se dá por conta de todas as dificuldades impostas pelos cartolas que estão no poder, mas ninguém se arrisca - e como não tem nenhum tipo de pressão, fica tudo na mesma situação patética de sempre, com eleições para inglês ver. 
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Nos últimos tempos surgiu um movimento muito bem visto pela maioria dos que acompanham o futebol, mas que logo começou a sofrer contestações: o Bom Senso F.C. Eles tem ideias simples, mas que tornam-se revolucionárias ante o atraso no qual está inserido o futebol brasileiro. Creio, inclusive, que boa parte de suas bandeiras são as mesmas que as de qualquer um que goste de futebol. É hora de apoia-los, firmemente. Se eles estiverem errados, se algo der errado, é só contestá-los e/ou combatê-los. O que não dá é pra continuar assim. 
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A pressão, diga-se de passagem, não vale apenas para a população. Se um dirigente começa a ter vários escândalos contra si e não tem um trabalho bem feito, ele será pressionado por um sem fim de pessoas: jornalistas, pessoas ligadas ao Direito, conselheiros, outros dirigentes... ele não terá sossego, simplesmente. Algo que passa longe de acontecer no Brasil.
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A FIFA proíbe terminantemente a interferência dos governos nacionais nas confederações de cada país, por uma série de fatores - e tenha certeza que manter seu quintal corrupto é uma delas. É sabido, porém, que a presidente Dilma Rousseff está em rota de colisão com a CBF - recebeu, inclusive, o Bom Senso no Palácio do Planalto. É um caso semelhante ao descrito no parágrafo anterior: podemos erras, mas temos que mudar. O que não dá é manter o continuísmo.
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O problema para tudo isso acontecer é óbvio: a CBF é poderosa demais. É muito forte politicamente e cuida do esporte hegemônico nacional. É, aliás, uma das poucas entidades que consegue driblar a tão poderosa Rede Globo de Televisão. O emblemático caso aconteceu no maior clássico sul-americano, entre Brasil e Argentina. O jogo válido pelas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 foi disputado às 20h de uma quarta-feira - e não às 22h, horário tradicionalmente reservado pela Globo para o futebol. Tudo porque a emissora fez um Globo Repórter colocando Ricardo Teixeira contra a parede em seus diversos escândalos de corrupção. Acuada, a Rede Globo teve que acatar o novo horário e mexeu em sua quase intocável grande de programação para passar a peleja.
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A Globo, como se sabe, apóia sempre a seleção a níveis quase ditatoriais - repare que a relação entre a Globo e a ditadura militar está sempre presente, aliás. No já chamado Mineirazzo, nem mesmo os sempre pachecos Galvão Bueno e Walter Casagrande se controlaram. Era o descompasso completo, mas só vimos o tamanho da vergonha quando eles perderam a compostura. O que mais me revoltou na transmissão do jogo de ontem foi ouvir Casagrande falar que o Brasil nunca jogou bem na Copa, indo contra o que eles mesmos sempre falaram e contra o discurso sempre ufanista de outrora. Isso é covardia. Ir contra o que se fala anteriormente quando lhe convém é não ter honra, caráter ou culhão. 
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A mídia, principalmente esportiva, precisa aletar contra o que está dando errado desde o começo, ou noticiar qualquer fato relevante para o público. A Globo não faz isso, faz apenas o que lhe convém. Cabem os protestos que eu falei acima, sempre com inteligência e para atingir a audiência da emissora.
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Por fim, olhemos para nós mesmos: desde o ano passado reconquistamos o gosto e revimos o poder que manifestações populares tem. E não fazemos nada para ajudar nossa maior paixão. Também temos culpa no cartório, sim. E precisamos mudar nossa mentalidade- não só futebolística. 
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Uma das frases mais célebres de Ayrton Senna (é sempre bom falar dele) diz que "o segundo é o primeiro perdedor". Quem me conhece sabe que eu sou competitivo e concordo com essa citação. Mas eu reconheço o esforço, as capacidades e as limitações. Não desprezo a derrota, seja em qual posição eu termine. E, se o Brasil (ou o que representa o Brasil) não é campeão, nada vale. Isso é errado. A derrota faz aprender, e quem ganhou certamente aprendeu muito com as várias derrotas que já teve na vida. 
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Não podemos esquecer que a seleção que passou vergonha no Mineirão neutralizou a Colômbia, discutivelmente o melhor time da Copa na média de sua trajetória. Também conseguiu controlar Croácia e Camarões e, querendo ou não, protagonizou um dos jogos mais emocionantes do Mundial ante o Chile. 
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Outra: vimos o show de vários países americanos na Copa e nós cantamos a catarrenta "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor" como se não houvesse amanhã. Não peço para torcermos mais pela Seleção do que pelos nossos clubes, mas peço para que acompanhemos os amistosos e para que torçamos em Copas América, Copa das Confederações ou qualquer outra competição que disputemos. Um outro defeito seria quase que naturalmente contornado: a torcida incentivaria no estádios, com gritos que dão vontade de gritar - e não criem antipatia de boa parte dos ~torcedores~. Aqui, ao menos, já temos o começo de uma mudança: surgiu a Banda Verde e Amarela, com cantos bacanas para embalar os jogos da seleção brasileira.
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Temos muito o que fazer, como esse texto mostrou. Vamos à luta.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Não ache que eu tô bem

Agora, de férias da faculdade, eu pretendo escrever aqui sobre alguns assuntos, como sempre faço. E, bem, isso pode dar a falsa impressão que eu tô bem e feliz. Não, eu não tô nem bem e nem feliz - e o importante agora é que as pessoas que sabem disso tenha ciência dessa minha condição.
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É horrível pressionar uma tecla qualquer do celular pra ver se tem SMS, com alguma esperança mesmo sabendo que as chances são nulas, e não ter; ver Grey's Anatomy e começar a comparar a sua situação com algumas outras tão tristes quanto, é horrível não saber o que você vai fazer... é ruim ver tantas e todas essas mudanças que tem tanto a ver com as que já aconteceram antes, é péssimo te ver por aqui e não poder ir falar com você. Sofri, mas tudo voltou ao normal, mais hora ou menos hora. Que volte ao normal mais cedo que antes, e que volte. 
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"- Because of that! Because I meant that! I promised I wouldn’t run. I promised I would love you. 
- Even when you hate me.
- Even when I hate you."

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O país da Copa, o fim do mundo e a chatice

O Brasil é, cada vez mais, o país dos clichês e das frases feitas. Uma frase de impacto (que nem precisa ter tanto conteúdo assim, basta ser forte e cair bem em algum contexto pré-determinado) torna-se rapidamente um chavão no país, daqueles que são usados por todos - e deturpado por muitos. E isso é um tremendo pé no saco, com todo o respeito. 
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Ultimamente, duas dessas frases tem me chamado a atenção pela chatice e pela falta de nexo com que são usadas. 
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A primeira é achar que todos os problemas brasileiro* vão denegrir nossa imagem na Copa do Mundo e que tudo é motivo para esculhambação. É óbvio que temos problemas graves de infra-estrutura, nos transportes, nos aeroportos, na logística, em hotelaria, em educação, em saúde. É óbvio que isso atrapalha, e é óbvio que precisamos cobrar por mudanças. 
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O que me irrita é ver a frase "é esse o país da Copa ?" ou "imagina na Copa" a torto e a direito para qualquer coisa. Problemas pessoais, problemas nada a ver, coisas sem sentido nenhum são acompanhadas pela frase, cobrando mudanças de terceiros. Essa mentalidade paternalista brasileira de depender sempre dos outros e de nunca olhar pro próprio umbigo é escrota demais. Mexa-se e não reclame - certamente algum resultado bacana virá. 
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Outra frase que certamente todo mundo já ouviu e que me dá nos nervos é a que associa 2012 com o fim do mundo graças ao filme de Hollywood ou ao calendário maia. Pra começo de conversa: não ache que é um calendário maia, azteca, inca ou seja lá o que for que vai fazer o mundo acabar. 
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A oração é muito utilizada quando algo inesperado acontece. Título do Palmeiras ? É o fim do mundo ! Libertadores do Corinthians ? O mundo está acabando ! No esporte isso tornou-se comum (e chato), mas em outras áreas a frase também se faz presente. 
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Acho engraçado quem acha que algo vem por acaso. Conquistas vem com trabalho, competência, foco e planejamento - coisas que, certamente, quem usa esse tipo de frase não sabe o que é ou não tem. 
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O uso repetitivo dessas frases apenas evidencia a bobeira da nossa sociedade como um todo e o quanto não conseguimos construir argumentos com o mínimo de razão e lógica. Mostra, enfim, o quanto estamos inaptos a simplesmente pensar. 

sábado, 13 de outubro de 2012

As duas citações célebres mais lembradas por mim

"Nom dvcor, dvco" ("Não sou conduzido, conduzo")
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A citação é o lema da cidade de São Paulo e, realmente, tem tudo a ver com a Locomotiva do Brasil: ela conduz e nunca deixou ninguém conduzi-la. Invejo a força da frase e, quando quero uma dose de motivação (quem me conhece sabe que minha alto-estima inexiste), sempre tento pensar em coisas que eu conduzo, e não sou conduzido - quase sempre sem sucesso. A força e a imponência dessa frase em latim sempre me encantaram.
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"Posso não concordar com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las" ~ Voltaire
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Escritor, ensaísta, deísta e filósofo eram as ocupações do francês, mas certamente essa sua frase inspirou demais o pensamento liberal de raiz ao redor do mundo. Como todos sabem, sempre fui apaixonado por Jornalismo, e sempre gostei dessa verdadeira arte nos moldes propostos por Voltaire: sem nenhum tipo de censura e com total liberdade, concordando ou não com o que está sendo dito. Gostaria que todos os jornalistas tivessem essa frase como um mantra, e que não apenas pensassem nela como também colocassem na prática os ensinamentos que essas poucas palavras trazem. 

Desconstruindo a propaganda da Brahma sobre a Copa

A tentativa é válida: ir na contramão do senso comum e de um clichê que anda em alta por aí- quando nos deparamos com algo ruim, logo falamos "se agora tá assim, imagina na Copa !". Irritante (eu mesmo pretendo fazer um texto sobre isso) demais, claro, e só mostra a falta de habilidade brasileira em argumentar com o mínimo de conhecimento e contextualização. 
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No entanto, a propaganda da Brahma é uma ode ao fanatismo exacerbado, aquele que torna-se (bem) negativo. Além disso, o tom do comercial é dum ufanismo que deixaria Galvão Bueno orgulhoso - ou seja, é chato. 
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Para deixar o meu ponto de vista bem claro, peguei apenas o texto a propaganda para análise:
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"O Brasil é o país do futebol, mas também é o país das festas."
Nada pior que começar com dois clichês. Empobrece o texto e o produto final como um todo. O Brasil é mesmo o país do futebol, mesmo com cifras tão baixas perto dos clubes europeus, tratando tão mal os torcedores e estando na modestíssima 14ª colocação no ranking de seleções da FIFA ? Isso pra não falar na seleção atual, obviamente. Somos o país das festas mesmo ? Com base em quê eles falam isso ? Tem algum dado ? Informação errada e sem fundamento é o cúmulo para quem faz comunicação.
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"Por isso, a nossa Copa do Mundo da FIFA vai ser a melhor de todas."
Então só por sermos o país do futebol e das festas (segundo a propaganda, que fique bem claro) faremos a melhor Copa o Mundo da história ? E eu achava que, pra fazermos isso, teríamos que ter estádios modernos, infra-estrutura, cidades-sede preparadas, organização... essa frase é nojenta. É como falar que a pessoa que fez o melhor livro do mundo é o melhor escritor do mundo, desconsiderando o teor do livro, os vários contextos e muitas outras coisas. É uma relação de causa e consequência sem pé nem cabeça. É, repito, nojento.
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"Alguns insistem que os nossos aeroportos não vão dar conta, que o trânsito vai ser um caos, e sempre dizem: "se está assim agora, imagina na Copa ?"'.
Só um adendo aqui: alguns ? Todos estão dizendo isso - e, muitas vezes, embora sendo chato, com um grau de razão difícil de ser questionado.
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"Pessimistas, pensem bem."
Aviso: ainda dá tempo de não ler o festival de lorotas que vai tentar te deixar mais brasileiro mas que só vai te deixar com vontade de ir para a Argentina. 
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"O país que faz os maiores clássicos, o reveillón e o carnaval vai fazer a melhor festa já vista."
Novamente uma relação de causa e consequência sem lógica alguma. Quem precisa de organização, quem precisa de infra-estrutura, quem precisa de modernidade ou profissionais competentes ? Também é ridículo o tratamento que a propaganda dá para a Copa, sempre comparando-a com uma festa. Novamente levamos tudo do nosso jeito brejeiro e festeiro, sem seriedade nenhuma, dando motivos para imensos preconceitos mundo afora. Festa eu faço em casa, a Copa no meu país eu quero que seja um evento memorável e que nada dê errado. Bem, eu avisei que daqui pra baixo o nível ia ser risível, você quem optou em ver tudo...
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"Vamos imaginar como os aeroportos vão estar lotados. Sim, estarão, de torcedores empolgados e atletas incríveis."
Antes de mais nada: levar o nosso grave (e eterno) problema dos aeroportos em um tom tão pejorativo e caricatural é ridículo. Não precisamos achar que tudo vai ficar bom graças a um pensamento ou a uma propaganda, precisamos trabalhar e cobrar de quem faz tudo isso. Torcedor empolgado em aeroporto lotado simplesmente não existe. Nem a mais empolgada das pessoas aguenta aquela fila interminável que vemos em nossos tão frequentes apagões aéreos. Eles não estarão empolgados, estarão revoltados. E você acha realmente que vai estar no saguão e trombar com o Messi, ir ao banheiro e encontrar no mictório ao lado o Sneijder ou comprar café antes do Drogba ? 
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"Vamos imaginar como teremos engarrafamentos. Sim, teremos, de trios elétricos."
Só por curiosidade: já imaginou um engarrafamento de trio elétrico ? Um tipo de música altíssima o dia inteiro ? Não existe paz nem sossego, só a festa interminável que faria nós pedirmos pelo fim imediato já no segundo dia desse verdadeiro pandemônio. E, bem, você realmente acha que em cidades que tem engarrafamentos porque começou a chover nós não teremos nada com um evento do porte da Copa do Mundo ?
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"Imagine as praias, imagine as cidades, imagine o Brasil."
Imagine as praias lotadas e poluídas, imagine as cidades imundas, com vários roubos, homicídios e crimes diversos, imagine o Brasil construído com dinheiro público que ninguém fiscalizou e que poderia ser investido em outras áreas e não num evento que dura um mês !
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"Imagine que onde houver futebol vai ter Brahma, e onde tiver Brahma vai ter festa."
Futebol e festa, de novo... essa relação é corrosiva e só vai nos deixar ainda pior em nosso planos, planejamento e organização - temos isso, aliás ? E, cá entre nós, existem cervejas muito melhores que a Brahma. 
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Sempre fui a favor da Copa do Brasil pela visibilidade que ela dará ao nosso país e por achar que é a chance de ouro de tirarmos o nosso atraso em algumas áreas fundamentais ante o planeta. Mas isso não faz de mim um cego que cai em qualquer jogada barata de quem quer que seja. Eu cobro, e fiquei possesso com a referida propaganda. 
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O reclame foi feito pela Agência África, de Nizan Guanaes. Parabéns pelo verdadeiro desserviço, pessoal. 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Lula não está mentindo quando esnoba o mensalão

Para criticar o ex-presidente Lula, seus desafetos políticos (que são muitos, mas boa parte deles vem da elite intelectual do país que mandou no Brasil até 2002) falam que o petista está sendo arrogante e tentando tirar o julgamento do mensalão da pauta da imprensa nacional. Será mesmo ?
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Lula fala que o "povo está mais interessado em saber se o Palmeiras vai cair do que com o mensalão". É uma declaração forte e polêmica, é claro. Mas, pra desespero do país, ele está certo, infelizmente. 
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É só exercitar a mente: o que já fizemos por política e por nosso lazer (vou sempre exemplificar com o futebol, por ser mais palpável para a maioria e pra ficar no exemplo de Lula) ? Em quantas manifestações na rua já fomos e em quantos jogos ou estádios diferentes já fomos ? Sabemos mais de quem votamos ou dos jogadores do nosso time do coração ?
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Outro exemplo: o que fazemos quando gostamos de algo na política ? Elogiamos e saudamos o responsável. E no futebol ? Vibramos, choramos, pulamos, vamos até a última instância a alegria - algumas vezes de maneira até irracional. E quanto não gostamos de algo na política ? Falamos mal, usamos meia dúzia de xingamentos. E no futebol ? Batemos no móvel, ficamos roxos de berrar, juramos a pessoa de morte - isso quando, novamente, não somos irracionais. 
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A declaração de Lula é bem infeliz sim, claro. Mas ele fala isso por conhecer como poucos o povo brasileiro, e por, acima de tudo, não estar mentindo. A culpa não é dele, e sim nossa, por não nos interarmos na política como deveríamos - e por, consequentemente, darmos razão às asneiras que ele diz, seja na hora de falar, seja na hora de confirmá-las. 
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E você aí, mais preocupado com a tabela do Brasileirão do que com o mensalão...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Eu sou contra o segundo turno

Introduzido no país pela Constituição de 1988, o segundo turno em eleições, em tese, é perfeito. Apenas duas pessoas, comparação direta de ideias e de propostas, fica muito mais fácil de se decidir. Meu amigo Junior Carvalho, repórter político no Grande ABC, elucida isso:
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"Segundo turno é bom pra fortalecer a democracia, a importância dos debates e facilitar a comparação de propostas, já que são apenas os dois lados.(...)"
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Concordo com tudo. Na realidade, como disse anteriormente, concordo com tudo em tese. O problema é que, nesse caso, a tese não se aplica à realidade. 
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Continuo achando a ideia de uma eleição decidida em dois turnos muito válida, mas não no Brasil. Melhor: não com os políticos brasileiros. É simples: aqui, as eleições mostram as propostas no primeiro turno e já no primeiro turno começam os ataques pessoais aos candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de voto. Com dois candidatos no segundo turno e com as propostas já na mesa, os candidatos apenas se atacam, em uma campanha baixa, leviana e que só serve para atiçar ânimos pouco amistosos - e muito menos benéficos para a sociedade e para a democracia. 
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Para o segundo turno continuar sendo uma boa ideia precisamos mudar nossos políticos. Se isso não acontecer, prefiro que tudo seja decidido em apenas um dia. Poupa paciência e caráter.

domingo, 2 de setembro de 2012

Meredith Grey me animando:

“E até hoje, eu acredito que, na maior parte do tempo, o amor é uma questão de escolhas. É uma questão de tirar os venenos e as adagas da frente e criar o seu próprio final feliz“
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Tirar os venenos e as adagas que aparecerem, (continuar a) ser feliz sem elas - e assim sucessivamente até as outras aparecerem. Amém.

domingo, 8 de julho de 2012

O filho que não fugiu da luta

Desde quando a luta entre Anderson Silva e Chael Sonnen foi marcada para essa noite, Chael Sonnen falou e provocou Spider. Ele se esquivava e respondia falando de suas lutas, de suas defesas de cinturão. Foi político, e muitas vezes os outros acabavam falando pelo brasileiro - caso de Dana White, presidente do UFC.
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Uma semana antes da "luta do século", Anderson Silva provocou e falou várias do americano - que falou mal dos brasileiros, do próprio Anderson e até mesmo da mulher do paulistano. Mostrou nervosismo, mas uma vontade absurda para a luta - bem ele, que está acostumado a ser político e não fazer grandes declarações. Na pesagem para o evento, deu uma ombrada no seu rival, esquentando ainda mais o clima para o combate.
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A luta começou ruim para o brasileiro, já que o primeiro round inteiro foi disputado no chão - ponto forte de Sonnen e maior dificuldade do Spider. Mesmo com golpes pouco fortes, a situação complicou faltando 50 segundos para o fim do assalto, quando Sonnen tomou a guarda completa do brasileiro, que resumiu os derradeiros momentos em sua defesa. 
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No segundo, porém, nada disso. Sonnen tentou evitar a troca de socos e pontapés na tela, mas não conseguiu. A partir de um chute que acertou em cheio a cara de Sonnen, o brasileiro sentiu que a vitória estava próxima. Após uma tentativa de golpe rodado na qual o americano se desequilibrou, Silva mostrou porque é o tido como o maior lutador de MMA de todos os tempos: esperou, calmamente, para atacar - e viu o medo no olhar de seu adversário. Ao chegar perto dele, desceu uma joelhada violentíssima, que prensou a cabeça de Sonnen na tela, e partiu para uma sequência de socos tão fortes quanto. 
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Sonnen levantou de novo, mas foi fácil para Spider colocá-lo na tela, derrubá-lo e novamente dar mais socos no americano, finalizando a luta. 
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Depois da luta, ele ainda pediu para os brasileiros no ginásio (que ao menos pareciam ser maioria) aplaudirem o americano, sob a alegação de que "deveríamos mostrar que no Brasil também tem gente educada" - uma das acusações de Sonnen sobre o motivo para falar tão mal do Brasil. Após isso, chamou Sonnen para um churrasco, dizendo que "a minha mulher cozinharia para eles", lavando a alma de qualquer brasileiro e tirando um sorriso raivoso de Sonnen, que alguns segundos depois estava com a cara de traseiro que apresentou desde o final da luta. 
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Anderson encarnou mais uma vez o papel de super-herói que acostumou a ser no octógono, defendendo não só seu nome e sua honra, mas também todo o país que, em boa parte graças a ele, aprende a amar o esporte - e também o próprio país. Na transmissão do premiere, ele ainda repetiu o verso do hino nacional que ele mais está acostumado a encarnar - o que entitula essa postagem.
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Mais uma vez ficou provado quem é melhor entre Silva e Sonnen. E, mais uma vez, o Brasil mostrou que é a terra de todos os esportes.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Um pouco de Shakespeare

"Meu coração é teu, e podes instruí-lo: explica-te a ele e verás como ele está disposto a aprender toda e qualquer lição, por mais dura que seja, mas que te possa ajudar"

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Meu tempo ~ Crônica de Maria Rita Kehl

"(...) É só o que temos: um corpo e uma história, já que o presente é uma partícula, deletada tão logo eu acabe de escrever "partícula". E o futuro, lamento dizer, não existe. A não ser, é claro, sob a forma de fantasias e projetos. Mas fantasias e projetos de quê ? De restos, fiapos, pedaços não resolvidos do passado. No futuro só o que existe na certa é a morte esperando a gente. Deixa quieto."
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Você jamais vai ter um futuro diferente do seu passado. Pode começar a mudar agora, e o agora é passado tão logo eu termine de digitar "agora". Mas... futuro ? É só a morte.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Viva Bussunda !

Terminei hoje a leitura do ótimo livro Bussunda, a vida do casseta, escrito por Guilherme Fiuza, biográfico, sobre o humorista falecido em 2006 e que deixou uma legião de fãs. Farei um texto específico sobre o livro, mas me sinto obrigado a transcrever uma carta que o personagem dedicou aos políticos nacionais no site do finado programa Casseta & Planeta.
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Quem usa a internet há muito tempo lembra dessa carta, que chegou a vários e-mails como spam - dos poucos spams que valem a pena ser lidos. Na época, os deputados e senadores não gostaram dum quadro do Casseta que chamava os políticos de "deputados de programa", em referência às prostitutas. Chegou-se a cogitar um processo violento na Justiça, na época. Veio a resposta:
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"NOTA DE ESCLARECIMENTO
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Foi com surpresa que nós, integrantes do Grupo CASSETA & PLANETA, tomamos conhecimento, através da imprensa, da intenção do presidente da Câmara dos Deputados de nos processar por causa de uma piada veiculada em nosso programa de televisão. Em vista disso, gostaríamos de esclarecer alguns pontos:
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1. Em nenhum momento tivemos a intenção de ofender deputados ou prostitutas. O objetivo da piada era somente de comparar duas categorias profissionais que aceitam dinheiro para mudar de posição.
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2. Não vemos nenhum problema em ceder um espaço para o direito de resposta dos deputados. Pelo contrário, consideramos o quadro muito adequado e condizente com a linha do programa.
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3. Caso se decidam pelo direito de resposta, informamos que nossas gravações ocorrem às segundas-feiras, o que obrigará os deputados a interromper seu descanso."
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Talvez sentindo o golpe na jugular desferido, não houve ação judicial nenhuma - e o povo vingou-se de quem tanto o maltrata.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Alguém especial ~ Ivan Martins, para a revista Época

" “Ficar com muita gente é fácil”, diz um amigo meu, com pouco mais de 25 anos. “Difícil é achar alguém especial”.

Faz algum tempo que tivemos essa conversa. Ele tentava me explicar por que, em meio a tantas garotas bonitas, a tantas baladas e viagens, ele não se decidia a namorar.

Ele não disse que estava sobrando mulher. Não disse que seria um desperdício escolher apenas uma. Não falou em aproveitar a juventude ou o momento e nem alegou que teria dificuldade em escolher. Disse apenas que é difícil achar alguém especial.

Na hora, parado com ele na porta do elevador, aquilo me pareceu apenas uma desculpa para quem, afinal, está curtindo a abundância. Foi depois que eu vim a pensar que existe mesmo gente especial, e que é difícil topar com uma delas.


Claro, o mundo está cheio de gente bonita. Também há pessoas disponíveis para quase tudo, de sexo a asa delta. Para encontrar gente animada, basta ir ao bar, descobrir a balada, chegar na festa quando estiver bombando. Se você não for muito feio ou muito chato, vai se dar bem. Se você for jovem e bonita, vai ter possibilidade de escolher. Pode-se viver assim por muito tempo, experimentando, trocando de gente sem muita dor e quase sem culpa, descobrindo prazeres e sensações que, no passado, estariam proibidos, especialmente às mulheres.

Mas talvez isso tudo não seja suficiente.

Talvez seja preciso, para sentir-se realmente vivo, um tipo de sensação que não se obtém apenas trocando de parceiro ou de parceira toda semana. Talvez seja preciso, depois de algum tempo na farra, ficar apaixonado. Na verdade, ficar apaixonado pode ser aquilo que nós procuramos o tempo inteiro – mas isso, diria o meu jovem amigo, exige alguém especial.

Desde que ele usou essa fatídica expressão, eu fiquei pensando, mesmo contra a minha vontade, sobre o que seria alguém especial, e ainda não encontrei uma resposta satisfatória. Provavelmente porque ela não existe.

Você certamente já passou pela sensação engraçada de ouvir um amigo explicando, incansavelmente, por que aquela garota por quem ele está apaixonado é a mulher mais linda e mais encantadora do mundo – sem que você perceba, nela, nada de especial. OK, a garota é bonitinha. OK, o sotaque dela é charmoso. Mas, quem ouvisse ele falando, acharia que está namorando a irmã gêmea da Mila Kunis. Para ele ela é única e quase sobrenatural, e isso basta.

Disso se deduz, eu acho, que a pessoa especial é aquela que nos faz sentir especial.

Tenho uma amiga que anda apaixonada por um sujeito que eu, com a melhor boa vontade, só consigo achar um coxinha. Mas o tal rapaz, que parece que nasceu no cartório, faz com que ela se sinta a mulher mais sensual e mais arrebatada do planeta. É uma química aparentemente inexplicável entre um furacão e um copo de água mineral sem gás, mas que parece funcionar maravilhosamente. Ela, linda e selvagem como um puma da montanha, escolheu o cara que toma banho engravatado, entre tantos outros que se ofereciam, por que ele a faz sentir-se de um modo que ninguém mais faz. E isso basta.

É preciso admitir que há gente que parece especial para todo mundo. Não estou falando de atores e atrizes ou qualquer dessas celebridades que colonizam as nossas fantasias sexuais como cupins. Falo de gente normal extremamente sedutora. Isso existe, entre homens e entre mulheres. São aquelas pessoas com quem todo mundo quer ficar. Aquelas por quem um número desproporcional de seres humanos é apaixonado. Essas pessoas existem, estão em toda parte, circulam entre nós provocando suspiros e viradas de pescoço, mas não acho que sejam a resposta aos desejos de cada um de nós. Claro, todo mundo quer uma chance de ficar com uma pessoa dessas. Mas, quando acontece, não é exatamente aquilo que se imaginava. Você pode descobrir que a pessoa que todo mundo acha especial não é especial para você.

Da minha parte, tendo pensado um pouco, acho que a pessoa especial é aquele que enche a minha vida. Ela é a resposta às minhas ansiedades. Ela me dá aquilo que eu nem sei que eu preciso – às vezes é paz, outras vezes confusão. Eu tenho certeza que ela é linda por que não consigo deixar de olhá-la. Tenho certeza que é a pessoa mais sensual do mundo, uma vez que eu não consigo tirar as mãos dela. Certamente é brilhante, já que ela fala e eu babo. E, claro, a mulher mais engraçada do mundo, pois me faz rir o tempo inteiro. Tem também um senso de humor inteligentíssimo, visto que adora as minhas piadas. Com ela eu viajo, durmo, como, transo e até brigo bem. Ela extrai o melhor e o pior de mim, faz com que eu me sinta inteiro.

Deve ser isso que o meu amigo tinha em mente quando se referia a alguém especial. Se for isso vale a pena. As pessoas que passam na nossa vida são importantes, mas, de vez em quando, alguém tem de cavar um buraco bem fundo e ficar. Essas são especiais e não são fáceis de achar. "