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domingo, 10 de maio de 2015

Eu queria não dormir

Chega o fim de semana. Depois de tanto trabalhar, o máximo que você quer e imagina para você da sexta até o domingo à noite é fazer o que bem entender. 
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Créditos: http://migre.me/pO6WT
Você vê que tem muita coisa boa na televisão - tem futebol e corrida de todo jeito, tem show, tem filme, tem algo que te interessa. Você começa a ver o que vai fazer com a namorada, o que vai comer, como vai se divertir. Você pensa em descansar, arrumar algo em casa, resolver um dos vários problemas que tão escanteados nessa vida corrida. Você pensa até em trabalhar um pouco mais, já que a vida não tá fácil pra ninguém e freelancers no final de semana pagam melhor.
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O problema é que você dorme até de tarde no sábado e no domingo. O cansaço acumulado te consome sabe-se lá quantas horas do horário que, em tese, é feito para você fazer o que bem entender. 
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Conforme o tempo passa, fica mais difícil manter a disposição de outrora. Eu, que me orgulhava de dormir pouco, agora não posso ver uma cama na sexta-feira para hibernar até a tarde seguinte - perdendo vida, dinheiro, conhecimento e seja lá o que for. 
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Créditos: http://migre.me/pO6TF
Eu queria não ter sono ou preguiça. Queria viver sempre com os olhos abertos - eu sou tão calmo, não preciso nem ficar sempre alerta de maneira hiperativa, o meu normal já tá bom. 
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A disposição segue existindo, mas é difícil aceitar que o corpo já não obedece mais a cabeça como deveria. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

Rebranding pessoal

Uma das primeiras tarefas que fiz quando entrei no meu atual trabalho foi entrevistar um dos sócios da agência sobre o contrato entre a Insane e o cliente. Lá ouvi pela primeira vez a palavra "rebranding" - que, claro, me deixou com cara de dúvida.
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Créditos: http://migre.me/ptCz6
Agradeci por fazer a entrevista com um dos sócios, e não com um desconhecido ou com uma fonte. Tive a liberdade de perguntar o que significava rebranding - algo que não aconteceria se a entrevista fosse com uma fonte externa. Basicamente: rebranding é mudar a "cara" da marca - seja o logotipo, o nome, o slogan ou coisa que seja importante para identificar a empresa. É um conceito de marketing - o que explica porque eu, jornalista, não sabia. 
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Todos que me conhecem apenas da internet (acredite, tem muita gente nesse grupo) me conhecem como "Will_SPFC". Essa era a minha "arroba" no Twitter (rede social que mais uso) até minutos atrás, na verdade. Meu Instagram, que tinha a mesma denominação, tornou-se "Will.GF"; o Twitter agora é "WilllGF" - sim, com três "l" para escapar de outros usuários. 
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Todo mundo sempre soube e sabe que eu sou são-paulino - as fotos de Luis Fabiano comemorando gols contra o Corinthians não sairão de rede social nenhuma, ao menos por ora. 
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Créditos: http://migre.me/ptCy4
Eu fui vencido pelo senso comum, na verdade. Quando o "Will [SPFC]" (sim, com as chaves) surgiu, no finado Orkut, eu era um pré-adolescente que vivia em função de futebol - e do meu time, claro. Hoje, jornalista formado, tenho uma série de outras preocupações. Acima de tudo, não posso colocar minha isenção à prova. O futebol segue como uma das minhas paixões e eu cada vez mais gosto do assunto de uma maneira amadurecida, sem defender jogadores ou clubes pelos quais eu tenho simpatia - muito pelo contrário, aliás; e o próprio blog tem vários textos meus criticando São Paulo e Luis Fabiano, por exemplo. Mas o antigo nome de usuário dava margem a dúvidas, e isso não pode acontecer na minha profissão. 
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Que as barreiras que eu encontrava antigamente possam cair, que mais amizades e contatos possam surgir. O que eu tenho certeza é que eu nunca vou deixar de ser são-paulino, assim como nunca vou deixar de fazer uma crítica por conta disso. 

domingo, 29 de março de 2015

Mal-agradecido

Você sempre acha que tá tudo bem até uma situação extrema chegar. No meu caso, a mais extrema das situações me colocou na parede e me mostrou que, por melhor que eu tente ser, eu sempre vou ser um mal-agradecido. 
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Crédito: http://migre.me/pdrth
Ao entrar no Facebook de manhã, vi uma postagem da minha madrasta dizendo que o macho do seu casal de Pinscher morreu. Ele já estava velho (14 anos) e era nítido que ele iria falecer em breve, mas a notícia sempre nos choca. 
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O Juninho (sim) tinha seus problemas desde o nascimento, como a falta dos dois dentes inferiores frontais, o rabo mal cortado e alguns fios grisalhos. Ele, que sempre foi barrigudo, emagreceu do nada e começou a ficar com os pelos amarelos (os da parte inferior do corpo, que todo Pinscher tem) muito esbranquiçados. O recado, infelizmente, era óbvio. 
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Juninho (e a Bianca, a fêmea do casal) foram os primeiros cachorros com quem brinquei após levar uma mordida no tornozelo de um Poodle Toy chamado Toffee, o que me deixou com cinofobia durante muitos anos. Não importa o que aconteça, sempre vou ter um carinho imenso por eles. E, ao saber da morte de Juninho, me veio à mente boa parte dos momentos que passei no pouco tempo que tive com os cachorros. Nunca faltou um cafuné ou uma brincadeira, mas é horrível pensar que sempre se poderia fazer algo mais. 
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Ao voltar de uma festa, minha irmã comentou que uma antiga professora da escola onde cursei o ginásio (sim, eu falo ginásio) tinha falecido. É horrível não saber quem é, e mais horrível ainda é ficar caçando gente para essa ingrata e fatal ação. Mas, pela idade que ela já tinha, suspeito que tenha sido a minha antiga professora de Ciências. 
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Crédito: http://migre.me/pdrsB
Três anos aprendendo matérias que nunca gostei, mas que passei a entender por conta de sua doce rigidez, de suas chamadas orais e suas explicações minimamente detalhadas. Que não seja ela - na verdade, que não seja ninguém e que a minha irmã tenha se enganado. Seria triste demais pensar que tudo que eu aprendi em Biológicas (um dos carmas do meu tempo de estudante) tem algum ensinamento dela, seja para simplificar, recordar ou entender. 
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Sempre vai faltar uma última palavra, sei disso. Mas o coração aperta quando nada mais pode ser feito. 

segunda-feira, 2 de março de 2015

A vida é bem mais que a vida alheia

Aconteceu comigo, no domingo logo depois do carnaval. Estava saindo da ESPN e indo a pé até a estação Sumaré quando ouço uma súbita e forte freada na Doutor Arnaldo. Olho para a direita no instante que um Fox bate em um EcoSport; e, com a força da batida (que nem foi tão forte assim), o segundo carro atinge um Prisma. 
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Parece que o centro do mundo tinha virado aquele farol na frente da Torre da Cultura. Parece que a importância da ONU ou da Casa Branca tinham sido sumariamente diminuídas diante daquele pequeno engavetamento. As cercas de dez pessoas que estavam próximas do local da batida logo se amontoaram, cruzando inclusive a avenida com o farol aberto. 
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Os comentários eram sempre parecidos e atropelados pelas próprias pessoas. "Nossa, a menina do Fox tá chorando", "Vish, o cara da EcoSport saiu puto", "Meu deus, que moça desatenta" foram alguns dos exemplos que ouvi enquanto passava na frente do grupelho, que parecia que não tinha mais nada para fazer na vida a não ser ver aquela situação na rua. 
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Passe pelo grupo em dois segundos. Vi a batida e não parei de andar para frente. Eram 13h15 e eu teria que narrar dois jogos de casa, o primeiro às 16h. Alguns me olharam espantados por eu não dar relevância para aquele evento tão importante para outros. 
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Voltei para casa me perguntando porque raios as pessoas gostam tanto de futricar a vida alheia. Além de ninguém ganhar absolutamente nada com isso, essa atitude só prejudica os demais - a motorista que começou a chorar deve ter ficado ainda mais ansiosa ao ver que tinha gente prestando atenção nela. Os transeuntes não estavam nem aí, tanto que nenhum deles se dispôs a ajudar em nada. Só ficaram lá especulando sobre o ocorrido e comentando tudo o que viam.
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Sei que, infelizmente, esse grupo apenas representa uma enormidade de gente que faz a mesmíssima coisa não só ao ver acidentes, mas para absolutamente tudo na vida - você deve conhecer fofoqueiros, espíritos de porco, futriqueiros e por aí vai. Eu lamento por eles, mas não escondo a raiva. 
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Narrei meus dois jogos, ganhei meu dinheiro. Foi bem melhor que ficar vendo três carros batidos. 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Foi

Eu já tinha visto o Vai-Vai no Anhembi uma vez. Foi em 2012, logo depois de um título. Um samba que não me agradava (como muitos na minha própria escola do coração), um enredo promissor que foi mal explorado, uma atravessada histórica de Wander Pires... mas a arquibancada lá ficou, firme e forte, apoiando a escola em sua Via Crucis - que, sabe-se lá como, ainda gerou um ótimo terceiro lugar para a Escola do Povo. 
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Voltei pra ver o Vai-Vai esse ano. Fui desconfiado, mesmo sabendo que a escola tinha um sambaço e um enredo bem feito e muito popular. Mas não queria perder a desconfiança. Após um terrível nono lugar em 2014, seria difícil conseguir uma posição com tanto destaque diante de Mocidade, Rosas, Águia de Ouro e Tucuruvi.
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A desconfiança, essa maldita, sumiu quando Maria Rita esquentou a escola com um excerto de "Maria, Maria", logo emendado pelo começo do samba-enredo - que, por sinal, era a parte onomatopéica do mesmo clássico da homenageada desse ano, Elis Regina. 
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O nirvana durou alguns poucos minutos. Logo que o imenso abre-alas entrou na avenida era nítido ver o problema no primeiro carro acoplado. A desconfiança voltou. Eu cantava e me emocionava, claro, mas eu superdimensionei aquele fato. Tudo no Vai-Vai é superdimensionado, os fatos bons e os ruins. E eu já contava com a correria habitual da escola pra fechar dentro do tempo - algo que não aconteceu pela primeira vez em muitos anos.
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Superdimensionada e real era a torcida da escola. Ninguém mexeu mais com o Anhembi que a Saracura - nem a Gaviões, que entrou empolgando e saiu com o prazo de validade já vencido. Todos cantaram, desfilando ou assistindo. E todos faziam a coreografia que a escola fazia. Somos tradição. E o samba continua. 
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No ranking que sempre faço, a Vai-Vai era a terceira. Dependia de todo mundo canetar a Tucuruvi e os jurados não entenderem o complexo enredo da Rosas de Ouro. Foi mais ou menos por aí. No final das contas, foram pra Evolução a minha terceira e a minha quarta colocadas. O meu Vai-Vai e a Mocidade da bateria que mais pareceu uma metralhadora e não perdeu décimo nenhum de jurado nenhum.
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O castigo veio à cavalo pra Morada do Samba. Com uma nota de antecedência vi minha escola ganhar o 15º título de sua história e ratificar sua condição de ser a maior vencedora do carnaval paulistano. Tudo isso quietinho enquanto trabalhava. 
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A desconfiança me fez comemorar menos, mas não deixou tudo menos emocionante. A passarela, que virou um arrastão, consagrou quem a levantou. Nem precisou não ser Vai-Vai pra chorar: quem era chorou também. O mais importante é que a nossa escola levou a taça. 

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O incrível dia em que eu demorei vinte minutos para subir uma escada

Para quem não sabe, eu faço um freelancer nos canais ESPN como operador de bottomline. Vou lá semanalmente às segundas e quinzenalmente aos sábados. No último sábado (07/02), estava escalado para ir lá. Mas, na verdade, o dia de trabalho começou na sexta-feira (06/02).
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Foi um dia antes de ir para lá que vi que o bloco Sargento Pimenta sairia da estação Sumaré, onde eu desço para ir trabalhar. Pior: eu costumo chegar na emissora por volta das 15h30 enquanto os foliões passariam a ganhar as ruas às 15h.
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Só de pensar em toda a situação eu já me considerei cansado. Um dos vários pontos bons de trabalhar aos finais de semana (sim, é isso mesmo) é não ter problemas para pegar um assento no trem e no metrô de São Paulo e saborear um bom livro.
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Pego o transporte público na estação São Caetano da CPTM, fazendo baldeação na Tamanduateí e pegando a Linha Verde do metrô. Já era possível ver um fluxo maior de pessoas, mas nada de anormal. Quando chegamos na Ana Rosa (estação que baldeação entre as Linhas Verde e Azul, a mais antiga do sistema) o vagão ficou quase lotado. O mais inusitado foi ver que, na estação Consolação (que faz baldeação com a Linha Amarela e onde tradicionalmente sai muito mais gente que entra), o vagão ficou como se fosse o começo de um dia útil. 
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Espremido no meu canto, via o rosto das pessoas colados - mas felizes, o que indicava que nenhuma ia trabalhar. No espaço de duas estações o vagão inteiro cantou parabéns para alguém, ouviu o discurso da aniversariante e alguns outros gritos aleatórios. Nada contra, era (quase carnaval). Achei engraçado, aliás.
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O primeiro susto que levei naquele dia foi ao sair do vagão, na já citada estação Sumaré. Só consegui sair porque algumas pessoas seguraram a porta do vagão. O fluxo de pessoas nas únicas escadas era imenso, tanto que fiquei vinte minutos para ir da plataforma às catracas - e o que separa esses dois pontos são os tais dois lances de escada.
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Nunca vi algo parecido, e olha que tomo metrô com muita frequência desde 2011. Pior: quando o vagão seguinte chegou na estação, muitas pessoas sequer haviam pisado na escada. Já falei aqui que precisamos reformar as estações antigas do metrô paulistano, né? Pois é. Uma única escada foi insuficiente nesse caso - por mais que a estação seja bem pacata na maioria dos dias. 
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Ouvi várias pessoas na ESPN relatando seus problemas para chegar à redação, agora de carro. Vale ressaltar que a redação da emissora fica bem próxima à avenida Doutor Arnaldo, ao Hospital das Clínicas, à rua Teodoro Sampaio e a cerca de 2 km da Avenida Paulista. Aqui a minha surpresa foi menor, entretanto. Não precisa muito para perceber que não cabem mais carros em São Paulo e algo precisa ser feito. 
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Após determinado horário a ESPN oferece transporte gratuito até a estação Sumaré por motivos de segurança. Ao chegar na estação me senti no carnaval de Salvador: homens sem camisa e eles e elas majoritariamente bêbados. O chão grudava no tênis e o aroma já mostrava que cerveja não faltou mesmo dentro do metrô - tinha até uma latinha na bilheteria. O elevador para pessoas com necessidades especiais estava quebrado, bem como a catraca mais larga. 
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O que mais me impressionou, porém, foi a quantidade surreal de latinhas na estação, maior inclusive que a rua onde fica a estação. Imaginei então o local um pouco mais cedo (saí por volta das 23h, quando o bloco já tinha acabado) e as ruas adjacentes. Imaginei também o trabalho da equipe de limpeza do metrô. 
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Já com o meu livro em mãos para a viagem até o ABC de volta, um homem visivelmente bêbado esbarrou em mim - ele vinha de costas e eu estava parado. Três amigos precisaram da ajuda um do outro para sentar, e não conseguiram se levantar para pegar o vagão que entrei. 
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Nada contra bêbados, mas ela não pode prejudicar outros e toda uma comunidade que depende do transporte público. Por mais que seja difícil controlar seus atos ébrios, isso não pode acontecer. E isso vai de criação, de responsabilidade. 
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Não soube de nenhuma ocorrência mais grave no bloco nem no metrô nesse dia. Ao menos isso. Mas, com o carnaval batendo às portes, precisamos ser mais responsáveis e precisamos de uma organização maior das autoridades competentes para festejarmos a folia de Momo em paz.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

Os smartphones mataram os relógios

Nas duas últimas noites eu saí com minha namorada e meus amigos - isso explica a ausência de postagens por aqui, aliás. É claro que cada saída e cada pessoa tem suas particularidades, mas atentei para algo ontem que já tinha pensado tempos atrás e ratifiquei. O pensamento é o título desse post, aliás. 
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Vi, nas duas últimas noites, cerca de trinta pessoas - que estavam nas mesas onde eu estava. Nenhuma delas tinha um relógio de pulso. Enquanto isso, entre conversas, risadas e mordidas em comidas, as pessoas usavam o celular freneticamente, muitas vezes mostrando algo nele para seus amigos. Também vi duas pessoas viradas uma para a outra e mexendo no aparelho. O pior: já vi isso muitas vezes que, para mim, deixou de ser curioso. É chocante.
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A maioria (para não dizer todos) os smartphones tem em sua tela inicial (a que é desbloqueada) o celular, em fontes garrafais, para quem quiser saber que horas são. E, cada vez mais, os celulares são utensílios indispensáveis para todo mundo - para a vida pessoal, profissional, educacional e qualquer complemento para a palavra "vida" que você queira encaixar aqui. 
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O mais engraçado é que, em tese, é muito mais fácil ver as horas por um relógio de pulso que por um celular. Basta você olhar para o próprio braço no relógio; enquanto no celular você tem que, no mínimo, apertar um botão - isso quando não precisa tirá-lo do bolso. Isso só reforça o que disse no título - e o grau de vício que temos nos nossos aparelhos.
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Hoje em dia, relógio tem como utilidade o status e a ostentação. Usar um Rolex ou uma marca cara te deixa mais bonito e com uma aura de único, com bom gosto - uma espécie de hipster clássico. Talvez só eles saibam o quão mais fácil é ver a hora em um relógio, talvez eles não gostem de celular. Mas não se vê mais um relógio que não seja de uma marca conceituada em pulso nenhum.
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De bandeja, os smartphones também mataram uma das interações sociais mais antigas que existem. Ao menos eu não vejo há tempos uma pessoa perguntando que horas são para a outra. Fico me perguntando quantas pessoas e casais não se conheceram com essa inocente pergunta - e que, consequentemente, nem se conheceriam nos dias de hoje. 
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Daqui a pouco surge algum aparelho que vai matar o "será que vai chover?"...

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Reacostumando

Saí da assessoria de imprensa do Albert Einstein no dia 31/04. Desse dia até finalizar o meu TCC (isso do meio para o final de novembro), pouco fiz para conseguir algo novo. A dificuldade para conseguir estágios no último ano é imensa, entrar em um trainee é complicadíssimo e, acima de tudo, eu tinha o projeto da minha vida para fazer. Desencanei e mergulhei fundo no TCC.
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Toda a espera valeu a pena quando a nota 10 do Dérbi foi oficializada. Mas, depois da minha banca, entrei em uma fase bem depressiva. Um dos meus freelancers foi praticamente paralisado junto com o calendário do futebol nacional e o outro tornou-se tedioso tal qual o jornalismo nessa época do ano por conta da falta de informações. Enquanto isso acontecia, via boa parte dos meus amigos e conhecidos sendo efetivados. Bateu aquela impressão juvenil de que eu não era bom o suficiente e tudo mais. 
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Não nego o drama. Mas alguém que fica em casa boa parte do tempo está sujeito a acessos de depressão e de leve loucura. Minha avó sempre diz que a cabeça vazia é a oficina do diabo. Sei disso na prática. Aliás, você também deve saber disso - e a sua avó também deve te dizer a mesma frase. 
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Tudo mudou há uma semana. No aniversário da minha irmã (21/01) caçula recebi a notícia que fui contratado pela Agência Insane e que começaria já na semana seguinte. Precisava, de uma hora para outra, mudar uma série de péssimos costumes que adquiri nesse tempo desempregado. 
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O pior de todos, sem dúvida, foi o de dormir muito tarde. O calor também contribuiu, é fato, mas dormir em média às 04h30 (isso sem contar nas noites em claro) e acordar as 13h não é nada saudável. Isso, aliás, atrapalhava o meu almoço: eu já não costumo ter fome; logo depois de acordar, então, não comia quase nada. Nem mesmo todo o cansaço acumulado nas viagens diárias que fazia para trabalhar no Albert Einstein explica essa situação. 
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Outro péssimo vício que está, aos poucos, sendo vencidos: a preguiça. A rotina de trabalho é bem diferente daquela de ficar em casa não fazendo nada. Até mesmo a qualidade do meu trabalho deve ficar aquém do que eu posso fazer nesse começo. 
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O importante, porém, eu já consegui: voltar ao batente.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Tiraram toda a graça de São Silvestre

Venho de uma geração que, mesmo sem querer, tinha um programa agradável nas tardes do último dia do ano. Seja parado em frente à TV, se arrumando para passar o reveillón com os amigos ou com a família ou preparando um banquete em casa, todos viam a São Silvestre. Era uma prova curta que passava por vários pontos turísticos de São Paulo e que tinha, de um jeito ou de outro, um ar de comemoração e retrospectiva do ano que passou. 
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Sei que ainda dei azar de pegar essa fase - que, para mim, era muito boa. Minha mãe sempre me fala que São Silvestre legal era a do tempo dela, quando a corrida começava às vésperas do réveillon. Ás vésperas mesmo: com um percurso menor que 7km, a prova começava às 23h30. Era o tempo exato para o primeiro colocado ouvir que venceu a corrida nos primeiros segundos do ano vindouro. 
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Essa fase acabou (e a minha fase, das provas à tarde, começou) em 1989, para se adequar a uma série de regras da IAAF - Associação Internacional das Federações de Atletismo, em inglês. Para isso, foi definido o trajeto de 15km e o novo horário das largadas. Muitos reclamam que a prova perdeu o charme - algo que eu discordo. As pessoas que criticavam essa fase vespertina da São Silvestre não imaginavam o verdadeiro estupro que fariam com a prova a partir de 2011.
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Nesse ano, colocaram a chegada da prova na frente do Obelisco do Ibirapuera - retirando-a do tradicional local, na frente da Fundação Cásper Líbero. Ao menos essa mudança nojenta durou apenas um ano.
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Em 2012, entretanto, houve algo tão escroto quanto: a São Silvestre foi jogada para o horário da manhã. O pretexto dado foi o de que correr de manhã era muito mais saudável - prática muito comum em todo o mundo. Mas vale dizer que, nesse "todo mundo" não estão os profissionais - e boa parte de quem corre faz percursos bem menores que os tais 15km, e sem um esforço físico da tão falada subida da Brigadeiro, por exemplo. 
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Mas, cá entre nós, todos sabemos que não se liga muito para a saúde do próximo, e sim para os próprios interesses. O que levou a corrida para o período da manhã foi o reveillón na Paulista, que com o passar do tempo foi se tornando um dos grandes eventos do calendário paulistano. A São Silvestre, que se encerrava antes das 18h, em tese prejudicava a festae a chegada dos que lá estavam pelos show e pelas queimas de fogos. 
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O reveillon na Paulista começou em 1996, e desse ano até 2011 não ouvi um relato sequer de alguém que sentiu que a São Silvestre prejudicou a festa - assim como não ouvi alguém que sentiu que o reveillon nesses últimos dois anos, com a São Silvestre bem mais cedo. Mesmo assim: a corrida chega em 2014 à sua nonagésima edição. Deveriam ter mais respeito por uma prova iniciada em 1925 e que traz tantas memórias afetivas a quem a vê, principalmente aos paulistas e paulistanos.
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Amanhã acordarei cedo para ver a São Silvestre nesse ingrato horário por ser fã da prova. Mas algo tem que ser feito para recolocá-la em um dos seus horários habituais. 

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Triste natal

Passei ontem por algumas avenidas do ABC voltando da casa da minha namorada. Faria Lima, Lucas Nogueira Garcez, Caminho do Mar, rua Vergueiro, Goiás... com exceção da chuva no final da tarde, nada denunciava que estávamos no natal. 
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Vi poucas luzes de natal. Vi poucos pisca-piscas, poucos fogos. Até mesmo aquele sorriso natalino, mais largo e estreito (como quem diz obrigado, seja verdadeiro ou não e seja efêmero ou não) eu não vi. Se sempre achei o clima de natal depressivo e hipócrita, as luzes compensavam com a sua beleza.
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Me parece que as pessoas deixaram o natal para lá. O próprio espírito natalino me parece em baixa, não sei porquê. Os dias não tem sido tão depressivos e melancólicos, parecem mais normais com outras tantas épocas do ano. Não sei se as pessoas que não enfeitaram suas casas ou se eu que estou caseiro demais, mas me parece que os pisca-piscas natalinos sumiram. Pode ser também que eu simplesmente tenha perdido o encanto e/ou me acostumado, vai saber.
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Fico me perguntando porquê isso aconteceu e chego em alguns motivos logo de cara: o 7x1, a eleição que rachou o país e criou tanta animosidade, a Economia nacional ruindo... assuntos sérios, caretas e até mesmo triviais, mas que influem muito na sociedade e no ânimo das pessoas. Em geral, 2014 foi um ano triste para os brasileiros. 
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Que 2015 seja melhor, com mais sorrisos e luzes. Já não teremos eleições, uma polêmica nacional a menos. Que a Economia melhore e, por favor, sem nenhum 7x1.
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E, a você, meu mais sincero voto de feliz natal - e feliz todos os dias.

domingo, 30 de novembro de 2014

"O Chaves morreu"

A primeira vez que ouvi o título desse post foi há menos de dois anos, no dia 5 de março de 2013. Embora Roberto Gomez Bolaños já não fosse o mais altivo dos homens, nada indicava que ele faleceria de uma hora para a outra. Mesmo assim, quando minha mãe falou, eu empalideci. Minha infância tinha sido arrancada sem mais nem menos.
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O que eu não lembrava é que Hugo Chávez estava internado há algum tempo, tratando de um câncer. Sequer pensei no então presidente venezuelano. Quando eu disse que sentiria falta do Chespirito, minha mãe me alertou:
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- Willian, não foi esse Chaves que morreu. Foi o Hugo Chávez.
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A notícia já era esperada e não me surpreendeu tanto assim. O que me deixou assustado foi ver o quanto um dos personagens de Bolaños era importante para mim. Querendo ou não, as séries protagonizadas por ele estão presentes demais na minha memória afetiva, a ponta de buscá-lo mesmo diante de um fato que estava sendo esperado por pessoas do mundo inteiro.
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Lembro também de uma professora de Geografia do meu cursinho que explicava o Golpe de 2002 na Venezuela de um jeito pueril demais. Ela dizia que, "após o golpe, todos imitavam a abertura do seriado do SBT e cantavam 'Queremos Chávez, Chávez, Chávez'", antes de rir - e fazer todos rirem junto. Quem já fez cursinho sabe que esse tipo de humor infantil é muito comum nos cursinhos Brasil afora por ~quebrar o gelo~ e por fixar alguns conceitos quaisquer. Essa piada não me atraía (nem a professora, pra ser sincero), mas dessa piada eu ria.
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(O golpe tem um ótimo documentário, aliás. Vale a pena ver "A Revolução Não Será Televisionada", abaixo:)
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Ria não porque achava engraçado, mas porque a simples lembrança do Chaves era tudo o que eu precisava naqueles agoniantes dias de cursinho, no qual eu me sentia atrasado em relação ao mundo. Eu precisava de algo inocente, que me fizesse esquecer de resultados, notas de corte, estudos e pressão. E Chaves era o melhor que existia nesse aspecto.
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Na sexta-feira, logo após um cochilo, fui acordado novamente com essa frase pela minha namorada. Agora, porém, não tinha escapatória: era Roberto Gomez Bolaños quem tinha morrido. Boa parte da minha infância, no qual eu via Chapolin e Chaves logo depois de "Punky, a Levada da Breca" também.
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O que me consola é que ele nunca vai ser esquecido. Não só por mim, mas tantos que cresceram vendo suas micagens e piadas na televisão, que não cansa de mostras incessantemente suas séries - que bom, aliás. E que assim continue por muito tempo.
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Um detalhe que não poderia deixar passar, por não saber se as pessoas sabem: vi muitas pessoas postando o final da segunda parte do episódio "Os Farofeiros", a tão famosa música em tom triste que encerra a série de três episódios da turma da vila em Acapulco. Esses foram os três últimos episódios de Carlos Villágran (o Quico) na série, todos gravados em 1978. A música foi composta pelo próprio Bolaños, para homenagear e agradecer o amigo.
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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Costumes fúnebres

Falei aqui sobre algumas mortes que acompanhei, chamando a atenção para fatos marcantes desses falecimentos. E, lembrando dessas mortes, tento pensar no meu próprio funeral.
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Calma, eu não tenho tendências suicidas nem falo "vou morrer" com a mesma frequência de um teenager. Só quero falar um pouco sobre duas tradições que cercam enterros, velórios, funerais e coisas desse gênero. Na verdade, como eu imagino essas tradições aplicadas no meu próprio enterro, velório ou funeral - que, espero, demore bastante pra acontecer.
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Eu sou apaixonado por epitáfios. Explico: epitáfios são frases colocadas em lápides que fazem uma referência qualquer ao falecido. Para mim, é uma forma tardia de entrar para a eternidade ou de coroar uma existência grandiosa. Confesso que quero um epitáfio que marque, de algum jeito. Algo bonito ou irônico (carregado de humor negro), de preferência. 
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Gosto muito do epitáfio desejado por um dos dos ex-presidentes mais queridos do Brasil: "Aqui jaz, muito à contragosto, Tancredo de Almeida Neves". É marcante, forte e engraçado. Confesso que vi na internet um epitáfio escrito "Enfim offline" e achei genial, algo que cai como uma luva inclusive pra mim - que vivo na internet. Mas, claro, quero algo de minha própria autoria. 
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Outro fato bem comum que eu imagino no meu velório é a colocação de bandeiras em cima do meu caixão. É algo que eu quero, mas que não sei se daria certo. Tudo porque eu gostaria de colocar várias bandeiras, e ia ficar uma zona completa. Se eu colocar a bandeira do São Paulo, eu queria colocar também a do Benfica. Eu não quero ter que colocar ou a da Vai-Vai ou a da Beija-Flor: eu quero as duas. Caso eu tenha alguma relevância para minha cidadeu, meu estado ou meu país, viria também a de São Caetano, São Paulo e Brasil. Sete bandeiras em um caixão é demais, e caso eu não seja enterrado com as quatro primeiras ditas, no mínimo, acho que eu não estaria sendo bem representado ao morrer.
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Jamelão, mestre até nisso, foi dos poucos que morreu e teve duas bandeiras para encaminhá-lo à eternidade: da Mangueira e do Vasco da Gama.
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São só pensamentos distantes e vagos. Espero ter tempo para pensar neles. 

sábado, 12 de julho de 2014

A maior e melhor mudança pela qual eu passei

No post anterior eu falei sobre mudanças. Mudanças no blog, na verdade. Mas aconteceram mudanças ainda mais (ou melhor, bem mais) importantes que essa na minha vida. Não é algo profissional, sequer um hobby meu, mas algo mudou na minha vida em um aspecto que faz todo o resto da vida ser bom ou ruim, diretamente ou não. 
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Parafraseando uma música de uma banda que a minha namorada adora: se eu falo assim, com tantos rodeios, é pra dizer que eu tô apaixonado. E é muito bom ver que o sentimento é recíproco, na mesma intensidade, com as mesmas intenções, pensamentos e vontade de fazer bem ao outro. Se o meu antigo namoro era uma guerra na qual eu perdia todas as batalhas, o meu atual é algo que nem cabe qualquer metáfora. É um relacionamento no qual todo mundo vê que os dois estão na mesma sintonia e se amam. 
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Hoje, por exemplo, eu saí com ela. Atividades rotineiras como trocar um presente, ver roupas, assistir um filme e comer (duas vezes, porque casais felizes engordam juntos) tornam-se eventos que valem um dia inteiro. Simplesmente porque tudo isso é feito com companheirismo, risadas e alguém que entende suas manias, neuras e bobeiras - e acho difícil alguém ter mais bobeiras que eu. 
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Também vale comentar: estamos prestes a fazer um ano juntos e tudo que mudou desde então foi não só para o nosso próprio bem, mas também para o bem de ambos. E tudo, absolutamente tudo, foi conversado e pensado. Por mais impulsivos que possamos ser, sabemos que muitas decisões exigem um olhar mais atento. No final das contas, nada me deixa melhor que ver minha namorada bem - e sei que o contrário também acontece.
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Eu queria ser tão maduro como a Amanda é com 18 anos e tão maduro quanto ela foi nesse quase um ano. Queria ser divertido, afável, competente em tudo que faço e guerreiro como ela. Queria ter os conselhos certos, ou falar o que mexe comigo de um jeito tão certeiro em cada briga. Por tudo isso, ela é mais que uma namorada: é minha confidente, minha grande amiga e um espelho. E, como espelho que é (e como música que tem esse nome), o vazio que estava no meu coração é o espaço que ela ocupa agora
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Que venham muito mais dias como hoje e muito mais anos como esse que logo completaremos, meu amor.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Quando alguém interage graças ao seu livro

Tô bem longe de ser a pessoa mais bonita do mundo (põe longe nisso, na realidade) e nunca ouvi assobios, burburinhos ou comentários quando eu saio andando por aí. Não deixa de ser triste, embora eu tenha aprendido desde cedo que meu ego tem que se contentar com esse rosto. Seja como for, me sinto feliz quando alguém faz algum comentário sobre o livro que eu tô lendo. 
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Sou um leitor voraz. Daqueles de, numa semana, ler 200 páginas dum livro. Faço isso em casa e, sobretudo, no trem e no metrô rumo ao meu estágio. O da vez, apenas a título de curiosidade, é o conhecido Uma Breve História do Mundo, de Geoffrey Blainey. E foi lendo dois livros bem conhecidos que alguns causos aconteceram. 
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Um aconteceu anteontem (terça-feira, 19 de dezembro), enquanto esperava minha mãe no shopping para comprar alguns presentes de natal. Lendo a publicação que já citei, eis que um homem passa, com uma criança no colo e acompanhado de uma mulher, dando a mão para outro garoto
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"Esse livro é bom, hein, meu ? Eu já li, gostei !"
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Me pegou de surpresa e respondi apenas que tinha começado a lê-lo no dia anterior, mas que tava gostando. Ele sorriu e foi embora. Pouco, mas o suficiente pra me deixar feliz. Gosto de ver que as pessoas compartilham das mesmas ideias que eu, que interajam e, principalmente, que leiam.
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Isso já aconteceu outra vez, alguns meses atrás. Enquanto eu descia na estação São Caetano da CPTM pra voltar pra casa após mais um dia cansativo de estágio, uma mulher de mais ou menos 30 anos passa falando:
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"Esse livro é incrível, tem muita pilantragem aí. Lê que você vai ver !"
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O best-seller em questão era A Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., que conta um pouco sobre algumas privatizações do governo FHC, o enriquecimento de alguns membros do PSDB (notadamente ligados a José Serra) e também mostra alguns números escusos do governo do PT.
Se não falam nada da minha beleza, que falem do que leio. Me deixa tão feliz quanto. 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Eu comemorei pra caralho o gol do Fred

Trabalhei o fim de semana inteiro e pouco tive de diversão. Narrei o jogo entre Vasco e Atlético Mineiro (muito interessante, por sinal) e fiquei sabendo da derrota do meu São Paulo pro Grêmio de virada. O final de semana, enfim, não poderia ser pior, como podem ver. 
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Agora, imaginem só: um fim de semana que estava sendo pavoroso, o jogo que você narra acaba, o seu time toma uma virada dum concorrente direto pra vaga direta na Libertadores e um dos maiores rivais do seu time vai conseguindo um resultado louvável após sair perdendo de 2x0. A minha cabeça tava explodindo, cheia de raiva. 
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Lembro que coloquei na Globo e a primeira coisa que ouvi foi Galvão Bueno dizendo "Quareeeeeenta minutos de jogo"... eu ainda poderia ter alguma diversão. Ainda poderia salvar, de algum jeito, meu fim de semana. E ele foi salvo. 
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Vi Jean (revelado pelo São Paulo FC, diga-se) disparando pela direita e me remexi na cadeira. Senti uma emoção diferente, confesso. Quando ele corre e Fred aparece sozinho na área eu gritei. Foi como um gol do meu time, confesso. Foi a tragédia do meu rival me salvando. Trágico, mas quando o meu time perde jogos importantes eles fazem o mesmo e não me culpo nem um pouco por isso. 
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Sei da tristeza dos palmeirenses e me solidarizo com eles. Também sou torcedor apaixonado e sei como é perder e ganhar, ser eliminado e eliminar. Também sei que eles não tem culpa nenhuma pelo que tá ocorrendo, que o elenco é medonho e que a diretoria é o pior que o Palmeiras tem hoje, de longe. Mas, quando tudo esteve ruim, foram eles quem me deram uma alegria. 
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Fui pra sala, gritei igual um louco. Berrei na janela, criei musiquinhas. Cinco minutos depois, estava mais leve. O sentimento para com o Palmeiras (que, apesar da síncope de hoje, tá bem longe de ser ódio) tinha voltado ao normal. Vê-los com o pé no rebaixamento me serviu para ficar mais feliz. Muito egoísta, concordo. Mas escolher um time, um ídolo, uma banda ou um filme e defendê-lo mesmo quando tudo conspira contra não é só egoísmo, é fanatismo em sua forma letal: a que causa cegueira
Triste é ver que comemorei esse gol do Fred porque o meu time não me deu muitas alegrias esse ano, e não dá tem muito tempo. Não preciso dar satisfação nenhuma e tenho total ciência que não sou anti, modinha ou seja lá o que for - pelo contrário, sou daqueles que critica o Tricolor até dizer chega em tudo que ele tem de errado (e tem muita coisa) e não tenho problemas em elogiar Palmeiras, Corinthians ou quem que seja. Mas hoje, Palmeiras, sua tragédia me alegrou. 
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Não gosto de falar de tamanho de clube: todos são imensos, o Palmeiras é gigante e certamente se cair (convenhamos, já caiu, né ?) vai voltar em 2014. Mas obrigado por me dar alguma alegria, por me deixar melhor. Tenho confiança que o São Paulo ganhe a Copa Sul-Americana e vou comemorar feito um louco de novo, mas, hoje, a rivalidade foi maior.
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Respeito todos vocês, palmeirenses. Sei que muitos de vocês não gostam de mim e fazem o mesmo que eu, ou tem o mesmo sentimento que eu momentaneamente tive hoje. Mas a desforra que eu tive hoje valeu por tudo.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Voltamos

O São Paulo tá longe de ser o time mais copeiro que existe - pelo contrário, o Tricolor que adora passar vergonha para grandes times em mata-mata. Mas, com todo respeito, sabemos jogador campeonatos continentais. Libertadores da América, Copa Sul-Americana, ReCopa, SuperCopa... não deixe o São Paulo FC achar que pode vencer uma competição dessas pois a chance de não conseguir pará-lo é grande. 
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Encaramos uma pedreira das grandes nas quartas-de-final da Sul-Americana: só a Universidad de Chile, atual campeão do torneio e time que desde o ano passado joga e encanta. O time está bem mais fraco do que em sua gênese teórica sob a batuta do grande técnico Jorge Sampaoli, é verdade, mas isso não tira os méritos da equipe.
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Os dois jogos foram um verdadeiro show. Uma aula de como se joga futebol bonito, inteligente, tático e pensado. Também louvo a equipe do Chile, que se preocupou em jogar e não em bater. Mas eles deixaram o São Paulo crescer. Pior pra quem ainda pode enfrentá-lo. 
E como é bom poder ver o grito de "o campeão voltou", que surgiu na torcida são-paulina em 2008 (naquela arrancada para o hexacampeonato brasileiro) voltar para quem o idealizou de fato. 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Lembranças de um jornal

Quando eu mal tinha ideia do que seria da minha vida e achava que ia ser um garoto gordinho pra sempre, um dos hábitos mais fortes do meu pai era comprar o jornal de sábado. E nunca falhava: ele sempre comprava o Jornal da Tarde. Por muito tempo convivi com o JT na minha casa, íntimo, me observando comer, ver televisão ou fazer qualquer prática cotidiana. 
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Apesar desse contato tão próximo, devo confessar que, naquela época, nunca gostei muito dele. Sabe-se lá porque, eu o achava meio chato e estranho. Nunca via o comum e o básico nele, que tinha poucas páginas e textos bem longos. Preferia a Folha de São Paulo e seus tradicionais infográficos, boxes e textos curtos.
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Com a separação dos meus pais, perdi aquele velho amigo de sábado. O deixei esquecido, pois, como já disse, não gostava da sua presença. Fui reavaliá-lo só quando entrei na minha faculdade de Jornalismo e comecei a conhecer um pouco mais da história daquele impresso curto, mas totalmente diferente. Subitamente, passei a admira-lo e recriminar a mim mesmo por todas as vezes que pude lê-lo com mais afinco e fiz cara feia. 
Hoje foi veiculada a última edição do jornal, após 46 anos de serviços (muito) bem prestados. Só eu que não o aproveitei, infelizmente. 

sábado, 1 de setembro de 2012

Considerações finais

Se considerarmos a sexta-feira como parte integrante do fim de semana, o período marcará a pá de cal em três eventos recentes da minha vida. Um importantíssimo e dois recentes, mas marcantes.
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Hoje fui pela última vez no local onde estagiava. Fui solucionar a parte burocrática da situação, toda aquela chatice necessária para confirmar o final de algo. Apesar disso, fiquei surpreso com a maneira pouco mecânica e bem natural, espontânea e humana com que me receberam. No final das contas mesmo fica a experiências e todas as lembranças, com suas inevitáveis consequências - algumas boas, outras ruins. 
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Também encerrei um tratamento bucal que visava o clareamento dos meus dentes. Essa minha neura com a minha boca começou quando minha avó (a pessoa que mais me defende no mundo) disse que o meu sorriso estava amarelo. Pra ela falar isso... marcado e feito o tratamento, todos que repararam (e muita gente reparou, ao contrário do que eu esperava) aprovaram demais o resultado.
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Por fim, mais um curso encerrado. Se não valeu diploma e nem foi tão complexo assim, ficam as lições que tirei de edição de vídeo do Final Cut, na primeira vez que usei um Apple e um Macintosh na vida. A despeito do total desconhecimento do sistema operacional, foi algo válido - mas, por ora, sou muito feliz com o Windows.
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Durem anos, meses, dias ou apenas algumas consultas, tudo o que não tem como finalidade um humano acaba. Cabe a nós tirar lições proveitosas disso. 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ninguém sabe andar em São Paulo

A frase tem lá suas doses de generalização e preconceito sim, o que é um imenso erro meu. Mas cada vez mais os paulistanos e moradores da Grande São Paulo não sabem onde está cada logradouro na maior cidade da América do Sul. Mais do que um fato que evidencia o desenfreado crescimento de Sampa, é um indicativo preocupante do desconhecimento de sua própria região.
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Hoje fui fazer um teste profissional na região da estação Carandiru do metrô. A quem não é de SP ou reconhece esse nome de algum lugar: sim, é o mesmo bairro da casa de detenção (que hoje tornou-se um parque) - a linha azul do metrô, aliás, passava religiosamente na frente da entrada do presídio. Ao ver o endereço no Google Maps, vi que deveria virar à direita no primeiro quarteirão da avenida Cruzeiro do Sul depois do cruzamento com a avenida Zaki Narchi. 
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Ao sair do metrô, vi uma saída para a avenida Cruzeiro do Sul. Fácil, não ? Até aí, sim; o problema veio depois. Comecei a perguntar onde ficava a tal avenida Zaki Narchi. Perguntei não para transeuntes, mas para comerciantes, trabalhadores e ambulantes. Cada um me falava algo, e eu ficava cada vez mais perdido numa região que eu só conhecia por mapas satélites tendo um teste de estágio marcado. 
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O desespero começou a bater levemente, até um senhor que parecia ser mais esclarecido me dar uma rota - certeira, inclusive. Reparei, então, que o mapa do Google Maps nada tinha a ver com o itinerário feito. 
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Comerciantes, ambulantes, trabalhadores, pessoas que passam todo dia na região... nem o Google sabe andar direito em São Paulo ! Pobre dos forasteiros que, mesmo adorando a cidade, desbravam-se em suas localizações ardis. 

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Zé Linguiça ~ J.R. Guzzo, para a Veja

O texto fala, basicamente, de como o governo federal não olha para as mazelas brasileiras e quer interferir na política de diversos outros países. Entretanto, não foi isso que me chamou a atenção no texto. Gostei demais do primeiro parágrafo da publicação, que deveria ser lida por muitas pessoas que se julgam superiores a outras. 
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"Pode até não ser uma verdade comprovada pela história, mas ninguém discute que se trata de uma belíssima ideia. Na Roma antiga, quando um grande general voltava de uma campanha vitoriosa no estrangeiro, fazia-se uma fabulosa procissão triunfal pelas ruas da cidade, o “triunfo”, para exibir diante do mundo a glória do comandante vencedor, e homenagear a grandeza que ele trazia à pátria. Era a honra máxima que um cidadão romano podia obter, e dava um trabalho danado chegar lá. Ele tinha de ter matado em combate pelo menos 5.000 soldados inimigos. Tinha de mostrar, presos, os chefes derrotados. Tinha de ter enfrentado um exército pelo menos equivalente ao seu. Tinha, sobretudo, de trazer sua tropa de volta para casa. O problema, nisso tudo, é que os romanos da Antiguidade eram gente que tinha em altíssima conta a modéstia pessoal — e, em consequência, fechava a cara para qualquer demonstração de soberba. O que fazer, então, na hora em que o general vitorioso desfilava perante a multidão como se fosse um rei? É aí que aparece a ideia mencionada acima. Logo atrás do “triunfador”, no mesmo carro puxado por quatro cavalos que ele conduzia, ficava um escravo que, de tanto em tanto tempo, lhe dizia baixinho ao ouvido: “Memento mori” (em tradução livre, “lembre-se de que você vai morrer”). Nada melhor, provavelmente, para baixar o facho de qualquer alta autoridade que começa a se achar."