segunda-feira, 7 de maio de 2012

O tipo de eleição que eu invejo

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Nesse domingo, tivemos eleições em dois países europeus. Um é, historicamente, um dos países mais fortes do continente; o outro ganhou importância graças aos episódios que vem ocorrendo em sua política interna desde o estouro da crise imobiliária e bancária norte-americana, em 2008. 
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A França, segunda maior economia da União Europeia, elegeu o socialista François Hollande em detrimento do conservador Nicolas Sarkozy, que não conseguiu a reeleição. O resultado mostra novamente a tendência da maioria do eleitorado francês a medidas de recepção a imigrantes e de estímulos externos para acabar com a desigualdade social, como era de se esperar. O resultado me deixa feliz não porque esse ou aquele desse ou daquele partido venceram, mas sim porque o candidato apoiado pelos ultra-nacionalistas, que praticam xenofobia, sobretudo contra africanos muçulmanos, foi derrotado já no primeiro turno - no caso, Jean-Marie Le Pen.
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Já na Grécia, um caldeirão desde o fim da década passada, o partido conservador venceu a disputa, seguido pelo partido da esquerda radical e pelo partido do socialismo pan-helênico. Uma salada, não ? Pois é, isso só reflete a confusão que é a nova Grécia: sem rumo e sem entrar em consenso. Pior do que essa constatação é ver que os partidos mais votados têm ideias como abandonar o euro, a UE e continuar com a gastança do Estado. Isso tudo só vai levar o país mais para o buraco, já que um país endividado não pode manter várias pessoas na máquina estatal.
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Agora... leram os dois últimos parágrafos ? Eu falei de ideias, ideologias, pontos de vista. E falo de eleições - eleições essas que têm um sistema bem mais frágil que o brasileiro, diga-se de passagem. E o que falamos quando temos eleições aqui ? Não falamos de socialistas, radicais, nacionalistas. Falamos de chapas, ladrões, escândalos, ligações para chegar ao poder, e não manutenção de visões de mundo.
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Não acho que o espírito de vira-lata bateu, apenas acho que o nosso vira-latismo está em não resolver os nossos próprios problemas. Que tal mudar isso ?
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