sábado, 5 de maio de 2012

4 de maio, um ano depois

>
Há exatamente um ano átras, o futebol brasileiro vivia um de seus momentos mais vexatórios. Duma só vez, quatro time nacionais eram eliminados da Taça Libertadores da América. Uns de forma incrível, outros de forma mais banal e menos traumática, mas todos transformaram de uma só noite algo que marcou para sempre a história do esporte no país. Mais impressionante ainda é ver que cada time eliminado teve histórias bem distintas nesses pouco mais de 360 dias. Você pode relembrar o que significou aquela noite para o futebol nacional aqui.
.
Dois times seguem bem: Internacional e Fluminense. O interessante é notar que as equipes tiveram eliminações bem distintas, embora seus times fossem superiores ao de seus rivais na época - Peñarol e Libertad, respectivamente.
O Fluminense de 2011 era um time reconhecidamente forte, mas que não tinha a consistência necessária para ser campeão da Libertadores. Perdeu para um Libertad que estava longe de ser brilhante, mas era aguerrido e tinha muito valor, com ótimos nomes, como Samudio, Rojas e Gamarra. Prevaleceu quem estava mais maduro, por mais que não fosse o melhor. Acho que a eliminação foi bem digerida até mesmo pelos próprios tricolores.
.
Já o Internacional era o atual campeão da Libertadores e tinha um timaço. No Beira-Rio, vencer o Peñarol era fácil, a despeito da pesada camisa carbonera, detentora de 5 títulos continentais. Com um minuto de jogo o colorado abriu o placar, mas, em cinco minutos, dois gols uruguaios fizeram a equipe aurinegra a virar a partida e o confronto, que terminou mesmo 2x1 com o Inter, pasmem, eliminado. Esse foi um dos jogos mais incríveis que eu já vi em Libertadores da América, mostrando que camisa e raça valem bem mais que técnica nessa competição tão singular.
.
Talver por ter eliminado um time tão bom o Peñarol ganhou ânimo. Na sequência da competição tirou os igualmente superiores Universidad Católica e Vélez Sarsfield, e só parou no infinitamente superior Santos, na final - não sem antes oferecer muita resistência ao Peixe. 
.
Por fim, um último detalhe interessante: um anos após a Libertadores de 2011, Internacional e Fluminense são adversários nas mesmas oitavas-de-final da competição, um ano depois. Quer prova maior de que aquela data é eterna e cheia de mistério para o futebol do país ?
.
Óutros dois times foram eliminados naquela trágica noite, mas, diferentemente de Inter e Fluminense, tiveram uma queda brutal de desempenho. Grêmio e Cruzeiro não têm apenas a cor azul e os quatro títulos de Copa do Brasil unindo-os: o fatídico 4 de maio também os une.
.

Não há muito o que dizer sobre o Grêmio. O time já não vinha bem em 2011 e as duas derrotas incontestáveis para a Universidad Católica jogaram o time na lona, causaram a demissão do então técnico Renato Gaúcho e levaram o Imortal a uma espiral de coisas ruins. O time hoje encontra-se às traças, muito átras do rival Inter e desacreditado pela própria torcida.
.
Aqui, vale uma explicação: hoje, ser eliminado pela Universidad Católica pode parecer bizarro. Na época, não era. A UC era o que hoje é a Universidad do Chile: um time envolvente, rápido e mortal. La U, aliás, tornou-se a máquina que é hoje a partir do segundo semestre, nas mãos do técnico Jorge Sampaoli. Até o primeiro semestre, o melhor time chileno era a Católica. Ou seja, o Grêmio foi, simplesmente, vítima de um time melhor. 
.
A mais incrível de todas essas derrotas, na minha opinião, foi a do Cruzeiro. O time celeste vinha de uma primeira fase irretocável, sendo o melhor time da fase de grupos e enfrentaria um Once Caldas que classificou-se com apenas sete pontos ganhos. Tinha tudo para ser uma barbada, e ninguém apostaria no time cafetero.
.
Em Manizales, o Cruzeiro apenas confirmou sua superioridade e venceu os colombianos por 2x1. A imensa surpresa veio no jogo de volta, em Sete Lagoas. Em 5 minutos, dois gols tomados (idêntico ao Inter), 2x0 no placar e uma eliminação embasbacante.
.

Mais incrível que a eliminação da Raposa só o que veio a seguir. A demissão de Cuca e a desfragmentação total do time, que brigou para não cair no Brasileirão e que não chegou nem na final do fraquíssimo campeonato mineiro. Muito da péssima fase celeste atualmente tem a ver com a traumática eliminação na Libertadores do ano passado.
.
É incrível ver como certas datas marcam e se fazem presentes mesmo após tanto tempo. Cabe a nós relembrá-las para exorcizá-las.
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :