sexta-feira, 25 de julho de 2014

Costumes fúnebres

Falei aqui sobre algumas mortes que acompanhei, chamando a atenção para fatos marcantes desses falecimentos. E, lembrando dessas mortes, tento pensar no meu próprio funeral.
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Calma, eu não tenho tendências suicidas nem falo "vou morrer" com a mesma frequência de um teenager. Só quero falar um pouco sobre duas tradições que cercam enterros, velórios, funerais e coisas desse gênero. Na verdade, como eu imagino essas tradições aplicadas no meu próprio enterro, velório ou funeral - que, espero, demore bastante pra acontecer.
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Eu sou apaixonado por epitáfios. Explico: epitáfios são frases colocadas em lápides que fazem uma referência qualquer ao falecido. Para mim, é uma forma tardia de entrar para a eternidade ou de coroar uma existência grandiosa. Confesso que quero um epitáfio que marque, de algum jeito. Algo bonito ou irônico (carregado de humor negro), de preferência. 
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Gosto muito do epitáfio desejado por um dos dos ex-presidentes mais queridos do Brasil: "Aqui jaz, muito à contragosto, Tancredo de Almeida Neves". É marcante, forte e engraçado. Confesso que vi na internet um epitáfio escrito "Enfim offline" e achei genial, algo que cai como uma luva inclusive pra mim - que vivo na internet. Mas, claro, quero algo de minha própria autoria. 
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Outro fato bem comum que eu imagino no meu velório é a colocação de bandeiras em cima do meu caixão. É algo que eu quero, mas que não sei se daria certo. Tudo porque eu gostaria de colocar várias bandeiras, e ia ficar uma zona completa. Se eu colocar a bandeira do São Paulo, eu queria colocar também a do Benfica. Eu não quero ter que colocar ou a da Vai-Vai ou a da Beija-Flor: eu quero as duas. Caso eu tenha alguma relevância para minha cidadeu, meu estado ou meu país, viria também a de São Caetano, São Paulo e Brasil. Sete bandeiras em um caixão é demais, e caso eu não seja enterrado com as quatro primeiras ditas, no mínimo, acho que eu não estaria sendo bem representado ao morrer.
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Jamelão, mestre até nisso, foi dos poucos que morreu e teve duas bandeiras para encaminhá-lo à eternidade: da Mangueira e do Vasco da Gama.
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São só pensamentos distantes e vagos. Espero ter tempo para pensar neles. 

quinta-feira, 24 de julho de 2014

Tabelão da Copa do Mundo de 2014

~ Quando eu pensava na Copa da minha vida, logo me vinha à mente a de 1998 e a de 2002. Muito por conta dos jogos do Brasil, dos quais eu lembro perfeitamente - e, claro, por conta da boa campanha da seleção naqueles Mundiais. Convenhamos que os torneios de 2010 e principalmente o de 2006 foram bem abaixo da média, logo não marcaram tanto quanto os anteriores. Bom... o de 2014 superou qualquer outra Copa que eu vi. Até porque não foram só os jogos brasileiros que marcaram. Todos tiveram uma ou mais histórias diferentes. Se foi a melhor da história eu não sei, mas foi, com certeza, a minha melhor. 
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~ Quanto a organização, saiu tudo como ao menos eu planejava: um temor sem fim de que nada daria certo para, no final das contas, encantar a todos. Todo evento que acontece no Brasil é assim, amigos. Devemos melhorar no pré-evento, mas durante o evento poucos países lidam tão bem com o que quer que seja quanto o nosso.
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~ A dúvida, agora, é saber o pós-evento. Teremos algum legado ? Aprendemos algo ? As obras que terminaram continuarão funcionando às mil maravilhas ? As que não saíram serão concluídas ? Cabe a nós cobrar as autoridades competentes. Fazer festa é ótimo, mas sem cobrança não tem festa - nem nada. 
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~ Não falarei sobre o Brasil nessa imensa postagem. Caso queira saber, minha opinião pode ser vista aqui, aqui e aqui
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~ No meu bolão, a Croácia seria a segunda colocada do Grupo A. Tinha mais time e tava numa fase muito melhor que o México. Mas, após tantas declarações arrogantes por parte dos croatas e pelo futebol bem pobre apresentado diante da Tri, mereceram bastante voltar pra casa. Chamou a atenção como um time com valores como Modric, Mandzukic e Rakitic jogou tão burocraticamente quando exigido. 
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~ O México sofreu DEMAIS para ir à Copa. E só foi por conta de uma virada dos rivais norte-americanos sobre o Panamá, em jogo que nada valia para o US Team. Mesmo assim, a Tri precisou da repescagem para vir - e aí, já sob os comandos de Miguel Herrera, sobrou contra a Nova Zelândia. Diante disso tudo, era difícil esperar algo bom dos latinos. Mas, com uma torcida espetacular, eles só pararam nas oitavas-de-final - diante da terceira colocada na Copa. O time jogou simples em toda a Copa e vibrou demais. Nenhuma receita mirabolante para uma campanha que, se não foi inesquecível, foi honrosa. 
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~ Foi do México um dos grandes destaques da Copa. Ochoa pegou tudo em todos os jogos que disputou e saiu, com justiça, como um dos grandes nomes do Mundial. 
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~ O jogo que eliminou o México da Copa teve um lance muito polêmico: o pênalti de Rafa Márquez em Arjen Robben. Lance esse que, até hoje, revolta demais os latinos.
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~ Três jogos, nove gols sofridos e um marcado. Camarões foi a pior seleção da Copa do Mundo na tabela e na bola jogada. Com um grupo rachado (como sempre) e com a iminente aposentadoria de Samuel Eto'o, fica difícil imaginar que os Leões Indomáveis tenham alguma frequência em Copas - apesar de bons jogadores, como Choupo-Moting e Assou-Ekotto. Os camaroneses precisam, antes de tudo, formar um time e deixar as picuinhas de lado em prol do futebol.
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~ Bicampeã de fato europeia, atual campeã mundial, elenco estrelado, time que todo mundo conhece. Perfeito, não ? Não. A Espanha foi surrada pela Holanda logo na estreia, em um dos resultados mais surpreendentes dessa Copa. A Fúria também foi engolida pelo Chile e, pela primeira vez na história, tivemos uma então campeão mundial eliminado após apenas dois jogos. A melancólica vitória contra a Austrália serviu mais como um momento de sobriedade após um porre homérico do que pelo resultado em si. 
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~ A participação espanhola foi desastrosa, é verdade. Os próprios jogadores deixaram isso bem claro. Casillas e Xavi, dois dos grandes pilares dessa geração incrível, certamente não jogam mais pela Fúria em Copas. David Villa, maior artilheiro da história da seleção, se despediu muito emocionado - e marcando gol, como é de seu feitio. Resta ver, apenas, se a nova geração das canteras do país terão mesmo sucesso e será tão marcante quanto a que a sucedeu. 
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~ A estreia de Espanha e Holanda, aliás, é um capítulo à parte nessa Copa. A final de um mundial seria a estreia das duas seleções protagonistas quatro anos antes e... um ~humilde~ 5x1, com direito a um gol de cabeça com um cruzamento do meio de campo e a humilhação de Robben à Casillas, invertendo os papéis da Copa anterior. Tudo isso no terceiro jogo do torneio. Também vale a pena ver o efusivíssimo cumprimento de Louis van Gaal e de Van Persie após o primeiro gol da Oranje.
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~ A Holanda chegou na Copa desacreditada. Uma geração que dependia demais de Robben, Van Persie e Sneijder. Um punhado de garotos e um ou outro atleta com mais rodagem. Isso sem contar na ausência do ótimo Strootman. Pois, com um esquema que ia do 5-3-2 (!) para o 3-5-2 e para o 4-3-3 com facilidade, Louis van Gaal mostrou, novamente, ser um gênio. E ainda fez Vlaar e, principalmente, Daley Blind e Arjen Robben jogarem o máximo que podem. Fica apenas o lamento de um apagado Wesley Sneijder.
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~ Além de não perder em uma Copa do Mundo pela primeira vez na história, a Holanda tornou-se a primeira seleção a usar seus vinte e três convocados em um mundial. Nada mal, principalmente se vermos o banco recheado de ilustres desconhecidos que tornaram-se reconhecidos mundo agora. Memphis Depay e Georginio Wijnaldum são, talvez, os dois grandes expoentes do que eu disse. 
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~ Se colocou todo mundo, colocou também dois goleiros reservas. Michel Vorm entrou no finalzinho do jogo contra o Brasil e, pasmem, você conhece o terceiro goleiro laranja. Mostrando sua genialidade, Louis van Gaal colocou Tim Krul apenas para defender os pênaltis nas ranhidas quartas-de-final contra a Costa Rica. Isso encheu o arqueiro de confiança e assustou os Ticos, que perderam duas cobranças. Vale dizer: Krul acertou o canto de TODOS os cinco pênaltis da série.
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~ Antes de começar a Copa, discutia-se se o Chile tinha potencial para fazer frente à Holanda e avançar na Copa. Contra a Laranja realmente não deu (por pouco), mas ninguém se importou muito. Por conta de um jogo estupendo contra a Espanha no Maracanã, a Roja não precisava demais nada na última rodada e já estava classificada. Os comandados pelo inteligentíssimo Jorge Sampaoli fizeram um papel espetacular na Copa, jogando muito bem e deixando ótima impressão. 
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~ Brasil e Chile sempre foi um dos grandes clássicos de freguesia da Seleção Canarinho. Quando parecia que os andinos tinham time para fazer frente ao Brasil, eles tomavam um daqueles chocolates históricos. Parece que esses tempos de moleza acabaram de vez. O Chile só não eliminou o Brasil nas oitavas-de-final porque a camisa canarinho pesou. Mas, como se não bastasse jogar melhor ao longo da peleja, os chilenos ainda fizeram todo o país prender a respiração no já famoso chute de Pinilla no travessão
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~ Ninguém esperava nada da Austrália. Quem olhar apenas a tabela vai achar que os Socceroos nada fizeram, mesmo. Injustiça. Os australianos endureceram o jogo ante o Chile e mereceriam, no mínimo, um empate ante a Holanda em um dos melhores jogos de uma Copa repleta de grandes pelejas. Como lembrança, fica o golaço de Tim Cahill no cotejo contra a Laranja Mecânica
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~ Em 1994, a Colômbia chegou na Copa dos Estados Unidos com status de favorita. Eliminada na primeira fase, a seleção virou caso de polícia após a trágica morte de Andrés Escobar. Vinte anos depois, os Cafeteros, enfim, fizeram uma campanha de grande seleção. Com um time equilibradíssimo (mais até do que a Argentina, por exemplo) e com nomes como James Rodríguez (discutivelmente o melhor jogador de toda a Copa), Juan Cuadrado e Pablo Armero, a equipe só parou nas quartas-de-final - jogando surpreendentemente muito mal e bem tímidos, de fato. Mas a ótima impressão já estava feita - coroada com a melhor participação colombiana em mundiais.
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~ Na minha opinião, James Rodríguez ficou perto de ser eleito o melhor da Copa. Mas o gol mais bonito do torneio é sim dele. Quão emocionante é ver um camisa 10 dominando uma bola e finalizando desse jeito no Maracanã ?
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~ A Colômbia era competentíssima, mas trazia também altas doses de PICARDIA. O Armeration marcou toda a campanha cafetera - e é claro que não poderia faltar a dancinha na chegada dos atletas no país.
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~ 2004 é um ano que parece não acabar na Grécia - ou, ao menos, no futebol grego. Os resquícios da seleção que surpreendeu a Europa ao ganhar a EuroCopa de 2004 seguem na ativa. E, melhor ainda: fazendo história. Com muita desconfiança e até com certa antipatia por conta de seu futebol declaradamente pragmático e defensivo, o Navio Pirata pela primeira vez passou pela fase de grupos. Uma grande alegria para um país que sofre demais com uma crise econômica que parece não ter fim.
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~ Um dos grandes jogos dessa Copa, inclusive, foi o que sacramentou a qualificação helênica. Melhor que a Costa do Marfim durante boa parte do jogo, os gregos tiveram vinte minutos para buscar o segundo tento. Eis que, aos quarenta e oito minutos do segundo tempo, Samaras fez o crime. 
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~ Costa do Marfim que, aliás, teve todos os seus jogos encerrados em 2x1. Apesar de resultados regulares, os Elefantes não conseguiram ter o mínimo de estabilidade. Suou para vencer o inferior Japão, deu muito trabalho para a favorita Colômbia e mereceu a eliminação na peleja ante a Grécia. Pouco para uma seleção que, com sobras, tem um dos melhores elencos africanos e conta com, entre outros, Yaya Touré, Didier Droga, Wilfried Bony, Gervinho e Serge Aurier. 
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~ O avô de todo mundo já disse que o futebol do Japão é só correria. Nossa geração sabe que hoje isso mudou - uma seleção que já teve Nakamura e Nakata e hoje conta com Shinji Kagawa e outros tantos atletas de destaque merece alcunha melhor. Pois bem: talvez, se os Samurais Azuis fossem só correria, eles conseguiriam algo melhor nessa Copa do Mundo. Era nítido que o time tinha bons valores, mas os japoneses jamais se encontraram enquanto time. Uma decepção para uma boa geração nipônica, e ainda pior para o experientíssimo Alberto Zaccheroni. 
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~ O Grupo D dessa Copa do Mundo vai ser algo que nenhum fã de futebol vai se esquecer. Daqui alguns anos, aposto com qualquer um que uma série de estudos que o envolvem estarão em voga. Falo sem medo de errar que foi a chave mais inesquecível da história das Copas. 
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~ A Itália vinha de um fracasso retumbante na Copa de 2010. Então campeã mundial, a Azzurra foi eliminada na primeira fase, na lanterna de seu grupo e ficando atrás até mesmo da Nova Zelândia. Dois anos depois, a redenção após um honroso vice-campeonato na EuroCopa. O futebol vinha crescendo. Vinha. Os italianos começaram muito bem, ao vencer um já histórico jogo contra a Inglaterra. Mas Costa Rica e Uruguai mostraram que faltava bastante força a um sistema ofensivo com nomes bastante respeitáveis. Mais uma eliminação na fase de grupos, com direito a demissão do ótimo Cesare Prandelli e do próprio presidente da FIGC (CBF italiana) logo após ao jogo da eliminação
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~ Sou um fã incondicional de Andrea Pirlo, e quem me conhece sabe disso e também da medida da minha admiração por ele. Um dos vários jogos que me emocionou nessa Copa foi a vitória italiana sobre a Inglaterra. Na calorenta e úmida Manaus, o gênio de 35 anos mostrou que sua capacidade técnica vence qualquer adversidade física. Pirlo fez um jogo que só me dá ainda mais certeza que ele é melhor inclusive que Zidane. 
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~ A Inglaterra sempre jogou com muito cartaz e pouca bola em Copas do Mundo. Em 2014, o cartaz era bem menor. Eram visivelmente tempos de transição, com a iminente aposentadoria de craques como Steven Gerrard e Frank Lampard e o primeiro mundial de uma geração que parece ser promissora - representada por Daniel Sturridge, Alex Oxlade-Chamberlain e Raheem Sterling, entre outros. No ápice, restavam Wayne Rooney e Joe Hart. Como já é tradicional com o English Team, não deu. Apenas um ponto em três partidas. Mas, ao contrário de outras gerações, esse time morreu de pé, querendo jogo e fazendo de tudo para conquistar a vitória - inclusive jogando bola, o que nem sempre acontece com os Three Lions. Fica a nítida impressão que faltou TARIMBA - o que com o tempo se ganha. É uma seleção para se ficar de olho, certamente. 
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~ O Uruguai tem, certamente, mais simpatizantes que população. Sua garra e o apreço por seus feitos históricos geram um carisma que atinge pessoas em toda a Terra - tudo isso cercando um país que tem a metade da população da Zona Leste de São Paulo. O Uruguai fez, em partes, o que dele se espera em qualquer lugar. A surpreendente derrota para a Costa Rica acendeu o sinal vermelho, mas dois jogos de tirar o fôlego colocaram a Celeste Olímpica nas oitavas-de-final. Com um elenco com três craques e um punhado de jogadores que ainda buscam reconhecimento, fizeram o que dava. Mas é claro que os charrúas iam temperar essa Copa do Mundo de uma maneira que só eles sabem, tal qual um bife de chorizo platino. 
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~ Foi tocante a vontade de Alvaro Pereira na partida contra a Inglaterra. Palito Pereira tomou uma joelhada no rosto e, quando o médico padiu para substitui-lo, ele logo se recompôs - ficando uma fera com o médico da delegação uruguaia. 
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~ Wayne Rooney não nasceu para Copas do Mundo. Ele foi marcar seu primeiro gol em mundiais apenas em seu terceiro certame. E, quando isso acontece, ele é totalmente eclipsado por outro centroavante melhor e ainda mais genioso que ele mesmo. O que Luis Suárez fez contra a Inglaterra foi gigante. Discutivelmente a melhor atuação individual de um jogador em toda a Copa.
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~ Em um jogo bestial; no outro, uma besta. O velho chavão explica bem o que circundou a atuação de Suárez ante a Inglaterra e a estapafúrdia mordida dado por ele em Giorgio Chiellini. Digna, sim, de uma pesada punição - mas não a covardia que a FIFA fez com Luisito.
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~ Antes da Copa do Mundo começar, o técnico Jorge Luis Pinto dizia que queria desafios para o selecionado da Costa Rica. Pois bem, eles vieram: três campeões mundiais enfrentando uma seleção com histórico praticamente nulo logo na primeira fase. E vieram as históricas vitórias ante Uruguai e Itália, além do empate contra a Inglaterra. Já (justamente) tida como a sensação da Copa, os Ticos tiveram muitas dificuldades contra a Grécia nas oitavas-de-final, mas Keylor Navas pegou até pensamento e, pasmem, colocou os centro-americanos nas quartas. Contra a Holanda, mais um jogaço com chances para os dois lados mas, dessa vez, não deu - e, mesmo assim, a equipe só foi eliminada nos pênaltis, invicta. Nada que manche o, talvez, capítulo mais bonito dessa Copa inesquecível. 
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~ No sorteio da Copa, os desavisados certamente foram pegos de surpresa ao ver que a Suíça era cabeça-de-chave. Não se engane: a seleção tem ótimos nomes e era treinada pelo competentíssimo Ottmar Hitzfeld. Os primeiros jogos, porém, colocaram tudo isso em xeque: uma vitória suadíssima contra o inferior Equador e uma goleada assustadora para a França - vale lembrar que os helvéticos sempre tiveram sua seleção calcada na força defensiva. Deu pro gasto, e os suíços enfrentaram nas oitavas uma Argentina que também jogou bem abaixo do que se imaginava. Com contornos de crueldade, os suíços voltaram para a casa com a honra de quase ter eliminado a vice-campeã mundial, mas é necessário ver que faltou futebol para um escrete que poderia fazer muito mais.
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~ Quando a primeira fase acabou, a seleção que melhor jogava era a França. Um goleiro de ótimo nível como Lloris, uma dupla de zaga com um espetacular Varane e um seguro Sakho, Paul Pogba e Valbuena em fase espetacular muito bem auxiliados por Cabaye e Sissoko e o melhor centroavante dessa Copa, Karim Benzema. E ainda tinha, ao menos, um atleta de nível para substituir quem quer que fosse por posição. Os impiedosos 5x2 na Suíça foram a síntese perfeita do que quero dizer. O canto do cisne veio contra a Nigéria, com os Bleus só se garantindo após a entrada do ótimo Griezmann. Aí veio o azar: na partida que marcou a virada da Alemanha na Copa do Mundo, os gauleses foram engolidos e pouco puderam fazer. Resgatando, ainda assim, o orgulho de um país que viu seu selecionado passar vergonha na Copa de 2010
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~ 5x2 já é algo sonoro - ainda mais para um jogo tão espetacular quanto o que foi França x Suíça. Era pra ser ainda melhor, porém. Benzema achava que o jogo ainda corria e fez um golaço de tirar o fôlego. Seria certamente um dos mais bonitos do Mundial. Seria. O árbitro anulou a pintura, infelizmente. 
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~ Quando uma seleção é mais lembrada por suas derrotas que por suas vitórias, há algo errado. Foi o que aconteceu com o Equador. A equipe andina tomou uma dolorida virada na estreia contra a Suíça, e fez um jogo de notável superação (física e técnica) ante uma França infinitamente superior - com um atleta a menos, ainda por cima. Mas vale lembrar que os equatorianos também venceram na Copa - e em um jogo com boas doses de emoção. Também vale lembrar que os sul-americanos fizeram três gols (um ante a Suíça e dois contra Honduras), os três de Enner Valencia. 
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~ É difícil lembrar que Honduras participou da Copa do Mundo. Faltou futebol e carisma, apesar do bom jogo contra o Equador. Para não dizer que a vinda ao Brasil foi esquecível, os catrachos protagonizaram o primeiro gol validado por conta do uso de tecnologia na história da Copa do Mundo
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~ Nas últimas Copas do Mundo, a vice-campeã é quase sempre uma seleção de nome, mas que não jogou tão bem durante o certame. Alemanha em 2002 e França em 2006 foram times abaixo da média, chegando à decisão por fatores diversos. A Holanda era um pouco superior, mas, ainda sim, não era uma equipe espetacular. A Argentina de 2014 confirmou essa tendência de vices-campeãs pouco brilhantes. 
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~ Antes da Copa, falar da Argentina era ter a certeza de que o ataque compensaria as falhas defensivas. Na frente, Lionel Messi decidiu todos os jogos até as oitavas-de-final e só. Gonzalo Higuaín fez uma Copa decepcionante - apesar do gol salvador contra a Bélgica nas quartas. Os demais atletas da frente também pouco fizeram. Quem se sobressaiu, subvertendo tudo o que se esperava, foram os defensores. Marcos Rojo, pasmem, fez uma grande Copa. Sergio Romero foi o herói da classificação para a final. Ángel Di María e Javier Mascherano foram os outros destaques argentinos no Mundial. Alejandro Sabella não levou o título, mas criou uma equipe da maneira mais improvável possível.
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~ O grande sofrimento da Albiceleste, sem dúvida, foi a Suíça. Em um jogo histórico, Romero começou a se consagrar em uma peleja que poderia ter qualquer vencedor. Mas, aí, o bom Stephan Lichtsteiner resolveu perder a bola no meio de campo e ela chegou em Lionel Messi. O resto é história, feita pelo espetacular Ángel Dí María. Isso sem contar no lance posterior, uma bola na trave de Blerim Dzemaili que ainda reboteou no atleta antes de sair pela linha de fundo. De tirar o fôlego.
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~ Lionel Messi, nem de longe, foi o melhor da Copa do Mundo. Mas a quantidade de gols que a Pulga fez em jogadas que ele não fez o óbvio foi impressionante. Bósnia, Irã, Nigéria e Suíça mostram bem isso. Gênio. 
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~ A Bósnia era a única estreante dessa Copa do Mundo e já de cara tinha a chance e, até certo ponto, a pressão para se classificar em um grupo bem desequilibrado. Dá pra dizer que os Dragões decepcionaram - principalmente na derrota para a Nigéria, jogando mal; após uma bela estreia ante a Argentina. Ao menos veio a primeira vitória em mundiais, contra uma igualmente decepcionante seleção iraniana. 
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~ A Nigéria não tinha uma equipe tão gabaritada quanto Gana e Costa do Marfim, mas tinha um trabalho muito bem feito por Stephen Keshi - dos poucos africanos com sucesso nas seleções do continente, campeão inclusive da Copa das Nações Africanas de 2011. Isso foi o suficiente para fazer uma equipe com uma defesa razoavelmente sólida e passar com certa facilidade em sua chave. Poderia entrar para a história ao vencer a França nas oitavas-de-final, mas a entrada de Antoine Griezmann mudou a peleja. Faltou qualidade técnica, não trabalho. Saldo positivo para as Super Águias.
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~ O Irã foi para a sua terceira Copa do Mundo e fez mais do que dela se espera. Além de marcar um ponto, conseguiu fazer um jogo ranhidíssimo contra a Argentina. Com uma defesa muito bem montada por Carlos Queiroz, o Team Melli só foi vencido no finalzinho, em um lance genial de Lionel Messi. E olha que os iranianos tiveram chance de vencer, ainda por cima. Entrar para a história, muitas vezes, é mais importante que o resultado em si.
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~ Elogiei Nigéria e Irã, mas o jogo entre as duas equipes foi, disparadamente, o pior de toda a Copa. O próprio VT dos melhores momentos da partida é curtinho.
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~ Dá pra dividir a história da Alemanha na Copa de 2014 em duas: antes e depois dos 25 minutos do segundo tempo contra a Argélia. Antes disso, com Shkodran Mustafi na lateral-direita, Philipp Lahm na volância e Sami Khedira no banco, era um time claudicante e que sofria contra qualquer equipe minimamente organizada - apesar da goleada sobre Portugal. Depois, com Lahm na lateral-direita e Khedira como volante (Mustafi se contundiu), a equipe tornou-se muito mais forte e só foi sofrer na final contra a Argentina - ainda assim, pouco. De qualquer forma, era certamente o melhor elenco do Mundial - pena que treinado por um técnico longe de ser top de linha e que só escalou a equipe como deveria por conta de contusões e muita pressão.
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~ O primeiro tempo alemão na Copa do Mundo foi impressionante. Mesmo com sua configuração antiga, os tedescos não tiveram dó nenhuma de Cristiano Ronaldo e de Portugal. Thomas Muller mostrou que é mais um alemão que vai brilhar em Copas do Mundo. Com 25 anos (e no mínimo mais duas Copas no currículo), ele tem dez gols marcados
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~ Thomas Muller parece ter em sua alça de mira o compatriota Miroslav Klose. Nos inesquecíveis 7x1 ante o Brasil, Klose tornou-se o maior artilheiro de toda a história das Copas do Mundo - dezesseis gols ao longo de quatro Copas. Mais um recorde que os germânicos bateram - e que, se depender de Muller, será ampliado. 
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~ Ainda sobre Brasil x Alemanha: é claro que a Seleção Canarinho ajudou demais, mas, ao menos para mim, foi a maior atuação de uma equipe na história das Copas do Mundo. Os alemães foram tecnicamente, taticamente, psicologicamente e fisicamente perfeitos em tudo que fizeram.
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~ Não foi só dentro de campo que a Alemanha foi campeã. Os alemães foram, de longe, a seleção mais CARISMA que o torneio no Brasil teve. Bastian Schweinsteiger e, principalmente, Lukas Podolski tornaram-se muito queridos por todos, com diversos momentos inimagináveis. De todos esses momentos, quero relembrar um: os alemães fizeram uma dança pataxó com a taça, por conta da experiência que tiveram com os indígenas no aniversário de Miroslav Klose. Quando vimos os brasileiros, pátria desses indígenas, homenageando-os dessa maneira ? 
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~ Cristiano Ronaldo era, praticamente, toda a seleção de Portugal. A Seleção das Quinas até tinha alguns outros bons jogadores - como Hugo Almeida e Fábio Coentrão, que saíram contundidos logo no primeiro tempo da estreia, ante a Alemanha. E CR7, ainda por cima, estava bem longe de sua condição física ideal. Não poderia dar em outra: um vexame. 
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~ Já postei isso no blog, mas é tão incrível que posto novamente: os portugueses culparam Paulo Bento pela má campanha da seleção, mas querem que ele fique na casamata do selecionado nacional. Eu o culpo por não criar alternativas a CR7 e deixar todo o time dependente de uma estrela que, se deixar, nem condições de jogo tinha.
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~ Gana tem, certamente, um dos melhores times africanos da atualidade - já há tempos. O destino das Estrelas Negras, porém, foi selado logo na estreia, ante os Estados Unidos: um gol relâmpago e outro no finzinho, pra desempatar e dar a vitória para os yankees. A equipe fez um jogo decepcionante em sua despedida do Mundial, perdendo para Portugal. Mas entre essas duas pelejas...
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~ A Alemanha deu mostras que precisava de mudanças justamente no jogo contra Gana. O primeiro tempo já foi bom, mas o segundo foi espetacular. Por muito pouco os tedescos não perderam, o que ia premiar um jogaço dos ganeses. O empate alemão sepultou os africanos moralmente, que entraram vencidos ante os lusitanos.
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~ Pra ilustrar o clima ante do jogo ante Portugal na seleção de Gana: Kevin-Prince Boateng xingou o técnico e Sulley Muntari agrediu um integrante da comissão técnica. Difícil, mas conseguiu ser pior: como a premiação para os jogadores estava atrasada, a federação ganesa enviou um avião com ~módicos~ US$3 milhões para os atletas. Desconfiados, alguns deles cheiraram e beijaram (!) o dinheiro, para saber de sua veracidade. Nem mesmo naqueles programas popularescos da TV vemos cenas dessas. 
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~ Jurgen Klinsmann fez um bem danado pra seleção dos Estados Unidos - país que, aliás, cada vez mais se encanta com o soccer. O time teve força para vencer um jogo bem parelho ante Gana; empatou com Portugal por conta de lances esporádicos dos melhores jogadores adversários e vendeu caríssimo uma derrota para a campeã Alemanha. A queda nas oitavas foi honrosa, reagindo após um começo de prorrogação avassalador da Bélgica e desperdiçando uma chance claríssima de empatar a disputa.
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~ O destaque de Estados Unidos x Bélgica, porém, foi Tim Howard. O goleiro salvou a pátria americana em incríveis dezesseis oportunidades - maior número de defesas de um goleiro na história das Copas do Mundo. Os americanos foram inferiores (apesar de boas chances criadas), mas todos os méritos vão para o barbudo goleiro yankee, que fez de uma bela partida algo incrível.
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~ Duas seleções que não são historicamente fortes faziam a cabeça dos mais fanáticos por futebol: a Colômbia e, principalmente, a Bélgica. Cunhou-se o termo ~ótima geração belga~ por conta de atletas de altíssimo nível e de destaque no cenário internacional - não é preciso ser muito fã de futebol para saber a escalação inteira dos Diabos Vermelhos. Mas o que se sobressaiu na seleção foi sua força defensiva, encabeçada por um ótimo Thibaut Courtois. Vincent Kompany também fez uma Copa do Mundo espetacular. O ataque, porém, ficou devendo. No geral, o melhor atleta ofensivo belga foi Kevin de Bruyne - e quando Romelu Lukaku, Eden Hazard, Kevin Mirallas e Dries Mertens são piores que eles, algo está errado. A seleção foi longe, mas com um futebol pouco atrativo e dependente de atuações individuais. 
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~ TODAS as vitórias belgas foram conseguidas por conta de um jogador que se sobressaiu. Na estreia contra a Argélia, quem fez esse papel foi Fellaini. Ante a Rússia, Hazard. Origi foi o salvador contra a Coreia do Sul, enquanto Lukaku teve estrela contra os Estados Unidos. Como time, faltou trabalho de Marc Wilmots e sobrou talento de suas estrelas - uma de cada vez, porém. Tanto que, no jogo contra outro sistema defensivo competente, faltou camisa e trabalho de equipe nas xoxas quartas-de-final contra a Argentina.
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~ Karim Benzema e Zinedine Zidane são argelinos de nascimento, mas fizeram seu nome pela seleção francesa. Há também a contrapartida: de vinte e três convocados pela seleção da Argélia, dezesseis são franceses. Nenhum com tanto nome quanto Benzema e Zidane, mas capazes de formar um time bem equilibrado e, acima de tudo, muito guerreiro. Junte a esse quadro o ótimo técnico bósnio Vahid Halihodzic. Formou-se, então, uma equipe que não tem vergonha nenhuma de atacar o adversário e manter a posse de bola para não ser incomodado. Jogou muito bem contra a Bélgica, deu show contra a Coreia do Sul e, após empatar, não tomou grandes sustos da Rússia. Num jogo fora de série, foi eliminada pela Alemanha e deixou muita saudade na Copa do Mundo por conta de um jogo aberto e uma exibição fora de série do goleiro Raís M'Bolhi.
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~ Em 1982, a Alemanha venceu a Áustria por 1x0 em um jogo chatíssimo e muito conveniente para os dois, já que o resultado eliminaria a Argélia daquele torneio - as Raposas do Deserto venceram a Alemanha por 2x1 naquele torneio, que teria os germânicos como vice-campeões. O episódio, conhecido como "A Vergonha de Gijón", manchou de maneira indelével as seleções e o próprio torneio. O evento, porém, foi vingado da melhor maneira possível. Alemanha e Argélia se encontraram nas oitavas-de-final da Copa do Mundo e, no melhor jogo da Copa (para mim, é claro - foram diversas partidas espetaculares), encaminhou os germânicos para o título e eliminou uma das gratas surpresas desse Mundial. Quem viu essa peleja jamais se esquecerá dela.
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~ A Coreia do Sul pouco fez para a história do futebol, mas tem em seu currículo um quarto lugar na Copa de 2002 - na qual era co-anfitriã e eliminou Itália e Espanha por conta de erros vergonhosos de arbitragem. Ah, a seleção sul-coreana também era a seleção de Park Ji-Sung, que jogou muito tempo no Manchester United - era, já que se aposentou dos Tigres em 2011. O que sobra, então ? Exatamente: nada. Um punhado de atletas já no ápice de suas carreiras e que não deixaram nenhuma saudade.
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~ A liga de futebol da Rússia exige que cada time tenha um número mínimo de atletas russos, o que garante a revelação de atletas nacionais e a manutenção de bons atletas atuando no país. Mas, curiosamente, a seleção era a única que tinha todos os seus convocados atuando ~em casa~. Outra curiosidade: a vigésima quarta colocada numa Copa do Mundo com trinta e dois times paga o maior salário ao seu técnico - que é o dobro do segundo treinador mais bem pago. Dito isso, a conclusão: não faltaram bons jogadores (ainda que você não os conheça, Kombarov, Ignashevich, Berezutski, Zhirkov, Shirokov, Fayzulin, Dzagoev, Samedov e Kokorin são bons de bola), mas faltou todo mundo se organizar em campo e criar chances de gol. A desculpa não pode ser falta de entrosamento, já que todos jogam no mesmo país. Caso clássico de time mal treinado.
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~ Igor Akinfeev nunca foi um goleiro top de linha, mas sempre teve bom nível. Eis que dois dos três gols tomados pela Rússia na Copa do Mundo foram falhas ridículas do arqueiro: a péssima saída de gol contra a Argélia e, principalmente, o frangaço contra a Coreia do Sul . Nada a dizer, só a lamentar.
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~ Pra finalizar esse ~pequeno~ remember, minha seleção da Copa, no 4-2-3-1 que se tornou tradicional de 2010 para cá: Keylor Navas; Philipp Lahm, Rafa Márquez, Mats Hummels e Daley Blind; Javier Mascherano, Paul Pogba; Arjen Robben (melhor do Mundial), Lionel Messi e James Rodríguez; Thomas Muller. Técnico: Louis van Gaal.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Eu sempre gostei de Dunga, mas não aprovo a volta dele

O futebol português viveu uma situação que eu achava bem inusitada: muitos colocavam a maior parcela de culpa do fracasso da seleção no técnico Paulo Bento, mas a maioria queria que ele continuasse na casamata da Seleção das Quinas. Quando li a matéria linkada, achei bizarro. Mas aprendi hoje que isso fazia sentido - não pelos mesmos motivos explicados na reportagem da sempre ótima Trivela.
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Eu gostava demais de Dunga enquanto técnico da seleção. É óbvio que ele cometeu erros, como qualquer um comete. O principal deles foi dar moral demais para um grupo pequeno de jogadores que seguiam cegamente o que ele falava - o reflexo disso foi a ausência de craques na seleção brasileira na Copa de 2010. Essa é a verdade.
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Há, também, algumas verdades que os críticos de Dunga se esquecem: ele ganhou com sobras uma Copa América (com direito a um 6x1 no Chile e um 3x0 na Argentina na final) e também uma Copa das Confederações (fazendo 3x0 na Itália, então campeã mundial e batendo a sólida seleção dos Estados Unidos por 3x2 na final, e uma virada de tirar o fôlego). Também vale dizer que ele soube dar uma cara para a seleção: uma defesa forte e um contra ataque mortal. Isso sem contar na garra que aquela equipe tinha. Mais: criticam a virada da Holanda nas quartas-de-final da Copa de 2010, mas se esquecem que o primeiro tempo daquele jogo foi um show da Seleção Canarinho.
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Enfim, a discussão sobre o trabalho de Dunga é grande. O fato é que a volta dele é um imenso retrocesso para todos os lados. Só é boa para quem menos merece qualquer elogio.
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Para Dunga, a volta dele à casamata brasileira é a tradução do neopeleguismo. Ele será, oficialmente, a bucha de canhão: tudo que falarem mal da CBF, da seleção e de qualquer outro assunto relativo a isso cairá nas costas dele. Sem contar que ele não treinou nenhuma outra equipe e ninguém sabe o quão atualizado ele está em relação a pensamentos, treinamentos e afins. 
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Para o futebol brasileiro, Dunga significa que a tão clamada "renovação" vai ficar pra depois - como acontece desde 1989, quando Ricardo Teixeira assumiu a CBF. Ao não escolher nomes muito mais prontos para o cargo (Tite é o principal deles) e voltar com quem já teve sua chance, a entidade opta por um estilo que traz bons resultados, mas não traz grandes legados (palavra tão em moda hoje em dia) e nem tem um estilo desejado por ninguém nesse momento - e o momento era o de começar algo totalmente novo. 
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Tenhamos em mente que, como tudo que envolve a CBF desde a chegada de José Maria Marin à presidência do órgão, a escolha de Dunga é meramente política. Explico: após os dois últimos jogos da final da Copa do Mundo, o próprio Marin e Marco Polo Del Nero (próximo presidente da instituição, que asusme em 2015) foram tão criticados quanto Felipão e Parreira. Pois bem: ao colocar o controverso, inimigo da imprensa, ranzinza, teimoso e culpado por uma eliminação em Copa do Mundo Dunga, quem será o culpado por tudo daqui pra frente será o treinador, não o cartola. Esse é o pensamento deles: ter quem leve a culpa de tudo de ruim que eles farão, e não buscar alguém que faça algo bom. 
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Goste ou não de Dunga, não se esqueça de quem o colocou lá. Esses sim são dignos de todas as críticas possíveis. 

domingo, 20 de julho de 2014

Copa é demais, mas não podemos viver só disso

Parece que, quando a Copa do Mundo acaba, nós tomamos uma série de socos nocauteantes até voltar a realidade. Toda aquela magia se acaba e toda a sua vida fica mais cinza. Como pode ver, não falo apenas de esportes - mas, ao ver alguns jogos do Brasileirão, a vida nem cinza é; é preta mesmo. 
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Não devemos, porém, achar que o futebol é o único esporte que existe. Na verdade, logo chega a hora de uma série de outros esportes ganhar importância. Para alguns, essa hora chega logo após a Copa do Mundo. Para outros, porém, ela chega só às portas dos Jogos Pan-Americanos ou, pior ainda, das Olimpíadas.
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Futebol é espetacular, mas existem esportes tão legais quanto. E as Olimpíadas, por exemplo, tem um charme especial. Várias histórias, atletas de ponta, cultura, festa e tudo mais. E nós só valorizamos os atletas que nos representam na hora dessas competições, mas eles já estão honrando nossa bandeira há tempos. Dou três exemplos simples disso:
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Na Liga Mundial de vôlei, o Brasil venceu a tradicionalíssima Itália por 3-0 (com direito a humilhantes 25x11 no primeiro set) em plena Florença e vai decidir o título do torneio pela décima quarta vez em vinte e cinco edições - ou, se quiser, a décima segunda final nas últimas catorze edições. O interessante é que o Brasil não foi eliminado na primeira fase por muito pouco - mais precisamente, por ter um set a mais de saldo que a Polônia. Por fim: a Itália, eliminada hoje, é octacampeã do torneio - a segunda maior vencedora da Liga Mundial.
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Ano passado, a seleção feminina de handebol venceu o Mundial da categoria ao vencer a anfitriã Sérvia. O Brasil, que sempre foi conhecido por ter boas jogadoras mas sucumbir para seleções mais fortes, enfim escreveu seu lugar na história. Vale dizer que a seleção foi campeã invicta com duas vitórias sobre as vice-campeãs e com vitórias também ante Hungria e Dinamarca - juntando essas três adversárias, temos ~só~ três títulos mundiais dez aparições em finais. 
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Você talvez não veja boxe desde quando o grande Acelino "Popó" Freitas deixou de lutar por cinturões, e talvez ache MMA muito mais legal. Mas, após um grande período sem pugilistas, o Brasil tem uma dupla de irmãos que é muito boa de ringue. Esquiva (medalha de prata no peso médio nas Olimpíadas de Londres) e Yamaguchi Falcão (bronze nos meios-pesados) começaram recentemente no boxe profissional. O cartel dos dois já é respeitável. Juntos, eles tem quatro vitórias e um no contest (luta sem resultado) em cinco disputas. Na semana passada, Yamaguchi nocauteou sem dó o porto-riquenho Jesus Cruz
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Ainda sobre Yamaguchi Falcão, minha amiga Barbara Gonçalves (dona do Depois do Ringue), fez vários elogios a ele e a luta que ele fez. Ou seja, ele realmente tem potencial:
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"Yamaguchi é ousado, tem confiança e abusa da guarda baixa. Tem uma boa movimentação de pernas e consegue aplicar uma sequência de golpes com velocidade, o que desequilibra o adversário com mais facilidade. Na luta contra o Jesus ele aplicou muitos golpes duros, principalmente com a esquerda, que é seu ponto forte. Tem boa postura no início da luta, sabe manter distância certa do adversário e consegue criar estratégia pra se defender e contra atacar. Ele fez poucas lutas no profissional e ainda não conseguiu mostrar muito do que é capaz. Mas como fez uma boa carreira no Boxe Olímpico é certeza de ser um bom profissional"
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Entretanto, o que me deixa mais puto é que tudo isso pode/poderia ser visto. A Liga Mundial teve os jogos em solo brasileiro (na primeira fase) transmitidos pela Globo, e todos os demais passam no SporTV. O Mundial de Handebol Feminino teve transmissão da TV Esporte Interativo e a luta citada de Yamaguchi Falcão passou na Fox Sports. Quantos sabiam disso ? Quem viu esses eventos ?
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Reclamar da vida quando não ganhamos nas Olimpíadas é fácil. Quero ver enxergar os esportes que não se chamem futebol.  

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Mortes que acompanhei

Ontem fiquei sabendo que o Multishow tava passando o documentário Mamonas Para Sempre, sobre uma das bandas brasileiras mais influentes do final da década de 1990: o Mamonas Assassinas. Peguei o documentário no meio e, bem, esperava mais. Mas fica a indicação.
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Em um dos depoimentos, a ex-namorada do Dinho (vocalista dos Mamonas) falou que "do nada, o Gugu já ligava pra ela pra saber sobre o acontecido". Foi o que bastou para eu buscar o Domingo Legal daquele dia - e encontrá-lo. O vídeo tá no link e é bem longo, mas é interessante ver como foi a cobertura daquele triste episódio. Também achei o registro da queda do avião no qual os Mamonas estavam e também a cobertura in loco da TV Manchete do funeral dos músicos - Manchete que, se deixar, foi a única TV da época que não contou com a participação da banda por conta de suas precárias condições financeiras. 
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Que o Jornalismo do SBT é algo sui generis todo mundo já sabe. Mas também achei o Plantão da emissora para a morte de Hebe Camargo, Lombardi e Marly Marley (?). De graça, mostro pra vocês o informativo deles sobre o atentado de 11 de setembro. Vale dizer: o SBT foi a única emissora a não parar sua programação, e sim entrar com boletins quando tudo já estava consumado.
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Sabe-se lá porque, lembrei também da morte de José Alencar. Na verdade, não da morte, mas sim de uma fala do dr. Raul Cutait falando que o ex-vice presidente "estava se preparando para descansar". Essa frase, ao menos para mim, é de uma dor fora de série. É afirmar que não é o homem público que está prestes a morrer: é o paciente, o humano. Horas depois, Alencar faleceu. O vídeo do G1 que tinha essa frase do dr. Cutait não está mais disponível, e eu não me arrisco a ver o Plantão da Globo para nada - tenho fobia da vinheta do boletim. 
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Aqui, deixo também um pedido: caso alguém tenha o Plantão da Record anunciando a morte do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel, por favor, entre em contato comigo. O repórter, que estava no Paço Municipal da cidade, deu a informação da morte do político em primeira mão, e é possível ver as pessoas lamentando o falecimento logo atrás dele. Também é marcante.
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Logo escreverei sobre  algumas coisas que penso em relação a morte. Nada chocante ou digno de livro de auto-ajuda, apenas algumas impressões mesmo. 

domingo, 13 de julho de 2014

Twittadas da final da Copa do Mundo

Nada melhor do que medir as emoções que uma partida te despertou que recuperando o que foi dito na hora da peleja. E o Twitter, que faz o acompanhamento em tempo real de tudo que existe, é ótimo para isso. Abaixo, tudo o que o blogueiro falou sobre a grande final da Copa do Mundo de 2014, entre Alemanha e Argentina.
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PS1: Eu vi o jogo na Globo por costume. Sei que a transmissão é ruim e o nível dos comentaristas é pior ainda.
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PS2: Torci descaradamente pra Alemanha. Mas o primeiro tweet explica tudo.
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sábado, 12 de julho de 2014

A maior e melhor mudança pela qual eu passei

No post anterior eu falei sobre mudanças. Mudanças no blog, na verdade. Mas aconteceram mudanças ainda mais (ou melhor, bem mais) importantes que essa na minha vida. Não é algo profissional, sequer um hobby meu, mas algo mudou na minha vida em um aspecto que faz todo o resto da vida ser bom ou ruim, diretamente ou não. 
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Parafraseando uma música de uma banda que a minha namorada adora: se eu falo assim, com tantos rodeios, é pra dizer que eu tô apaixonado. E é muito bom ver que o sentimento é recíproco, na mesma intensidade, com as mesmas intenções, pensamentos e vontade de fazer bem ao outro. Se o meu antigo namoro era uma guerra na qual eu perdia todas as batalhas, o meu atual é algo que nem cabe qualquer metáfora. É um relacionamento no qual todo mundo vê que os dois estão na mesma sintonia e se amam. 
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Hoje, por exemplo, eu saí com ela. Atividades rotineiras como trocar um presente, ver roupas, assistir um filme e comer (duas vezes, porque casais felizes engordam juntos) tornam-se eventos que valem um dia inteiro. Simplesmente porque tudo isso é feito com companheirismo, risadas e alguém que entende suas manias, neuras e bobeiras - e acho difícil alguém ter mais bobeiras que eu. 
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Também vale comentar: estamos prestes a fazer um ano juntos e tudo que mudou desde então foi não só para o nosso próprio bem, mas também para o bem de ambos. E tudo, absolutamente tudo, foi conversado e pensado. Por mais impulsivos que possamos ser, sabemos que muitas decisões exigem um olhar mais atento. No final das contas, nada me deixa melhor que ver minha namorada bem - e sei que o contrário também acontece.
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Eu queria ser tão maduro como a Amanda é com 18 anos e tão maduro quanto ela foi nesse quase um ano. Queria ser divertido, afável, competente em tudo que faço e guerreiro como ela. Queria ter os conselhos certos, ou falar o que mexe comigo de um jeito tão certeiro em cada briga. Por tudo isso, ela é mais que uma namorada: é minha confidente, minha grande amiga e um espelho. E, como espelho que é (e como música que tem esse nome), o vazio que estava no meu coração é o espaço que ela ocupa agora
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Que venham muito mais dias como hoje e muito mais anos como esse que logo completaremos, meu amor.