quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O ano do fechamento

Eu tenho uma obrigação comigo mesmo de sintetizar um ano no último dia dele com uma palavra. Sendo assim, 2014 foi o ano de vários fechamentos importantes para mim vida. E, quando falo de fechamento, falo tanto do significado literal dessa palavra (encerramento) como também da gíria "fechamento", algo como "estar junto".
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Antes de qualquer coisa, 2014 foi o ano do fechamento da minha faculdade. Saber que terminei aquele meu sonho de criança de ser jornalista é muito feliz e muito gratificante. Saber que fiz um belo livro, entrei em contato com pessoas importantes e fechei o curso com nota máxima trabalhando com um grupo de profissionais competentes e amigos me enche de orgulho. 
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O que me motivou em 2014 também foram duas meninas que sempre me incentivaram e me ajudaram, das mais diversas formas. Se tem duas pessoas às quais eu tenho que agradecer, Ellen e Amanda são elas. Elas sim fecharam comigo.
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Profissionalmente também foi um ano agitado. Fechei meu ciclo na assessoria de imprensa do Albert Einstein triste, mas sabendo que aquele não era meu lugar - apesar das ótimas pessoas que por lá conheci. Desde então, me dediquei ao TCC - mas um novo emprego com carteira assinada é a prioridade para 2015. Mantive meu freelancer de narração esportiva e ainda ganhei outro na ESPN Brasil. O objetivo é mantê-los e trabalhar - sei que é difícil. 
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Foi o meu primeiro ano inteiro namorando a Amanda, também. Como disse, foi uma das poucas pessoas que eu sei que fechou comigo o ano inteiro. Se o namoro foi ótimo, vi que muitos amigos (seja da faculdade, de infância ou de qualquer lugar)  me deslocavam e/ou fizeram coisas que não me agradaram. Eu preferi me afastar e sofrer calado. Não dá pra dizer que fechei essas amizades em 2014, mas não sei o que esperar de tanta gente em 2015 que não me resta fazer outra coisa se não lamentar e olhar pra frente - sabendo que corro o risco de ficar bem mais solitário.
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Dentre aquelas pequenas vitórias da vida, foi de longe o ano que eu mais dirigi na vida. Também foi o ano que eu resolvi aplicar o que sei de investimentos e mercado nas minhas contas pessoais - sem muito sucesso. Elas fecharam - e só.
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Tenho a impressão que, no geral, 2014 foi um ano que compensou pela agitação. O 7x1 foi compensado pela maravilha que foi a Copa (para o povo, não para o futebol); as eleições foram compensadas por todo o frenesi causado - apesar de tanta intolerância. Fico pensando o quanto a agitação é melhor que resultados negativos pelo simples motivo de tirar o tédio, mas isso é um pensamento que eu prefiro deixar para 2015. 
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Na realidade, tudo agora vai ficar para 2015. Mas, ainda em 2014, desejo a você um ótimo ano, com muitas alegrias e felicidades.

Tiraram toda a graça de São Silvestre

Venho de uma geração que, mesmo sem querer, tinha um programa agradável nas tardes do último dia do ano. Seja parado em frente à TV, se arrumando para passar o reveillón com os amigos ou com a família ou preparando um banquete em casa, todos viam a São Silvestre. Era uma prova curta que passava por vários pontos turísticos de São Paulo e que tinha, de um jeito ou de outro, um ar de comemoração e retrospectiva do ano que passou. 
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Sei que ainda dei azar de pegar essa fase - que, para mim, era muito boa. Minha mãe sempre me fala que São Silvestre legal era a do tempo dela, quando a corrida começava às vésperas do réveillon. Ás vésperas mesmo: com um percurso menor que 7km, a prova começava às 23h30. Era o tempo exato para o primeiro colocado ouvir que venceu a corrida nos primeiros segundos do ano vindouro. 
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Essa fase acabou (e a minha fase, das provas à tarde, começou) em 1989, para se adequar a uma série de regras da IAAF - Associação Internacional das Federações de Atletismo, em inglês. Para isso, foi definido o trajeto de 15km e o novo horário das largadas. Muitos reclamam que a prova perdeu o charme - algo que eu discordo. As pessoas que criticavam essa fase vespertina da São Silvestre não imaginavam o verdadeiro estupro que fariam com a prova a partir de 2011.
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Nesse ano, colocaram a chegada da prova na frente do Obelisco do Ibirapuera - retirando-a do tradicional local, na frente da Fundação Cásper Líbero. Ao menos essa mudança nojenta durou apenas um ano.
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Em 2012, entretanto, houve algo tão escroto quanto: a São Silvestre foi jogada para o horário da manhã. O pretexto dado foi o de que correr de manhã era muito mais saudável - prática muito comum em todo o mundo. Mas vale dizer que, nesse "todo mundo" não estão os profissionais - e boa parte de quem corre faz percursos bem menores que os tais 15km, e sem um esforço físico da tão falada subida da Brigadeiro, por exemplo. 
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Mas, cá entre nós, todos sabemos que não se liga muito para a saúde do próximo, e sim para os próprios interesses. O que levou a corrida para o período da manhã foi o reveillón na Paulista, que com o passar do tempo foi se tornando um dos grandes eventos do calendário paulistano. A São Silvestre, que se encerrava antes das 18h, em tese prejudicava a festae a chegada dos que lá estavam pelos show e pelas queimas de fogos. 
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O reveillon na Paulista começou em 1996, e desse ano até 2011 não ouvi um relato sequer de alguém que sentiu que a São Silvestre prejudicou a festa - assim como não ouvi alguém que sentiu que o reveillon nesses últimos dois anos, com a São Silvestre bem mais cedo. Mesmo assim: a corrida chega em 2014 à sua nonagésima edição. Deveriam ter mais respeito por uma prova iniciada em 1925 e que traz tantas memórias afetivas a quem a vê, principalmente aos paulistas e paulistanos.
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Amanhã acordarei cedo para ver a São Silvestre nesse ingrato horário por ser fã da prova. Mas algo tem que ser feito para recolocá-la em um dos seus horários habituais. 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Primeira nova guerra?

O assunto que tem sido comentado mais extensivamente no mundo nesse final de ano é a tensão diplomática entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte - mais um, na verdade. 
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Tudo começou de uma maneira bem trivial: por conta de um filme. O longa "A Entrevista" mostra um plano para matar o ditador norte-coreano Kim Jong-Un. O governo do país ameaçou um ataque cibernético à Sony (que iria lançar o filme) e a empresa cedeu - depois de ver vários filmes vazados e outras informações internas reveladas na grande rede. Para evitar mais constrangimentos, a estreia do filme nos cinemas foi cancelada.
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Aí entra o governo norte-americano. O presidente Barack Obama criticou a atitude da empresa, falando em censura e apoiando o lançamento do filme. Eis que o governo da Coreia do Norte, em um comunicado desprezível, disse que Obama agia "um macaco numa floresta tropical". Racismo à parte, o que mais me chamou a atenção foi a consequência das declarações tresloucadas do governo norte-coreano: apagões de internet. Foram, no mínimo, dois momentos sem rede fixa e até mesmo móvel.
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A internet e o acesso ao celular na Coreia do Norte é um capítulo à parte e é bem fácil de ser controlada, mas... imagine ficar sem internet por conta de um conflito diplomático. Informação zero, boatos mil. Se uma guerra traz agonia por vidas perdidas e bens destruídos, a falta coletiva de internet causaria uma histeria difícil até de ser pensada nos dias de hoje. Seria uma verdadeira guerra psicológica para a sociedade. 
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Podemos estar assistindo nessa conflito diplomático um laboratório para futuras intervenções. O tom caricato que toma conta de tudo que envolve a Coreia de Norte tem que ser deixado de lado para pensarmos na consequência de intervenções dessa ordem. Se a internet, hoje, é a maior materialização da liberdade, não podemos deixá-la à mercê de nada - muito menos de relacionamentos diplomáticos. 

domingo, 28 de dezembro de 2014

Como a mídia te informou sobre a questão tarifária de São Paulo

No dia 26, o prefeito paulistano Fernando Haddad anunciou uma série de medidas relativas ao preço dos ônibus cobrados na capital paulista. Como era de se esperar, isso foi amplamente noticiado pela mídia. Há, no entanto, uma diferença entre essa e outras simples notícias: não tínhamos apenas uma informação a ser dada. Cada veículo de comunicação trabalhou de maneira distinta.
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Para ficar apenas no que tange à tarifa de ônibus (já que na mesma ocasião foi deliberado sobre tarifas de táxi), temos três notícias principais:
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- O passe livre aos estudantes de escolas públicas e universitários cotistas ou com ProUNI e FIES
- A manutenção do preço para usuários do Bilhete Único
- O aumento da tarifa comum para R$ 3,50
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São notícias bem distintas, dava até para fazer três matérias boas com cada uma dessas questões - buscando especialistas, personagens e fazendo um pequeno histórico sobre as tarifas e sobre temas correlatos - mas é claro que isso seria pedir demais para um jornalismo que parece a cada dia mais preguiçoso e engessado.
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De qualquer forma, é interessante ver como seis das principais fontes de notícias da internet manchetaram as informações. Isso ajuda a entender uma série de coisas - entre eles, ao meu ver, a própria qualidade da transmissão das notícias.
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Veja você mesmo:
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Como podem ver, o único veículo que colocou ao menos duas das questões apresentadas por mim no começo do texto foi o portal G1, e merece um elogio por isso. As outras cinco manchetes são ilusórias e dão margem para pensamentos pré-fabricados, além de não informarem completamente (e até mesmo desinformarem) o leitor. 
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Nada explica manchetes erradas na internet. O tamanho de uma notícia é bem mais flexível (ao contrário da versão impressa, que tem uma evidente limitação física); mostrar apenas uma questão no texto não gera mais pageviews, não informa da maneira correta... é um desserviço. 
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Sabemos que (infelizmente) muitas pessoas leem apenas a manchete nos portais e sites de notícia. Imagine, então, se um estudante vê uma das primeiras duas manchetes ou se um usuário que não estuda vê as chamadas no site da Folha, do IG e do Terra. Os estudantes ficariam putos (já que tem (em tese) pouco dinheiro e teriam que desembolsar ainda mais para se locomover), enquanto os mais velhos poderiam pensar que também teriam algum desconto. Estariam mal informados. E, se alguém fica mal informado, o jornalista falhou. Um dos meus melhores professores na faculdade diz que jornalismo não é ciência exata e que não existe certo nem errado na área. Mas esses textos, ao meu ver, são trágicos. 
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Claro que o final de ano não poderia reservar mais um grande deslize jornalístico no trágico ano de 2014.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Triste natal

Passei ontem por algumas avenidas do ABC voltando da casa da minha namorada. Faria Lima, Lucas Nogueira Garcez, Caminho do Mar, rua Vergueiro, Goiás... com exceção da chuva no final da tarde, nada denunciava que estávamos no natal. 
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Vi poucas luzes de natal. Vi poucos pisca-piscas, poucos fogos. Até mesmo aquele sorriso natalino, mais largo e estreito (como quem diz obrigado, seja verdadeiro ou não e seja efêmero ou não) eu não vi. Se sempre achei o clima de natal depressivo e hipócrita, as luzes compensavam com a sua beleza.
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Me parece que as pessoas deixaram o natal para lá. O próprio espírito natalino me parece em baixa, não sei porquê. Os dias não tem sido tão depressivos e melancólicos, parecem mais normais com outras tantas épocas do ano. Não sei se as pessoas que não enfeitaram suas casas ou se eu que estou caseiro demais, mas me parece que os pisca-piscas natalinos sumiram. Pode ser também que eu simplesmente tenha perdido o encanto e/ou me acostumado, vai saber.
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Fico me perguntando porquê isso aconteceu e chego em alguns motivos logo de cara: o 7x1, a eleição que rachou o país e criou tanta animosidade, a Economia nacional ruindo... assuntos sérios, caretas e até mesmo triviais, mas que influem muito na sociedade e no ânimo das pessoas. Em geral, 2014 foi um ano triste para os brasileiros. 
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Que 2015 seja melhor, com mais sorrisos e luzes. Já não teremos eleições, uma polêmica nacional a menos. Que a Economia melhore e, por favor, sem nenhum 7x1.
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E, a você, meu mais sincero voto de feliz natal - e feliz todos os dias.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Dilma precisa se encontrar

Ouço muito falar, por parte de quem apoia o governo federal, de que "a oposição vai tentar um terceiro turno de alguma maneira". Devo concordar que todas as tentativas de não legitimar a eleição são ridículas, é claro. Mas a própria presidente precisa se ajudar - e tomar alguma atitude que não tenha como pano de fundo apenas a politicagem, mas sim o bem comum. 
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Para começar, o mais óbvio de tudo: Dilma precisa tomar sérias atitudes contra qualquer envolvido nos escândalos da Petrobas e na Operação Lava-Jato. Demitir por justa causa qualquer pessoa que trabalhe na estatal é o mínimo - que não parece que vai acontecer, porém. Desviar dinheiro de qualquer empresa privada causa não só a demissão como sanções criminais. Por que em uma empresa estatal, que deveria ter punições ainda maiores, é justamente o que passa batido?
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Temos que concordar, porém, que essas punições teriam que vir de alguma entidade da Justiça - o Superior Tribunal Federal, por exemplo. O Judiciário brasileiro é demorado demais, isso é ponto pacífico. 
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O que me faz lembrar que várias reformas (entre elas a judiciária) precisam ser feitas, e com algumas delas a presidente tinha se comprometido. Tributária, política, federativa, urbana... precisamos cobrar - e pedir mais se acharmos necessário, é claro. 
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Há, também, algumas nomeações no novo ministério que, se não foram surpreendentes, foram decepcionantes. 
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Joaquim Levy na Fazenda foi uma esfinge. Aliás, continua sendo. O nome do economista me parece colocado mais para acalmar o mercado (que reagiu mal à derrota de Aécio Neves no segundo turno) do que por serviços prestados. Por mais que tenha passagens pelo Governo Lula, ocupava um cargo de pouco renome para a população.
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Sim, ele passou pelo Governo Lula. Era Secretário do Tesouro Nacional. O nome é importante, claro, mas você sabe quem é Arno Hugo Augustin Filho? É ele quem ocupa essa cadeira atualmente. Se você não o conhece, repense a respeito. 
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Levy era diretor-superintendente do Bradesco, o que já explica porque a Bolsa disparou com sua nomeação - embora depois tenha voltado a cair por conta da Operação Lava Jato, citada anteriormente. Mas é impossível não compará-lo com Guido Mantega, seu antecessor. Levy deve ser mais competente que Mantega (até porque isso não deve ser muito difícil para quem é da área), mas o que chama a atenção é a discrepância entre os estilos de cada um deles. Enquanto Mantega tinha uma orientação claramente voltada para o social, Levy pensa no mercado. 
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Mais: muito se dizia que Mantega era apenas um capacho de Dilma, que estava na cadeira apenas porque ela não poderia assumir a função. Sem uma pessoa que se alinhe com a presidente, será que Levy terá a autonomia necessária para trabalhar? Será que seus interesses não se chocam com o que o atual governo pensa quanto a e quanto à economia?
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Pior ainda é a nomeação de Katia Abreu para ministra da Agricultura. Líder da bancada ruralista no Congresso (que infelizmente conta com quase 200 membros), ela não nega sua defesa da grande propriedade agropecuária. Sabe tudo aquilo que você aprendeu sobre o começo da colonização no Brasil, no qual os portugueses tinham grandes terras e faziam a monocultura por meio de plantation? Talvez você se lembre que o seu professor dizia o quanto isso era atrasado. Pois bem, é isso que a ministra da Agricultura do Brasil a partir de 2015 defende. 
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Qualquer avanço na Agricultura, áreas tão importante para o Brasil, vai ser aniquilada pela raiz enquanto ela estiver no ministério. O desmatamento para a expansão da fronteira agrícola só tende a aumentar - afinal, quem liga para a questão climática, né? A falta d'água em São Paulo não existe, como dizem os que seguem Geraldo Alckmin. Reforma Agrária vai seguir sendo apenas um sonho tão distante - isso quando não virar piada pelos lados de Brasília.
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Dilma precisa se encontrar. Se a Economia foi seu principal ponto fraco no primeiro mandato, ela fez certo em chamar alguém que pense diferente - resta saber se ele poderá fazer o necessário. Entretanto, a corrupção e o nosso setor primário precisam de fiscalização - e não precisavam desses nomes. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

Meu calendário ideal para o futebol

Uma das principais reclamações de todos os que trabalham com o futebol no Brasil é o excesso de jogos durante o ano. Não sem motivo: o Corinthians de 2012, que venceu o Mundial de Clubes, jogou impressionantes 81 partidas ao longo de todo ano. Para comparar esse número, tomo o Barcelona da temporada 2011-2012 (vencedor de quatro títulos, vice da Liga Espanhola e semifinalista da Champions League: 64 jogos. 
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A diferença é gritante. Isso acarreta, entre outros problemas, no aumento do número de lesões nos atletas e na diminuição do público - que, para não gastar tanto, passa a escolher as partidas que vai ver no estádio. 
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Baseado nisso, tenho uma ideia de calendário ideal. Seriam feitos alguns ajustes no regulamento de algumas competições, principalmente para dar mais emoção e menos jogos para competições que não sejam de pontos corridos. Explico abaixo.
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ESTADUAIS
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Meu modelo vai para o Paulistão, estadual da unidade federativa mais rica do país e com maior número de times no campeonato - vinte. Vale dizer que, em campeonatos menores, poderíamos ter ainda menos datas - o que é sempre bem vindo.
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No meu Paulistão ideal, manteríamos os vinte times - mas divididos em quatro grupos, com cinco equipes cada. Eles jogariam dentro dos próprios grupos em dois turnos (e teriam duas folgas). Os dois melhores de cada chave iriam para as quartas de final. Dali até a definição do campeão, sempre em jogo único na casa do time de pior campanha - mas com o empate favorecendo o time visitante. Importante: o cruzamento seria definido como na Libertadores, com o melhor primeiro colocado enfrentando o pior segundo colocado e com os respectivos cruzamentos olímpicos.
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Principalmente: o Nordestão, a Copa Verde e afins estão vetados. O ideal é, sempre, fortalecer o futebol no estado - e não na região.
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TORNEIOS SUL-AMERICANOS
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Ao longo de todo ano, e não mais com duração de um semestre. Manteríamos as catorze datas na Libertadores e deixaríamos a Copa Sul-Americana com as mesmas catorze datas. Tiraríamos duas vagas do Brasil (ficando com seis, as mesmas da Argentina) e faríamos uma fase eliminatória (uma Pré Sul-Americana) com os últimos classificados de cada país. Com os quarenta times definidos, faríamos dez grupos com quatro, se classificando os líderes de cada chave e os seis melhores segundos colocados. Novamente, confrontos de segunda fase definidos como na Libertadores.
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BRASILEIRÃO
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Aqui, nada a mudar. 
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COPA DO BRASIL
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Os times que jogam a Libertadores entrariam desde a primeira rodada. Para isso, colocaríamos mais times: 128 ao todo. Muito? Não. Teríamos apenas um jogo por rodada, tal qual no que propus para os estaduais: sempre na casa do time inferior (no caso, pior no ranking da CBF) e com vantagem do empate para o visitante. Seriam apenas sete jogos até a final por time. 
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SUPERCOPA DO BRASIL
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Um confronto festivo para abrir a temporada, entre o campeão do Brasileirão e o da Copa do Brasil. Sempre em campo neutro. 
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Isso posto, vamos às datas na prática. 
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ESTADUAIS: De 08/02 até 05/04 (rodadas no meio de semana por volta dos dias 11/02, 18/02, 04/03 e 18/03)
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TORNEIOS SUL-AMERICANOS: Nos moldes do calendário da UEFA, terças e quartas dedicadas à Libertadores e quintas dedicadas à Copa Sul-Americana - e sempre no meio de semana. Fases classificatórias nas semanas dos dias 11/03 e 25/03; fases de grupos nas semanas dos dias 01/04, 15/04, 06/05, 20/05, 03/06 e 17/06; matas-matas nas semanas dos dias 12/08, 19/08, 09/09, 16/09, 14/10, 21/10, 04/11 e 11/11. 
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COPA DO BRASIL: Começando em maio, um jogo por mês até o final de novembro. Datas: 27/05, 24/06, 29/07, 26/08, 30/09, 28/10 e 19/11. 
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BRASILEIRÃO: Começando no dia 12/04 e com final no dia 29/11, iria ter apenas quatro rodadas aos meios de semana. Sugestões: 29/04, 10/06, 15/07 e 23/09.
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SUPERCOPA DO BRASIL: Para abrir a temporada, seria no dia 01/02. 
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MUNDIAL DE CLUBES: Já marcado. Como acontece em dezembro, não influi tanto no calendário.
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Isso tudo é uma imensa suposição. Tempos em 2015 a Copa América, que afunilaria tudo. Mas acho que nas bases do que está escrito eu me fiz claro. 
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Não faltam datas. Falta vontade e organização. 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A bolha do futebol brasileiro

Mercado superaquecido gera alguma crise posterior. Isso é quase um dogma do capitalismo. Quando Adam Smith se referia à Mão Invisível do mercado e quando ele dizia que o "o mercado não podia ter limitações pois ele mesmo se controlava", o escocês certamente se referia a isso. Exemplos práticos para essas teses do ótimo livro A Riqueza das Nações não faltam: a Crise de 1929 e a de 2008 são os dois grandes estandartes desse pensamento. 
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Por estar (bem) mais fresca na nossa memória, a Crise de 2008 é perfeita na comparação que quero fazer. Havia tanto crédito disponível naquele tempo que os bancos passaram a emprestar dinheiro até para quem não conseguia comprovar o mínimo de renda. O primeiro mercado a sofrer com essa irresponsabilidade foi o imobiliário, e todos os outros caíram no efeito dominó. O mundo todo sofreu, mais ou menos, por conta dessa situação.
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O futebol brasileiro vive a mesmíssima situação que assolou o mundo há seis anos: valores inflacionados, quantias exorbitantemente altas (tanto de lucros quanto de despesas), dinheiro saindo pelo ladrão. Como qualquer mercado, uma hora o choque de realidade virá. E, cada vez mais, acho que o tranco virá tão forte que vai causar grandes problemas. 
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Na verdade, o tranco já veio para alguns. Determinados clubes sofrem com dívidas. E não são aquelas dívidas que eram possíveis de se esconder (e seguir gastando como se não houvesse amanhã), são contas que inviabilizam qualquer projeto. 
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O Vasco sofreu um colapso a partir do segundo semestre de 2012, com rendas penhoradas e intervenção do governo em suas contas. O Botafogo, em um ano e meio, conseguiu estragar dez anos de direções austeras para mergulhar na mais funda poça de lama do futebol nacional hoje em dia. Até mesmo o Atlético Mineiro, de resultados recentes tão espetaculares, sofreu com abatimentos
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A seu jeito, cada clube tem seus problemas e parece acordar aos poucos para eles. Alguns acordaram tarde demais, mas parece que todos sabem o tamanho do buraco no qual se meteram. 
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Cada situação tem sua própria história. Os primeiros a acordar para o mercado inflacionado foram Grêmio e Internacional, que serviram de exemplo para todos os clubes país afora: passaram a lucrar com o próprio torcedor por meio de planos de associação - e, assim, diminuíram sua dependêndia da TV e passaram a ter a certeza de que teriam algum dinheiro no orçamento anual. 
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Até mesmo o São Paulo, que se orgulhava de ser uma máquina de fazer dinheiro, passou a ser deficitário. O Corinthians, clube com o marketing mais agressivo do Brasil, recentemente esbarrou em dificuldades financeiras para acertos com Tite e Paolo Guerrero - por mais que tais acertos viessem. Palmeiras e Flamengo passaram a colocar o futebol em segundo plano e tiveram como prioridade fechar as contas no azul. 
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O Cruzeiro, atual bicampeão brasileiro, apostou alto no começo de 2013. A aposta deu certo demais, mas... e se desse errado? O Fluminense tem o caso mais específico: sua parceria de quinze anos com a Unimed permitia ao clube pagar altos salários e trazer estrelas para o clube. Sem a parceria, rompida no final desse ano, como o clube ficará? Vale dizer: algumas das estrelas do time das Laranjeiras, como Darío Conca e Fred, interessam a boa parte dos clubes, mas suas pedidas salariais são irreais - salários que eram bancados pela empresa de convênios de saúde.
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Bem como qualquer crise, o aquecimento do mercado do futebol brasileiro tem seus agravantes. 
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Como dito anteriormente, o primeiro clube a sofrer seriamente com seu caixa foi o Vasco, em 2012. Não por acaso, 2012 marca o começo de uma nova era nos contratos de transmissão do futebol brasileiro. Antes, a Globo pagava a bolada para o Clube dos 13, que repassava para os clubes de acordo com seus critérios. Em 2012, pela primeira vez, o Clube dos 13 (depois de intervenção do CADE) derrubou a exclusividade da emissora e abriu o mercado para os demais canais. 
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Quem arrematou o Brasileirão foi a RedeTV!, com a inacreditável oferta de R$ 1 bilhão por três temporadas. A Globo, que nem entrou na disputa, passou a negociar de maneira individual com cada clube. O valor do contrato de vinte clubes (alguns que nem estão mais na Série A) vazou, e temos a singela quantia de R$ 1,03 bilhão - por apenas um ano. Boa parte dos jornalistas que leio trabalha com a estimativa de R$ 2,5 bilhões. Antes de 2012, esse valor era de R$ 200 milhões - novamente por três edições do Brasileirão. Um aumento de dez vezes em um valor já imenso, do dia pra noite. Mercado superaquecido é isso - e, entre 2016 e 2019, essa quantia pode até dobrar.
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Em 2013, depois de um longo tempo, os atletas acordaram para a vida e formaram o Bom Senso FC. Uma das bandeiras da entidade era a de contrapartidas para clubes que deixassem de pagar seus atletas, com multas, perda de pontos e rebaixamento imediado. A mídia deu ampla repercussão para a organização, muitos torcedores compraram a briga e o governo apoiou a iniciativa. E, claro: o 7x1 da Alemanha sobre o Brasil na Copa do Mundo deixaram escancarados que tem algo errado demais no futebol brasileiro - e que o que acontece dentro das quatro linhas é apenas consequência do que ocorre fora dele. 
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Pra terminar: 2015 mal começou e já tem novos agravantes. A FIFA proibiu a repartição de direitos federativos de atletas - agora, eles terão que ter seus passes presos ao clubes. Como toda mudança aguda, trará consequências imediatas para os clubes. Se essa mudança (que acho benéfica) não vai afastar ao menos os grandes empresários do futebol (já que eles já tem clubes próprios, como a Tombense de Eduardo Uram e o Rentistas de Juan Figer), ela dificultará a situação dos tão prejudiciais agentes aliciadores de atletas. Mas, hoje, são esses agentes que ajudam os clubes a trazer atletas mais caros. 
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Por fim, a emenda que visava o parcelamento da dívida dos clubes com a União foi votada hoje. E, ao contrário do que o Bom Senso FC vinha conversando há um ano com clubes e com o próprio governo, a proposta aprovada pelo Legislativo prevê vinte anos para o pagamento dessas contas sem nenhuma contrapartida para quem não o fizer. Tudo para dar uma folga aos clubes - e fazer com que eles possam seguir gastando os tubos. 
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O dinheiro tem que ser usado de maneira racional. Se o futebol brasileiro seguir nessa toada, sabe-se lá o que pode acontecer. E nós, como torcedores e principalmente como cidadãos, temos que cobrar clubes, governos e jogadores. Não apenas para fiscalizá-los, mas para evitar que nossos amores sumam do mapa.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Mais que justiça ou direitos humanos: o exorcismo dos símbolos nacionais

O fato do dia foi a entrega do relatório final da Comissão da Verdade à presidente Dilma Rousseff. Acho que é chover no molhado dizer o quanto isso é importante para o Brasil e para destrincharmos os anos mais sombrios da nossa tão longa história, punindo quem mereça. Pena também que muitos não poderão sofrer em vida, morrendo sem nenhum julgamento. 
Não me ative ao relatório como um todo, confesso. Foquei no que foi sugerido pelo relatório. Reconhecimento das responsabilidade de tudo o que aconteceu de sujo por parte do Exército; proibição de eventos comemorativos ao Golpe de 1964; abertura de documentos da ditadura; continuidade de buscas por desaparecidos, provas e de outras comissões para investigar os crimes daquela época. 
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É uma justiça histórica. Não há o que argumentar contra isso pra quem tem o mínimo de bom senso - o que obviamente não é o caso do Exército e de alguns nojentos que pedem intervenção militar no país. Aliás, fica o alerta: com o Exército rechaçando o relatório e pseudocidadãos pedindo intervenção militar, precisamos tomar cuidado. 
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Pensando sobre tudo isso, pensei além. Lembrei de alguns textos que li sobre o renascimento do patriotismo argentino após a ditadura no país. Tudo passou por um simples processo: julgar os culpados - basta lembrar que um dos maiores fascínoras sudacas morreu na cadeia - o general Jorge Rafael Videla. 
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Esse processo, já quase encerrado em outras países, começou apenas hoje no Brasil. Meu medo é que não seja divulgado como mereça. Entre tantos outros motivos, para retomarmos o nosso orgulho de ser brasileiro. 
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Todo país tem algo errado, mas o sentimento de impunidade e sujeira que existe em todo brasileiro é indiscutível e relevante demais para ser deixado de lado. A Comissão da Verdade mexe, talvez, na nossa ferida mais exposta. O julgamento do Mensalão também foi importante nesse aspecto, aliás. Existem vários outros escândalos, muitos que serão descobertos e alguns até já esquecidos. Precisamos investigar todos, independentemente de qualquer coisa. 
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Me incomoda ver que as manifestações conservadoras no país (onde, aliás, aparecem as asquerosas pessoas pedindo intervenção militar) usem as cores da bandeira do Brasil como se confrontasse o vermelho ou algo do gênero. A bandeira brasileira não é de uma ideologia ou de uma visão de mundo: é de todo mundo. Deveria ser usada também nas manifestações de Dilma, não só nas de Aécio. 
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(E aqui não cabe uma divagação sobre o vermelho do PT, partido que cada vez mais joga as regras do livre mercado. Um post sobre isso seria ainda mais longo e não é essa a minha intenção)
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Que o verde-e-amarelo deixe de ser brega. Que o hino seja respeitado e tenha seu valor. Que eu não esteja sendo inocente, e que continuemos a caçar nossos fantasmas. 

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Alex 10

É claro que eu gosto de ver futebol bonito e bem jogado. Mas eu prefiro vencer. Não ligo de ver meu time jogando com três zagueiros, três volantes ou seis no meio do campo - desde que vença. Gosto muito de segundos volantes (aqueles que sabem sair jogando, como Paulinho, Josué e Mineiro) também, muito por conta de sua eficiência. Não preciso dizer que sou são-paulino doente.
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Eu tinha tudo pra odiar Alex. Ele era o meia de armação clássico que todo brasileiro adora dizer que é o novo Pelé, Zico ou coisa assim. Mais: vestia a camisa dez - que, a despeito de seu tão brilhante histórico, vem sendo maltratada por muitos pernas de pau recentes. Como se não bastasse, um dos gols mais antológicos da prolífica carreira do Menino de Ouro foi na última vitória do Palmeiras em um Choque-Rei no Morumbi, em 2002:
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Não foi isso que aconteceu. Eu sempre admirei Alex, e tenho mais de um bom motivo pra isso. Ele sempre respeitou seus adversários, ao contrário de muitos jogadores por aí. Sempre foi inteligente, dentro e fora de campo - sua participação no Bom Senso FC, que eu tanto torço para que consiga fazer mudanças de fato no futebol brasileiro, indica isso. Ele sempre foi íntegro, ao ponto de nunca negar que torcia pro Coritiba - independentemente do clube em que atuava. Por fim, ele é dos poucos que me faz sentir a magia que o meu pai sente ao ver uma camisa dez - além dele, só Paulo Henrique Ganso faz isso no futebol brasileiro.
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Lembro de um Palmeiras x River Plate, na semifinal da Libertadores de 1999, que ele simplesmente acabou com o jogo. Foi lá que surgiu meu respeito por ele - e meu desejo de que um dia ele vestisse a camisa do São Paulo, em vão. Não que Alex não tenha sido importante ao longo de toda a campanha, mas nesse jogo em especial ele simplesmente arregaçou - como Galvão Bueno eternizou na narração do segundo gol dele, o terceiro do Palmeiras - o gol que legou o time até a final. 
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O ano em que o respeito virou admiração foi 2003. Como maestro de uma das maiores máquinas que eu já vi jogar, ele comandou o Cruzeiro à Tríplice Coroa. Não tenho nenhuma dúvida de que ele foi dos cinco melhores jogadores do mundo naquele ano. 
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Alex é tão espetacular que conseguiu colocar a Turquia nos olhos do torcedor brasileiro. Como não poderia deixar de ser, ele arrebentou no Fenerbahçe. Em 346 jogos, participou de 351 gols pelos Canários Amarelos (foram 172 gols e 139 assistências). Em um país de um povo tão intenso, em que o ódio e o amor são são arrebatadores, ele ganhou uma estátua da torcida de um dos gigantes do futebol turco - e só saiu porque o então técnico e também ídolo do clube Aykut Kocaman não queria que ele batesse alguns de seus recordes - sobretudo o de maior artilheiro da história do time na Super Lig turca.
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O incrível é que Alex é daqueles jogadores que se consagraram em momentos que para outros seria o fundo do poço. É inacreditável que ele não tenha sido chamado para nenhuma Copa do Mundo, principalmente. Principalmente nos mundiais de 2006 e 2010 não tinha como não chamá-lo. Especialmente na Copa da África do Sul, acho uma afronta a não convocação dele. 
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Dezenove anos de carreira, vinte e oito títulos, dezessete prêmios individuais. Mais gols na carreira que Ronaldo Fenômeno e Maradona - para alguém que nem atacante é. Que o seu pós-carreira no Desimpedidos e principalmente no Bom Senso FC. 
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Esse vai deixar saudade até em quem deveria não gostar dele. 

domingo, 30 de novembro de 2014

"O Chaves morreu"

A primeira vez que ouvi o título desse post foi há menos de dois anos, no dia 5 de março de 2013. Embora Roberto Gomez Bolaños já não fosse o mais altivo dos homens, nada indicava que ele faleceria de uma hora para a outra. Mesmo assim, quando minha mãe falou, eu empalideci. Minha infância tinha sido arrancada sem mais nem menos.
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O que eu não lembrava é que Hugo Chávez estava internado há algum tempo, tratando de um câncer. Sequer pensei no então presidente venezuelano. Quando eu disse que sentiria falta do Chespirito, minha mãe me alertou:
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- Willian, não foi esse Chaves que morreu. Foi o Hugo Chávez.
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A notícia já era esperada e não me surpreendeu tanto assim. O que me deixou assustado foi ver o quanto um dos personagens de Bolaños era importante para mim. Querendo ou não, as séries protagonizadas por ele estão presentes demais na minha memória afetiva, a ponta de buscá-lo mesmo diante de um fato que estava sendo esperado por pessoas do mundo inteiro.
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Lembro também de uma professora de Geografia do meu cursinho que explicava o Golpe de 2002 na Venezuela de um jeito pueril demais. Ela dizia que, "após o golpe, todos imitavam a abertura do seriado do SBT e cantavam 'Queremos Chávez, Chávez, Chávez'", antes de rir - e fazer todos rirem junto. Quem já fez cursinho sabe que esse tipo de humor infantil é muito comum nos cursinhos Brasil afora por ~quebrar o gelo~ e por fixar alguns conceitos quaisquer. Essa piada não me atraía (nem a professora, pra ser sincero), mas dessa piada eu ria.
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(O golpe tem um ótimo documentário, aliás. Vale a pena ver "A Revolução Não Será Televisionada", abaixo:)
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Ria não porque achava engraçado, mas porque a simples lembrança do Chaves era tudo o que eu precisava naqueles agoniantes dias de cursinho, no qual eu me sentia atrasado em relação ao mundo. Eu precisava de algo inocente, que me fizesse esquecer de resultados, notas de corte, estudos e pressão. E Chaves era o melhor que existia nesse aspecto.
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Na sexta-feira, logo após um cochilo, fui acordado novamente com essa frase pela minha namorada. Agora, porém, não tinha escapatória: era Roberto Gomez Bolaños quem tinha morrido. Boa parte da minha infância, no qual eu via Chapolin e Chaves logo depois de "Punky, a Levada da Breca" também.
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O que me consola é que ele nunca vai ser esquecido. Não só por mim, mas tantos que cresceram vendo suas micagens e piadas na televisão, que não cansa de mostras incessantemente suas séries - que bom, aliás. E que assim continue por muito tempo.
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Um detalhe que não poderia deixar passar, por não saber se as pessoas sabem: vi muitas pessoas postando o final da segunda parte do episódio "Os Farofeiros", a tão famosa música em tom triste que encerra a série de três episódios da turma da vila em Acapulco. Esses foram os três últimos episódios de Carlos Villágran (o Quico) na série, todos gravados em 1978. A música foi composta pelo próprio Bolaños, para homenagear e agradecer o amigo.
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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Política é muito mais que eleição

Talvez você não saiba, mas a política não se resume ao processo eleitoral. Os presidentes não existem apenas para disputar votos, mas também para governar - o mesmo vale para prefeitos e governadores. Vereadores, deputados federais e estaduais e senadores também não estão aí para te fazer rir no horário eleitoral com algumas micagens e músicas chiclete: eles fazem parte do Legislativo, a área que é responsável por levar cada reclamação sua para a esfera política - desde que encaminhada para a esfera (municipal, estadual ou federal) correspondente. 
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Para quem tem o mínimo de senso político e acompanha minimamente a política nacional, esse primeiro parágrafo é tão redundante quanto falar "subir pra cima" ou "chover água". É triste, mas ainda tem muitas pessoas que não sabem o que eu disse no primeiro parágrafo. Por dois motivos principais: falta de vontade ou falta de instrução. 
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A falta de instrução é o lado mais triste dessa história toda. As pessoas mais carentes da esfera política são as que menos entendem da própria esfera política. As que não tem vontade de aprender respondem pela parte revoltante: elas estão perfeitamente instruídas, mas preferem ficar no logo da ignorância (como diria um saudoso professor de História meu) a pressionar por mudanças para o país - e para elas mesmas. Em um caso extremo (casos que aumentaram nessa última eleição), elas repetem uma série de insanidades - tendo totais condições de ser uma pessoa capaz de transpirar cidadania. 
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Outro chavão que, de tão exaustivamente repetido, já é quase uma frase feita: falta consciência política ao povo brasileiro. Mas, citando o médico Mark Sloan de Grey's Anatomy, "clichês tornam-se clichês porque eles funcionam". Funcionam não, mas esse é muito verdadeiro, infelizmente. 
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Fica mais uma vez o convite para que você, que defendeu algum candidato, atacou o adversário e discutiu asperamente ao menos uma vez por conta das eleições, passe a acompanhar o que acontece no Congresso, nas Assembleias Legislativas e na sua própria cidade. Para que você acompanhe os passos da presidente, dos governadores, dos deputados. Para que você se atualize sobre as leis, para que não fique refém de apenas um veículo de comunicação. 
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Não há nada pior que ver uma pessoa que torna-se insuportável ao defender um candidato em uma eleição voltar a tirar fotos mostrando o quão sarado é, mostrando a barriga tanquinho ou empinando a bunda. Não seja um desses, por favor. 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sua indignação veio no dia errado

~Era só pelos vinte centavos mesmo~, ~protestou em 2013 pra Dilma ganhar de novo em 2014~ e muitas outras frases imbecis ganharam as redes sociais quando a presidente Dilma Rousseff foi reeleita. A vitória dela, também, foi a senha para vários eleitores de Aécio revoltados inundarem as timelines de todos com todo o tipo de frase de pouca inspiração intelectual - não que muitos eleitores de Dilma estejam livres dessa caracterização. 
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Há, aqui, um fato indissociável: protesto foi uma coisa, a eleição foi outra totalmente diferente. E que bom que tenha sido assim, aliás. Com o passar dos tempos, as Jornadas de Junho (eu ainda hei de entender porque os protestos ganharam esse nome) ganharam pautas muito amplas e nada resolviam, querendo pressionar todos com assuntos pouco práticos. A eleição é o espaço, justamente, para colocar quem vai nos comandar nos próximos anos. 
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O que uniu os protestos com a eleição foram as motivações políticas de ambas - apesar de tarifas de transporte serem de responsabilidade municipal, que só serão votadas em 2016. Mas fiquei surpreso ao ver que essas pessoas fizeram a associação entre protestos e eleição apenas no dia 26, e não no dia 5 de outubro. 
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No primeiro turno tínhamos onze candidatos à presidência. Tinha candidato para todos os gostos, ideologias e partidos. Haviam os esquerdistas radicais (Rui Costa Pimenta, Mauro Iasi, José Maria e Luciana Genro), os conservadores assumidos (Levy Fidelix, Eymael e Pastor Everaldo), Eduardo Jorge e Marina Silva.
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E, dentre os onze, vocês escolheram para representá-los no segundo turno justamente a goleira, que defende o governo de tudo pelo simples fato de ser dela mesma; e o centroavante, que só pensa em atacar o adversário. São sempre eles os destaques, e mesmo quem queria alguma mudança votou nos candidatos da mesmice, dos mesmos partidos. Na analogia futebolística, pra mim está claro que faltou por parte de vocês o camisa 10, que é o cérebro da equipe. Faltou vocês pensarem. 
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Para completar, era engraçado ver os que diziam que ~não era só pelos vinte centavos~ falarem isso após votarem no PSDB, que nos governou oito anos - os oito anos anteriores ao PT, sem grandes mudanças em vários setores. É o PSDB, afinal. Após 2001, com a morte do saudoso Mário Covas, é difícil elencar acertos do partido tucano na política.
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No mais do mesmo que foi o segundo turno, o perdedor reclama porque o seu não venceu, exige mudanças e critica o que votou de maneira contrária. Um egoísmo tremendo - e uma tremenda falta de inteligência.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O que as urnas nos disseram

Passados os dois turnos das eleições e já no aguardo de posses e da manutenção de quem foi reeleito, precisamos pensar no resultado do pleito. Considero o que as urnas dizem, aliás, como um grande retrato do que está certo e do que tem que melhorar no país - conhecendo, claro, partidos e candidatos. 
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Seria muita petulância fazer isso sozinho. Por isso, conversei com o meu amigo José de Martini Peres, estudante de Ciências Humanas que pretende cursar Filosofia e Ciências Sociais na UFABC - na UFABC, primeiro se faz um curso interdisciplinar dentro da área de atuação desejada, para só depois ir para o curso específico propriamente dito. 
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Elenquei alguns temas que achei interessantes nos resultados e perguntei a opinião de José. No geral, sintetizo minhas observações em uma só palavra: descentralização. 
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Em um país tão grande e com uma estrutura política ainda tão arcaica quanto o Brasil, é bom ver que o poder, ainda que lentamente, comece a sair de partidos dominantes, grupos quase oligárquicos e famílias tradicionais - sejam elas quais forem, 
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A começar, pela presidência: desde 2002 (ano em que o PT chegou ao Planalto), o partido teve sua menor porcentagem de votos. Interessante notar que o segundo colocado no pleito sempre foi o PSDB, que ocupou o cargo mais importante do país desde 1994. A votação para a presidência mais parelha da história da Nova República viu o PSDB, enfim, incomodando (bastante) o PT. Teriam os tucanos crescido e o PT encolhido? José acredita em metade dessa tese:
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- Na verdade, acredito sim que o PT "encolheu", mas não me parece que o PSDB "cresceu". A conjuntura, principalmente ao longo do ano, se apresentava como uma conjuntura de mudança. No entanto, o PSDB não soube - pra variar - movimentar capital político nesse sentido. Uma verdadeira oposição sistemática provavelmente teria vencido a eleição.
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A questão do PSDB, inclusive, é interessante. A imprensa especializada sempre criticou a oposição leve que o partido fazia. Enquanto o governo não encontrava grandes dificuldades em aprovar suas pautas e os tucanos seguiam coexistindo de maneira relativamente tranquila com o PT, essa eleição parece ter sepultado a ideia de que o partido de Aécio Neves seguirá enfrentando seu rival de maneira pouco contundente. 
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A descentralização fica clara, também, nos Executivos estaduais. Na eleição de 2010, seis partidos governavam todos os estados brasileiros. Em 2014, são nove as siglas que venceremos pleitos nas unidades federativas. Ainda acho que seja pouco, mas já é um avanço. Acho também que muitos desses partidos seguem sem uma linha ideológica muito clara e dependente de alguns poucos caciques políticos. José comentou o que fez esses partidos menores ganharem espaço:
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- Esses números são interessantes. Acredito que os três grandes partidos, PT, PSDB e PMBD, profundamente imersos no fisiologismo, tendem a perder cada vez um pouco mais de espaço. Partidos surgem, à esquerda e à direita, defendendo bandeiras reais de eleitores no país e tocando em assuntos polêmicos que partidos de massa não podem arriscar com medo de perderem votos
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O Brasil me parece cada vez mais preocupado com os fins, e não com os meios. Nesse maquiavélico jogo, temos a televisão, que prioriza a audiência em detrimento à qualidade (e a grade horária); os clubes de futebol, que demitem técnicos após três resultados ruins; e a política, que se agarra a velhos mantras e alianças desconhecidas apenas para se eleger. 
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Também abordei o Legislativo, palco mais próximo da população no cenário político atual. Na Câmara, tínhamos 22 partidos representados em 2010; hoje, temos 28. Mais interessante ainda é ver que dos oito maiores partidos com as maiores bancadas, apenas o PSB cresceu - um deputado a mais, número inexpressivo diante das 513 cadeiras da casa. Os partidos de menor expressão podem fazer campanhas mais próximas do povo em si. José completa:
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-  [Os deputados] São pessoas que conhecem seu bairro e sua cidade profundamente, nasceram na vida política muitas vezes como vereadores de suas cidades e causam grande empatia. Os candidatos ao governo e principalmente à presidência são o exato oposto disso. Vemos figuras que são quase que "criadas em laboratório" para a eleição. Essa é uma característica complicada no Brasil, os grandes partidos se encastelando e dialogando cada vez menos com o povo.
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No Senado, entretanto, as mudanças não foram tão significativas - talvez porque, nesse ano, apenas um senador era eleito por estado. Por mais que PT, PMDB e PSDB (os três maiores partidos da casa) tenham perdido senadores, não dá para dizer que houve grandes mudanças na Câmara Alta. Além de analisar os números para esse cargo, José compara a situação brasileira com a americana:
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- Perder essas cadeiras significa novamente que os partidos tem perdido força simbólica. Duas coisas podem resultar disso: mais espaço pros menores, como falamos anteriormente, ou os partidos grandes debruçando-se sobre si mesmos e tentando articular seus candidatos de forma mais próxima do povo - não sou otimista a ponto de acreditar na segunda opção. Comparando de novo com os EUA, pois muito de lá deve ser aproveitado pra teoria (e muito também deve ser criticado), a imensidão dos Democratas e do GOP é de fazer PT e PSDB passarem vergonha. Dentro dos partidos existe muita discussão e muito debate de ideias ferrenho - é só assistir aos debates entre os pré-candidatos dos partidos pra observar um pouco disso na prática. Aqui no Brasil, os grandes partidos se acostumaram com o marasmo.
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Por fim, abordei com José um assunto que, até agora, não consegui chegar a uma opinião. As eleições tiveram alguma renovação ou não? Se José Sarney perdeu no Maranhão, ganhou no Amapá. Se o PSOL e o PSC (não que esse último partido seja de uma renovação ideológica, mas sim partidária) cresceram, nomes com José Serra, Tiririca, Marco Feliciano e Jair Bolsonaro tiveram votações expressivas. José também não soube me dizer ao certo - e aproveitou para elogiar a linha de diálogo do PSOL:
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- Essa é difícil. Não sei avaliar direito como manutenção ou como renovação. Do ponto de vista mais estrito, tanto o crescimento do PSC quanto do PSOL representam uma forma de "renovação", por mais que eu me afaste tão fortemente de ambos os partidos. Devo, no entanto, deixar minhas preferências de lado e admitir que o PSOL tem sabido se articular bastante bem, estabelecendo um diálogo mais à esquerda do PT sem se encastelar como os menores da esquerda que ainda se prendem a discursos mais ortodoxos (como PCB, PCO e PSTU).
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Até 2018, a política vai mudar ainda mais. Mas as (muitas) mudanças já começaram no começo desse mês. 

sábado, 25 de outubro de 2014

Sobre o que nos faz decidir o voto

Muita gente acha chato votar. Acha que o voto deveria ser facultativo só pra não ~perder um domingo~ - a cada dois anos, digitando no máximo setenta segundos algumas teclas em um local próximo de casa previamente escolhido pelo próximo eleitor. Eu não sou desses. Eu realmente gosto de votar. Fiz questão de votar com dezesseis anos para me envolver mais na mais nobre arte social - apesar de toda a sujeira que parece existir em muito do que é brasileiro. 
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Aliás, vimos em todas as campanhas de 2014 muita sujeira. Tenho a impressão que quanto mais acirrada são as pesquisas de intenção de voto, mais sujeira existe. Ataques pessoais. jogo baixo, ofensas das mais diversas. Deixei para escrever sobre assunto em cima da hora justamente por prever que fatos novos surgiriam. Não precisava ser adivinho para perceber isso; e nem posso me gabar da minha clarividência porque era isso era óbvio.
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"Obviamente, não se pode condenar Lula e Dilma com base apenas nessa narrativa", dizia um parágrafo da matéria de capa da Veja que causou furor desde ontem. Sim, é isso mesmo. A matéria bombástica de capa (que tem fonte única e que nasceu de um vazamento ilegal sabe-se lá de quem e com qual propósito) da revista que nunca fez nenhuma questão de esconder sua aversão por tudo que é vermelho reconhece que sua denúncia é fraca no próprio texto. No bom jornalismo, a reportagem é vetada na hora. Na Veja, é capa - de uma edição que foi antecipada ~obedecendo unicamente ao dever jornalístico de informar imediatamente os fatos relevantes a que seus repórteres tem acesso~, segundo a Carta Ao Leitor da edição.
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Tudo isso, repito, com uma matéria que reconhece sua motivação fraca e com uma única fonte, vazada ilegalmente sabe-se lá como. 
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Eu finjo que acredito, e finjo também que a motivação da publicação não é desestabilizar a campanha de Dilma Rousseff. 
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No texto, chama a atenção também que ~os investigadores simplesmente se convenceram de que Yousseff tem condições de obter provas do que afirmou a respeito de a operação não poder ter existido sem o conhecimento de Lula e Dilma~. Veja bem: estamos falando de um doleiro que negociava propinas. Você acreditaria em um "a" no que essa pessoa diria, ainda mais tão facilmente?
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Não é novidade para ninguém essas vergonhas que só a Veja é capaz de proporcionar. Também não é novidade que, se a Veja é vergonhosa, existem uma série de publicações (pró-PT/Dilma/Lula e pró-PSDB/Aécio/FHC e afins) que não hesitam em fazer edições panfletárias embuídas de espírito jornalístico. Pior: as respectivos eleitores compram a versão dessas revistas, o que gera a desinformação. 
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Se eu posso pedir um favor a quem lê esse texto, gostaria que desconfiassem MUITO de tudo que ouvem em relação a eleição - seja para presidente ou para governador, nos estados que as tem. Para os partidos, a sujeira vale a pena se garantir o voto. Espero que, para o eleitor consciente, não seja assim.
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Como disse, já vi outras campanhas sujas (talvez não tanto quanto essa), mas essa eleição se destacou em um aspecto, muito negativo: a intolerância. Desaprendemos a ouvir o que nos é diferente. A aversão antipartidária, que só era visível (e condenável) em pessoas com menos instrução (e/ou com menos caráter), hoje é generalizada. 
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Sujeira, jornalismo e intolerância ganharam contornos mutualistas: quando uma cresce, as outras duas também tiram proveito da situação. Esse círculo vicioso chega no dia da eleição mais forte do que nunca. 
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Me sinto bastante deslocado nos papos sobre política - aliás, é engraçado ver como de dois em dois anos todos somos cientistas políticos de meia pataca. Acho que tanto Dilma quanto Aécio podem ser bons presidentes. O pior já passou. E olha que no primeiro turno você vota "porque", enquanto no segundo turno você vota "apesar". Mais do que isso: eu torço para que os dois tenham bons governos - ao contrário da maioria, pelo que vejo. Espero que, se eleita, Dilma tenha um programa econômico melhor; enquanto espero que Aécio, caso vença, não queira censurar a imprensa. 
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Que vença o melhor. Que ao menos ao menos a vitória seja limpa. Que os veículos de comunicação se redimam de seus diversos erros, de alguma forma. Que aja abraços, e não ataques. Que o Brasil saia melhor do que entrou. 

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Costumes fúnebres

Falei aqui sobre algumas mortes que acompanhei, chamando a atenção para fatos marcantes desses falecimentos. E, lembrando dessas mortes, tento pensar no meu próprio funeral.
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Calma, eu não tenho tendências suicidas nem falo "vou morrer" com a mesma frequência de um teenager. Só quero falar um pouco sobre duas tradições que cercam enterros, velórios, funerais e coisas desse gênero. Na verdade, como eu imagino essas tradições aplicadas no meu próprio enterro, velório ou funeral - que, espero, demore bastante pra acontecer.
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Eu sou apaixonado por epitáfios. Explico: epitáfios são frases colocadas em lápides que fazem uma referência qualquer ao falecido. Para mim, é uma forma tardia de entrar para a eternidade ou de coroar uma existência grandiosa. Confesso que quero um epitáfio que marque, de algum jeito. Algo bonito ou irônico (carregado de humor negro), de preferência. 
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Gosto muito do epitáfio desejado por um dos dos ex-presidentes mais queridos do Brasil: "Aqui jaz, muito à contragosto, Tancredo de Almeida Neves". É marcante, forte e engraçado. Confesso que vi na internet um epitáfio escrito "Enfim offline" e achei genial, algo que cai como uma luva inclusive pra mim - que vivo na internet. Mas, claro, quero algo de minha própria autoria. 
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Outro fato bem comum que eu imagino no meu velório é a colocação de bandeiras em cima do meu caixão. É algo que eu quero, mas que não sei se daria certo. Tudo porque eu gostaria de colocar várias bandeiras, e ia ficar uma zona completa. Se eu colocar a bandeira do São Paulo, eu queria colocar também a do Benfica. Eu não quero ter que colocar ou a da Vai-Vai ou a da Beija-Flor: eu quero as duas. Caso eu tenha alguma relevância para minha cidadeu, meu estado ou meu país, viria também a de São Caetano, São Paulo e Brasil. Sete bandeiras em um caixão é demais, e caso eu não seja enterrado com as quatro primeiras ditas, no mínimo, acho que eu não estaria sendo bem representado ao morrer.
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Jamelão, mestre até nisso, foi dos poucos que morreu e teve duas bandeiras para encaminhá-lo à eternidade: da Mangueira e do Vasco da Gama.
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São só pensamentos distantes e vagos. Espero ter tempo para pensar neles.