sábado, 24 de novembro de 2012

Um ano de vida profissional

Há exatamente um ano eu começava o meu primeiro estágio na área da comunicação, que eu sempre desejei e sonhei. Pode parecer algo banal e simples, mas o 23 de novembro tornou-se, pra mim, uma data especial. Seus frutos eu colho até hoje - antes de começar a trabalhar, por exemplo, começaria escrevendo esse texto com a expressão "há exatamente um ano atrás", erro que eu corrigi após muita insistência de uma das minhas superiores ao longo desse curto mas marcante percurso
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Comecei a estagiar na KRP Relações Públicas, fazendo clipping - função desgastante e pouco valorizada pela qual boa parte dos estagiários na minha área passam. Lembro, aliás, até hoje do meu primeiro clipping e das pessoas com quem lá convivi, ainda que em curto período de tempo - Bárbara Naliato, Guilherme Saltini, Magda Pontes, Fernanda do Amaral, Kim Kutscka e Beatriz de Prá, que me acompanhou na minha mudança para a área de redes sociais
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Já "especializado" em algum setor da empresa, comecei a trabalhar com grandes pessoas, tão inteligentes quanto competentes: Anderson Leonardo, Patrícia Kusunoki, João Carvalho e Diego Ramos. Lá pude aprender que Twitter, Facebook, Foursquare e qualquer rede social é muito mais que ficar postando inutilidades ou o que vier na cabeça. Existe um trabalho importantíssimo por parte de vários clientes e empresários que querem saber, de fato, o que seu público pensa e quer - ou não quer. Infelizmente, também vi que alguns empresários não merecem o sucesso que tem nem o trabalho tão cuidadoso que merecem, bem como algumas pessoas não merecem nem o acesso a internet de tão irracionais e estúpidas.
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Também foi, certamente, o período no qual eu mais errei. Erros reconhecidos, mas não esquecidos - e pelos quais me culpo até hoje. Nunca escondi algumas ideias contrárias que tinha do restante da bancada com palavras ou mesmo com expressões faciais, também não escondo algum ressentimento com o final da minha passagem por lá - sobretudo com a quebra do meu contrato de maneira tão abrupta. Mas prefiro ficar com o imenso aprendizado que lá tive a pensar nessas picuinhas que não levam a nada. 
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Paralelamente a isso, comecei, no dia 15 de abril, meu freelancer na EST3 Estatística Esportiva, como narrador online. Além de aprender muito sobre esportes (sobretudo o principal esporte do país, o futebol), percebi uma sensível melhora na qualidade do meu texto e na minha agilidade para pensar e teclar. Agradeço a cada jogo, para mim mesmo, a oportunidade que os senhores Francisco Morgado e Claudius Pitta me dão de poder estar nessa equipe, contribuindo, colaborando e, principalmente, aprendendo.
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Pouco mais de um mês após minha saída do meu primeiro estágio, no dia 10 de setembro, comecei no Grupo Intelligenza, aonda atualmente faço meu estágio. Agora como assessor de imprensa da Eleven Press Assessoria e fazendo releases, follow-up e estando em pé de igualdade com os demais companheiros do time, posso dizer que estou aprendendo pra valer, me sinto colocando a mão na massa de fato. Obviamente agradeço também a Ricardo Mituti, Antônio Salles e Diogo Carvalho. 
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É óbvio que, também, é bom começar a ganhar seu próprio dinheiro e sua independência aos poucos, mas acho que o mais importante nesse período é aprender, aprender muito, e abstrair todos os ensinamentos que todas essas pessoas que falei (e muitas outras que não foram citadas pois apenas coloquei quem já fez parte de bancadas e áreas na qual eu já estive presente) puderam me passar. Mais que network, é know-how - e muito knowledge, pra ficar nos estrangeirismos. Isso sem contar nas histórias que vivi, passei e ouvi e todo aquele sentimento de dever cumprido a cada postagem, pauta vendida ou jogo concluído. É cansativo, mas, realmente, trabalhar engrandece o homem - e muito. 
Que venham muitos mais anos de trabalho, experiência, eficiência e sensação de que estou colaborando, de alguma forma, para que todos tenham o mesmo sentimento que eu tenho e tive e cada um desses instantes. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A entrevista da estudante que quer refundar o ARENA

Vejo muito barulho acerca da informação de que a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) tem tudo para ser refundada. O partido, que dava sustentação para a ditadura militar fazer o que bem entendesse no Brasil, ficou marcado por ser um antro conservador, muito ligado à ditadura. A estudante Cibele Baginski, que cursa Direito na Universidade de Caxias do Sul (UCS), deu o primeiro passo para a refundação da legenda ao publicar o estatuto da sigla no Diário Oficial da União
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Ela concedeu uma entrevista para o Estadão na qual fala um pouco sobre quais os ideais da nova ARENA. Para explicar a você, leitor: a pergunta feita pelo jornal está em negrito; a resposta da estudante está em itálico; e o meu comentário vem sem gracinhas na fonte.
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O estatuto da nova Arena defende a "abolição de quaisquer sistemas de cotas raciais, de gênero, ou 'condições especiais'", mas você é bolsista do ProUni, um programa do governo federal que tem como objetivo dar acesso à universidade à população de baixa renda. Você considera isso uma contradição?
Não vejo contradição, porque o ProUni é pago com os impostos meus e de todo mundo. E eu entrei (na universidade) porque a minha nota no Enem foi boa. E o Enem, graças a Deus, ainda não tem cota separando por opção sexual, por cor, ou por qualquer outra coisa.
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Me pergunto se ela teria acesso a uma faculdade se o governo que ela propõe, sem cotas, governasse. É fácil gozar com o pau dos outros, principalmente quando você se beneficia de programas governamentais e, do nada, resolve criticá-los. Me desculpe, mas isso, é sim, uma contradição. Todo mundo paga impostos e muitos mal tem água encanada para beber, imagina acesso a uma universidade. De alguma forma a estudante leva vantagem (se não no seu desempenho no vestibular, mas em sua maneira de poder bancar seu estudo) em relação a várias outras pessoas, sendo cotista ou não - e isso já configura a contradição dita por mim. 
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Mas por que o partido é contra as cotas?
Porque isso é tapar o sol com a peneira, ao invés de melhorar a educação básica para fazer com que as pessoas tenham capacidade de passar em um exame nacional, num vestibular, e ganhar a vaga porque merece, esse sistema acaba dando oportunidades para pessoas que não estão bem preparadas.
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Eu concordo com o que ela diz, mas existe um outro lado que ela não vê - ou não fala. Cotas no Brasil são uma boa solução sim, ao meu ver. Em um país muito rico e muito desigual, uma cota momentânea (e não eterna) é uma boa solução para uma maior democratização da educação nacional. Não é o ideal, mas é o que podemos fazer por ora. E, sinceramente, nossa situação é urgente demais para esperarmos investimentos estatais. Só acho que cotas raciais não são a melhor solução; creio que esse papel é das cotas sociais - mesmo que a população mais pobre do país seja majoritariamente negra
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Em outra entrevista, você disse que o Brasil ainda estaria na idade da pedra se não tivesse existido o regime militar. A Arena apoia o período da ditadura no Brasil?
Toda a história do Brasil reflete o que o País é hoje. Se não tivesse, lá em 1808, o Dom João VI criado a Imprensa Nacional, a gente não ia ter jornal neste País. Se Mario Andreazza, que era caxiense, não tivesse sido ministro (dos Transportes nos governos Costa e Silva e Médici) e feito estrada até onde na época nem se planejava fazer, hoje não ia ter como a gente usar um carro, a gente ia ter que andar de carroça.
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Sim, a ditadura modernizou o país. À custa de muita desigualdade e muita crueldade. A modernização viria duma forma ou de outra e não precisava vir como parte de um capítulo tão nefasto na história brasileira.
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Então você acredita que o Brasil estaria menos desenvolvido se não tivesse havido esse período?
Eu nem sei se nós teríamos eletricidade, nós estaríamos vivendo com um monte de apagão. Metade das estradas não existiriam. O período do regime militar foi uma época de estruturação do País.
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Essa resposta é tão reacionária e ilógica (vide meu comentário acima) que nem precisa de comentário para parecer patética.
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E como vocês avaliam as centenas de pessoas que morreram por causa do regime militar?
Toda a morte, todo o desaparecimento, qualquer acidente, tanto antigamente quanto hoje em dia, é uma coisa triste. Agora, é aquela coisa, naquela época morreram 100, 200, 300 pessoas, eu não sei, estou sem uma estatística aqui para poder dar um número exato, mas hoje em dia morrem 1.000 pessoas por dia e nós não estamos nem preocupados com elas.
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É bem verdade que os números da violência no país hoje são assustadores - os recentes ataques criminosos em São Paulo e Santa Catarina não me deixam mentir. Mas existe uma "pequena" diferença entre os crimes da ditadura e os de hoje em dia. Os ataques contemporâneos referem-se a imensas organizações criminosas e que agem fazendo o que o governo deveria fazer - é triste e sou contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV), Terceiro Comando (TC), Amigos dos Amigos (ADA) e etc, mas se o Estado fizesse seu papel elas simplesmente não existiriam, nós temos que reconhecer isso. Boa parte dos demais crimes cometidos tem origem nas mazelas sociais existentes no Brasil hoje. Já os daquela época eram puramente políticos: se você não pensa como eu e se você contesta, de alguma (e qualquer) forma o que eu faço, você merece a morte. Não dá nem pra comparar os esses tipos de homicídios
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O que acha da criação da Comissão da Verdade?
Essa comissão tem um problema, porque ela está sendo uma comissão da meia verdade. Ela vai investigar apenas uma parte do que aconteceu. Ninguém vai investigar o sequestro do embaixador (americano Charles Burke Elbrick, em 1969) ninguém vai investigar outras coisas ali, como os ataques armados a bancos, porque realmente ninguém quer criar um constrangimento para a presidente da República, por exemplo. Pra mim, ou a Comissão da Verdade investiga tudo ou fecha as portas.
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Sou favorável ao que ela diz, devemos investigar tudo o que foi feito de errado em qualquer época - sobretudo ao longo da ditadura militar. Mas fico me perguntando se, apenas se investigasse o que os comunistas, socialistas e guerrilheiros da época, ela ficaria tão indignada e seria contra a Comissão da Verdade.
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Você acredita que não estão investigando os supostos crimes praticados por grupos de esquerda porque a presidente Dilma participou da luta contra a ditadura?
É tendencioso, e considerando a posição que a senhora Dilma está agora, não é adequado fazer isso, porque ela foi anistiada como outras pessoas foram anistiadas. Então, se for cutucar os dos dois lados, vai ter uma guerra de novo. O pessoal não se toca disso. Se tu estás cutucando a Lei da Anistia, daqui a pouco estás cutucando a Constituinte e daqui a pouco tu vais pegar a Constituição de 1988 e tacar fogo.
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Bem, ela está condenando a presidente Dilma por fazer o que ela faria se pudesse, ao que parece. Ridículo.
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Você acha que falta um partido de direita no Brasil?
A direita não está representada de forma alguma. Por isso que as pessoas olharam para a Arena com esperança. A maior parte dos partidos que está aí hoje em dia são de centro, centro-esquerda, alguns são de "esquerda volver". Os partidos de hoje se vendem por governabilidade, esse é o sistema que se criou. E tu tens nesses partidos o sério problema de sufocarem a juventude, sufocarem boas lideranças, pessoas que são sérias, porque são pessoas que querem fazer as coisas direito.
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Sou a favor do debate ideológico entre partidos de direita, de esquerda e de centro, liberais e conservadores e toda e qualquer segmentação política que surja. Que a direta (ou seria extrema direita, no caso ?), apenas, seja aberta a discussão e respeitosa com quem pensa diferentemente dela - algo que não acontecia nos anos de chumbo.
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Vocês defendem a privatização do sistema penitenciário, mas a estatização de outros serviços considerados fundamentais. Por quê?
Hoje em dia o sistema penitenciário não está funcionando na mão do Estado. Um cara que roubou um pote de margarina vai entrar lá dentro e sair de lá formando quadrilha. Infelizmente se criou um sistema vicioso. Então, o que nós defendemos é uma coisa chamada Estado necessário, o que funciona na mão estatal, ótimo, o que não funciona, ou privativa ou transforma numa autarquia de economia mista.
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Acho apenas que devemos fazer um esforço para salvar empresas estatais que não dão muito lucro. Devemos ver se há ingerência ou incompetência na diretoria dessas tais empresas antes de privatizá-las. E, claro, tomar todo o cuidado caso se opte pela privatização - ao contrário do que ocorreu durante o governo Fernando Henrique Cardoso/FHC.
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E por que vocês consideram o reaparelhamento das Forças Armadas importante?
Eu não sei até onde é verdade esses boatos que circulam pelo Facebook, mas eu me assustei quando li que o Exército brasileiro tem munição para um ou dois dias de guerra. Imagina que desastre que isso ia ser. E se acontece alguma coisa? A gente não pode prever. E se alguém vier enfiar uma bomba na bunda dos brasileiros, a gente vai fazer o quê, dançar um samba?
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O problema não é reaparelhar o nosso exército, o que é algo muito bom. O problema é dar poder (de fogo, político e econômico) para os militares, que mais de uma vez na história do Brasil usaram desse poder para fazer o que quisessem com o país, sem se importar para a população civil.
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A sua família apoia você na criação do partido?
A minha mãe não dá bola. O meu pai, no começo, ficou muito preocupado. Ficou com medo de acontecer algum atentado, alguma coisa comigo. Ele já começou a teorizar sobre a União Soviética. E aí eu disse: "Meu Deus pai, calma". Aí ele disse: "Calma nada, porque a queda do muro de Berlim foi só um golpe de marketing". Ele ainda é daqueles que acham que a União Soviética é perigosa, porque ele é dessa época da Guerra Fria.
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Triste ver que os jovens de outrora não se atualizam - e falo isso não só mediante esse testemunho, mas também falo da impressão que tenho da população brasileira em geral. Também é triste ver que a juventude hoje não está tão aberta assim a debates ideológicos.
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Mas você já sofreu alguma ameaça por estar tentando refundar a Arena?
Já e provavelmente vai acontecer alguma coisa. Eu estou com medo, porque existem pessoas neste País que não sabem cair no debate ideológico, como em outros lugares do mundo em que as pessoas dialogam mesmo tendo ideias diferentes. Há algumas pessoas que o nível de fanatismo é tão grande ou a falta de argumentos é tão grande que elas vão partir para a agressão verbal ou até mesmo física. Não é o que eu desejo. O que eu desejo é fazer o debate político, só isso.
A entrevista acaba bem, com boa dose de consciência. Mas será que ela não pretende alguma espécie de poder com a criação do partido ?

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A torcida do São Paulo cresceu. Mas... ficou melhor ?

O Blog Esporte Fino fez um ótimo post sobre a torcida do São Paulo - texto que você poder ler aqui. Ele sustenta, basicamente, que a torcida do São Paulo Futebol Clube tornou-se mais leal ao seu time, indo mais ao estádio - no caso, o Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi
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Que o número de torcedores cresceu não tem como negar. Qualquer estatística mostra isso: a sexta maior torcida do país há 20 anos atrás é hoje a terceira - e a distância para a quarta, a do Palmeiras, só cresce. 
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O texto, no caso, fala que ela também melhorou, e dá como exemplo a média de público do São Paulo FC enquanto mandante nesses últimos tempos. Aí eu começo a discordar. 
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Média de público é apenas uma das vertentes pelas quais eu analiso uma torcida. Você se pega cantando um grito da torcida são-paulina, por exemplo ? Eu não. Nossos gritos são chatos - e a principal torcida organizada do clube, a Independente, só colabora com isso pensando mais em brigar fora dos estádios que cantar dentro deles. O Morumbi fica cheio, mas a torcida pouco joga junto. Não é como ver um jogo do Corinthians, do Atlético Mineiro, do Bahia ou do Criciúma, por exemplo. 
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O próprio estádio não ajuda. O Morumbi, como bem disse o texto, está mais confortável e moderno, mas também está remendado. Com uma série de obras que ocorreram longe das vistas de quem acompanha os jogos pela televisão, tirou-se parte considerável dos assentos para o público
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A evolução numérica (não só na média de público em si, mas em tudo que se relaciona com o marketing) é importante sim. Falta a evolução enquanto torcida, de espírito - a mais importante

Pra fugir do nosso mundo

Sempre ouvi que todos, em geral, precisam ler mais. Falam dos benefícios da leitura, falam o quão melhores ficamos e falam também do que estamos deixando de ser/fazer/esse tipo de coisa lendo cada vez menos. Concordo em partes com esse tipo de afirmação. Não sou catastrofista e acho que poderíamos ler mais sim, mas não acho que lemos pouco. O problema, ao meu ver, está no que lemos. 
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Sempre vejo muitas pessoas com um livro na mão, mas quase todos são de ficção. É raro ver alguém lendo uma biografia, um livro sobre sociologiahistória ou até mesmo um livro-reportagem. A sabida falta de interesse nessas áreas mais intelectuais, digamos assim, junta-se ao pouco talento dos autores em construir um enredo minimamente palatável com um estilo de escrita leve e de fácil concepção para qualquer um - quando esse é o interesse do autor ou da autora, claro. 
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Mas vejo muitos livros por aí, em suma. E boa parte desses pertencem a sagas de fantasia, algo criado do âmago e de um lampejo de criatividade de alguém. 
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Ao longo da minha vida, lembro de algumas sagas que marcaram época na literatura - tomo a palavra literatura como algo independente de qualidade enquanto arte, e sim em seu sentido mais comercial. A história do bruxo Harry Potter, da britânica/british J.K. Rowling foi a primeira e principal delas, com uma série de fãs até hoje. Mas não esqueço, por exemplo de O Senhor dos Anéis/The Lord of The Rings, do inglês/english J. R. R. Tolkien. Mais: a saga Crepúsculo/Twilight, da americana/american Stephanie Meyer e todas as histórias do também americano Nicholas Sparks.
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Todos os exemplos que citei tem algo de fantasioso. O mundo da bruxaria, a existência de vampiros e lobos ou até mesmo uma série de criaturas sobrehumanas. Sparks é a exceção à regra, já que suas ficções mostram histórias entre humanos, digamos assim. A exceção fica por conta dele mesmo: seu ritmo quase industrial de criar livros é, por si só, algo sobrenatural - e não quero aqui dizer se gosto ou não disso. 
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Eu gosto de conhecer culturas diferentes, costumes que mal sei que existam e história incríveis. Até por isso sou fã de carteirinha do gênero não-ficção. Mas, ao que parece, sou dos poucos que pensa assim. Como falar mal de quem só quer um pouco de diversão e fugir da realidade ? Querendo ou não ela tá lendo e alimentando outro mundo, interno e bonito, no qual só ela vive e fica feliz. Basta, apenas, lembrar-se que a vida não é fantasia.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

O quase feriado

Desde a década de 60 o Brasil reserva o 20 de novembro para o Dia da Consciência Negra, data que visa relembrar todos os feitos importantes conseguidos por essa etnia e também saudar a todos que, de alguma forma, são ou se solidarizam com os negros brasileiros. A ideia é ótima e muito válida, porém podemos notar um flagrante desrespeito ao feriado.
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Até bem pouco tempo atrás a data era simplesmente chutada por todos. Poucos (a não ser os partidários de verdade da data) lembravam-se dela, e ninguém contava com o dia para ficar em casa descansando. Há, sei lá, 5 anos, ela começou a ser realmente valorizada - nem que seja para que o povo fique uns dias a mais em casa
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Em 2012, porém, o dia que relembra a morte de Zumbi dos Palmares, grande liderança dos quilombos brasileiros, ganhou novo status político. É muito interessante ver que em cidades onde o candidato que representa a situação política venceu a eleição o feriado será respeitado e a população ficará quase uma semana sem trabalhar; enquanto em cidades aonde a oposição venceu o feriado é cancelado ou transferido para outro dia. 
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O recado é claro: premiar cidades que votaram maciçamente em quem estava no poder e punir quem não escolheu continuar no mesmo caminho.
O problema é que, dessa maneira, cria-se um imenso desrespeito com a comunidade afro-brasileira. Será que faria o que andam fazendo com o Dia da Consciência Negra com o dia da Independência, por exemplo ? 
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Por um feriado respeitado e que não falhe em sua tão nobre finalidade: homenagear esse povo que tanto fez pelo Brasil. 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Eu consigo explicar o rebaixamento do Palmeiras com dois textos e dois caracteres diferentes entre eles

17/11/2002: nem adiantou torcer para uma combinação muitíssimo improvável de resultados - o Palmeiras foi incompetente, não conseguiu fazer o que precisava para se livrar do rebaixamento e foi direto para a Série B. Atuando contra um time rubro-negro, o alviverde não conseguiu vencer e, vítima de uma diretoria horrorosa e um time tão ruim quanto, a equipe vai passar por uma das maiores agruras de sua gloriosa história. Resta torcer para que, com menos dinheiro, o time se planeje e retorne ao caminho dos títulos.
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18/11/2012: nem adiantou torcer para uma combinação muitíssimo improvável de resultados - o Palmeiras foi incompetente, não conseguiu fazer o que precisava para se livrar do rebaixamento e foi direto para a Série B. Atuando contra um time rubro-negro, o alviverde não conseguiu vencer e, vítima de uma diretoria horrorosa e um time tão ruim quanto, a equipe vai passar por uma das maiores agruras de sua gloriosa história. Resta torcer para que, com menos dinheiro, o time se planeje e retorne ao caminho dos títulos.
E o mais bizarro é que os únicos caracteres que eu mudei foram relativos à data, e não ao texto. A história é idêntica, a mesma, sem tirar nem por. Ê, Palmeiras...

domingo, 18 de novembro de 2012

Menos Glee, mais música

Na minha puberdade, os musicais limitavam-se a filmes e programas de televisão com pouco destaque na mídia. Eu conhecia por buscar informações variadas e sempre tentar buscar algo novo pra me entreter, mas, certamente, até meados da década passada o gênero musical estava em franca decadência.
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Tudo mudou com uma série de produções com bastante investimento (tanto na obra em si quanto em publicidade) que encantavam cada vez mais pessoas que não viam musicais. O grande boom do gênero para os jovens, entretanto, veio com o seriado Glee, que surgiu em 2009 e vai ao ar na Fox.
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Glee é, basicamente, o centro dos musicais mundo afora hoje. A série teve sucesso instantâneo e ganhou uma legião de fãs da mesma maneira. Do que já vi da série, o sucesso tem razão de ser: uma trama sólida (isso não quer dizer que seja boa), personagens marcantes e uma lista de músicas bem popular, que ficam ainda mais ao gosto dos jovens com as versões feitas pelo programa. 
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Em Glee, a música ganha uma nova roupagem, ganha outra aura, outra alma. E é justamente isso que me faz torcer o nariz pra série. A cara da canção é outra: tecnicamente ela é perfeita, com cantores afinados e arranjos na medida. Mas a música, antes de tudo, é humana. Muitas vezes, o que dá graça pra música é o grito a mais, o riff longo ou um instrumento se sobrepondo ao outro. Em musicais isso inexiste. É a música pré-fabricada, comercial e feita pra vender, sem alma nenhuma. 
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O maior exemplo recente de uma música que foi estraçalhada pelo modelo Glee foi a clássica Eye Of The Tiger, do Survivor. A faixa é mundialmente conhecida por ser tema do filme Rocky, que conta a saga hollywoodiana de um lutador de boxe. A versão foi feita antes da luta entre Wladimir Klitschko (ou Volodymyr Volodymyrovych Klychko), da Ucrânia/Ukraine/Ukrayina, e Mariusz Wach, da Polônia/Poland/Polska - luta que aconteceu em Hamburgo (ou Hamburg, ou Hamborg), na Alemanha (ou Germany, ou Deutschland). Vocês podem conferir a versão aqui.
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Ficou lindo, eu concordo. Mas a graça da música é a vontade de brigar que ela dá, a adrenalina, o nervo à flor da pele, o brio. Vendo o vídeo, tenho vontade de ficar sentado. É outra música, mais bonita e bem feita, mas que não me dá vontade de nada a não ser ouvi-la - pra mim música é bem mais que isso. É uma música sem alma. 
Existe gosto pra tudo. Não condeno quem prefira as versões Glee das músicas. Só quero que a alma prevaleça, e que muitos enxerguem que música é algo bem demais pra ficar preso no conceito dum seriado enlatado americano

sábado, 17 de novembro de 2012

Em busca da taça

Conforme os campeonatos nacionais vão chegando ao fim e as vagas para divisões superiores e inferiores vão se preenchendo, as equipes mais bem qualificadas passam a ter somente um objetivo: o título. Se na principal competição do país o caneco já tem dono, na Segundona e na Terceirona ainda há disputa pelo troféu. 
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Em dois jogos que pouco valiam, o Santos ganhou do Figueirense: a derrota do Figueira veio pelo placar de 2x0. Já o Vasco virou pra cima do Coritiba no Couto Pereira, com direito a gol do atacante Romário - que já deixa a torcida cruzmaltina em polvorosa com o que pode tornar-se no futuro. A partida terminou 2x1 para a equipe carioca.
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Mais um time conquistou o acesso para a Série A do ano que vem. O clube é o Criciúma, que empatou com o Atlético Paranaense por 0x0 no Heriberto Hulse e contou com uma combinação de resultados para subir. Quem está próximo de subir é o Vitória, que empatou por 1x1 com o Joinville, e quem desperdiçou boa chance para entrar no G4 foi o São Caetano, que ficou no 1x1 com o Goiás, que já subiu de divisão. Na rabeira da tabela, quatro times brigam contra o rebaixamento na última rodada. Guaratinguetá e Bragantino respiraram ao vencer Ipatinga e Ceará por 3x2 e 2x1, respectivamente. Em jogo emocionante, que contou com um golaço de Paulo Victor no finzinho da partida, o CRB venceu o Guarani por 2x1. O Galo da Pajuçara segue no Z4, mas respira. 
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Jogos apertados e emocionantes pelas semifinais da Série C. O Paysandu começou muito bem e fez 3x0 ante o Icasa, mas o Papão da Curuzu deixou os cearenses diminuírem a diferença para 3x2. Na Arena Condá o Oeste surpreendeu mais uma equipe mandante: dessa vez o time a ser batido foi a Chapecoense, que perdeu por 1x0.
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Caiu o último invicto da NBA: o New York Knicks perdeu para o Memphis Grizzlies pro 105x95, com direito a 15 rebotes na mão de Zach Randolph. O cestinha da noite foi Nicolas Batum, do Portland Trail Blazers, que venceu o Houston Rockets por 119x117 no Rose Garden. Dois favoritos ao título venceram ontem: o Oklahoma City Thunder, que fez 110x95 no New Orleans Hornets, e o Los Angeles Lakers, que anotou 114x102 no Phoenix Suns
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Rodada ruim para os dois primeiros colocados na Bundesliga. O líder isolado Bayern de Munique empatou o Bayrisches Derby com o Nuremberg por 1x1. Vice-líder, o Schalke 04 viajou para enfrentar o Bayer Leverkusen e perdeu pro 2x0. Alguns times aproveitaram para se aproximar da dupla, caso do Eintracht Frankfurt, que goleou o Augsburg por 4x2 na Commerzbank-Arena. O Borussia Dortmund também não deu chance para o Greuther Fürth: o time kleeblätter perdeu de 3x1 para os aurinegros.
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Troca de liderança na Premier League. Antigo primeiro colocado, o Manchester United perdeu para o Norwich: o placar foi de 1x0 para os Canaries. Quem lidera o campeonato agora é o Manchester City, que não tomou conhecimento do péssimo Aston Villa e fez 5x0 no time de Birmingham. Outra goleada aconteceu no North London Derby, a maior rivalidade de Londres. No jogo, o Arsenal repetiu o placar do último embate e fez 5x2 no Tottenham. Surpreendente também foi a vitória do West Bromwich sobre o Chelsea no estádio The Hawthorns, por 2x1. O gigante adormecido Liverpool, por fim, fez 3x0 no Wigan
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Com dois gols de Lionel Messi, o Barcelona fez 3x1 no Zaragoza e segue sua campanha irretocável em La Liga. Correndo atrás do prejuízo, o Real Madrid goleou o Athletic Bilbao por 5x1 na capital espanhola. Em jogos com menos audiência, o Valencia venceu o Espanyol: a derrota dos Periquitos foi de 2x1. Por fim, no El Sadar, Osasuna e Málaga ficaram no 0x0. 
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Mais um vexame do Paris Saint-Germain na Ligue 1. Com dois jogadores a mais em campo, o time perdeu para o Rennes: 2x1 para os Rouges et Noirs. Alguns times que vinham na cola do PSG, porém, empataram. Caso do Saint-Ettiene, que ficou no 2x2 com o Evian, e do Valenciennes, que não passou do 1x1 com o Montpellier no Stade du Hainaut.
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Dois empates pelo Calcio: a líder Juventus ficou no 0x0 contra a Lazio em grande partida do goleiro Marchetti. Agora, a Vecchia Signora tem 5 pontos de vantagem para o vice-líder. No estádio San Paolo, o Napoli abriu 2x0 de vantagem ante o Milan, mas El Shaarawy tratou de empatar a partida.
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Começou a Liguilla, fase final da Liga MX. Os visitantes venceram três das quatro partidas e partem com grande vantagem para o segundo jogo, já que decidem sua situação em casa e contam com melhor retrospecto na primeira fase. Quem venceu em casa foi o Cruz Azul, que fez 2x1 no Leon. O América foi até o Morelos e fez 2x0 no Monarcas Morelia. Já o Tijuana visitou o Monterrey e também ganhou: a vitória dos Xolos foi de 1x0. Por fim, o Toluca ganhou do Guadalajara por 2x1.
Reta final da J-League com resultados ruins dos times que brigam pelo título. O líder Sanfrecce Hiroshima (Sanfuretche Hiroshima) perdeu para o terceiro colocado Urawa Red Diamonds (Urawa Reddo Daiyamonzu). Apesar da derrota, o Sanfre ainda é líder graças ao empate do Vegalta Sendai (Begaruta Sendai) contra o Kashima Antlers (Kashima Antorazu) por 3x3 no Kashima Soccer Stadium - ou Kashima Sakka Sutajiamu.

O Oriente Médio volta aos jornais

Até então esquecido (o que é bom, já que só se fala de violência e terrorismo quando falamos na região), o Oriente Médio (ou Médio Oriente para os demais países lusófonos, ou ash-sharq-al-awsat para os árabes) voltou às manchetes graças a mais uma imensa onda de violência do governo de Israel (ou Yisra'el, para quem fala hebraico) contra o Estado da Palestina.
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Convém sempre lembrar a situação muito pouco comum no qual a Palestina se encontra. Pra começar, não são todos os países que reconhecem sua existência. Oficialmente, a Autoridade Nacional Palestina (ou As-Sulta Al-Wataniyya Al-Filastiniyya em árabe, ou Harashut Hafalastinit em israelense) não forma um Estado governamental, e seu presidente, Mahmoud Abbas (também conhecido como Abu Mazen), tem poderes limitados.
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A nova onda de ataques começou na quarta-feira, quando as forças aéreas israleneses matou o líder da parte terrorista do Hamas (partido mais radical do local e que prega o fundamentalismo islâmico), chamado Ahmad Jaabari. Em represália ao ataque (e ao aviso de que novas ações aconteceriam), os palestinos começaram a desferir vários foguetes contra os israelenses - já foram mais de 500. 
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Já são, no mínimo, 40 mortos em todo o confronto, que já desperta a atenção de todo o planeta. Tanto que Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU/UN (Organização das Nações Unidas/United Nations), já está conversando com lideranças locais para (tentar) resolver o conflito. Ele também está com uma viagem para o entorno de Jerusalém (ou Yerushalayim, ou al-Quds, ou Urshalîm) marcada a fim de resolver todo o imbróglio.
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Também vale lembrar que, antes da Segunda Guerra Mundial, os judeus dispersavam-se em vários cantos da Terra. Em 1945, a ONU surgiu e deu-lhes território para construir seu país. Mas, naquele espaço, já haviam vários árabes - e criou-se mais um problema ao resolver-se outro. A situação fica ainda pior graças ao envolvimento de diferentes religiões (sempre elas...) no caso, já que os árabes são muçulmanos/islâmicos e os israelenses são judeus
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Fica a esperança de que dias melhores, com muita paz, apareçam nessa região tão castigada por dois grandes males que assolam o mundo: a política e a religião.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

COPArações

As obras para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, a ser realizada no Brasil, estão em andamento e tudo parece que vai ser finalizado a tempo. Sempre disse que, tal qual o Pan-Americano do Rio de Janeiro em 2007 (e, como prevejo, será como os Jogos Olímpicos da mesma cidade em 2016), o problema não seria o durante, mas sim o antes e o depois. Sempre tivemos sucesso com eventos, com elogios à organização de quem não viu de perto todo o processo que levou até ele e de quem nunca voltou para conferir o legado do que ocorreu. Esse sim é o maior problema.
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Não vou me ater aqui a outros detalhes como transportes públicos e serviços de hotelaria, já que a situação é risível. Basta ver a situação dos nossos aeroportos, que entram em colapso com uma facilidade incrível, dos sistemas de trens metropolitanos (os sobre trilhos dão pena, enquanto os subterrâneos tem ótima qualidade mas pouca extensão), nem a nossa malha rodoviária digna de pena. Aqui falarei apenas dos estádios.
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Para exemplificar meus pensamentos, começo comparando os valores dos estádios daqui com duas construções de estádios europeus recentes (inaugurados no meio de 2011) e de ligas conhecidas, de países com tradição no futebol. O Mainz 05, da Bundesliga alemã, inaugurou a CoFace Arena, com investimento total de R$140 milhões. Sim, um estádio inteiro, para 34 mil torcedores, por R$140 milhões. A Juventus, dos mais conhecidos clubes do planeta, também inaugurou recentemente o Juventus Stadium, na cidade de Turim/Torino. O estádio de 41 mil lugares custou R$281 milhões. 
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O que chama a atenção nesses empreendimentos não é só a liquidez e o baixo custo, quando comparamos com as obras brasileiras. A CoFace Arena conta com dispositivos que captam energia solar e abastecem residências vizinhas ao estádio, tornando-o sustentável. Já a arena da Vecchia Signora tem, entre outros bônus, um amplo shopping e um centro empresarial. Que estádio da Copa do Mundo brasileira vai ter algo perto disso ?
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Para situar o leitor do post, uma lista em ordem alfabética das cidades que são sedes da Copa, e, em ordem: nome do estádio, capacidade, custo total e custo por assento de cada um deles:
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Belo Horizonte - Mineirão - 69 mil pessoas - R$695 milhões - R$10 mil**
Brasília - Estádio Nacional - 71 mil pessoas - R$996,5 milhões - R$14 mil
Cuiabá - Arena Pantanal - 43 mil pessoas - R$519 milhões - R$12 mil
Curitiba - Arena da Baixada - 42 mil pessoas - R$220 milhões - R$5,24 mil*
Fortaleza - Castelão - 66 mil pessoas - R$518 milhões - R$7,84 mil**
Manaus - Arena Amazônia - 44 mil pessoas - R$532 milhões - R$12 mil
Natal - Arena das Dunas - 42 mil pessoas - R$400 milhões - R$9,52 mil
Porto Alegre - Beira-Rio - 60 mil pessoas - R$330 milhões - R$5,5 mil*
Recife - Arena Pernambuco - 46 mil pessoas - R$532 milhões - R$11,6 mil
Rio de Janeiro - Maracanã - 76 mil pessoas - R$932 milhões - R$12,3 mil**
Salvador* - Arena Fonte Nova - 50 mil pessoas - R$591 milhões - R$11,82 mil
São Paulo - Arena Corinthians - 65 mil pessoas - R$820 milhões - R$12,61 mil
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Em outra lista rápida, faço o mesmo com os estádios europeus citados no post:
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Mainz - CoFace Arena - 34 mil pessoas - R$134 milhões - R$4,12 mil
Turim - Juventus Arena - 41 mil pessoas - R$281 milhões - R$6,85mil
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Coloquei os estádios de Curitiba e de Porto Alegre com asterisco pois esses estádios já existem e estão sendo reformados em parcerias público-privadas entre os clubes donos dos mesmos (Atlético Paranaense e Internacional, respectivamente). Já os com dois asteriscos são estádios que também já existem mas são públicos, ou seja, estão sendo reformados com verbas que poderiam construir hospitais e escolas. Esses estádios marcados deveriam ter um custo muito inferior, já que já estão erguidos. E o Maracanã encontra-se em situação ainda mais delicada, já que foi reformado para o Pan-Americano de 2007 e, menos de uma década depois, passa por outra imensa revitalização. Será que o carioca acha que o estádio era tão ruim assim ? 
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A diferença é nítida. Os estádios brasileiros são muito mais caros que os europeus, sem contar que os materiais do Velho Mundo são mais caros, a mão-de-obra idem e há um retorno muito maior para a sociedade. Por que nossos estádios são tão mais caros, sendo assim ? 
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Esse post seria publicado no final do ano passado, e, para postá-lo hoje, fiz o reajuste de todos os custos orçados. Muitos aumentaram, e nenhum teve um decréscimo de investimento. E, o pior: muitos ainda podem ter novos reajustes.
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Isso sem contar na possibilidade de um vexatório RDC (Regime Diferenciado de Contratações Públicas), no qual o governo não precisa mostrar custos de nada relacionado à Copa, não prestando conta nenhuma com a sociedade.
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E depois ? O que fazer com um estádio de futebol caro e imenso em Brasília, que não tem um clube sequer nem na série B ? E com o caríssimo estádio de Manaus, que não tem um time nem na série C ? Fazer show de várias espécies bancariam em quantos longos anos a construção desses elefantes brancos que poderiam ser muito melhor investidos ? 
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Também não cito aqui as greves que ocorreram em algumas cidades graças às parcas condições de trabalho (chegaram a oferecer comida estragada nas obras do Maracanã), as licitações nefastas, a guerra política para ver quais seriam as cidades-sede (deixaram Belém, Goiânia e Florianópolis de fora por lobby político a favor de Manaus, Cuiabá e Natal, respectivamente), a guerra interna de alguns clubes para ver qual estádio seria escolhido (a lamentável briga entre o São Paulo Futebol Clube e CBF, que tirou o Morumbi da Copa e deu um estádio feito, à priori, com verbas públicas de graça para o Corinthians, a disputa entre o Beira-Rio e a futura Grêmio Arena)... 
Vai ser uma grande Copa, no país do futebol e com uma festa inesquecível para toda uma geração. Mas deveria ser também a oportunidade de ouro para o salto definitivo de qualidade do país. Deveria, mas dificilmente será.

Feriado paradoxal

Tô vivendo uma situação muito diferente e inusitada nesse feriado da Proclamação da República. Fiquei em casa, tirando uma das minhas raríssimas horas de descanso. Mas um ensinamento que eu já tinha visto que era verdadeiro está se fazendo presente novamente: você não se sente descansado se não tiver o mínimo de lazer - mesmo que passe o dia inteiro no ócio
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No caso, eu estou adiantando várias coisas da minha faculdade (lendo livros, adiantando estudos, fechando minha última reportagem, essa voltada pro radiojornalismo), mas, por fazer tudo isso em casa, tenho a liberdade de fazer isso de maneira bem mais à vontade. 
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Concomitantemente a tudo isso, eu só tenho deveres a fazer. Nada contra, sei lidar com pressão e responsabilidade (modéstia à parte, claro), mas eu faria ainda mais se tivesse algumas opções de diversão disponíveis. No caso, minha namorada está viajando com a família, minha família faz passeios que não me agradam, as condições climáticas não ajudam, muitos amigos estão viajando e fica difícil até conversar com alguém mais próximo. Ou seja, são só obrigações. 
Ao menos eu não posso reclamar de tédio, né ? Vou olhar pelo lado bom

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Muito mais que a Proclamação da República

Como já é de praxe, esquecemos de qualquer efeméride que acontece em uma data qualquer quando temos um feriado no dia. Pra muita gente, em todo o planeta, o dia 15 de novembro foi unicamente o dia da Proclamação da República do Brasil. É óbvio que ver a República nascendo é algo importante, mas não podemos nos esquecer de alguns outros fatos interessantes que aconteceram em toda a História no dia 15/11.
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A data, por exemplo, marca o nascimento de dois países bem curiosos, com uma existência conturbada e um status praticamente sui generis no mundo.
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O primeiro deles é a República Turca de Chipre do Norte, que ocupa a parte norte da ilha cipriota. O Chipre como conhecemos hoje enquanto Estado é formado e é representado pelo que existe no sul da ilha, com influência da população formada pelos descendentes da Grécia. Como mais um capítulo da eterna rivalidade de gregos e turcos (incluindo uma invasão helênica para anexar a nação em 1974), a metade norte do local, formada por imigrantes advindos da Turquia, reivindicou sua independência - adotando o nome óbvio de Chipre do Norte. O processo, porém, só foi reconhecido pelo governo de Ankara - e até hoje é assim. Também é curioso ver que, tal qual Berlin na Segunda Guerra Mundial, a capital do país, Nicósia (ou Lefkosia para quem é de lá) é dividida entre as duas porções. 
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Um acontecimento bem mais conhecido e ventilado internacionalmente que também faz aniversário hoje é a proclamação do Estado da Palestina, por parte do líder islâmico Yasser Arafat em 1988. A Palestina (ou Filastin para o povo árabe) nunca teve um reconhecimento pleno de suas funções, e até o status político de seus dois territórios (a Cisjordânia e a Faixa de Gaza) é diferente um do outro. O fato é, talvez, a maior glória da Organização para a Libertação da Palestina, que luta pela independência de um povo que já passou por muitas agruras ao longo dos tempos.
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Também temos algumas figuras históricas que fazem aniversário hoje. Osvaldo Aranha, que foi advogado, diplomata e governador do Rio Grande do Sul é um deles. O tamanho de sua influência pode ser medido por seu cartel de amizades e figuras de fácil acesso para ele, como Getúlio Vargas e Franklin Roosevelt. Também hoje nasceu o empresário Samuel Klein, empresário dono das Casas Bahia e que, na verdade, nasceu na Polônia (ou Polska), como mostra seu sobrenome
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Figuras históricas também tiveram sua morte decretada nesse dia. O matemático, astrônomo, astrólogo e filósofo Johannes Kepler (ele mesmo, autor das Leis de Kepler que aterrorizam os alunos do colégio) é um deles. Nascido na Alemanha (ou Germany, ou Deutschland), Kepler estudou as leis que regem a mecânica celeste. Também notável é o acadêmico, sociólogo, antrópologo e filósofo Émile Durkheim, considerado o pai da Sociologia moderna. 
Muitos clubes de futebol também foram fundados nessa data. O mais popular time brasileiro, o Flamengo, nasceu em um 15/11. Também surgiram na data uma legião de equipes tem como nome a própria data: XV de Novembro - assim mesmo, em algarismos romanos. Notadamente do interior de São Paulo, representados e instalados nas cidades de Piracicaba, Jaú e Caraguatatuba - este último licenciado de competições oficiais. Em solo gaúcho temos também o 15 de Campo Bom - assim mesmo, esse com o 15 em algarismos indo-arábicos.
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E você, ainda acha que essa é apenas a data da Proclamação da República ?

Perda de padrinhos, escândalo e assassinato: o rebaixamento anunciado do Atlético-GO ~ Thiago Arantes, para o ESPN.com.br

Escrevi aqui sobre a péssima situação do Vasco e do Cruzeiro. Um outro clube, sem tanto nome quanto os dois primeiros, merece uma análise mais crítica. Esse time é o Atlético Goianiense, lanterninha isolado do Brasileirão. Mas, com muito conteúdo, o jornalista Thiago Arantes se antecipou a mim e fez esse texto sobre o tema.
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"No dia em que seria rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro, o Atlético Goianiense não jogou diante de sua torcida. Não houve choro, protestos, decepção. Em um estádio cheio de corintianos, a 200 quilômetros de casa, o clube goiano deu seu último suspiro no sonho de permanecer na elite. Um sonho que dependia de um milagre matemático. No futebol, o Atlético já havia caído.

Os protestos, o choro e a decepção ficaram distantes no espaço e no tempo. O Atlético, que saiu da Série B do Goiano para a elite nacional em cinco anos, viveu uma temporada terrível. “Deu tudo errado” foi a frase mais ouvida na sede do clube, no centro de treinamentos, em entrevistas dos jogadores e da diretoria.

Em campo, não houve dúvida: tudo deu errado, de fato. O Atlético perdeu a chance de um inédito tricampeonato goiano, contratou mal, trocou de treinador repetidas vezes, viu um jogador envolvido em caso de doping por erro médico, conviveu com uma série incomum de lesões musculares e sofreu com ciúmes no elenco por questões salariais. 

Mas a queda do Atlético Goianiense para a Série B teve, também, fatores externos. O clube, um dos que mais cresceram no futebol brasileiro nos últimos anos, teve de lidar com dificuldades financeiras, viu seu nome envolvido em um escândalo nacional e, em meio à disputa do Brasileiro, foi associado até ao assassinato de um jornalista esportivo em Goiânia.

Castelo de influências – O renascimento do Atlético Goianiense começou em 2005, quando o time teve de disputar a Série B do campeonato estadual depois de anos de penúria e de um período de inatividade. Para se reerguer, a equipe precisou de dinheiro e influência. E, desde então, sustentou-se graças ao trabalho de bastidores de um grupo de dirigentes com fortes laços políticos na Região Centro-Oeste.

Deste grupo, fizeram parte nos últimos anos o deputado federal Valdivino de Oliveira, ex-secretário da Fazenda do Distrito Federal e atual presidente do clube, o também deputado federal Jovair Arantes, candidato derrotado à prefeitura de Goiânia, o empresário Maurício Sampaio, ex-vice-presidente de futebol do clube; e, em menor escala, o ex-presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Wladimir Garcêz.

Nos últimos dois anos, o castelo de influências e captação de recursos, sustentado desde o ressurgimento do clube, começou a ruir. E, em 2012, uma série de acontecimentos levou ao fim da estrutura de poder e influência que manteve o Atlético na elite do futebol brasileiro por três anos. 

Os padrinhos - A primeira mudança fundamental aconteceu ainda em 2009, quando Valdivino de Oliveira deixou a secretaria da Fazenda do Distrito Federal, cargo que exercia pela segunda vez, depois de uma primeira passagem entre 1999 e 2006. Em fevereiro de 2010, Valdivino foi condenado por improbidade administrativa à frente do cargo; ainda assim, ele conseguiu na justiça o direito de se candidatar a deputado federal em Goiás – com 51.237 votos, ficou como primeiro suplente do PSDB, assumindo uma vaga na Câmara ainda em janeiro de 2011.

Na Câmara, embora ainda trabalhasse em Brasília, onde construiu sua rede de influências, Valdivino perdeu parte da capacidade de captar recursos. “Como deputado, ele não tinha mais a influência para conseguir patrocinadores para o clube. Só que o Atlético continuou sem ter um departamento de marketing, dependendo desta influência para conseguir recursos”, disse ao ESPN.com.br uma pessoa ligada ao clube. 

A influência foi, também, a arma utilizada pelo deputado federal Jovair Arantes para ajudar na ascensão meteórica do clube. Mas, desde o fim de 2011, ele distanciou-se das decisões do clube para trabalhar na própria candidatura à prefeitura de Goiânia. Segundo mais votado, Jovair não conseguiu ir para o segundo turno com o atual prefeito, Paulo Garcia, que se reelegeu. 

Outra figura importante na fase de bonança do Atlético, o empresário Maurício Sampaio, que ocupava o cargo de vice-presidente de futebol, também se afastou neste ano. No fim do ano passado, Sampaio emprestou R$ 3,3 milhões ao clube, para o pagamento de premiações aos atletas – a quantia está no balanço financeiro de 2011, divulgado em abril deste ano. Segundo apurou o ESPN.com.br, o presidente Valdivino de Oliveira prometeu a Sampaio que o empréstimo seria pago assim que o Atlético recebesse os R$ 16,5 milhões a que teria direito referentes às cotas de TV. 

Entretanto, quando o dinheiro entrou nos cofres do clube, Sampaio não foi pago. O calote fez com que o diretor deixasse o clube. De acordo com pessoas ligadas ao Atlético, o ex-vice-presidente de futebol fazia polpudas doações à equipe, inclusive pagando os prêmios por vitórias. Com a má fase do time no Brasileiro e a saída do dirigente, os prêmios por vitória deixaram de ser pagos. O último “bicho” foi o da vitória por 2 a 1 sobre o líder Fluminense, em Volta Redonda, no dia 15 de setembro. 
Agência Estado

Delta e Cachoeira – Não bastasse a perda de seus padrinhos, seja por divergências ou pelo enfraquecimento da rede de influências, o Atlético Goianiense ainda teve seu nome envolvido em um escândalo nacional: a Operação Monte Carlo, que desarticulou a organização do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, respingou no clube.

Em uma das gravações obtidas pela Polícia Federal, Cachoeira conversa com Wladimir Garcêz, um de seus braços-direitos, presidente da Câmara Municipal de Goiânia e conselheiro do Atlético, sobre a transferência do meia Felipe Brisola para o clube. O jogador foi um dos destaques do Campeonato Goiano de 2011, quando defendeu a Anapolina, e chegou à equipe da capital no mesmo ano; as gravações, contudo, só foram divulgadas em abril deste ano.

A relação entre Cachoeira e Garcêz também levou a construtora Delta – maior recebedora da recursos do governo federal nos últimos anos, ligada ao grupo do contraventor – para dentro do clube. Por intermédio do conselheiro, o Atlético Goianiense fechou um patrocínio de R$ 50 mil mensais com a construtora em 2008. Até maio deste ano, quando o contrato foi rompido, a empresa estampou placas no centro de treinamentos do clube, em partidas no Serra Dourada, nos banners de entrevistas coletivas e até nos calções de treino e jogo. 

“O Carlinhos Cachoeira tinha um jogador no Atlético, sim. Ele colocou esse jogador aqui, acho que para ver se ganharia dinheiro com alguma transferência. Mas o atleta vive machucado e nunca jogou. Além disso, a Delta dava um patrocínio pequeno para o clube, coisa de 50 mil reais. Logo que estourou no escândalo, o contrato foi rompido”, disse o presidente Valdivino de Oliveira ao ESPN.com.br.

Durante entrevista recente à Rádio Difusora, de Goiânia, Valdivino foi perguntando se a prisão de Cachoeira havia prejudicado o Atlético. “Prejudicou foi o Brasil inteiro”, respondeu, rindo, antes de citar a influência do contraventor em governos e prefeituras. Opositores do presidente atleticano afirmam que o bicheiro lavou dinheiro no clube e que as colaborações dele iam muito além dos R$ 50 mil de patrocínio da Delta. Entretanto, a Justiça jamais reuniu provas que comprovassem um envolvimento mais substancial de Cachoeira com o time. 
Reprodução

Caso de polícia – Além da operação Monte Carlo, outro caso que levou o Atlético Goianiense para os holofotes longe do futebol foi o assassinato do jornalista Valério Luiz de Oliveira, no dia 5 de julho. Valério morreu após levar seis tiros quando deixava a Rádio Jornal, um dos veículos de imprensa em que trabalhava como comentarista – ele também atuava na PUC TV. 

Uma das hipóteses apontada desde o início das investigações era a de que os comentários de Valério teriam motivado o crime. Torcedor do Atlético Goianiense, o cronista tinha postura crítica quanto à administração do clube. 

No início do processo, em meio à disputa do Campeonato Brasileiro, integrantes da diretoria atleticana tiveram de prestar depoimento sobre o caso, entre eles o presidente Valdivino de Oliveira, o ex-vice-presidente de futebol Maurício Sampaio e o tenente-coronel da PM Wellington Urzeda, que ocupou o cargo de diretor de relações públicas do Atlético.

Quatro meses depois, a polícia ainda trabalha para solucionar o caso. De acordo com a delegada Adriana Ribeiro, as investigações já levaram a conclusões que permitem dizer que o jornalista foi morto por causa das opiniões que dava no rádio e na TV, em um crime caracterizado como pistolagem – uma execução previamente pensada, com trabalho executado por um profissional.

“Foram dados seis tiros e todos eles atingiram a vítima. A pessoa que matou sabia muito bem o que estava fazendo e tinha habilidade para usar armas; trabalhamos com a hipótese de que seja um policial”, explicou Adriana ao ESPN.com.br. A delegada disse, ainda, que as outras possibilidades que motivariam o crime, como vingança por traição, cobrança de dívidas por jogo ou drogas, já foram descartadas. 

De acordo com pessoas envolvidas no dia a dia do clube, a tensão gerada pelas investigações chegou aos jogadores e funcionários. Os veículos de mídia em que Valério Luiz trabalhava, que estavam proibidos de entrar no clube nas semanas anteriores à morte do jornalista, foram liberados para retomar o trabalho nas dependências do Atlético. Mas nem a Rádio Jornal nem a PUC TV voltaram, alegando que só o farão quando o clube divulgar uma carta oficial, como fez quando ambos foram vetados.

Vida que segue – Em meio a tanta turbulência fora de campo, o diretor de futebol, Adson Batista, não vê relação entre os fatores externos e o mau desempenho do time. Para ele, o time caiu pelo que fez – ou deixou de fazer – dentro de campo.

“O Atlético foi rebaixado porque deu tudo errado. Contratamos jogadores que não encaixaram no time, fizemos mudanças de treinadores que não deram certo, houve muitas lesões... Foi um ano em que nada deu certo para a gente”, afirmou o dirigente ao ESPN.com.br, na quinta-feira, antes mesmo de o Atlético estar matematicamente rebaixado. 

“O Atlético já caiu, já caiu. Vamos pensar em 2013”, disse. 

No domingo, sem choro, protestou ou decepção, o Atlético Goianiense encerrou uma passagem de 3 anos pela elite do futebol brasileiro. Foi o fim de uma fase que talvez não se repita. Foi a crônica de um rebaixamento anunciado."