domingo, 11 de julho de 2010

A final premiou o futebol

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Foi com tal frase, brilhante, que Vicente del Bosque iniciou sua coletiva após a decisão da Copa do Mundo. Raras as vezes nas quais o futebol, tão imprevisível, premia o melhor time. Não necessariamente o mais ofensivo, o mais bailarino e o de futebol mais vistoso. Mesmo times mais equilibrados e coesos sentem o amargo doce duma derrota inesperada. Exemplos não faltam, e vocês já sabem disso. Escolham os que quiserem.
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Quando Espanha e Holanda entraram no Soccer City, sabiam da dimensão e da importância do confronto. Não só por ser uma final de mundial. Mas por quebrar vários tabus, como o de sempre termos Brasil, Itália, Alemanha ou Argentina nas finais, por exemplo. Ambos os selecionados lutavam para quebrar o estigma de serem pipoqueiras, por perder nas fases mais agudas da competição. Finalmente, as equipes precisavam mostrar algo a si mesmas: que tinham condições de tornarem-se campeãs. Foi a primeira final desde 1978 que não tinha títulos mundiais anteriores.
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O primeiro tempo foi a cara da Holanda de 2010: feio e com muitos pontapés. Tal qual como no jogo ante o Brasil, os holandeses batiam e seus adversários entravam na pilha, ficando destemperados. Basta ver a entrada antidesportiva de De Jong em Xabi Alonso ou a entrada violenta de Heitinga em Iniesta. Quando revidavam, os espanhois caíam no teatro laranja e se exaltavam ainda mais. O perdido e horrível juiz inglês Howard Webb deixava o jogo seguir, como se nada ocorresse. Mesmo de baixíssimo nível técnica, a primeira metade teve lá sua empolgação. Se não pelas raras chances de gol, pelos golpes marciais aplicados em campo.
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Pode-se começar que o futebol, de fato, começou aos 18 minutos do primeiro tempo. Em seu primeiro lance de efeito ( antes ele tentava apenas alçar a bola na área, sem sucesso ), Sneijder faz um longo lançamento para Robben, também sumido ( ele apenas caía em campo antes de tal jogada, pra variar um pouco ). O camisa 11 da Laranja Mecânica avança e chuta, mas Casillas defende com a parte externa do pé. Seis minutos depois, o melhor jogador da Copa, David Villa, perdeu chance incrível na pequena área após corte da zaga neerlandesa. A Fúria retomou o controle da partida após tal lance, mas tomou um grande susto ao ver Robben, de novo, sair na cara de Casillas e ver seu goleiro conte-lo novamente, em dia inspirado. Com o placar sem gols, tivemos a segunda final consecutiva de Copas do Mundo indo além do tempo regulamentar.
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Como não poderia deixar de ser, emoção, ansiedade e angústia se confundiram na prorrogação. Fábregas, recém-substitúido, chutou bem para defesa milagrosa de Stekelenburg com o pé. Iniesta enrolou demais e não chutou, desperdiçando boa chance, Navas finalizou ao lado do gol em outra oportunidade. O que era complicado pro lado laranja ficou ainda pior com a expulsão de Heitinga. A Espanha demonstrava ser mais madura para ficar com a taça nos primeiros 15 minutos.
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Então, depois de 115 minutos de final, o lance a ficar guardado na história: após recuperar a bola perto da área, Fábregas encontrou Iniesta livre, no espaço livre deixando pelo expulso Heitinga. O camisa 6 do time ibérico dominou e estuou as redes pela primeira e única vez em Johannesburgo, mesmo com o goleiro Stekelenburg tocando na Jobulani. O gol foi a deixa para o desespero holandês, que foi todo ao ataque, em vão. Com o jogo ainda em andamento Casillas já chorava compulsivamente, sentindo o inédito título espanhol.
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O próprio goleiro espanhol teve a honra de ser o primeiro espanhol na história a tocar a Copa do Mundo. O capitão ergueu a taça para o mundo, deleitado, ver a histeria da Fúria Roja. O antigo sonho de vencer um mundial, digno de Dom Quixote de la Mancha, tornou-se possível com essa geração irretocável, de jogadores extremamente técnicos e com ao menos um craque em cada posição. Num dos resultados mais justos de todas as Copas, a Espanha mostrou que camisa e histórico de nada valem quando se acredita num ideal e se tem confiança no que faz.
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