domingo, 11 de dezembro de 2011

Deixem a São Silvestre em paz !

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Desde quando foi criada, em 1924, a São Silvestre passou por bruscas modificações para agradar a federações, corporações, organizações e todo o tipo de entidades superiores que visam acabar com tradições voltadas para o divertimento de uma população específica.
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Não discuto aqui a proibição ou a permissão de estrangeiros no evento. Creio que isso é uma mudança que ocorre devido a importância e tamanho da corrida. Como qualquer evento, começou pequeno e foi crescendo. Com o crescimento, restringir a prova para paulistas ou brasileiros, apenas, é fechar a porta para o futuro.
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Sou contra graves e grandes mudanças estruturais. Inicialmente, a São Silvestre era disputada à noite, com início às 23:30h. Como o percurso tinha pouco menos de 9km, os corredores chegavam no final por volta da meia-noite, à beira do reveillón. Imagina que sensacional começar a correr num ano e terminar no outro, acho essa simbologia fenomenal.
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A partir de 1988, para atender as detemrinações da Federação de Atletismo, a prova começou a ser disputada à tarde. Agora imagina uma prova disputada no começo do verão brasileiro, à tarde, no meio do coração financeiro do país, cheio de concreto e gases poluentes. É duma imbecilidade imensa. E daí que a federação não reconheceria ? A prova continuaria tendo muito valor para quem a conhece, sobretudo para os paulistanos e para seus vencedores.
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No mesmo ano, a corrida também teve sua distância alterada, passando a ter 15 km. A parte mais desgastante da prova (a subida da avenida Brigadeiro Luís Antônio) foi incluída nessa fase do evento. Na época, a organização da prova sofreu críticas por achar (o que tornou-se verdadeiro) que a prova perderia sua característica inicial, de ser de tiro curtíssimo e totalmente diferente do que se fazia no atletismo mundial.
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Esse ano, mais mudanças drásticas, e novamente para pior. Por causa das comemorações do reveillon paulistano, na avenida Paulista, o itinerário da prova foi novamente alterado, terminando no parque do Ibirapuera, e não mais em frente a faculdade Cásper Líbero. O trecho da Brigadeiro foi mantido, agora um pouco antes do final da prova. O final agora será em frente ao Obelisco do Ibirapuera, o que acarreta na presença de um imenso trecho em descida que percorrerá a avenida Pedro Álvares Cabral.
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Ora, um trecho em subida é desgastante em qualquer hora, e um trecho em descida no final da prova aumenta demais as chances de contusões como torções e fraturas. Seja para um profissional ou para um amador, isso é algo desastroso - e, para a organização, é um vexame.
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O pior é saber o porquê essa nova mudança ocorreu: graças aos festejos de reveillon, estava difícil para a prefeitura conciliar os dois eventos.
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Para quem não sabe, o reveillón na Paulista começou em 1997 - nada perto de uma prova que ocorre desde 1924. Esqueceram de toda a tradição da São Silvestre em favor do reveillón na avenida porque esse atrai mais público e mais dinheiro, acabando com as raízes do que era o final de ano na região. Triste lógica, pior para o povo.
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E assim vamos seguindo, com a prefeitura mandando e desmandando, acabando com todo o glamour e tradição da corrida, a organização se subjugando e não mantendo o interesse de quem corre e de quem vê, além de fazer escolhas desastrosas... querem acabar com a São Silvestre, mas nós não pode deixar que isso aconteça.
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