terça-feira, 17 de julho de 2012

O poderoso cartola ~ post III de III

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A série sobre Ricardo Teixeira chega ao final hoje, após publicar a íntegra da matéria na revista Piauí e algumas palavras minhas ainda no calor das revelações feitas pela publicação.
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"Muita coisa mudou nesses últimos meses na CBF. O que o antigo presidente da confederação falou nunca teve tanto alcance e tanto impacto na mídia. Talvez nunca os brasileiros viram tão de perto quem era o comandante do futebol no país, e também talvez nunca sentiram tamanha vergonha desse fato. 
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A entrevista da repórter Daniela Pinheiro causou repecussões imediatas. Os jornalistas que já criticavam Ricardo Teixeira (concentrados na ESPN Brasil, sobretudo Mauro Cezar Pereira e o eterno desafeto do ex-presidente, Juca Kfouri) passaram a apoiar qualquer palavra contrário a ele - com mais veemência que antes. Até mesmo a grande mídia, representada pela Rede Globo, começou a se colocar contra Teixeira, como mostra essa postagem pessoal de Milton Leite em seu blog.
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Até mesmo a sociedade civil, que sempre foi contrária ao cartola, organizou-se e criou manifestações contra Ricardo Teixeira. Algumas organizações como a Frente Nacional dos Torcedores e a Associação Nacional dos Torcedores ganharam as ruas e passaram a pedir a cabeça dele. Por menores que fossem tais manifestações, eles conseguiram algum apoio da mídia, que começava a jogar a pá de cal em um dos mais nebulosos dirigentes que o país já viu.
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A grande surpresa, porém, veio com uma matéria de destaque veiculada no Jornal Nacional sobre todas as últimas polêmicas do cartola. Sem a poderosa Globo (que tratava muito bem de esconder qualquer suspeita que seu queridinho despertava) e com toda a mídia enfurecida contra si mesmo, o cerco a Ricardo Teixeira estava feito - e ele não tinha para onde correr.
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Primeiro veio a licença médica, e depois a renúncia do antigo presidente, sucedido pelo tão pilantra quanto José Maria Marin. O antigo governador biônico de São Paulo é sim um pau mandado de Tricky Ricky, que continua com todo o seu sistema corrupto nas entranhas do futebol nacional. Mas, querendo ou não, a simples ausência dele já é um grande alívio para a retomada do crescimento do esporte mais querido pela população. 
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Nesse meio tempo houve o último grande escândalo envolvendo Teixeira e seu ex-sogro, o também ex-presidente da CBF e ex-presidente da FIFA (sonho confesso de Teixeira), João Havelange: eles receberam propinas da ISL (empresa nebulosa e ligada a antigos homens da FIFA), que ganhou por meio de licitações bem questionáveis os direitos televisivos para as Copas do Mundo de 1994, 1998 e 2002. Para isso, a empresa suíça pagou R$26 milhões para Ricardo Teixeira e R$3 milhões para João Havelange, que teriam que convencer sua corja de cartolas a beneficiar a International Sports and Leisure. Com todo esse dinheiro, a proposta foi facilmente aceita - e quem perdeu, como sempre, foi o futebol. 
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Você já foi tarde, Teixeira. Que você e sua quadrilha jamsis voltem ao futebol brasileiro.
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