segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Saldo do Rock in Rio

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Após ver vários shows, me emocionar, me arrepiar, não entender algumas coisas e ter uma vontade louca de estar lá ( espero comprar o card pra 2013 ), faço aqui meu balanço sobre o festival de música mais famoso do país, em tópicos.
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~ Essa talvez tenha sido o RiR das homenagens. Com direito a show exclusivo para o Legião Urbana, com orquestra e integrantes vivos, a banda de Renato Russo foi várias vezes lembrada. Outro elemento do rock que ganhou várias lembranças foi o disco Nevermind, do Nirvana, que tirou o grunge da garagem e o mostrou para o planeta - ou fez da Terra uma imensa garagem com acordes de guitarra pesados e cheios de atitude. Claro que outras figuras mereceram homenagens, mas esses foram os mais lembrados.
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~ Timidamente, esse festival teve algum viés político. A lembrança de Sarney nos shows de Capital Inicial e Detonautas ( com as respectivas vaias e palavrões ) foi muito válida, acordando os presentes para um problema que pode ser resolvido por nós no voto, na rua e no protesto. Mas, infelizmente, a imensa maioria sai da Cidade do Rock e torna-se passivo e alienado, sem se mexer para tirar o coronel maranhense do poder.
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~ Até quando os artistas gringos vão pensar que somos índios do século XVI ? Será que eles não podem tentar se aprofundar um pouco mais na língua portuguesa, e parar de falar apenas " obrigado ", " boa noite ", " Rio " e coisas desse naipe ? Pior ainda é ver que só falando esse tipo de coisa eles são mais educados que muitos brasileiros, que nem isso falam.
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~ Alguns artistas me decepcionaram nessa edição. Dos shows que eu vi, faltou química para Rihanna, conhecimento ( de minha parte ) para Stone Sour, vontade para o Red Hot Chili Peppers e um Evanescence da primeira metade da década.
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~ Com o festival, espero que enfim aprendamos um ensinamento originado do carnaval: a escalação e a composição das noites. Não por acaso, os melhores conjuntos de apresentações ocorreram em dias com temáticos bem definidas ( domingo 25, noite do metal; e sábado 1, do pop-rock ). Não dá pra colocar sir Elton John, com seu estilo clássico e mais letárgico, privilegiando a qualidade e a sonorização, depois do pop grudento de Katy Perry e da fábrica de hits Rihanna. Lenny Kravitz, sem tantos sucessos no Brasil ( e com uma setlist ruim ) entre as musas populares latinas Ivete Sangalo e Shakira também foi estranho. Além disso, uma noite boa salva alguns shows nota sete, como o do Maná. Não que a banda foi mal, longe disso, mas esperava-se um boom maior deles e no público. O fato disso não ter ocorrido, entretanto, não acarretou em irritação de ninguém.
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~ Não sei se é um certo populismo, um ato pra ganhar a plateia ou demagogia e/ou ilusão de minha parte, mas os artistas estrangeiros parecem adorar o país. Bandeiras foram empunhadas pelos mais diversos músicos, camisas da seleção e até de alguns times foram trajadas, exaltações a nossa cultura, ao nosso povo...
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~ O Multishow bateu demais na tecla que o público está mais respeitoso para com artistas que não são do gênero preferido de queme stá vendo o show. Será que Glória, NX Zero e Elton John acham isso ?
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~ Falando em Multishow, a equipe de transmissão da emissora paga foi um verdadeiro desastre. Beto Lee mostrou um desconhecimento absurdo sobre praticamente todas as bandas e parecia estar lá só pra enrolar antes e depois de cada show, levantando a bola para a desastrosas Didi e Luisa apresentarem o " intervalo " entreshows. Luisa, quando requisitada, não sabia o que falar, mostrou-se totalmente insegura e incapaz de passar uma informação sem vícios de linguagem ou sem cair em clichês. Didi queria fazer o intervalo do jeito dela, levando um banho de línguas estrangeiras de quem quer que por lá aparecesse. Espero que em 2013 a MTV possa transmitir o RiR.
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~ O ponto mais divertido das transmissões foram as entrevistas. Visivelmente sob efeito de algum narcótico desconhecido, Christiane Torloni não falou nada com nada e William Bonner falou e não disse coisa alguma. Destaco as tomadas do público ao longo dos shows, que ficaram lindas.
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~ O palco Sunset teve shows memoráveis, e a ideia de duetos por lá, esquentando para o palco Mundo, foi muito bem bolada. Mas convenhamos que alguns artistas de lá, como Joss Stone e Titãs, tinham potencial o suficiente para estrelar um show à noite.
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~ Espero que os artistas tenham entendi nesse Rock in Rio a importância do setlist. Algumas escolhas desastradas ocorreram ( Slipknot sem Vermilion, Metallica sem Unforgiven, Lenny kravitz sem Calling All Angels ou Evanescence sem Everybody's Fool, pra ficar em alguns exemplos que lembrei de primeira ) foram sentidos - e, infelizmente, corriqueiros. Na última noite do evento, 28 músicas de System Of A Down e 39 ( ! ) de Guns 'n Roses cansaram a todos, com músicas nem tão explosivas assim e com o show da banda de Axl terminando com o Sol raiando. Nesse aspecto temos que bater palmas para o show do Skank, que além de muito bom teve um setlist enxuto e apenas com sucessos para explodir e agradar o público, sem maiores delongas.
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~ Era muito legal ver as reações dos artistas brasileiros após e durante os shows. Samuel Rosa estava elétrico, Dinho Ouro Preto, Rogério Flausino e Ivete Sangalo estavam visivelmente emocionados, Marcelo D2 e Tico Santa Cruz sentiram-se bem à vontade...
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~ Nas redes sociais, várias pessoas me criticaram quando disse que o sábado 1 foi a melhor noite da história do Rock in Rio, e que o show do Coldplay superou o do Queen em 1985. É a minha opinião, e ela só pertence a mim, certo ? Sintam-se a vontade pra discordar, mas não venham falar ou querer discutir opiniões, por que música, acima e antes de qualquer coisa, é sentimento. E apenas uma pessoa sabe o quanto Coldplay anda sendo importante pra mim.
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~ Mais sobre Coldplay: o show deles foi abismal. Só vendo a banda ao vivo entendi porque a BBC os elegeu como " reis de festival ". A energia, a improvisação a vontade com a qual eles tocaram para uma multidão apaixonada foi algo tocante. Não é a minha banda favorita ( ficam átras de poucas, como U2 e Titãs ), mas, de longe, é a banda que melhor me descreve em seus versos, com a qual eu mais me identifico.
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~ Abaixo, segue o ranking de shows ( contabilizados todos juntos e apenas os que eu vi ao vivo, seja no palco Sunset ou no Mundo. Repito, é uma opinião minha e vocês estão livres para discordar de mim, mas não venham me dar lição de moral ) de acordo com a minha preferência:
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1º Coldplay
2º Skank
3º Capital Inicial
4º Monobloco e Macaco
5º Ivete Sangalo
6º Marcelo D2
7º Metallica
8º Jota Quest
9º Maroon 5
10º Slipknot
11º Frejat
12º Katy Perry
13º Nação Zumbi e Tulipa Ruiz
14º Detonautas
15º Shakira
16º Joss Stone
17º Motorhead
18º Maná
19º Pitty
20º Red Hot Chili Peppers
21º Snow Patrol
22º System Of A Down
23º Lenny Kravitz
24º Jamiroquai
25º Evanescence
26º Elton John
27º Rihanna
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~ Foi histórico. Dos shows que eu vi, consigo guardar boas lembranças de todos. Uns mais outros menos, claro, mas sempre vou me lembrar duma música, dum momento, de algo. Desse Rock in Rio inteiro.
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